Sábado, 21 de Novembro de 2009
João Pinto e Castro

A British Airways está entre as maiores transportadoras aéreas nas ligações entre a Europa e a América do Norte e Central. A Ibéria domina o tráfego aéreo no Atlântico Sul. Foi anunciada a fusão das duas.

Um porta-voz da TAP assegura que a transportadora nacional não será afectada pela operação. O Expresso de hoje concorda: "Fusão anglo-ibérica não afecta Portugal". (Será isto uma notícia?)

Portugal sempre foi historicamente o aliado ibérico preferencial do Reino-Unido em tudo o que respeita ao Atlântico Sul. Neste caso, porém, foi posto de parte.

A localização geográfica do país só não será irremediavelmente periférica se funcionar como plataforma de articulação com outros espaços. No caso do transporte aéreo, esses espaços só podem ser a África e a América do Sul.

Como pode alguém pretender que, isoladamente (ou melhor, desintegrada de uma aliança que reforça a sua posição no espaço atlântico), a TAP tem condições para competir com êxito contra a Ibéria e a British Airways associadas?

O problema da orientação estratégica da TAP arrasta-se há anos sem que o assunto mereça a atenção devida da opinião pública, dos partidos ou do governo. Não resta muito tempo nem muita margem de manobra.


7 comentários:
De antónio monteiro a 21 de Novembro de 2009 às 22:59
Nas minhas horas vagas de porta-voz da TAP às vezes aterro no jugular. Se de manhã não entendi o Expresso à noite não estou com mais sorte. É que Portugal já é plataforma de articulação com outros espaços, devido à integração da TAP na Star Alliance . Por outro lado, A Iberia não domina o Atlântico Sul, a não ser os países de lingua castelhana. Por acaso a TAP foi nomeada há dias em Londres a "companhia mundial lider para a América do Sul". Recordo também que a British já está associada à Iberia há um par de anos na mesma aliança, a Oneworld , pelo que a "fusão" de agora visa fundamentalmente recuperar terreno aproximando esta aliança das duas maiores, a Star e a Sky Team . Duas notas apenas: 1. A aproximação à aliança da Iberia seria fatal para a TAP porque o hub de Lisboa seria engolido pelo de  Madrid; a TAP já tem orientação estratégica, mas não esqueçamos que o transporte aéreo está em crise em todo o mundo.


De João Pinto e Castro a 22 de Novembro de 2009 às 21:35
1. Não critico a declaração da TAP, percebo que não poderia dizer outra coisa.
2. Eu sei que Portugal é plataforma de articulação com outros espaços. Trata-se de assegurar que tenha condições para que continue a sê-lo.
3. O prémio atribuído à TAP que menciona não tem nada a ver com a liderança em quota de mercado. 
4. A Ibéria "não domina o Atlântico Sul, a não ser os de língua castelhana". Ou seja, excepto a Argentina, o Chile, o Uruguai, o Paraguai, a Venezuela, a Colômbia, o Equador e a Bolívia. Boa piada.
5. Para si, aliança no quadro da Oneworld e Fusão é a mesma coisa. "No pasa nada".
6. Eu não defendi nem defendo a aproximação da TAP à Iberia.
7. Se a TAP tem uma estratégia viável, temos que reconhecer que se trata de um segredo muito bem guardado.


De Filipe Moura a 23 de Novembro de 2009 às 21:06
"A Ibéria "não domina o Atlântico Sul, a não ser os de língua castelhana""

É bem verdade, João. A Iberia não domina o Brasil, e quem não domina o Brasil não pode falar em dominar o Atlântico Sul.

Graças à visão do Engº Fernando Pinto, a TAP é a única companhia no mundo a voar directamente da Europa para o noroeste do Brasil. No noroeste do Brasil há um punhado de cidades importantes - ao contrário do que possas pensar, esses vôos não são só para turismo. Um habitante de uma dessas cidades que precise de vir à Europa, ou voa até Rio ou São Paulo para apanhar ligação (ir e vir é só um continente) ou apanha a TAP. Acho a estratégia de "brasileirização/africanização" (onde a Iberia não entra)
no quado da Star Alliance muito bem pensada - uma estratégia de viabilidade. Por isso acho o teu texto algo alarmista em excesso.


De Neo a 22 de Novembro de 2009 às 22:36
Este post tem pérolas fabulosas.
"...A Iberia não domina o Atlântico Sul, a não ser os países de lingua castelhana..."
De 15 Países da América do Sul não domina 3 (Brasil, Guiana e Suriname). Derrota para a Iberia.

"...British já está associada à Iberia há um par de anos na mesma aliança..."
mais concretamente um par de 5 anos. nada recente que sirva de razão.
http://www.oneworld.com/ow/news/details?objectID=1272 (http://www.oneworld.com/ow/news/details?objectID=1272) (http://www.oneworld.com/ow/news/details?objectID=1272)

"..."fusão" de agora visa fundamentalmente recuperar terreno aproximando esta aliança das duas maiores..."
se o propósito fosse aproximar das outras alianças seria com a adição de novas companhias para aumentar a oferta de destinos, número de voos, etc.  Precisamente o que está a fazer a Star alliance (onde está a TAP) com os novos parceiros, SN, Air India, Tam, Continental, etc.
Esta fusão não é mais que uma tentativa de cortar custos. 400€ mio em sinergias
http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/transport/6556990/Iberia-shake-up-turbo-charged-merger-talks.html (http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/transport/6556990/Iberia-shake-up-turbo-charged-merger-talks.html)

"...a TAP já tem orientação estratégica..."  espero que seja algo mais elaborado do que esta meia dúzia de ideias vagas do terceiro parágrafo
http://www.flytap.com/Portugal/pt/Empresa/ATAP/ (http://www.flytap.com/Portugal/pt/Empresa/ATAP/)

 
 
 
 
 


De Luís Lavoura a 22 de Novembro de 2009 às 15:22
Se a TAP fosse uma companhia privada, como já há muitos anos deveria ser, isso não seria um problema de nós todos, mas apenas dos seus proprietários privados.


De João Pinto e Castro a 22 de Novembro de 2009 às 21:17
Como é que "isso" deixaria de ser um problema  nosso se a TAP fosse uma empresa privada, Luis? O meu amigo não gosta mesmo de pensar no que diz.


De Anónimo a 25 de Novembro de 2009 às 12:40

Afirmar que “a Iberia não domina o Atlântico Sul, a não ser os países de língua castelhana” não é uma “pérola fabulosa” mas apenas uma forma de dizer - a quem não reparou - que o Brasil tem hoje um potencial de tráfego aéreo superior ao conjunto dos restantes países da América do Sul. O tema era, recordo, tráfego aéreo e não geografia. Já agora recordo a epopeia de Bolivar para unificar a América do Sul hispânica. Ele tinha as suas razões.


Comparem-se os indicadores de S. Paulo com os das diversas capitais regionais. Ou os do Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Belém, Fortaleza, etc..


O prémio de “melhor companhia para a América Latina” foi atribuído à TAP no âmbito dos World Travel Awards, não foi propriamente numa colectividade do bairro. Chateia-me esta mania portuguesa de desvalorizar as boas notícias…


Não penso que com a eventual “fusão” British Airways/Iberia no pasa nada. Mas recordo que as companhias da Oneworld têm um share de 12,6% do total de passageiros mundial. As da Star Alliance 24,6%.


Directamente, a Iberia concorre com a TAP entre Portugal e Espanha e a British Airways entre Portugal e Inglaterra. A eventual fusão pode provocar impacto noutras rotas mas nos voos intra-europeus o problema das três não é tanto a concorrência entre elas mas a agressividade das low-cost.


“Se  a TAP fosse uma companhia privada, como já há muitos anos deveria ser, isso não seria um problema de nós todos, mas apenas dos seus proprietários privados”.Sabiam que a última ajuda de Estado é de 1994?


Telegraficamente: A “estratégia viável” em prática assenta na: - a) satisfação das necessidades do mercado nacional;b) dinamização dos mercados turísticos para Portugal e c) utilização do hub de Lisboa para ligar o Brasil e a África (em especial a lusófona) à Europa.


            Claro que com espaço posso dizer mais.



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