Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
"Temos as cargas fiscais mais elevadas da Europa e a carga fiscal já é progressiva"
Telmo Correia em entrevista ao jornal i
Mas Telmo Correia está enganado:
"Entre 1995 e 2006, o nível de fiscalidade (média aritmética) na zona euro passou de 36,7% para 38,4%, enquanto que em Portugal tal indicador passou de 31,9% para 35,9%" ( Relatório do Grupo para o Estudo da Política Fiscal, pp. 15).
Segundo o relatório "Monitoring revenue trends and tax reform" da Comissão Europeia, Portugal é o 12º país (em 27) com carga fiscal mais baixa. Vejamos a repartição por tipo de imposto
1)Impostos sobre bens e serviços: PT=14%; UE15=11,8%; UE19=12%
2)Impostos sobre rendimento: PT=9,5%; UE15=13,8%; UE19=12,6%
3)Contribuições Seg Social: PT=11,7%; UE15=11,1%; UE19=11,5% (pp. 64)
Cruzando estes dados com o facto de Portugal ser dos países mais desiguais da UE, podemos dizer o seguinte: não só Telmo está enganado em relação à carga fiscal, como há margem para reforçar a progressividade da nossa carga fiscal. Como? Aumentando o peso dos impostos sobre o rendimento e reforçando a sua progressividade. Isto implica rever o regime de deduções (como consta no programa do PS) e, eventualmente, criando um escalão máximo 45%, como defende o Bloco de Esquerda.
De RITA SANTOS a 19 de Novembro de 2009 às 21:28
Conversa...com o mesmo rendimento de 2007 em 2008 paguei mais de IRS.
Portugal..."É a pior Economia dos 16 países da Zona Euro e a segunda pior entre os 30 considerados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico". Pois, se calhar a solução é mesmo reforçar a progressividade dos impostos sobre os rendimentos e eventualmente criar um escalão de 45%...
De Ricardo a 19 de Novembro de 2009 às 22:30
João Galamba,
Obrigado por nos dizer o que pensa das palavras de Telmo Correia.
Pode agora dizer-nos o que acha do défice ter atingido 8% e o desemprego ter atingido 10% ?
É capaz de ser mais importante e digno de comentários, não é?
De José Freitas a 19 de Novembro de 2009 às 23:19
Os dados a que o João Galamba se reporta terminam em 2006, quando a acusação feita pela oposição política e pelos meros críticos do Governo é que a carga fiscal tem aumentado nos últimos anos - e aí faltam três para chegarmos ao ano em que vivemos.
E muitas das críticas à carga fiscal actual estão focadas nos aumentos de impostos indirectos, cujo impacto é mais difícil de medir e cuja comparação com outros países é mais complexa...
De Luís Serpa a 19 de Novembro de 2009 às 23:42
Por amor de Deus! Quando é que a esquerda arruma definitivamente o mito de que a progressividade contribui para a igualdade e se rende às vantagens da flat rate?
Enfim, dito de outra forma: quando é que a esquerda começa a olhar para as coisas como elas são e não como pensa que deviam ser? Alguém acredita que as vantagens da progressividade são mais do que políticas?
De Romeu a 20 de Novembro de 2009 às 10:18
Na Finlânia a progressividade é muito popular, e é até motivo de orgulho, mesmo para os que recebem mais. Aqui varia entre os 20% e os 42%. E a Finlândia é dos países com menores desiguldades do mundo.
Alguém sabe exemplos de países com flat rates que tenham altos níveis de igualdade social?
Eu costumo ver geralmente os países com maior igualdade social a usar taxas progressivas, e países com flat rates, ou taxas menos progressivas, com maiores desigualdades.
De Alba a 20 de Novembro de 2009 às 00:16
Caro João,
Peço-lhe que se concentre, como deputado da nação, em tentar por mais gente a trabalhar, em vez de aumentar impostos. Já me chega, esfalfar-me todos os dias, ter de manter três empregos (2 com recibos verdes), que me fazem pagar mais de 35% de IRS, e ainda 11.5% de segurança social.
(Isto também, para poder pagar uma escola bilingue aos meus filhos, porque pelo andar da carruagem, vamos ter a confirmação das profecias do Medina Carreira. E por isso, é melhor eles estarem preparados para se porem a andar daqui para fora...)
De
Francisco a 20 de Novembro de 2009 às 10:13
De facto esse é um mito há muito cultivado.,de form desonesta e para justificar políticas que não nos trazem nada de novo nem ajudam a crescer na escala de acrescimo de valor.
Ainda há uns 2 anos um ranking da Forbes colocava Portugal na metade mais baixa das percentagens de impostos e taxas, em comparação com vários paises do mundo.
Mas a verdadeira falta de progressividade vem do acesso aos serviços do estado. O maior *imposto* em Portugal é a incerteza no acesso à justiça e à administração pública. São essas desigualdades e incertezas afastam os investidores, que desmotivam os trabalhadores e que provocam o que é o maior índice de desigualdade na Europa a 27.
Ainda à poucos anos (e melhorou ligeiramente), em Portugal, o mais pobre dos 10% mais ricos ganhava 15 vezes mais que o mais rico entre os 10% mais pobres. Julgo que em Espanha são 8 vezes e na Suécia não chega a 6.
De pedro frederico a 20 de Novembro de 2009 às 10:37
Bom dia, Sr Galamba, repare nas respostas precedentes à minha...e como deputado da Nação reflicta um pouco sff...não vale a pena atirar areia para os olhos das pessoas, só lhe peço, pare e pense na Nação!! gosta do que vê?
Se sim, parabéns, já tem o seu salário garantido...
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