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Águas muito turvas

Os polímeros de síntese são parte tão integrante do nosso quotidiano que a designação «idade dos plásticos» descreveria adequadamente os tempos modernos. Uma das causas do sucesso dos polímeros sintéticos, a sua inércia química e resistência a biodegradação, que contrats com os polímeros naturais como amido ou celulose, é hoje em dia uma das suas principais desvantagens. Na realidade, nos primórdios da era dos plásticos, os polímeros eram desenhados de forma a retardar e prevenir o ataque por fungos, bactérias e outros organismos vivos. Em particular, os polímeros obtidos de hidrocarbonetos como o etileno ou o propileno, são resistentes ao ataque químico e biológico, o que assegura a sua longevidade mas transforma numa dor de cabeça a tarefa de quem tem de dar destino aos resíduos sólidos desta era que além de plástica é também descartável.

Isto é, a durabilidade dos polímeros que no passado era uma vantagem não despicienda, constitui um sério problema para o homem contemporâneo e traduz-se numa enorme quantidade de lixo que se acumula em lixeiras e aterros ou se dispersa no meio ambiente provocando problemas ambientais que podem ser catastróficos. As alternativas, a queima ou reciclagem, nem sempre são soluções para estes problemas, a primeira principalmente por razões sociais/políticas e a segunda porque muitos polímeros, nomeadamente termoendurecíveis, não são recicláveis.

 

Uma solução passa pela utilização de polímeros biodegradáveis e nos últimos anos vários destes produtos foram disponibilizados no mercado, por exemplo, o Ecoflex da BASF AG, Eastar Bio da Eastman Co., Bionelle da Showa Co., USA, Sky Green BDP da SK Chemicals; Biomax da Dupont Co. etc.. Todos eles são produtos do que se designa indústria petroquímica de terceira geração e são poliésteres alifático-aromáticos, polímeros que do ponto de vista químico são análogos ao PET, polietileno tereftalato, um termoplástico reciclável muito utilizado, mas que ao contrário deste último se degradam em semanas e não séculos no meio ambiente.

Embora biodegradáveis, estes polímeros obtidos de derivados do petróleo não são biopolímeros, designação consagrada para polímeros biodegradáveis obtidos a partir de fontes renováveis e que muito recentemente têm conhecido uma enorme expansão.

 

Nos Estados Unidos, o sector biopolímeros é liderado pela NatureWorks, inicialmente Cargill Dow, uma associação formada em 1995 entre a Cargill, um gigante do sector agrícola, e a Dow Chemical (que saiu em 2005) que produz polilactato, PLA, comercializado como NatureWorks® e utilizado ainda para produzir a fibra têxtil Ingeo™ . O polilactato é igualmente obtido por via microbiana, agora de milho - incluindo milho geneticamente modificado, o que lhe tem trazido alguns problemas de aceitação dos produtos que comercializa.

 

Este nicho de mercado, em franca expansão não obstante os preços (ainda) elevados, surgiu há 20 anos na Europa, numa pequena localidade 100 quilómetros a norte de Roma. pelos esforços de um grupo de cientistas italianos liderados por Catia Bastioli.

Em 1989, a Novamont deu início à sua actividade, tarefa complicada uma vez que ofereciam um produto (caro) para o qual não existia mercado, biopolímeros obtidos a partir de amido de milho. O salto que permitiu à Novamont ser a líder do mercado mundial de biopolímeros, deu-se em 1992 quando Fürstenfeldbruck, uma cidade no sul da Alemanha, resolveu testar o Mater-Bi nos seus sacos de recolha de lixo e descobriu que estes tinham um desempenho muito superior aos sacos tradicionais, nomeadamente em termos de odores.

 

Actualmente, milhares de municípios europeus utilizam sacos de lixo biodegradáveis, uma prática que esperemos seja seguida universalmente, não obstante o preço mais elevado destes em relação aos sacos de polipropileno ou polietileno. De facto, são produzidos anualmente no mundo ocidental cerca de 150 sacos de plástico por pessoa, muitos dos quais terminam em rios e oceanos onde são culpados pela morte de muitos milhares de baleias, golfinhos, tartarugas e aves marinhas todos os anos.

 

É especialmente preocupante o que acontece ao largo do Hawai, onde flutua uma mancha de lixo plástico cerca de duas vezes maior que os EUA (continental), responsável pela morte de cerca de 1 milhão de aves marinhas por ano (vídeo não recomendado aos mais sensíveis), assim como de umas centenas de milhares de mamíferos marinhos. São cerca de 100 milhões de toneladas de detritos plásticos que as correntes acumulam no North Pacific Gyre, entre o Hawai e o Japão


Entre os maiores desafios da actualidade destaca-se a gestão do lixo urbano, nomeadamente no que respeita a embalagens, um dos principais agentes multiplicadores desses resíduos. Urge compatibilizar o nosso estilo de vida e o desenvolvimento sustentável, sem comprometer os recursos e futuro do planeta.

 

O problema são as medidas para inglês ver, as diversões que grupos de pressão pseudo-ambientalistas sortidos inventam para nos desviar das questões com que nos devíamos de facto preocupar. Por exemplo, e já que falamos no Hawai,  em 2008 foi tomada uma «grande» medida contra a poluição polimérica dos ecossistemas marinhos: no condado do Hawai foi proibir fumar nas praias, proibição que agora se pretende estender a mais ilhas. É profundamente rídiculo pretender que serão menos algumas beatas de acetato de celulose (um biopolímero biodegradável, por acaso) que vão salvar os oceanos ou a vida marinha ameaçada quando se tem nas imediações uma «sopa» de plástico com cerca de 10 metros de profundidade que se estende por uma área de dimensões superiores às do Texas.

 

Infelizmente, muitas medidas que são propostas supostamente para salvar o planeta são tão idiotas, ou antes arbitrárias, quanto esta proibição de fumar nas praias hawaianas. Medidas que não resolvem nada mas safisfazem a «consciência» moralista  ecológica de alguns estridentes e inconsequentes cruzados que arregimentam para as suas hostes pessoas verdadeiramente preocupadas com questões ambientais mas que são enganadas pelo barulho e folclore acompanhante destes paladinos da irrelevância.

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