Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Esta caixa de comentários é verdadeiramente impressionante, desde logo pela demonstração de quão difícil é, para muitos, compreender o que está escrito - a João diz tão simplesmente que a moral individual influencia a "faculdade de julgar, de aplicar a razão de uma forma adaptada às circunstâncias" de cada um de nós. Em todo o caso não foi isso que mais me espantou, acontece imensa vezes, aquilo que verdadeiramente me deixou de cara à banda foram as considerações feitas a propósito das diversas derivações da conversa inicial - o preservativo, a SIDA, o planeamento familiar, a sexualidade adolescente, os meninos e as meninas... mas que diabo é isto?
Como diz a Joana "Muitos recusam-se ainda hoje a aceitar que o uso da pílula foi uma das grandes vitórias das mulheres – adolescentes incluídas, evidentemente – EM MEADOS DO SÉCULO XX! Porque é disso que se trata: tivesse a João dito que tinha comprado preservativos para o filho adolescente e ninguém teria reagido. O resto é conversa." Já agora, leiam o comentário que a "visada filha"* deixou no dito post, vale bem a pena: "confesso-me pasmadíssima com os comentários que pairam a propósito deste post. ao lê-lo só me ocorre «estes pais não têm a mínima noção de nada». talvez por mentalidades assim é que não foi apenas uma e outra vez que tive, eu mesma, de ir comprar a pílula do dia seguinte para amigas que pura e simplesmente não têm abertura para: a) falar com os pais sobre idas ao médico e métodos contraceptivos adequados; b) falar com os ditos quando qualquer coisa de errado acontece - aliás, o uso do preservativo, sobretudo para jovens inexperientes, tem riscos e a ruptura nestes casos não é tão rara como se poderia pensar. para finalizar, confesso que me senti um bocadinho (muito ligeiro) ofendida com o post de A.B. Lopes, já que me tenho como rapariga «responsável» que também tem um grupo de amigos «do qual fazem parte irmãos e primos» e que se diverte com muitas outras actividades. meu caro, uma coisa não impede a outra. aliás, na minha opinião até andam de mãos dadas…" * De facto é curioso, D. Ester, muitíssimo curioso.
De Luis Moreira a 17 de Outubro de 2008 às 01:38
Essa questão da Maria João e da filha nunca foi objecto da minha apreciação.Já deixei aí em cima dito que fui eu que coloquei o carro de bois nos eixos quando essa interpretação foi feita .Jamais faria uma apreciação dessas.Só a Maria João é que sabe quem tem em casa e qual a melhor forma de lidar com aquele ser que é a sua filha.O que nós estamos a discutir (e isso é óbvio quando se anda na noite) é que há muitos pais e mães que vêm na pílula e no preservativo o "descanso" que tambem encontraram quando arranjaram forma de não terem tempo nenhum para eles.É esse o facilitismo.Há outros caminhos bem mais meritórios que deveriam fazer parte das opções.
De Luis Moreira a 16 de Outubro de 2008 às 18:43
Não por acaso até fui ao D.Ester ,e sabe uma coisa? Está lá uma linda homenagem a um amor duradoiro. Um homem que teve aos seus pés as mulheres bonitas de vários tempos e preferiu ficar quarenta anos com a mesma.E ela (mais inteligente que bonita nas palavras da D.Ester) optou por ter uma família.Dá que pensar quando as adolescentes julgam que não há escolha!
De A.B. Lopes a 16 de Outubro de 2008 às 18:42
AMP creio que já não é aquilo a que se chama uma rapariga e muito menos adolescente.
Sobre o problema da moral individual - e da sua validade - e destrinça entre moral, senso comum e bom senso há por aí muita coisa a ler. Aproveite as noites de inverno, roube um bocadinho de tempo à novela ou à Judith Butler, naquela edição tão bonita da Oval das Leitoras.
De Luis Moreira a 16 de Outubro de 2008 às 18:27
Ana, você tem razão de certeza, mas eu li várias vezes o seu comentário e não tenho bem a certeza se a culpa é minha de não ter percebido grande parte. A ruptura frequente é dos preservativos ou dos conceitos? A pílula do dia seguinte não poderá (desculpe se sou atrasado) querer dizer que as meninas atacam de qualquer maneira e conforme as circunstâncias?É que eu julgava que a pílula do dia seguinte era para ser utilizada no quadro de uma relação estável, e como tal seria uma emegência! Pensava tambem que fazer sexo,principalmente para as meninas, seria algo que se faz no quadro de um conjunto de valores e não numa mecânica de serrar presunto. Numa palavra,julguei que o A.B.Lopes era um lenhador (fui o único que o mandei comprar uns óculos) mas pelos vistos, tem ele muita razão em proteger as suas meninas e não deixar que algo tão importante, para a realização das pessoas, não passe uma corrida a ver quem dá mais.Não foi essa a ideia que fiquei com o que a Maria João aqui deixou defendido. Conversar,ensinando .Mas facilitar, no sentido de quem manda aqui sou eu? Em adolescentes? Quando chegarem aos trinta têm o quê para oferecer?
De Luis Moreira a 17 de Outubro de 2008 às 01:06
Ana, eu estou baralhadíssimo.Acreditamos ambos que a melhor forma de proteger e dar oportunidade ás pessoas de viver em pleno a sua sexualidade, é uma coisa boa.Não estamos de acordo se isso corresponder a um facilitismo que empurra os adolescentes para decisões e actividades que,mentalmente, ainda não têm a necessária maturidade.Apesar do corpo, o malandro,dar todos os sinais. Nunca ouvirá da minha parte que não se deve utilizar o preservativo (porque os criminosos devem adoecer),nem que devem engravidar(para sofrerem elas e os filhos o resto da vida).Há uma parte do sonho que não se realiza.Não lhe dão tempo!É só o que lamento!
De fernando antolin a 16 de Outubro de 2008 às 16:40
Isto é o País que temos,cai o verniz, fica o "aparelho"...
Eu acho que o Luís Moreira está meio baralhado, digo eu. Ora volte lá ao início deste episódio e corrija-me se estiver errada.
Às vezes a exposição da cretinice é pedagógica, Luís (Rainha).
Antes de ir jantar deixe-me só dizer-lhe, Luís Moreira, que o comentário que (estranhamente, porque é bem claro) não percebeu não é meu, é da filha visada no post da João.
ABLopes, você é um lince, não lhe escapa nada.
De António Parente a 16 de Outubro de 2008 às 19:08
Maria João Pires
Permita-me relembrar-lhe que num post mais em baixo me deixou com uma pneumonia provocada por aspiração de maçã. Não é uma situação muito agradável.
Presumo que não seja, não, especialmente para quem tem fé absoluta na inteligência infinita da natureza.
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