Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
As prevísiveis reacções ao material hackado da Unidade de Estudos Climáticos da Universidade de East Anglia não se fizeram esperar. Entre elas, destaco o artigo «Copenhagen will fail – and quite right too», de Nigel Lawson, ministro das Finanças de Margaret Tatcher, hoje no The Times, que anuncia, entre outras coisas, a criação de um novo think tank sobre alterações climáticas:
«There may be a perfectly innocent explanation. But what is clear is that the integrity of the scientific evidence on which not merely the British Government, but other countries, too, through the Intergovernmental Panel on Climate Change, claim to base far-reaching and hugely expensive policy decisions, has been called into question. And the reputation of British science has been seriously tarnished. A high-level independent inquiry must be set up without delay.
It is against all this background that I am announcing today the launch of a new high-powered all-party (and non-party) think-tank, the Global Warming Policy Foundation (www.thegwpf.org), which I hope may mark a turning-point in the political and public debate on the important issue of global warming policy.»
De Nuno Palha a 23 de Novembro de 2009 às 18:07
"a turning-point in the political and public debate on the important issue of global warming policy."
Maravilhoso! ;) Ainda dizem que quem acredita no aquecimento global faz parte de uma cruzada ideológica. Vamos fazer todos juntinhos o "turning-point" e dizer aos cientistas os resultados que eles devem obter. Ainda por cima sendo leigos no assunto...
"the integrity of the scientific evidence (...) has been called into question."
Isto é que pode ser perigoso para a própria ciência. Agora criam-se grupos ideologicamente enviesados que se pretendem sobrepor à própria discussão que é tem de ser feita entre a comunidade científica que investiga este tema.
De EFA a 24 de Novembro de 2009 às 07:25
Há anos que comento isto com amigos. Todo este assunto se tornou uma gigantesca histeria, em conversa de surdos aos gritos, mas diga-se a verdade, nenhum dos chamados "adeptos" da teoria se indignou com a amplificação deste assunto feita pelos media, antes aproveitaram a mesma para os seus propósitos.
Mais inevitável que as posições que agora se andam a tomar é toda esta situação. Empolam os factos, ignoram outros, impedem o acesso de outros cientistas a dados usados para fundamentar papers (no meu tempo isto era eticamente reprovável, mas ainda não vi nenhum dos cientistas que por aqui pára indignarem-se com isto, que não é de agora, deve ser mais fácil bater noutros charlatães) minando qualquer peer review minimanente decente, servindo eles próprios de peer reviewers quando têm a "opinião" (sim, opinião) mais do que enviezada. E não é preciso ninguém pedir provas, basta que não leiam apenas os vossos autores de papers preferidos nem que falem só com os amigos que vos confirmam tudo o que pretendem ouvir (e cujas bolsas de postdoc têm de ser garantidas, mas como é do estado está fora de suspeita) nem que usem a falácia corrente e substituta nestes assuntos do reductio ad hitlerum, o reductio ad petroleum, atrevo-me eu a inventar.
Temas deste tipo não se atiram para cima das populações como papões. Não se empolam. Ou seja, faz-se tudo EXCEPTO aquilo que tem sido feito até agora, tanto por cientistas como pelos media. Até porque quando estas coisas acontecem, o efeito que se pretendia passa ao oposto.
Ninguém deve gostar dos problemas ecológicos que hoje em dia enfrentamos. Só que esses problemas não se combatem com mentiras, empolamentos e ameaças. Combatem-se com honestidade e verdade. O gelo do Kilimanjaro está a derreter? Claro, aquecimento global, publicite-se. Mas afinal era a desflorestação em volta, já não interessa. A Antártida está a derreter? Sim, aquecimento global, publicite-se. Mas afinal é mais na península, o resto está a arrefecer, já não interessa. Modelos a 100 anos (e 1000, como já se tentou com resultados nada suspeitos) quando o conhecimento sobre a dinâmica da atmosfera não nos permite margens suficientes de certeza sobre o comportamento da semana seguinte? E o facto tantas vezes ignorado que começámos a sair de uma pequena idade do gelo no fim do século XIX, tal como outras alterações ao longo dos séculos?
Não, pulha e previsível é quem se indigna com isto (e vejam lá, até foi ministro de Tatcher, esse pulha) e não a posição de Al Gore de façam o que eu digo (leigos destes já não fazem mal ao mundo, mesmo que lhes escape umas mentirinhas) e não o que eu faço. Os pulhas são aqueles financiados pelo petróleo (e que também se submetem ao peer review e cuja carreira também depende dos resultados verificáveis por outros, mas isso não interessa nada quando não se tem argumentos) e não os financiados pelos Estados (nada interessados em novas fontes de rendimento, ou seja, com capacidade para influenciar...). Não defendo nem uns nem outros, defendo o escrutínio dos resultados aos quais chegam.
E depois vem a descoberta de todas estas coisas. E tudo o que se conquistou em termos de ecologia e ciência SÉRIAS é arrasado pelo meio. Porque ninguém gosta de ser ameaçado, ou que lhe mintam ou pelo menos exagerem o que se lhe diz para o fazer tomar uma posição. E, claro, quando se vê que a forma como os governos têm de lidar com isto é taxando cada vez mais, com mais uma mentira de que as taxas servem para qualquer coisa verde e não, rasgue-se as roupas, para encobrir déficits e outros fins. Que os subsídio-dependentes que indundaram o país de geradores pouco eficazes de energia "verde" e que nos vão encarecer a factura da electricidade apenas por existirem é que nos vão salvar. Logo esses, que nem uma única frase de Nicola Tesla leram, senão tinham aprendido algo a sério sobre produção e transporte de energia.
Enfim, haja desmistificadores com fartura para relativizar tudo isto e os novos sacerdotes morais como alguém disse abaixo não terão dificuldades de maior.
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