Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Ana Matos Pires

Mais uma que "marchou": "Fonte da PSP, confirmou ao JN que a vítima tinha, efectivamente, apresentado uma queixa por ameaças de morte contra o homicida e que o processo estava a seguir os trâmites legais normais.".


24 comentários:
De Carlos Azevedo a 24 de Novembro de 2009 às 10:38
Até agora foram assassinadas 25 mulheres (tentativas parece que foram mais de 40). Assim, a expressão «trâmites legais normais» não parece desadequada; com tão grande incidência (+ de 2 por mês), até parece uma situação normal.
Isto que vou escrever agora parece justicialismo barato, bem sei, mas, se calhar, era útil que começassem a marchar às mãos das ameaçadas alguns dos que ameaçam. Se a lei não resolve o problema, talvez o medo resolva.


De MFerrer a 24 de Novembro de 2009 às 10:44
Portanto está tudo bem:
O assassino matou, como era previsível.
A vítima morreu, como lhe competia.
A polícia elaborou o expediente, como pode e sabe.
O Mº Público vai abrir um inquérito, como é da Lei.
Vai ser feita uma autópsia, para confirmar que a vítima continua morta.
Um dia o assassino será levado perante um juiz que lhe aplicará a justiça com todas as atenuantes, como é hábito.
Dúvidas?
MFerrer


De j a 24 de Novembro de 2009 às 13:46
«Dúvidas», muitas?

Porque no seu elenco se esqueceu da eficácia das políticas de Apoio à Vítima.
E os protagonistas dessas políticas apenas têm alguma eficácia em instituições não-políticas, sobretudo no voluntariado, porque as instituições políticas abrem às 9.00h, às 9.30h vão ao café, e às 17.00h vão apanhar o autocarro para o santo lar.

Ao longo de muitos anos da minha vida profissional no sofá do hall de entrada do meu gabinete dei de dormir e paguei refeições do meu bolso a jovens pré-delinquentes, por analogia, podiam ser mulheres vítimas dos companheiros, porque não havia onde os levar antes das 9.00h do dia seguinte.

Todos os restantes que elenca fazem o que lhes compete legalmente.
Por exemplo, que quer que a polícia faça, que se ponha a “escutar” dentro de casa das mulheres que vivem estes dramas?
Sabe, por exemplo, que muitas mulheres apresentam queixa e passados dias vão retirá-la, ou por pena ou por medo. Ou, por incrível que lhe possa parecer, por amor aos seus companheiros que, depois, as matam…?

O seu comentário é redutor, se me permite.


De MFerrer a 24 de Novembro de 2009 às 10:46
...e, talvez um dia, se fará um Prós e Contras para que o País fique de consciência tranquila...
MFerrer


De j a 24 de Novembro de 2009 às 15:43
Dúvidas, muitas? Porque no seu elenco se esqueceu da eficácia das políticas de Apoio à Vítima. E os protagonistas dessas políticas apenas têm alguma eficácia em instituições não-políticas, sobretudo no voluntariado, porque as instituições políticas abrem às 9.00h, às 9.30h vão ao café, e às 17.00h vão apanhar o autocarro para o santo lar.

Ao longo de muitos anos da minha vida profissional, no sofá à entrada do meu gabinete, dei de dormir e paguei refeições do meu bolso a jovens pré-delinquentes, por analogia, podiam ser mulheres vítimas dos companheiros, porque não havia onde os levar antes das 9.00h do dia seguinte.

Todos os restantes que elenca fazem o que lhes compete legalmente. Que quer que a polícia faça, que se ponha a “escutar” dentro de casa das mulheres que vivem estes dramas?

Sabe, por exemplo, que muitas mulheres apresentam queixa e passados dias vão retirá-la, ou por pena ou por medo?
Ou, por incrível que lhe possa parecer, por amor aos seus companheiros, que, depois, as matam!


De aorta a 24 de Novembro de 2009 às 10:54
tive pena de ontem não ver o p&c, porque consta que foi um fartote.

mas estou em crer que aquilo que não vi explica tanta "produtividade".


De António Parente a 24 de Novembro de 2009 às 11:05
E o Governo que medidas tomou para combater este flagelo? E o que vai fazer? Mais uma comissão? Mais um estudo? Quantas mulheres têm de morrer até que o PS se preocupe???


De nuvens de fumo a 24 de Novembro de 2009 às 11:43
Eu acho que deveria usar o método do padre de fátima, um sopapo de quando em vez .... é amor


De nuvens de fumo a 24 de Novembro de 2009 às 12:15
Estou a brincar AP, não ligue LOLLL


De ML a 24 de Novembro de 2009 às 18:48
o PS ?????

e porque não TODOS os partidos com assento parlamentar ?????????


De Ana Matos Pires a 25 de Novembro de 2009 às 12:36
Foram feitos avanços legislativos, António, mas é preciso que todos nós façamos muito mais.


De Luís Lavoura a 24 de Novembro de 2009 às 12:08
Novembro está produtivo, mas o resto do ano foi muito seco. Até agora houve 25 homicídios este ano, no ano passado foram 45.

Ou seja, regista-se um progresso, embora, quando a estatística é baixa, possa ser uma flutuação sem significado. Veremos.

De qualquer forma, o assassínio em Portugal é um crime em decadência. Há umas décadas atrás, na província, matava-se que se fartava por disputas sobre direitos à água de rega e coisas assim. Hoje em dia felizmente mata-se muitíssimo menos.


De Ana Matos Pires a 24 de Novembro de 2009 às 15:41
Ó Luís, vá à fava, acho que a minha paciência para os seus comentários desadequados foi atingida.


De fernando antolin a 24 de Novembro de 2009 às 19:05
Eu acho que devia ser criada,com entrega anual pelo 10 de Junho, a "comenda à sensibilidade Luis Lavoura". 


De Filipe a 25 de Novembro de 2009 às 01:12
Junte-se a comenda "desadequado" na categoria de nova palavra e "marchou" e "produtivo" como demonstrativas de sensibilidade. Com aspas. Sempre com aspas. O problema são as aspas.


De Arlety Pin a 25 de Novembro de 2009 às 00:46

????????????????????
Lavoura, você é mesmo assim ou faz de propósito?
Isto contado não se acredita!


De advogado a 24 de Novembro de 2009 às 13:24
convém lembrar que o "assassino" é um cidadão no pleno gozo dos seus direitos, designadamente com direito à presunção de inocência até sentença transitada em julgado (ainda que possa não ser militante do PS)


De Ana Vidigal a 25 de Novembro de 2009 às 02:35
lembre-se disso, quando o namorado da sua "princesinha" se "passar" e a deixar "esticada" no chão OK?


De moche a 24 de Novembro de 2009 às 14:44
Perdoem-me a ignorancia, mas que tem a ver a política com estes casos?

Já agora e mais produtivo, suponho que existam instituições/associações que dedicam grande parte do seu tempo a esta problemática. não querendo abusar de vossa boa vontade, mas estando certo que será útil a alguém sabe como proceder ou aconselhar a proceder nestes casos?

APAV?

Pergunto por ignorância, não por piada ou gozo..


De Maria João Pires a 24 de Novembro de 2009 às 14:50
A APAV é um caminho possível, sim. Inevitavelmente somos, também por lá, confrontados com o grande paradoxo destas questões: as formas de proteger a vítima são, em gde parte, lesivas para ela. Nos casos identificados como de risco sério é a vítima q se vê obrigada a alterar o seu quotidiano, a afastar-se da sua vida pessoal e profissional... e é esta uma das discussões que me parece valer a pena ter.


De Carlos Azevedo a 24 de Novembro de 2009 às 15:06
E qual é a justiça de um sistema que obriga a vítima a fugir ou esconder-se? Muitas vezes ouço vozes que afirmam que muitas mulheres, sobretudo quando há uma vida conjugal de vários anos, é que escolhem continuar presas a relações onde são vítimas de violência. Mas não foi isso que sucedeu neste último caso. Uma mulher, que nem sequer foi vítima de violência física, optou por terminar uma relação e foi ameaçada. Seguiu os trâmites, mas nada foi feito para evitar a sua morte. Ou seja, o Estado, que tinha obrigação de a proteger, falhou. O que resta a estas pessoas? Serem objecto dos nossos comentários de revolta e indignação, como o seu ou o meu? Quer uma discussão? Pois olhe, embora um pouco a quente, sempre lhe digo que se o Estado falha, cada um que faça o que tem a fazer para sobreviver. Porque depois de alguém morrer, como aconteceu a esta mulher, tudo o resto não passa de tretas.


De MFerrer a 24 de Novembro de 2009 às 15:26
Mª. João,
Aqui aplica-se a velha alegoria dos direitos iguais para todos:
O potencial criminoso tem o direito à presunção da sua inocência e a futura vítima tem o direito a ser assassinada primeiro, e a reclamar, depois. O Instituto da Protecção das Vítimas tem que ser respeitado e ter consequências. Mesmo que o crime esteja apenas anunciado pelas circunstâncias já conhecidas, há que tomar medidas de protecção judiciais contra a evidência da pericolosidade das situações. Chamar-se-ia a isto a Justiça Preventiva que aliás já existe mas está dependente do entendimento dos srs.drs.juizes...
MFerrer


De aorta a 24 de Novembro de 2009 às 15:04
"Perdoem-me a ignorancia, mas que tem a ver a política com estes casos?"

Será que a frase "o processo estava a seguir os trâmites legais normais" não lhe diz nada?


De MFerrer a 24 de Novembro de 2009 às 15:18
Oh seu Parente, se não fosse ridícula a pergunta, seria trágica.
O que é que o PS tem feito para melhorar a Justiça?
Talvez reformulando?
O que é que o poder judicial, um dos três pilares do Sistema, já fez para impedir que avance, qq reforma por mais débil que seja???
O seu Parente podia ir informar-se e recolher as trapalhadas judiciais, os acordos judiciais furados, as reformas judiciais propostas e recusadas pelo PSD e talvez evitasse ser motivo de galhofa...
E, já agora , que nos dê uma informaçãozinha, uminha só!, sobre aquele caso do BPN/Banco Efisa/SLN/etc/etc e sobre uma família que comprou um dia uns lotes de papeis por dez reis de mel cuado e o vendeu de seguida por três vezes o valor de compra...tudo claro sem que os títulos estivessem cotados...
Isto sim é que são investimentos garantidos e sem mácula!
Detalhes que escaparam ao PS? não é!?
MFerrer


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