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obrigada, dra isilda pegado

por f., em 09.12.09

a joão falou aqui de um texto de isilda pegado, notória activista anti-escolha, anti-educação sexual, anti-preservativo (nunca esquecerei o tê-la ouvido, numa sessão de esclarecimento aquando da campanha do referendo de 2007, afirmar peremptoriamente que o uso do preservativo não impede a transmissão do vírus da sida), anti-divórcio, anti-igualdade e anti, adivinha-se, tudo o que não esteja no catecismo do momento, e do facto de este conter erros factuais.

 

fui ler. o texto contém de facto erros factuais clamorosos. diz que quando foi efectuado o referendo sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo na califórnia já o casamento tinha ali sido aprovado (por ordem do supremo tribunal da califórnia) há 4 anos, quando na verdade essa lei tinha poucos meses. frisa ainda que o povo da califórnia votou, no mesmo dia, maioritariamente em obama e no não ao casamento no referendo. há uma ilação a retirar dessa simultaneidade? há, proclama pegado: obama 'diz pretender legalizar o casamento homossexual em todos os Estados'. isilda pegado tenta assim contraditar o argumento de que o casamento de pessoas do mesmo sexo foi em portugal a votos nas legislativas, por estar contido nos programas do ps e do be (e implicitamente no da cdu, já que verdes e pcp tinham votado nesse sentido a 10 de outubro na assembleia). como isilda pegado se enganou tão clamorosamente na contagem de tempo de igualdade de acesso ao casamento na califórnia, admite-se que esteja também tão pessimamente informada quanto ao programa de obama, que repetiu durante a campanha ser contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. ou talvez isilda pegado saiba disso e tenha apenas apostado na ignorância dos outros (isto tem um nome e não só não é bonito como é capaz de ser pecado). continuando a apostar na ignorância dos outros, isilda pegado fala do referendo ao casamento como estando ligado ao 'superior interesse da criança' mas esquece-se de mencionar este facto que deve ser para ela estarrecedor: nos eua, que ela aponta como um exemplo a seguir porque lá se referenda o casamento entre pessoas do mesmo sexo, grande parte dos estados -- incluindo a califórnia -- admite a adopção por casais do mesmo sexo. pegado alega ainda que houve referendos sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo em mais de 42 estados na europa e américa. não sei quantos estados fizeram referendos sobre esse assunto, mas estou convencida de que não foram 42 -- e a factualidade das alegações de pegado não me inspira, como é bom de ver, a mínima confiança.

 

mas o mais interessante do texto, quanto a mim, está logo no início e é repetido a meio. não consigo perceber se isilda pegado leva a sua ignorância ao ponto de desconhecer que todos os exemplos que dá nesta frase, e que coloca no mesmo plano como situações que alterariam os 'pressupostos do casamento' de modo, supõe-se, igualmente apocalíptico -- 'Queremos que o casamento possa ser celebrado por pessoas do mesmo sexo? Queremos modificar os pressupostos do casamento? O casamento pode ser celebrado por pessoas de 14 anos? E de 10 anos? O casamento civil pode ser indissolúvel?' -- não só foram em portugal impossilitados por leis não sujeitas a referendo como, na generalidade dos casos, o foram afrontando o modo de regular o mundo que isilda pegado representa.

 

vejamos: a história do casamento civil, iniciada em 1867 com uma lei das cortes, não só foi iniciada sem referendo como só pode, na terminologia de pegado, ser considerada eminentemente fracturante já que se tratava de retirar à igreja católica o monopólio do casamento; o divórcio no casamento civil, proibido aquando da formulação legal do mesmo em 1867, foi permitido em 1911 pela república, proibido a partir da concordata de 1940 (também sem referendo, incrível) para os casamentos católicos e permitido em 1975 (também sem referendo) para os mesmos, através de uma emenda na concordata; o casamento com crianças era celebrado pela igreja católica em portugal (aliás de acordo com o direito canónico nos séculos xvii, xviii e xix a idade mínima era de 12 anos para as 'mulheres' e 14 para os 'homens', podendo ser admitidos, por autorização eclesiástica, casamentos com crianças ainda mais novas; esta idade foi legalmente alterada pelo código civil de 1867, que a aumentou, respectivamente, para 14 e 16 anos) e a lei portuguesa permitiu até ao início do século xx que assim fosse, tendo sido aumentada progressivamente a idade mínima do casamento pelo legislador (sem referendo! um escândalo!) até à actual, de 16 anos. e, por fim -- ou voltando ao princípio -- também o impedimento do casamento de pessoas do mesmo sexo foi decidido pelo legislador, sem recurso a referendo.

 

claramente feliz com o que lhe pareceu um expediente argumentativo de truz, isilda pegado repete a meio do texto a mesma ladainha: 'Como queremos viver? É uma decisão colectiva. Repito. Desejamos que crianças de 14 anos possam casar? Os muçulmanos em Portugal têm direito à poligamia? Os católicos têm direito a celebrar um casamento indissolúvel na lei civil? São tudo alterações possíveis à lei que regula o contrato de casamento. Aliás, há que perguntar porque modificamos um dos pressupostos do casamento e não modificamos outros'.

 

sim, isilda pegado, devemos de facto perguntar-nos. devemos perguntar-nos como pode suceder alguém, que se assina jurista, argumentar sobre um assunto como este num artigo de jornal e dizer tantas falsidades. devemos perguntar-nos como é possível que aquilo a que chama 'pressupostos do casamento' e tanto estima e apresenta como imutáveis tenha mudado já umas largas dezenas de vezes nos últimos 150 anos sem referendo e sem que pessoas como a isilda pegado tenham pelos vistos sequer dado por isso, apesar de grande parte das mudanças ter ocorrido no seu tempo de vida. devemos perguntar-nos como é possível que a isilda pegado não perceba que os argumentos que usa -- o de que mudar um pressuposto do casamento, como lhe chama, implica mudar todos -- se destroem quando os exemplos que dá de pressupostos supostamente imutáveis e fundamentais  ainda anteontem não o eram: nem pressupostos nem fundamentais. devemos perguntar-nos como é possível que isilda pegado não perceba que ao defender o referendo para uma alteração à regulação do casamento no código civil quando enumera como equiparadas na importância e efeito regras que foram determinadas sem recurso a esse expediente está a demonstrar que não faz sentido referendar uma regulação mais do casamento, sobretudo quando acabou de ser aprovada em eleições legislativas. tudo somado, devemos de facto perguntar-nos se não devemos agradecer a isilda pegado por tornar tão claro o que o movimento de que faz parte tem para apresentar como argumentos contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. isto, portanto.

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44 comentários

De Romeu a 09.12.2009 às 02:04

Acaba por não ser surpresa...


É somente mais um discurso de quem, sendo ignorante (ou talvez não), usa a ignorância para persuadir os outros a aderirem à sua própria ignorância. É a justificação de sentimentos e ideias ignorantes, usando argumentos ignorantes. Dentro da sua própria lógica ignorante acaba por fazer sentido. Não vale a pena tentar convencer ou discutir racionalmente com gente deste tipo. É como tentar discutir matemática com quem acredita que 1+1=3.

De Nuno Gaspar a 09.12.2009 às 02:34

Quer dizer que d'agora em diante só podemos fazer referendos sobre o aborto ou a regionalização?

Quer dizer que é errado os estados americanos fazerem referendos sobre matérias que podem contrariar o programa do presidente eleito e deveriam ser anulados os resultados dos que aprovaram cpms?

Só por ter provocado esta reacção jugular a  "erros factuais clamorosos"  e à "manipulação do leitor" da colega Maria João o texto de Isilda Pegado já teria valido a pena. Obrigado mesmo.

De Romeu a 09.12.2009 às 11:22

"Quer dizer que é errado os estados americanos fazerem referendos sobre matérias que podem contrariar o programa do presidente eleito e deveriam ser anulados os resultados dos que aprovaram cpms?"


Obama é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por isso os referendos feitos não eram iam contrariar "o programa" do presidente eleito. Essa é uma das mentiras escritas por Isilda Pegado, e você acreditou.

De Nuno Palha a 09.12.2009 às 15:15

Mas porque continuam a insistir que Obama é a favor dos casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando este afirmou várias vezes o contrário desde 2007 até agora?!? Atirar areia para os olhos dos outros como a isilda pegado?

De Nuno Gaspar a 09.12.2009 às 16:24

Expliquem lá isso melhor. Então se Obama ou os governadores dos Estados são contra devem fazer-se referendos? E se Socrates é a favor já não devem? 

De aorta a 09.12.2009 às 02:36

este post deveria ser enviado ao provedor do público como direito de resposta.

De Jogos de Aventuras a 03.05.2011 às 14:22

Concordo inteiramente contigo!

De N. a 09.12.2009 às 02:37

Esta gente contrária à igualdade e difusora de ódio dá tiros nos pés uns a seguir aos outros.

De Romeu a 09.12.2009 às 11:29

Não são tiros nos pés. Eles sabem que a maior parte das pessoas vai ler o texto, formar um opinião e depois não se vai lembrar mais que o leu; só se vai lembrar das coisas mais chocantes do tipo: "legalizamos o casamento gay e podemos legalizar tudo" ou " 42 estados fizeram referendo e disseram não ao casamento. em alguns, como a califórnia, experimentaram durante 4 anos e viram que era mau".
É este tipo de argumentação e de "debate" político e social que temos. O preconceito é sempre difundido usando a ignorância como ferramenta. Já quando ocorreram outras lutas pela igualdade foi assim. Ainda alguém se admira?

De Nuno Lobo a 09.12.2009 às 09:51

O seu texto não é mais sério que o texto da Isilda Pegado. Muito rapidamente: (1) É evidente que a Isilda Pegado errou quando referiu os 4 anos na Califórnia. (2) Obama define o casamento como a união entre um homem e uma mulher mas não se opõe à união civil entre pessoas do mesmo sexo (a Isilda Pegado errou quando disse que Obama pretende legalizar o casamento homossexual mas a f também errou quando diz que Obama é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo). (3) O argumento que a f apresenta em relação à adopção gay nos EUA é falacioso: primeiro, porque tece um raciocínio ilegítimo do tipo “a Isilda Pegado aponta os EUA como exemplo a seguir”, “grande parte dos estados dos EUA admite a adopção por casais do mesmo sexo”, logo “a Isilda Pegado entra em contradição”; segundo, a f não tem em consideração que há uma diferença entre a adopção por gays e a adopção por casais gays; não distingue entre o sancionamento positivo da adopção gay e o não sancionamento negativo da adopção gay; e não sublinha a diferença entre a minha última distinção e a prática efectiva. (4) Eu também não sei se houve 42 referendos sobre o casamento gay nos EUA e na Europa; sei que já houve 31 referendos nos EUA e todos foram no sentido da inexistência do casamento gay. (5) Finalmente, no que diz respeito aos “pressupostos do casamento”: a f dá aí uma volta enorme ao assunto quando a Isilda Pegado, segundo me parece, está apenas a denunciar a contradição que existe entre um debate em curso que discute a alteração dos pressupostos do casamento através da abertura da possibilidade do casamento gay mas não discute a alteração dos pressupostos do casamento através da abertura a outras possibilidades.


 


Em suma: para quem não hesita em apontar os “erros factuais clamorosos” do texto da Isilda Pegado e em denunciar a sua “ignorância”, a f deveria ter escrito um texto mais atento aos detalhes dos factos e menos tendencioso. A verdade dos factos e o conhecimento dos pormenores andará ali pelo meio entre o texto da Isilda pegado e o texto da f, mas decididamente não é um exclusivo de nenhuma das duas.

De bossito a 09.12.2009 às 11:34

1) Errou não, mentiu.

2) Obama não se opõe a parcerias civis, mas é contra o casamento.

3) Há efectivamente mais estados americanos que permitem a adopção por parte de CASAIS HOMOSSEXUAIS, do que aqueles que permitem o casamento. Não percebi a sua dúvida, ou aquelas que tenta criar..

4) Foram 31 referendos nos EUA contra o casamento, e vários deles também contra qualquer tipo de reconhecimento legal de casais homossexuais - algo que Isilda Pegado também não esclarece. Na Europa só houve 2 referendos deste tipo, na Suíça, discutia-se parcerias registadas, em ambos ganhou o Sim. Mais uma mentira pegada.

5) Enfim, é um belo soldadinho da armada Pegado. Parabéns, foi bem treinado, mas uma mentira continua a ser uma mentira. Comparar o texto de f. com o de Pegado, é apenas mais uma clamorosa desonestidade.

De f. a 09.12.2009 às 11:39

é, bossito, o nuno lobo só se esqueceu de dizer o que é que está clamorosamente errado no meu texto. mas percebe-se: para o nuno lobo, qualquer pessoa q defenda coisas diferentes das q ele acha certas só o pode fazer por má fé. por q fé boa é a dele.

De Nuno Lobo a 09.12.2009 às 12:55

A vossa (Bossito & f.) maneira de discutir estas questões não é a melhor: "... belo soldadinho da armada Pegado... Parabéns, foi bem treinado..." "... qualquer pessoa que defenda coisas diferentes das que ele acha certas só o pode fazer por má fé... fé boa é a dele..." Mas adiante.

1) Eu sei que a Isilda Pegado "errou" quando escreveu 4 anos; não sei se ela "mentiu", pois para mentir seria necessário que estivesse consciente do erro (o/a Bossito não hesita em dizer que ela mentiu... é por estas e outras que eu me sinto legitimado para dizer que uns não são melhores do que os outro.

2) Se o/a Bossito tem assim tanta certeza que o Obama é contra o casamento gay, talvez não lhe seja difícil indicar o texto ou discurso onde isto seja afirmado explicitamente. Pelo que tenho visto, a posição dele é dupla: pessoalmente entende o casamento como a união de heterossexuais, mas politicamente não se opõe a que os Estados decidam de forma inversa. Daqui a minha conclusão que nem a Isilda Pegado nem a f. escrevem a verdade. 

3) Mais uma vez, a vossa maneira de discutir não é a melhor. Eu não tento criar dúvidas nenhumas. A afirmação "grande parte dos estados (dos EUA) admite a adopção por casais do mesmo sexo" não é verdadeira se não tiver em consideração as condicionantes que eu descrevo no meu comentário.

4) A ser verdade o que diz (Bossito) sobre os referendos na Europa, também não estou a ver como a Isilda Pegado chega ao número 42. De qualquer modo, só nos EUA foram 31, todos contra o casamento gay.

5) Reafirmo o que disse no meu comentário anterior: o texto da Isilda Pegado contém falsidades factuais mas o da f., tanta é a vontade de descredibilizar o da Isilda Pegado, também não é isento de crítica.

Os erros no texto da f.? Nenhum deles será clamoroso como a história dos 4 anos da Isilda Pegado, mas serão suficientemente imprecisos e dignos de nota: A) a posição de Obama face ao casamento gay; B) a questão da adopção gay nos EUA; a volta que dá à questão da alteração do estatuto do casamento, indo muito além do que o texto da Isilda Pegado permite.

Devolvo a pergunta: quais os erros clamorosos do texto da Isilda Pegado? Eu encontro dois: os 4 anos e, pelo que soube agora, os 42 referendos... Suficientes para o ataque a que ela foi sujeita nos posts da MJP e da f.? Penso que não. Duas linhas a dizer que a Isilda Pegado tem uma má relação com os números seria suficiente.



 

De bossito a 09.12.2009 às 14:28

1) Ou mentiu, ou é uma pessoa terrivelmente distraída e tonta, dou-lhe liberdade de escolha. Alguém que dedica boa parte da sua vida a combater o casamento entre pessoas do mesmo sexo, alguém que diz que a história do casamento na Califórnia merece ser contada, não consegue gastar 1 minuto a verificar os dados na Wikipédia? Ou Pegado mente com todos os dentes que tem, dada que essa está longe de ser a única mentira do texto, ou Pegado é a colunista mais irresponsável, distraída e "advinhadora" da imprensa portuguesa. Em suma, ou mente, ou fala do que não sabe, pode escolher.

2) Tome lá um vídeo da campanha: http://www.youtube.com/watch?v=N6K9dS9wl7U Obama diz claramente o que entende por casamento, hetero, e também diz claramente que não se opõe aos estados que o legislem, porque entende precisamente que isso não é matéria de decisão do presidente ou da constituição, mas dos estados. Se ainda não percebeu porque mente Pegado quando diz que Obama «qiz pretender legalizar o casamento homossexual em todos os Estados», não sei o que o fará perceber...


3) São mais que os que permitem o casamento, é essa a relevância desse dado.

4) Precisamente, só nos EUA, só 31 e todos nos EUA, e não "na América e Europa" como mente Pegado, para defender o seu argumento de que Portugal, ao não referendar, está orgulhosamente só. Quando esses referendos foram apenas realizados nos EUA.

Mas insisto, admito que Pegado não seja mentirosa, mas apenas tonta e irresponsável. A mim nada do que ela diga ou escreva choca. Choca-me apenas que um chamado jornal de referência publique isto. Que Pegado minta ou seja tola, é um problema que me diz pouco, que o Público seja veículo da sua mentira ou tolice, já me parece mais grave.

De Nuno Lobo a 09.12.2009 às 15:52

1) Muito bem, conseguimos chegar a um acordo.
2) Desculpe lá, mas aqui é o/a Bossito que não percebeu: eu não disse que a Isilda Pegado tinha dito a verdade; eu disse que a f. não tinha dito a verdade (como já teve oportunidade de verificar, a posição de Obama é menos linear do que aquela que a f. lhe atribui)
3) Também aqui a posição da f. pode ser sujeita a críticas (já expliquei no meu primeiro comentário o meu ponto)
4) Mais uma vez: não sei se mente ou se tem falta de jeito para a aritmética (o que nos leva ao ponto 1 novamente)

E é conveniente não esquecer, já o escrevi antes, que a f. também não é lá muito rigorosa com a interpretação que faz da alteração dos pressupostos do casamento: pega no assunto de que a Isilda Pegado falou mas faz uma interpretação que passa ao lado do espírito do argumento original.

Desde o início que digo o mesmo de várias maneiras: uma pessoa que pretende denunciar as falsidades factuais e/ou ignorância de outra deve ter o cuidado suficiente para não incorrer em erros da mesma espécie.

Compreendo a crítica que faz ao Público e aos textos que nele são publicados; esperaria que o mesmo critério fosse usado pelo Jugular na publicação dos seus textos. Criticar os erros dos outros é fácil; assumir os nossos nem tanto.

De f. a 09.12.2009 às 16:06

nuno lobo, já lhe apresentaram provas daquilo q já devia ter verificado antes de vir aqui acusar-m de não dizer a verdade. mas o nuno lobo insiste: obama é contra o casamento de pessoas do mm sexo, mas pelo vistos não tanto quanto o nuno gostaria, já q é a favor das uniões civis. é isso? ou é o facto de obama, apesar de ter dito cerca de 50 mil vezes q é contra o casamento de pessoas do mm sexo ter-s manifestado contra uma emenda constitucional q impedisse o casamento das pessoas do mm sexo em todo o território dos eua? agradeço q s explique, já q m acusa d faltar à verdade mas s esquece sistematicamente de dizer em quê.

vejo q continua a negar q a adopção por casais de pessoas do mm sexo é permitida nos eua em mais estados q o casamento. é é esse o ponto da minha afirmação, como é fácil perceber para seja quem for q saiba ler.

por fim, agradeço q explique onde reside a minha falta de rigor quanto à alteração dos pressupostos do casamento, já q m dei ao trabalho de argumentar com base em factos. percebo q lh custe admitir q uma das caras do movimento contra o casamento das pessoas do mesmo sexo não só apresentou uma série de falsidades como verdades como mete os pés pelas mãos na definição do q considera serem 'os pressupostos do casamento'. mas a sua figura, ao encarniçar-se a acusar de desonestidade 'igual' quem aponta as falsidades e as confusões de pegado começa a parecer ainda pior.

De Nuno Lobo a 09.12.2009 às 17:30


Obama e o casamento gay. A Isilda Pegado errou quando disse que Obama pretende legalizar o casamento gay. A f. errou quando disse que Obama repetiu durante a campanha ser contra o casamento gay. Se a f. quisesse ser tão rigorosa consigo mesma como é com a Isilda Pegado, deveria ter qualificado melhor a sua afirmação. O debate acerca da posição de Obama face ao casamento gay não é conclusivo. É neste sentido que eu digo que a f. falta à verdade.


 


Adopção gay nos EUA. A eventual bondade dos EUA no que diz respeito aos referendos acerca do casamento gay não tem nada a ver com a sua eventual maldade no que diz respeito à adopção gay. São coisas distintas. A f. joga com os dois elementos e assim procura cavar uma contradição no discurso da Isilda Pegado. Por outro lado, a f. saberá que existem várias modalidades de adopção, que variam de estado para estado. Os gays têm muitas vezes de jogar com estas variadas modalidades. A f. errou quando diz que grande parte dos estados dos EUA admite a adopção por casais do mesmo sexo. Se a f. quisesse ser tão rigorosa consigo mesma como é com a Isilda Pegado, deveria ter qualificado melhor a sua afirmação e ter em conta as diversas modalidades de adopção. A f. escreveu “casais do mesmo sexo”; não escreveu “homossexuais”.


 


Alteração dos pressupostos do casamento. Quando falo em falta de rigor da f., não me refiro à falta de rigor da descrição que faz ou dos factos que enuncia. O meu ponto é outro. A f. não acompanha o espírito do argumento da Isilda Pegado. A f. não corresponde ao espírito do argumento da Isilda Pegado. A Isilda Pegado, pelo menos é assim que a interpreto, está a dizer o casamento gay é apenas uma entre outras alterações possíveis que colocam em causa os pressupostos do casamento. Sendo assim, porquê o direito dos gays ao casamento gay e não, por exemplo, o direito dos católicos ao casamento indissolúvel na lei civil? Em última análise, quem decide os pressupostos do casamento? Quem decide os limites do casamento? O referendo implicaria uma discussão séria sobre o casamento. Não vou discutir aqui os méritos ou deméritos do argumento da Isilda Pegado. Limito-me a explicar o motivo que me leva a dizer que em bom rigor a f. não é rigorosa no modo como interpreta o texto da Isilda Pegado. Uma fala de alhos; a outra responde bugalhos.


 


O ataque feroz não se compadece com uma defesa mansa: a f. foi feroz no ataque mas mansa na defesa.


 


Uma nota sobre o comentário do/da Bossito mais abaixo: a blogosfera seria diferente da imprensa escrita se os bloggers assumissem os erros que cometem; não é o caso. 


 

De f. a 09.12.2009 às 18:37

não, não errei. obama disse repetidamente ser contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. se quer ficar a dizer q isto não é verdade para poder acusar-me d 'faltar à verdade' até vir a mulher da fava, bom proveito.

quanto à adopção, já disse o q tinha a dizer. s não quer entender e/ou aceitar, paciência. se fosse a si relia o meu texto, é capaz d lh ter escapado alguma coisa, nomeadamente o facto d uma das razões q pegado apresenta para referendar o casamento é 'o superior interesse da criança' -- q nos referendos realizados nos estados unidos sobre o casamento, friso e repito, não esteve em causa. aiás, a isilda pegado decerto não sabe e o nuno lobo talvez ignore q há muito mais países no mundo a permitir a adopção por casais do mesmo sexo que o casamento.

quanto ao q chama, em sintonia com pegado, 'alteração dos pressupostos do casamento', realmente tem toda razão: eu não acompanho 'o espírito dos argumentos de pegado'. de todo. é sobre isso o meu texto. ainda bem q pelo menos isso entendeu.

De trucatruca a 09.12.2009 às 22:50

a expressao nao é "ate vir a mulher da fava-rica?"

De João Paulo a 10.12.2009 às 13:02

Desde quando é que um comentário, por ser negativo, tem de ser escrito a Negrito? Quer armar peixeirada?!

De Isabel Moreira a 09.12.2009 às 10:11

fernanda,
também me apetece fazer disto direito de resposta, tal é a quantidade de mentiras que se permite publicar num artigo de opinião, mas enfim.
a jurista anti tudo até ajudaria à discussão se publicitasse a sua militância padre nuno serras pereira que defende, a bem do matrimónio e da procriação, que é urgente baixar a idade legal do casamento. Sem referendo, claro. (http://jesus-logos.blogspot.com/2008/12/urgente-baixar-idade-do-casamento-nuno.html)

De aorta a 09.12.2009 às 18:59

eu disse primeiro :-P

De bossito a 09.12.2009 às 11:24

Muito obrigado Fernanda, ando desde ontem a tentar arranjar tempo e pachorra para desmontar essas mentiras, obrigado pela tua paciência e esforço!

As contas dos referendos da sra. Pegado foi uma mera subtracção do total de estados daqueles que permitem o casamento. Ora há vários que não permitem, mas também nunca referendaram o assunto. No total foram 31, se não estou em erro, referendos sobre o assunto. Sendo que vários deles baniram não só o casamento entre pessoas do mesmo sexo, como qualquer outro tipo de reconhecimento dessas uniões - algo que a sra. Pegado também não esclarece.

A nível europeu, que umas frases depois a sra. Pegado junta aos tais 42 referendos, porque não?, nunca houve, tanto quanto sei, nenhum referendo sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se não estou em erro houve apenas 2 referendos sobre uniões homossexuais no continente, ambos na Suíça, um nacional e um no cantão de Zurique, em ambos o Sim saiu vencedor.

De f. a 09.12.2009 às 11:49

sim, bem me parecia que na europa não tinha havido, à excepção do país dos referendos.

De nunocastro a 09.12.2009 às 12:59

mas o que é que interessam os referendos que os USA fazem ou deixam de fazer?

um país que chama socialista a Obama porque este quer introduzir um sistema misto de saúde, deve servir de exemplo para alguém? Vejam mas é o último filme do Moore, seus beatos irremíveis!

De aorta a 09.12.2009 às 13:50

o moore é um palhaço.

De Marcelo do Souto Alves a 09.12.2009 às 14:00


       Já toda a gente percebeu que os defensores da proibição dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo não conseguem apresentar UM ÚNICO argumento racional válido e que contam apenas com a (eventual) irracionalidade do eleitorado para tentarem arranjar o seu primeiro argumento com alguma força política.


              E digo alguma porque será 1º) muito difícil que o Referendo, a existir, seja vinculativo; 2º) quase impossível o mesmo eleitorado que permitiu a IVG, um assunto que apelava ao "direito à vida", decida agora proibir o casamento homo-sexual que, quanto muito, "apenas" põe em questão o direito à felicidade. Sobretudo quando, como se constata, os defensores do NÃO partem para a discussão totalmente, repito, TOTALMENTE desprovidos de argumentos, para além de uns "trocos" insignificantes como as opiniões do Obama ou os resultados de outros referendos lá fora...


          Querem discutir a sério o casamento civil? Pois isso pode muito bem começar-se logo APÓS a prevista alteração da Lei, de modo a pôr termo à inexplicável situação actual de discriminação por motivo de orientação sexual.


             E, já agora, quem diz que o "casamento foi sempre imaginado para pessoas de sexos diferentes" está pronto a ouvir banalidades óbvias como "a Democracia foi inventada (e mantida assim durante mais de dois mil anos) só para os homens"?


                  E como estas haverá muitas mais no baú do La Palice...

De Marcelo do Souto Alves a 09.12.2009 às 14:04


aorta dixit: «o moore é um palhaço»
 
 
          Pois antes palhaço (rico, neste caso, e bem rico!) do que chimpanzé, ou urso amestrado (e não é só nos circos)...

De aorta a 09.12.2009 às 15:14

você saiu-me um xico-esperto. "Pois antes palhaço (rico, neste caso, e bem rico!)", diz. que elevação de carácter... desde que haja dinheirinho, está tudo bem, né?

http://www.imdb.com/title/tt0411646/

http://www.midas-filmes.pt/dvd_dissidente_a_forca.html

e enquanto vê, pode sempre ir comendo uns amendoins. 

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