É engraçado que a triagem em contexto de urgência seja trabalho de especialista no hospital de Guimarães e não no hospital de Santa Maria, só para citar um exemplo, onde (toda) a triagem é (sempre) assegurada por enfermeiros. Por outro lado, está formalmente errado dizer que durante o Internado Completar (IC) se faz medicina tutelada. Há, e deve haver, supervisão do trabalho clínico, personificada na figura do Orientador de Formação, mas isso não é sinónimo de medicina tutelada - se um doente que está a cargo de um médico interno morre e a família decide instaurar um processo legal, quem vai responder é o médico interno e não um qualquer médico sénior envolvido na sua formação. Isto no SNS, porque em contexto privado (e durante o IC os médicos podem desenvolver actividade privada) nada está definido.
Enquanto interno do ano comum,a iniciar em Janeiro, não posso deixar de me sentir insultado e desacreditado pelas palavras do bastonário. De facto, conforme afirma, e bem, a Ana, a verdadeira medicina tutelada pouco existe...sabem-no bem os internos de quase todos as especialidades...supervisiona-se? Sim, mas tutela-se muito pouco.
Tb eu comecei a fazer urgências, essas sim tuteladas e supervisionadas, no 5º ano da faculdade, em que sai do meu hospital/faculdade, pra ir, voluntariamente, para outro, aprender. E aqui sim, jstamente porque era aluno, tinha de me justificar bem justificado à chefe de equipa, tudo o que fazia, tudo o que pedia, todas as hipoteses que colocava e como as havia de confirmar ou não. E a chefe, no final, ia certificar-se com o doente do que eu fiz, do que eu nao fiz e do que queria fazer mas me esqueci. Era quase um relatorio oral que tinha de fazer, após ter observado cada um dos doentes. Obviamente que tinha, e tenho, noção da limitação dos meus conhecimentos, tenho a ideia clara e sem qualquer tipo de pudor, de que sou um médico inexperiente, com conhecimentos limitados, se comparado com os colegas mais velhos. Mas também está claro para mim que, apesar de me colocarem esses rotulos, insisto e persisto no dever de zelar, de me salvaguardar, de antever desfechos menos favoráveis...e de falta de cuidado, falta de zelo, de atenção para com o doente e de falta de persistencia em aprender...disso não me pode o bastonário acusar. Felizmente que tudo correu plo melhor nos meus tempos de faculdade.
O dr Pedro Nunes, com o devido respeito, parece que não põe os pes num banco de urgencia há muitos anos...
De carlos mata a 23 de Novembro de 2009 às 20:55
ana isto tb ja é imbirraçao com o home.
eu tb nao aprecio muito do estilo, mas para alem do que cita, ele também disse :"os internos só têm autonomia quando completam o segundo ano, e que colocá-los a ver doentes é uma "irresponsabilidade"... " e acrescentava ainda que "vai estar atenta (Ordem) porque quando ainda não têm autonomia para desempenhar funções "devem ter sempre alguém a tutelá-los"."
eu concordo com estas afirmações em geral, ou seja é verdade que tecnicamente só somos considerados medicos apos a conclusao do antigo Internato Geral (actualmente o Ano Comum) e nos podemos inscrever na Ordem. isso pode parecer uma chinesice mas legalmente so somos autonomos para o exercicio da profissao nessa altura (obvias repercussoes legais).
o santinho (smile Nuno Ferreira) nao era no seu 5º ano, nem no 6º nem durante o inicio do seu IAC (que raio de nome) médico. só depois de inscrito na ordem. a partir desse momento com alguma responsabilidade nos doentes que passa a cuidar. tambem nao é linear que nao haja responsabilidade partilhada com o especialista que o supervisiona ou tutela e que ele tenha de assumir a responsabilidade integral. Outro caso, completamente diverso foi enquanto estudante, durante o qual, por muitos relatorios orais, muito zelo, muita hora de pestana aberta na urgencia às tantas da matina, muito tudo o responsavel pelo doentinho nunca era o nuno...os estudantes nao sao medicos....
por outro lado ha internatos com medicina tutelada ao segundo, por exemplo a de anestesia. nem no ultimo ano do internato os internos da especialidade fazem trabalho assumindo o lugar de um especialista. nisso o colegio e a ordem têm sido muito claros sobre a presença de especialistas e internos (de anestesia) e com consequencia na questao da responsabilidade (se o doente morre em anestesia é muito complicado nao serem envolvidos interno e especialista, com muito maior peso para o especialista).
...por isso nuno considera a opçao de anestesiologia. é tudo tutelado a toda a hora em todo o lugar.
o bastonario, neste caso, como a ana sabe, so esta na minha opiniao, a tentar defender os internatos e a garantir o respeito por um periodo nobre que se pretende que seja de formação.
mas neste caso em concreto, sejamos francos (agora vou eu armar-me aos cagados)...para que precisam de médicos no tratamento de gripe? haja paciencia. prontoS voltamos ao basal.
nao me incomoda muito o facto dos IAC passarem a dar apoio na urgencia ao atchim, o que me incomoda é poder passar a existirem outras situações de excepçao e a medida mais facil é sacrificar internos no seu periodo de formação, por isso compreendo o bastonario que acrescento: nao faz o meu tipo ;).
O Carlos mistura coisas.
Medicina tutelada faz-se durante o IAC (fiz eu no Internato Geral, já inscrita na ordem, com número de cédula e vinhetas atribuídas), nenhum interno da especialidade faz medicina tutelada. Por outro lado reagi à expressão "trabalho de especialista".
Já a cena da gripe A é outra discussão.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:03
a mistura das questoes nao foi da minha parte.
eu fiz o internato geral inscrito na ordem, com numero de cedula profissional, mas sem vinhetas. tecnicamente nao era medico.
por outro lado, nenhum interno de especialidade, é autonomo na pratica clinica da sua especialidade.
Como não é autónomo? Que diabo de escolarização do Internato Complementar é essa? Os internos da especialidade não podem fazer privada, por exemplo? E na privada dependem de quem?
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:20
de-me exemplo de um interno de anestesia a assegurar sozinho uma sala de bloco operatorio.
de-me o exemplo de um interno de anestesia a exercer na privada.
Vou perguntar a um deles se me permite, não estou a falar de mim. Atenção, não estão a cometer nenhum crime nem erro deontológico.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:35
claro que permito ;)! ate sei a quem vai perguntar...e acho que ele hoje ta de urgencia.
Eu não escrevi "Vou perguntar a um deles, se me permite", escrevi "Vou perguntar a um deles se me permite", donde não era a si que estava a pedir permissão eheh
Conheço vários, não apenas um. E, afinal, o carlos também conhece pelo menos um...
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:46
ah ah, nao, nao conheço nenhum que sendo interno de anestesiologia assegure uma sala operatoria sozinho, nem desenvolva actividade privada autonomamente. o mesmo posso afirmar sobre colegas de cirurgia geral, neurocirurgia,...
Ai, já não 'tou a perceber nada.
O carlos mata obviamente faz interpretações ao que eu disse e usa um humor que, enfim, não percebi.
Um estudante não é um médico? È claro que não Carlos Mata, claro que não.
Só depois de inscrito na ordem é que se é médico? Não sei se aqui há uns anos era diferente, mas agora, a inscrição na ordem precede o ano comum. E Carlos Mata, a responsabilidade não deriva da inscrição na ordem (ou plo menos deriva só a responsabilidade legal)...ela surge antes disso, claro está, bem antes disso... nas cabeças!!
Óbviamente que a medicina deve ser supervisionada, plo menos no primeiros anos do exercício Obviamente Carlos Mata. Mas a medicina tutelada, esse ideia que me custa a perceber e que, quase nunca, vejo efectivada, de facto, pouco existe no internato complementar, como disse a Ana...a responsabilidade da morte ou dano de um doente é imputada ao interno. É ele ou ela que respondem plos erros.
O que me irritou nas palavras do bastonário foi a expressão"irresponsabilidade" pois que os internos estão em formação e não são especialistas.É verdade. Mas, se tiver em conta que um doente pode chegar à urgencia com uma gripe e ser visto por um interno de gastro, ou de MGF, ou de reumatologia, ou de imunoalergologia...não percebo bem a necessidade de se fazer triagem por especialistas, caso contrário, gripes seriam automaticamente encaminhadas para as infecto,e tal, obviamente não acontece.
Por fim, concordo com o Carlos que pode ser um pouco abusivo usar internos num periodo que se pretende de formação e aprendizagem. Mas daí a chamar-lhe irresponsabilidade, como se de irresponsáveis estivessemos a falar, vai um grande salto... obviamente que todos temos a noção, espero eu, das nossas limitações tecnicas e em termos de conhecimento, limitações essas que se estendem muito para além do internato...
E obrigado carlos mata, mas a anestesia, deixo-a para si... :) Abraço
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:14
anestesiologia fáxavor!
oh nuno,
ninguem chamou irresponsaveis aos internos. O bastonario,referia-se àqueles que permitiam que os internos fossem abusivamente colocados a desempenhar outras funçoes que nao aquelas previstas durante os internatos.
garanto-te nuno, que se um doente morrer é muito questionável que a responsabilidade seja imputada exclusivamente ao interno. tenho exemplos disso infelizmente com desfecho grave...
quanto à questao sobre quando começa a responsabilidade, isso é outro assunto mas que nao cabe aqui discutir...o que é certo é que os estudantes nao a têm ponto.
"garanto-te nuno, que se um doente morrer é muito questionável que a responsabilidade seja imputada exclusivamente ao interno.", diz o Carlos, pois eu garanto-lhe o contrário, aconteceu comigo no segundo ano da especialidade - seguia em internamento uma doente psicótica, obesa, que morreu na sequência uma embolia pulmonar. A família decidiu avançar para uma investigação criminal e quem "lá foi" fui eu.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:38
isso nao é assim tao linear. nao desvalorizo a sua sitaçao pessoal,...o exemplo que conheço envolve terceiros e nao posso discuti-lo aqui.
Não se trata de discutir o meu caso pessoal, Carlos, mas antes de relatar uma das inúmeras situações possíveis.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 22:00
...da responsabilidade (medica) é um tema que constitui um desafio juridico, sem dúvida, como tal as situações nao sao assim lineares.
todos nós, desde nos inscrevemos na ordem e iniciamos a actividade clinica somos obrigados a fazer um seguro de responsabilidade profissional, certo?
ha, como sabe, responsabilidade limitada, isso no contexto dos internatos. os internos nao sao inimputáveis, obvio.
De Anónimo a 24 de Novembro de 2009 às 22:16
nao conhecendo os detalhes clinicos do caso da obesa psicotica, pelo que relata, ela apresentava pelo menos dois factores de risco para o surgimento da embolia pulmonar: a obesidade e o regime de internamento (deduzo maior templo de alectuamento). a causa de morte é independente da sua intervençao clinica (como psiquiatra).
Além desses tinha mais, era hipertensa e fumava 3 maços de cigarros/dia. Isso foi o que ficou provado e a história não seguiu, mas o meu ponto era mostrar quem tinha sido chamado ao departamento de investigação criminal - fui eu, não o meu orientador de formação nem a direcção de serviço.
Tem toda a razão carlos, anestesiologia. não estava a minimizar tão nobre colégio, mil perdões... :)
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 23:02
oh! eu tb digo anestesia ;)
Cara Ana Matos Pires,
Não tenho a certeza de que também não tenha misturado algumas coisas no seu post .
A triagem efectuada no Santa Maria segue o protocolo de Manchester que a única coisa que faz é hierarquizar os tempos de espera de acordo com um certo número de sintomas e sua intensidade. É um processo muito padronizado, mecânico (basta olhar para umas tabelas) e pode ser feito por enfermeiros ou outros profissionais com o mínimo de formação e conhecimentos médicos. Nessa triagem não se decide quem vai para casa, nem se decide o plano de investigação diagnóstico ou terapêutico.
Não sei se é isso que os internos estão a fazer no Hospital de Guimarães.
Por outro lado, o carlos mata tem razão no uso de internos de especialidade para "tapar buracos" nos bancos o que está longe de ser uma situação de exepcção e não é benéfico para ninguém.
Por isso mesmo, Damião Fernandes, é que dei ao post o título supra, porque as especificidades do acto médico em questão não foram definidas. Independentemente de uma qq triagem seguir, ou não, o protocolo de Manchester é, por definição, uma triagem - não determina plano de investigação diagnóstico, por exemplo.
Relativamente ao uso indevido de médicos internos em serviço de urgência percebe-se bem a minha posição pela leitura do que escrevi, sei bem o que foi ser lançada aos lobos e trabalhar sem rede tão precocemente - e até sou da opinião que o actual bastonário tem tido um papel sério e determinante na mudança da situação -, tal não justifica o uso político (pq é disso que se trata) do assunto numa situação particular, com planos de contigência pré-definidos, onde estão previstas situações de excepção.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 20:57
ana,
a ordem tem de ter uma palavra a dizer nesses planos de contingencia, ou acha que nao? quem os definiu? qual o motivo de força maior que exija o recurso a internos? isso pode ser discutivel, nao? mesmo que essa discussao se coloque num nivel politico, para além aspecto tecnico. julgo foi nesse plano que o bastonario esclareceu a posiçao da ordem sobre a questao.
reafirmo que nao me choca colocar internos a apoiar as urgencias com os casos de gripe, numa situação de excepçao, mas teremos de reconhecer o prejuizo por exemplo na formaçao e no tempo regulamentar definido para as respectivas especialidades.
Acho que não, Carlos, tal é da competência do Ministério da Saúde, em articulação com os outros países, de resto. Quanto às suas outras perguntas, penso que estão respondidas na notícia lincada.
Bom, essa do roubo de tempo formativo é demagogia à séria, verdade? E claro que o "plano" de análise foi político, isso foi o que comecei por dizer, repare só que nome dei ao post.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:18
qual a opiniao dos internos de psiquiatria passarem a ver doentes na urgencia pelo motivo do crash do sistema com os casos de gripe?
Why not? São médicos, verdade?
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:33
sao medico sim, claro. mas acha que é lícito colocar os internos de psi a assumir um sindrome coronario agudo, um edema agudo do pulmao, uma hemorragia digestiva alta, uma sincope, uma cardioversao de uma arritmia instavel? é que na urgencia os internos nao vao para lá escolher os doentes que vao ver. e nao vao poder dizer que só vao aceitar as gripes.
Pronto, agora partiu mesmo o bico ao lápis, ora releia lá tudinho desde o início, Carlos, vá lá.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 21:43
pronto, se estamos de acordo entao provavelmente devo nao ter intepretado bem as palavras que disse. o que é muito frequente neste tipo de diálogo.
oh carlos, até parece que na urgencia os enfartes sao dos cardiologistas, as gripes das infecto, as lombalgias dos reumatologistas, a reanimação dos anestesiologistas, as hemorragias digestivas dos gastro e os avc da neuro...isso é o hospital maravilha...sabe bem que quem ve isto quase tudo ou é a medicina interna ou entao os outros... quem faz esses diagnósticos sao internos de mgf, cardio, pneumo, nefro, imunoalergologia, med interna e tantos outros... e os internos que estao nos bancos sao tantos, e de tão vastas especialidades, que cada um deles vê praticamente tudo...nao vejo qual o problema dos internos de psi verem doentes na urgencia geral...o carlos tb nao é capaz de tratar uma perturbação de ansiedade ou até um sindrome depressivo??...tem de recorrer obrigatóriamente a um psiquiatra?? (acho muito bem que por exemplo recorra a um se não conseguir resultados terapeuticos...agora, não está proibido de tratar patologia psiquiatrica, se entender que domina a patologia e os fármacos necessários, acho eu)
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 23:12
o problema nao é medicar ou "dominar" os farmacos, a discussao coloca-se no diagnostico que é a etapa crucial. e nao tenho pessoalmente a veleidade de dominar todas essas areas tomando para cada uma delas a melhor opçao terapeutica à luz das recomendaçoes mais actuais, por isso existem as especialidades. e na patologia psiquiatrica confesso que nao me sinto à vontade para assumir um doente, tal como compreendo que um interno de psiquiatria tera algumas angustias de qual a melhor atitude perante uma disritmia com repercussões hemodinamicas ou uma questao mais simples como uma fibrilhaçao auricular.
quanto ao assunto do post da ana, a posiçao do bastonario é tambem politica claro que sim. mas eu acho que essa posiçao faz sentido e ela nao. é isso que nos distingue.
Olhe que às vezes até dá jeito ter um anestesista por perto no caso de alguns doentes psiquiátricos que entram pelo banco. Pelo menos é sempre mais fácil e rápido ter lá o anestesista do que convencer o psiquiatra a vir ao banco...
Ana, é só uma provocaçãozinha....
E porque não os neurocirurgiões a fazer uma perninha nos "gripários" das várias urgências centrais do país? ou os Patologistas Clínicos a trabalharem na sala de hemodiálise?
Nuno, deixe lá que isso com o tempo passa-lhe...é só começar o internato de especialidade.
De carlos mata a 24 de Novembro de 2009 às 23:55
ah ah ah damiao, eu pensei em dizer isso mesmo ao nuno, mas nao me atrevi. ele ia levar-me a mal.
Ó carlos, eu não levo nada a mal, posso contestar, irritar-me,achar idiota, estúpido,presunçoso, arrogante, mas não levo nada a mal, esteja à vontade pra dizer o que lhe corre na alma... sem angustia nenhuma (e sem pressa, já dizia o poeta). :)
De carlos mata a 25 de Novembro de 2009 às 10:07
"nao digas tudo o que pensas... "se eu tivesse seguido esta sábia opiniao, nao me sentia agora tao esmagado 
Damião, esse tipo de presunção do "mais velho", essa lógica do "isso passa-lhe" é tão seculo XIII, que eu nem vou comentar... que raio de presunção é essa??
Nao exagere...é obvio que não vão agora os neurocirurgiões fazer triagem, não é isso...tavamos a falar no campo das possibilidades...ou, naquele caso, da impossibilidade de, e eu não concordo com ela, os psiquiatras fazerem, num quadro hipotético, urgencia geral... obviamente que não vão os patologistas fazer hemodiálise, mas quem é que disse tal coisa????
mas deixe-me que lhe diga que essa visão da especialização médica, sectária, do eu sou isto só vejo isto, eu sou aquilo, não vejo miudezas destas, irrita-me solenemente... era só o que me faltava que, la por ser neurocirurgião, ou anestesiologista ou seja lá o que for, tenha de mandar os doentes á medicina interna, porque é incapaz de lhes tratar uma infecção respiratoria...recuso-me a esta compartimentalização dos actos, é verdade que a medicina é especializada, é absolutamente necessário que o seja... agora, tar pra ai a dizer que X só trata Y e que Z não pode tratar A porque está num nivel de especialização dita "superior" (na realidade é inferior, mas enfim)...acho extremamente redutor...é por estas e por outras que os doentes saltam de piso em piso, de especialidade em especialidade, e depois vão todos chover à medicina interna.
Apesar de, enfim, já ter feito o delete das suas afirmações do tipo "deixa lá isso, com o tempo passa-lhe" eu reservo-me sempre, sempre, ao direito de evoluir....
Ó Nuno, eu até percebo porque é que diz isso, sobretudo na sua fase, mas acredite que isso é uma imbecilidade pegada. Acredite, também, que daqui a dois anos já não pensa assim, sobretudo se passar dois terços do internato de especialidade na urgência central.
"Bom, essa do roubo de tempo formativo é demagogia à séria, verdade?"
Não é verdade, não senhora...provavelmente a Ana está há algum tempo arredada das urgências centrais mas, em algumas especialidades, isso é a norma. Por exemplo, temos internos de cirurgia geral que fazem 2 a 3 urgências semanais de 24 horas (porque a isso são coagidos) e acabam a especialidade com um currículo merdoso (do tipo 500 apendicectomias e 2 gastrectomias parciais) à conta disso.
Sou neste momento, além de membro de um colégio de especialidade, orientador de formação de internos e mantenho uma luta titânica para tentar impedir que grande parte do tempo semanal de formação específica seja gasto no banco. Isto sem planos de contingência ou situações de excepção. Isto é real, Ana. Não é demagogia...
De carlos mata a 25 de Novembro de 2009 às 10:32
é isso mesmo damiao. esqueci-me de rabater essa afirmaçao no meio de tantas questoes neste debate... mas posso acrescentar que em anestesiologia devido aos estagios curtos (media de 3 meses) e com as urgencias, o tempo regulamentar definido para os internos de anestesia desenvolverem competencias em cada uma das valencias cirurgicas é enormemente prejudicado se ainda lhe acrescer mais uma urgencia extra. nao esqueçam que muitos garantem o funcionamento das vmer fora do seu tempo de internato, com o sacrificio pessoal de mais uma noite perdida por semana.
como o bastonario representa todos os medicos e parece atento aos problemas que os diversos colegios lhe vao dando conta, faz sentido tomar esta posiçao que é politica, mas tambem tecnica.
Estive arredada neste último ano, Damião, mas isso não altera em nada o que disse porque eu referia-me a esta situação particular e não às urgências centrais em geral.
De Maria a 24 de Novembro de 2009 às 21:22
E qual é o problema de médicos fazerem triagem na Urgª.? No S. João no Porto, são enfermeiros que fazem essa triagem. Até faz muito bem a esses doutores, assentarem na triagem da Urgª quando necessário. Como diz o ditado: "Em tempo de guerra não se limpam armas". É sempre a andar.
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