Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Na caixa de comentários de um post mais abaixo houve uma troca de palavras entre mim e o Pedro Picoito que, para tirar teimas e porque me parece importante*, resolvi retirar das catacumbas e trazer para a luz do dia.

 

Comecei eu

 

Pois eu achei particularmente revelador (e explica taaaaanta coisa) a história, tb. saída da boca de Pedro Picoito, de q o casamento existe para proteger as mulheres. Em 2009 o casamento não é uma instituição que regula, de forma igualitária e paritária, a relação entre 2 pessoas, com iguais direitos e deveres,  mas que serve para proteger uma delas... cute, hein?

 

E o Pedro replicou

 

Maria João, eu não disse que o casamento serve para proteger a mulher, mas para definir o estatuto jurídico da mulher. E não disse "hoje", disse "ao longo da história". É diferente, mas claro que cada um ouve aquilo que quer. O que também é bastante revelador da honestidade intelectual de quem ouve.(...)

 

E, de novo, eu

 

Pois, Pedro, esqueceu-se no meio da sua prelecção de referir q se estava a referir ao passado, esqueceu-se de referir q o casamento sofreu, ao longo do tempo, mudanças profundas q lhe alteraram a "natureza" e depois fala em honestidade intelectual? Repare, até aceito q viva/olhe para o casamento sem lhe reconhecer essas alterações estruturais (até me parece q para si o q interessa não é o casamento mas o matrimónio, estou enganada?) mas o q é um facto é q o instituto casamento q estamos agora a discutir não tem nada a ver com aquele q descreveu, é outra coisa, tal como está consignado no código civil  as simple as that.

 

Pedro strikes back

 
Maria João, lamento, mas eu tive o cuidado de dizer "historicamente". Pode ir ver à gravação do programa. Insisto, cada um ouve aquilo que quer.(...)

 

E eu fui ouvir e transcrever

 

Não disse historicamente, eu ajudo-o com a transcrição exacta das suas palavras e com especial cuidado para não haver tempos verbais adulterados, aspecto fundamental nas evidentes críticas que as suas palavras merecem. Aqui vai, então, a transcrição (o bold é usado por motivos óbvios na parte q me mereceu especial reparo):

"O casamento, tal como existe na civilização ocidental e não só, pretende defender, antes de mais nada, as relações entre homem e mulher, entre marido e mulher mas, também, as relações de paternidade e filiação e também a situação jurídica da mulher. São estes os vários bens que estão em causa no casamento.Ora se nós mudamos o contrato de casamento, como pretende esta mudança legal, que é uma mudança legal imposta de cima por decreto, o que nós estamos a fazer é mudar esta estrutura completamente e isto é uma mudança suficientemente grave, na minha opinião, para que se possa perguntar às pessoas, à sociedade civil em primeiro lugar, o que é que acha disto, porque nós não podemos confiar uma instituição tão importante como esta apenas a uma reivindicação identitária, tribal, perdoem-me a expressão, de uma minoria."

 

* E parece-me importante por um motivo evidente, não é por acaso que a maioria dos que se encontram ligados a movimentos relacionados com a condição feminina se revê nestas lutas e tem, também não por acaso, os mesmos "adversários". É como diz o outro, isto anda tudo ligado. Adenda: o texto do Daniel, no Arrastão.

 

P.S. atrasado - esqueci-me de me justificar pelo uso de abreviaturas. Ao contrário do que acontece nos posts, nas caixas de comentários, para ganhar tempo, uso e abuso de abreviaturas. Quando decidi trazer os comentários para a "luz do dia" hesitei entre editá-los ou não mas a picuinhice que me é própria levou a melhor, uma citação é uma citação, respeita o original e ponto final.

30 comentários:
De Ana Matos Pires a 17 de Novembro de 2009 às 23:10
Tungas.


De Francisco a 17 de Novembro de 2009 às 23:10
Factos, Factos !!! No meio de tanta especulação, diz que disse, fontes anónimas, opinião e achismos cai que nem uma dose de cocaína para um arrumador de carros nas desertas madeirenses. 


De Romeu a 17 de Novembro de 2009 às 23:18
E Pimba! Lá se foi o Picoito!
"Cada um ouve o que lhe interessa" está boa, Picoito! Realmente tinha razão! E comprova a sua honestidade intelectual! ;)


De trucatruca a 17 de Novembro de 2009 às 23:36
embrulha


De pedro picoito a 17 de Novembro de 2009 às 23:43
Isto é fantástico. Dizer "historicamente" e dizer "tal como existe na civilização ocidental" não é exactamente a mesma coisa? Mas em que mundo é que vive?


De Shyznogud a 17 de Novembro de 2009 às 23:52
Eu explico-lhe, num mundo em q dizer isto "O casamento, tal como existe na civilização ocidental e não só, pretende defender(...)" é muito diferente de dizer isto "O casamento, tal como existe na civilização ocidental e não só, pretendeu defender(...)". Num mundo em q já não se pode afirmar que "São estes os vários bens que estão em causa no casamento", mas sim "Foram estes". Mas o Pedro vive noutro mundo, naquele que agora quer arredar para os corredores da história, não obstante afirmar que é aquele contrato, que tem aqueles bens em causa, que, antes de ser passíuvel de alteração, deve ser sujeito a referendo. Decida-se, afinal quais são os bens que hoje, em Novembro de 2009, estão em causa no casamento.


De Shyznogud a 17 de Novembro de 2009 às 23:56
claro q tb. é para transformar o "existe" em "existiu", foi lapso.


De S a 17 de Novembro de 2009 às 23:52
Afunde-se, afunde-se... Sei lá, diga que foi um lapsus linguae ou assim.


De ManuTor a 18 de Novembro de 2009 às 00:18
Estes "Picoitos" não passam de "beatos" que de progressio humano nada sabem nem querem saber... Nada a fazer. Depois quando descuberta a sua "careca", ao tentarem desculpar-se mostram toda a sua face. Infelizmente ainda estamos nisto... e se estamos!


De Anónimo a 18 de Novembro de 2009 às 00:29

Isto está a tornar-se um pouco surrealista. Vou explicar muuuuuuuito devagarinho, como diria alguém. O casamento, tal como hoje está definido  no Código Civil (contrato pelo qual dois indivíduos de sexo diferente constituem família mediante plena comunhão de vida, com os direitos e os deveres inerentes - fidelidade, coabitação, assistência mútua, etc.) resulta de uma história muito antiga. Essa história, que no Ocidente é anterior ao Cristianismo e nasce em Roma, deu sempre ao casamento uma forma heterossexual porque se destinava a proteger os tais bens associados à heterossexualidade: relações entre os cônjuges, estatuto jurídico da mulher, filiação. No caso do "casamento gay", os dois últimos não existem e o primeiro só existe confessadamente por razões "simbólicas" e de reconhecimento público da homossexualidade. Isto é uma alteração profunda do contrato de casamento tal como a história conheceu até hoje.
Qual é a parte que não está clara? O "u" que falta?


De Shyznogud a 18 de Novembro de 2009 às 00:40
Ora releia lá a nossa conversa desde o início e veja lá se a primeira coisa q lhe disse foi q se tinha esquecido de, claramente, introduzir o factor tempo na sua intervenção. Mais, desde o início q tb. lhe referi q o casamento tinha sido sujeito a alterações importantes que o Pedro tinha decidido ignorar, a mais importante das quais diz respeito, OBVIAMENTE, à alteração do estatuto da mulher no casamento civil. Agora vem fazer de conta q não o interpelei nesse sentido, também está bem. Ah! Aliás, como é evidente, o bem q me levou a bicá-lo tb. JÁ não existe . Isto quer dizer o quê? Entre outras coisas q o instituto chamado casamento já sofreu alterações profundas da sua "natureza" e esta é só mais uma delas. Resumindo e baralhando: o casamento não é, ao contrário do q alguns defendem, uma instituição imutável. E é muito feio chamar desonestos aos outros neste contexto.E há ÚS que são mm muito importantes, fundamentais mesmo.


De sxzoeyjbrhg a 18 de Novembro de 2009 às 01:46
A melhor forma de expor as hipocrisias homofóbicas é com o humor:

Stephen Colbert: The Word - Skeletons in the Closet (http://www.colbertnation.com/the-colbert-report-videos/256012/november-16-2009/the-word---skeletons-in-the-closet)





De pedro picoito a 18 de Novembro de 2009 às 02:04
Não, não me esqueci coisíssima nenhuma do factor tempo. Quando digo "civilização ocidental", estou imediatamente a pensá-la no tempo. Nenhuma civilização é estática. É tão evidente, para mim, que tomo "civilização ocidental" e "historicamente" como sinónimos. O que é fundamental, isso sim, mais do que os seus ais e uis, é que, apesar do que chama alterações estruturais do casamento (não são estruturais, mas adiante), há um dado que nunca muda: o casamento foi sempre heterossexual. 


De Shyznogud a 18 de Novembro de 2009 às 08:23
Pedro, podia ter feito o óbvio, "Ups, a minha memória atraiçoou-me, desculpe" mas, em vez disso, continua a deixar a soberba dominá-lo. Não fui eu q escrevi q tinha tido o cuidado de dizer historicamente, com aspas e tudo no historicamente, não vale a pena continuarmos esta conversa, os factos estão aí à vista. Até uma próxima e da próxima vez antes de insultar qm quer q seja e teimar pense duas vezes. Já agora reforço, parafraseando o outro, não gosto que me chamem desonesta, é uma coisa q me chateia.


De Paula R. a 18 de Novembro de 2009 às 09:37
Vi ontem a gravação do prós e contras, disseram-me que ia ficar irritada por não ter com quem ir comentando as aberrações que por lá foram sendo ditas, mas não ... ri-me à farta ! Os senhores pelo não, tinham um miserável nível de argumentação, não por  falta de capacidade intelectual mas porque pura e simplesmente recusam em se assumir como homofóbicos ... vai dai o discurso é redundante, incoerente e falacioso ... Pedro Picoito, ... assuma-se e vai ver que todo o seu discurso e saidas "irreverentes" (ih, ih, ih,... :)  ) serão mais coerentes


De nuvens de fumo a 18 de Novembro de 2009 às 09:58
Caro Pedro Puicoto

Tendo andado eu, recentemente a ler algumas teoria de uns académicos sobre o ocidente, e como fiquei com a certeza de haver muitas dúvidas sobre que raio quer essa palavra dizer, gostaria , a bem da pureza argumentativa , que tentasse definir "civilização ocidental" e sobretudo nessa noção temporal.

Curiosidade de uma pessoa com formação científica e técnica e que fica sempre espantada com estas indefinições.

Obrigado


De PGFV a 18 de Novembro de 2009 às 18:33
Desculpe interpela-lo directamente, mas deve saber que se  cada um de nós pode seleccionar apenas o que lhe é mais relevante ao recepcionar uma mensagem, nós próprios igualmente podemos reconstruir as nossas memórias e por vezes até achamos que dissemos coisas que de facto nunca dissemos e claro está, casa um interpreta a realidade com os seus códigos de leitura pessoais subjectivos, dos quais constam obviamente os esteriótipos e os preconceitos.

Um grande bem haja.


De PGVF a 19 de Novembro de 2009 às 08:40
E só mais uma coisa que me faz espécie, no seu  conteúdo argumentativo e nos dos seus companheiros de luta. Porque é que nunca assumiram que SÃO CONTRA O CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO e por isso querem fazer um referendo? Verticalidade também passa por assumir as conviccões que nos movem e não por fazer demagogia em volta da necessidade de um referendo. Poderia ter aproveitado e ater ssumido também o que é que pensa da homossexualidade, e como é que se compara (presumo que seja heterossexual) aos homossexuais. Se tivesse começado por apresentar as suas crenças e assumisse as suas atitudes relativamente à homossexualidade e daí decorrente as suas crenças e atitudes relativamente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, talvez tivesse sido mais sincero da sua parte e útil ao debate.


De pedro a 18 de Novembro de 2009 às 08:28
A mim o que me põe nervoso são estes exercícios de má fé dos pedros picoitos e quejandos. Ó Maria João, uma discussão pressupõe boa fé das 2 partes. Sem esse mínimo civilizacional, não há discussão, por muito que se diga e escreva. E se mais provas faltassem, este post é bem a prova da falta de coluna desta gente. Estes catequistas só existem porque lhes damos importância. Se lhes dermos a atenção que merecem as pessoas de má fé, consomem-se uns aos outros em boatos e patifarias, nas sacristias, e só aí.


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