"(...)Over the past half century, UK bank capital has remained at between 3 per cent and 5 per cent of assets, these assets have risen tenfold, relative to GDP, and returns on equity have averaged 20 per cent. Such high returns, in an established industry, must mean either high barriers to entry or excessive risk-taking. The former are undesirable and the latter terrifying, particularly in view of the huge rise in the state’s exposure to the risks.
We will never have a better opportunity than now to redress the deteriorating terms of trade between the banks and the state. A big part of the solution must be to shift incentives. The more credible are the pre-announced limits on support from government, the more effective will be the changes in incentives inside banks, and vice versa. The less we are able to shift these incentives, the more important it will be to impose heavy regulation. The combination of today’s incentives with today’s safety nets and yesterday’s “light touch” regulation was devastating.
Yet, regardless of the success of reforms of incentives in – and regulation of – the financial sector, it is reasonable to recoup not only the direct fiscal costs of saving banks but even some of the wider fiscal costs of the crisis. The time has come for some carefully judged populism. A one-off windfall tax on bonuses would make the pain ahead for society so very much more bearable. Try it: millions will love it." (Martin Wolf, Tax the windfall banking bonuses)
Quando até um dos principais colunistas do Financial Times já defende isto, talvez não fosse má ideia começarmos a discutir o tema.
João, fiquei na dúvida que parte do artigo do Martin Wolf deveríamos falar mais a partir de agora. Se for em relação à regulação concordo em absoluto. Em relação aos bónus parece-me uma perda de tempo. O risco excessivo que alguns bancos assumiram pré crise tem a haver de facto com incentivos, mas de todos, o incentivo do bónus de final de ano era talvez o menos relevante, por muito que politicamente seja atractivo centrar as atenções nesse aspecto. E quem achar que taxando os bónus de forma significativa resolve o problema e previne novas crises financeiras, terá uma desagradável surpresa down the road. Existiram incentivos a montante, muito mais importantes, que nos conduziram a esta crise. É preciso perceber que os bancos assumiram riscos porque podiam - porque o retorno ajustado do risco das suas aplicações era atractivo, porque o custo de financiamento dessas operações era excessivamente baixo em função de anos de politica monetária expansionista, porque a regulação falhou de forma generalizada em perceber e acompanhar o ritmo de inovação, sofisticação financeira e risco implícito de aplicações que poucos (e seguramente não os reguladores) percebiam e finalmente porque os accionistas beneficiaram com isso e muito (se em 2007 perguntássemos a um accionista da Lehman se a sua politica de gestão de balanço era em si geradora de valor muito poucos diriam que não). A nova regulação terá que 1) acompanhar o ritmo de inovação dos bancos e para isso terá de dotar-se de talento e pagar por ele (nem sempre fácil em institutos públicos), 2) aplicar uma regulação preventiva (através da penalização de activos com maior risco no balanço, exigindo que os bancos que queiram ter maior nível de risco, sejam obrigados a um nível de solvabilidade superior, 3) garantir estruturas de financiamento equilibradas e orientadas para o médio e longo prazo, actuando no sentido dos bancos evitarem liquidity bottlenecks, 4) incentivar a tomada de low risk. Há de facto temas importantes e estruturantes para a prevenção do risco na actividade bancária. Os bónus não são seguramente um desses temas.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
