Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Hoje, na Sic Notícias, João Duque disse mais ou menos isto: o défice é terrível, não podemos aumentar mais a dívida porque ela está elevadíssima e o PIB está a cair. O que propõe João Duque:

 

1) Diminuir despesa?

2) Aumentar impostos?

3) Aumentar despesa tentando recuperar da crise?

 

Não creio que João Duque defenda reduções de despesa, pois isso agravaria a recessão e implicaria um aumento do desemprego — o que, convenhamos seria um problema não menos grave do que o endividamento público. Não sei se defende uma subida de impostos, pois não falou do tema. Também sabemos que não defende aumentar os gastos: estamos endividados e não podemos gastar mais. O que propõe, então, João Duqye? Nada. Limita-se a dizer que isto está horrível, catastrófico, apocalíptico — e isso basta.

 

A seguir veio António Nogueira Leite, que disse uma coisa muito curiosa: "as agências de rating já tinham alertado que isto estava terrível, mas, curiosamente, os mercados andam distraídos e os spreads face à dívida alemã continuam relativamente baixos". Mistério? Nenhum. Nogueira Leite explica: os mercados ainda não prestaram atenção suficiente ao nosso país, andam distraídos. Há aqui uma coisa que me intriga, sobretudo quando dita por um liberal. O que significa um mercado estar distraído? Não estamos a falar de taxas de juro — que não são totalmente determinadas por forças de mercado —, mas sim de spreads, talvez aquilo que mais se aproxima daqueles preços sábios que os liberais tanto endeusam.
A crise faz coisas estranhas ao conhecimento da economia...


11 comentários:
De Damião Fernandes a 20 de Novembro de 2009 às 00:54
E a sua solução é...aumentar impostos, certo?


De thestudio a 20 de Novembro de 2009 às 03:41
Não, dado que o principal problema do país é o elevado défice, a solução é aumentar o défice.


De AnoNym Schwein a 20 de Novembro de 2009 às 01:36
Em 10 anos Portugal e Espanha darão início à época Federativa Europeia, com a criação do primeiro eSTADO membro com 5 línguas oficiais.


De coisa e Tal a 20 de Novembro de 2009 às 01:38
Ou 6. faltava o Mirandês.


De Romeu a 20 de Novembro de 2009 às 10:13
São 7. O Valenciano também uma das línguas oficiais de Espanha.


De fernando antolin a 21 de Novembro de 2009 às 09:58
Romeu, o valenciano é uma variação do catalão,como o mallorquin.


De Luís Lavoura a 20 de Novembro de 2009 às 09:54
Spreads são taxas de juro. São taxas de juro diferenciais. O spread de Portugal é a diferença entre a taxa de juro que Portugal paga e a taxa de juro que a Alemanha paga (por dívida com o mesmo prazo). Esta última é tomada como referencial dado a Alemanha ser o país com a economia mais forte da zona euro.


De Pedro a 20 de Novembro de 2009 às 17:01
E se em vez de "Aumentar despesa tentando recuperar da crise?" sugerir como opção "Aumentar impostos tentando recuperar da crise?". Não soa tão bem pois não? É claro que o João Galamba vive num mundo em que o dinheiro dos estados cai do céu. É só pôr a impressora a trabalhar e aparecem pontes, estradas e TGVs. Se a matemática não fosse um drama tão grande nas nossas escolas talvez fosse possível explicar ao senso comum que este dinheiro investido agora pelo estado e priorizado de acordo com percepções do que será boa propaganda, seria de outra forma empregue em prioridades individualmente estabelecidas e por isso sem visibilidade mas cujo efeito resulta igualmente numa tentativa de recuperação da crise mas sem segundas intenções de propaganda.


De Cristiano a 21 de Novembro de 2009 às 12:29
Não percebi, o João Duque é que tem de ter soluções??
Não me apercebi que ele tenha concorrido ás eleições de 27 de Setembro. Ah, se calhar foi convidado para ministro da economia  ou finanças e disse que não... Então neste caso tem a obrigação de dar soluções, por ter sido convidado...
Por mim espero soluções por parte de quem anda a apregoar aos sete ventos que "colocou as finanças públicas em ordem".
Interessante, é constatar que o Banco de Portugal, que conseguiu surpreender o país com o SUPOSTO defice que seria atingido por Santana Lopes, foi ele próprio agora surpreendido pelo defice REAL que o governo Socrates vai atingir.
Pode haver que não goste do João Duque, mas que isto está uma catástrofe, isso está!!


De fernando antolin a 21 de Novembro de 2009 às 13:38
Sabe Cristiano, isto é tudo gente muito assustadiça e dada a surpresas: o BP surpreendido com o défice,a Ministra do Trabalho surpreendida com o desemprego e o Ministro das Finanças surpreendido com o valor da queda das receitas ou coisa parecida. É tomarem caldos de galinha...


De JP Santos a 11 de Dezembro de 2009 às 10:43
Infelizmente, a politica é a arte do possível e se admito que em 2010 será possível manter o nível do défice sem necessidade de aumentar os impostos, a dimensão do ajustamento orçamental a realizar nos anos subsequentes vai necessariamente exigir uma forte contenção da despesa e/ou um aumento dos impostos.
Quanto aos mercados não creio que andem "distraídos". Simplesmente os países cujas situações orçamentais são mais dificeis têm beneficiado de uma garantia implicita que resulta do facto de ser praticamente inconcebivel que os parceiros da zona euro (e o BCE) venham a permitir que se concretize um cenário de "bancarrota". Não fosse isso e não tenho qualquer dúvida de que os spreads seriam bastante superiores.


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