Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

"(...) What about the deficit? What about the debt? These questions are unavoidable, so let’s answer them.

 

First, the deficit and the public debt of the U.S. government can, should, must, and will increase in this crisis. They will increase whether the government acts or not. The choice is between an active program, running up debt while creating jobs and rebuilding America, or a passive program, running up debt because revenues collapse, because the population has to be maintained on the dole, and because the Treasury wishes, for no constructive reason, to rescue the big bankers and make them whole.


Second, so long as the economy is placed on a path to recovery, even a massive increase in public debt poses no risk that the U.S. government will find itself in the sort of situation known to Argentines and Indonesians. Why not? Because the rest of the world recognizes that the United States performs certain indispensable functions, including acting as the lynchpin of collective security and a principal source of new science and technology. So long as we meet those responsibilities, the rest of the world is likely to want to hold our debts.

 

Third, in the debt deflation, liquidity trap, and global crisis we are in, there is no risk of even a massive program generating inflation or higher long-term interest rates. That much is obvious from current financial conditions: interest rates on long-maturity Treasury bonds are amazingly low. Those rates also tell you that the markets are not worried about financing Social Security or Medicare. They are more worried, as I am, that the larger economic outlook will remain very bleak for a long time.

 

Finally, there is the big problem: How to recapitalize the household sector? How to restore the security and prosperity they’ve lost? How to build the productive economy for the next generation? Is there anything today that we might do that can compare with the transformation of World War II? Almost surely, there is not: World War II doubled production in five years.

Today the largest problems we face are energy security and climate change—massive issues because energy underpins everything we do, and because climate change threatens the survival of civilization. And here, obviously, we need a comprehensive national effort. Such a thing, if done right, combining planning and markets, could add 5 or even 10 percent of GDP to net investment. That’s not the scale of wartime mobilization. But it probably could return the country to full employment and keep it there, for years.

 

Moreover, the work does resemble wartime mobilization in important financial respects. Weatherization, conservation, mass transit, renewable power, and the smart grid are public investments. As with the armaments in World War II, work on them would generate incomes not matched by the new production of consumer goods. If handled carefully—say, with a new program of deferred claims to future purchasing power like war bonds—the incomes earned by dealing with oil security and climate change have the potential to become a foundation of restored financial wealth for the middle class.

 

This cannot be made to happen over just three years, as we did in 1942–44. But we could manage it over, say, twenty years or a bit longer. What is required are careful, sustained planning, consistent policy, and the recognition now that there are no quick fixes, no easy return to "normal," no going back to a world run by bankers—and no alternative to taking the long view.

A paradox of the long view is that the time to embrace it is right now. We need to start down that path before disastrous policy errors, including fatal banker bailouts and cuts in Social Security and Medicare, are put into effect. It is therefore especially important that thought and learning move quickly. Does the Geithner team, forged and trained in normal times, have the range and the flexibility required? If not, everything finally will depend, as it did with Roosevelt, on the imagination and character of President Obama."

 

John K Galbraith, texto publicado no Washington Monthly

 

É certo que os EUA não são Portugal, mas parte do que diz Galbraith, desde que devidamente "traduzido", também se poderia aplicar ao caso português. Posto isto, importa dizer uma coisa: o problema não são os défices, é a estratégia de desenvolvimento económico que tornou esses défices inevitáveis. Ou seja, o défice não é um problema, é um siintoma. O  nosso grande — e único — desafio consiste em pôr em prática uma estratégia de desenvolvimento robusta e sustentável. Mas também é importante perceber uma coisa: certas propostas, como aquelas defendidas por Vítor Bento — redução de salários e flexibilização dos despedimentos —, não são economicamente sensatas e, sobretudo, não são politicamente viáveis. No seu livro "Perceber a crise, encontrar o caminho", Vítor Bento diz mais ou menos o seguinte o euro deu-nos possibilidades de consumo artificialmente altas sem que a nossa capacidade produtiva acompanhasse o crescimento do consumo, isto é, consumimos como ricos sem produzirmos como tal. A razão: não compensámos a perda de flexibilidade cambial com um aumento da flexibilidade de salários, o que destruiu a nossa competitividade externa. O resultado: desemprego crescente no sector de bens transacionáveis e agravamento do défice comercial. Bento diz que a nossa trajectória é insustentável. Feito o diagnóstico, passemos à solução. Bento diz que é preciso recuperar a competitividade perdida. A palavra "recuperar" é todo um programa: ser competitivo implica ter baixos custos salariais. Esta proposta tem pelo menos dois problemas:

 

1) Pressupõe que o anterior modelo de desenvolvimento ainda é uma possibilidade para o nosso país — e pressupõe, erradamente, que esse modelo é desejável;

 

2) Parece ignorar que parte da legitimidade da nossa participação na UE depende desta poder garantir níveis de consumo elevados, isto é, o nosso problema não reside em consumirmos como ricos, é ainda não produzirmos como tal. E é aqui que a estratégia de crescimento económico proposta por Bento se torna contraditória. Independente do irrealismo de achar que baixar salários garante aumento de competitividade e crescimento económico, Bento parece não perceber que consumo e produção estão internamente relacionados: insistir na redução dos custos salariais não nos põe a produzir como ricos, põe-nos a produzir e a consumir como aqueles Portugueses que sempre fomos e que não queremos, nem podemos voltar a ser.

2 comentários:
De Carlos Novais a 16 de Novembro de 2009 às 19:38
Falar nos perigos da "debt deflation" e depois como que recomendar que a dívida é pouco importante é algo disfuncional.


Os salários têm de cair quando a produção baixa de forma estrutural (como num período de recessão/crise). Esta é uma verdade universal e existe quem se queria revoltar quando a restrições impostas pela realidade é um facto...mas isso tem um nome na psicologia.


A minha própria máxima é:


"Quantas mais pessoas protegem a totalidade do seu salário mais pessoas perdem a totalidade do seu salário"


Quanto à expressão "produção e consumo":


A partir de uma dada produção, SÓ a poupança prévia permite investir em novas linhas de produção que baixem os custos da actual produção, de forma a ser possível produzir mais, e o nível de vida assim subir.


A poupança é necessária (devo confessar que me sinto algo ridículo em escrever isto) porque o investimento precisa de ser suportado por poupança no mínimo em todo o tempo que o investimento nada produz, ou produz abaixo do necessário para pagar os recursos de que necessita.


Por exemplo... Salários.


Em boa verdade o Capital (poupança real prévia não notas fabricadas do nada pelo Banco Central) só é necessário para pagar os salários dos trabalhadores, ainda muita antes de existir sequer qualquer receita ou receita suficiente. Elimine-se os trabalhadores e aí sim, o capital (poupança prévia) deixa de ser necessária...


Agora, não é o consumo que suporta o crescimento. Isso é uma crendice, do mais puro irracionalismo possível.


De José Viegas a 17 de Novembro de 2009 às 01:16

ai begue iór pardon?


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