Só surpreende a escolha de termos do dignitário mor da ICAR em Portugal quando contrastou as certezas dos ateus, que são de facto apodícticas, isto é evidentes, com as «certezas humildes» dos crentes. Não encontro nem vestígio de humildade no passanço arrogante de Manuel Martins, que recomenda «juizo» a dirigentes políticos e económicos, nem em nada que emane de uma organização que se considera a detentora da verdade absoluta!
De anónimo a 25 de Dezembro de 2009 às 12:51
Espero ansiosamente pela legalização da poligamia, porque também temos direito a casar. Ou vão negar esse direito? Com que moral e argumentos?
Meu caro anónimo:
E que tal comentar o post em vez de agitar a falácia do espantalho?
Palmira, esta história da poligamia pode ser um espantalho fácil de fazer arder: responde-se de forma imediata. Diz-se que sim, que deveria haver casamento polígamo. Se três (ou mais) pessoas adultas desejarem casar devem poder fazê-lo, mas apenas se todas forem casadas com todas (ou seja, no caso de um homem e duas mulheres, não só ele é casado com elas mas também elas entre si) de forma a se prevenirem os direitos de todas as partes. E pelas mesmas razões que se permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo: porque é uma questão de prevenir quem já vai viver conjugalmente.
É uma questão simples, na verdade, não achas?
De VP a 25 de Dezembro de 2009 às 13:31
É de lamentar as declarações do bispo Emérito de Setúbal e o bispo do Porto também... Nem vou dar mais importância.
Pelo menos o cardeal patriarca de Lisboa divulgou uma verdadeira mensagem de Natal. Ainda bem que no seio da ICAR ainda há quem se lembre que o Natal é um tempo de paz e concórdia e não de intromissão nos lençóis dos portugueses/as. Feliz Natal para tod@s (mailto:tod@s)!
De Miguel Braga a 25 de Dezembro de 2009 às 23:04
Como as coisas são vistas de forma diferente. VP fala em «verdadeira mensagem de Natal». Palmira F. Silva chama-lhe «patética».
De fernando antolin a 25 de Dezembro de 2009 às 14:31
Que saudades quando ele era incensado por toda a inteligentzia engagée,o Bispo Vermelho,o que arreava no Cavaco...agora está velho, já não serve...
Bom Natal.
De Miguel Braga a 25 de Dezembro de 2009 às 23:11
Parafraseando alguém: «Não encontro nem vestígio de humildade na passança arrogante de Palmira F. Silva, que se advoga especialista em matérias religiosas ('denuncia não só um caso muito grave de religiocentrismo (http://jugular.blogs.sapo.pt/1390584.html) e clericalismo como ilustra um pico agudo de cristianovitimização), nem em nada que emane de uma "organização" (ateus) que se considera a detentora da verdade absoluta!»
De Joao Augusto a 26 de Dezembro de 2009 às 00:21
Miguel,
Coitada da Palmira... Existem sempre os demasiados inteligentes que sabem mais do que o comum dos mortais. Por seu lado, os menos inteligentes (onde me incluo, claro) apenas podem contar com milhares de anos de história para ter fé num futuro melhor... Eu tento basear-me em mais de 2.000 anos de história, a Palmira em menos de 100 anos!
Há um ditado popular engraçado, mas nem me lembro bem: A caravana passa e ....
Meu caro João Augusto:
depois da fantástica exibição de uma falácia do espantalho logo no início do post achou por bem ilustrar o raciocínio falacioso com mais um exemplo, neste caso um argumentum ad antiquitatem, ou apelo à tradição?
se o estado tivesse o "cuidado" de adiar uma proposta de lei pronta para ser agendada por causa de uma data religiosa estaria a violar o princípio da laicidade do estado. isso sim seria inadmissível. o calendário legislativo não tem páscoas , natais, quaresmas ou outras datas análogas, como se percebe. é triste ter de explicar isto, não é?
De Anónimo a 26 de Dezembro de 2009 às 16:28
E o que me diz ao cuidado do "nosso" PM que, quando fala ao país, (na mensagem que, presumo não seja de Natal) tenha como pano de fundo uma árvore de natal!!!
estado laico, mas só às vezes...
De Romeu a 26 de Dezembro de 2009 às 22:03
A árvore de natal é um símbolo religioso? Deve ser tanto como o Pai Natal...
De aorta a 26 de Dezembro de 2009 às 22:12
mas se em vez de uma árvore de natal tivesse uma vaca e um burro como pano de fundo...
De Anónimo a 27 de Dezembro de 2009 às 01:54
poderia indicar que estava num zoo, numa curral, sei lá... deixo ao seu critério!
Já todos percebemos que têm muita imaginação.
De Anónimo a 26 de Dezembro de 2009 às 23:15
<<Mas Igreja Católica tratou de fazer a ponte entre estes rituais pagãos e os interesses do Cristianismo: a árvore de Natal dos tempos modernos teve origem na Alemanha durante a Idade Média, constituindo uma alegoria à árvore do Paraíso de Adão e Eva. Nas igrejas decoravam-se pinheiros com hóstias e velas, e, da intenção pagã de afastar demónios, a árvore iluminada passou a servir o propósito de representar Cristo como a luz do mundo. >>
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De aorta a 26 de Dezembro de 2009 às 23:31
medieval, portanto...
De Anónimo a 26 de Dezembro de 2009 às 23:59
sim, e...???
De Romeu a 27 de Dezembro de 2009 às 00:10
medieval não é fashion anymore man! 'tá out!
duas notas, para sermos rigorosos e factuais:
1. "de uma organização que não encontrou nada melhor para a sua (patética) mensagem": a mensagem de Natal do cardeal-patriarca de Lisboa é a mensagem dele, não da "organização" que vai da China à Patagónia, nem da organização portuguesa, porque se trata apenas do bispo de uma diocese, no caso a de Lisboa;
2. José Policarpo não é o "dignitário mor da ICAR em Portugal": é o bispo de Lisboa, que se senta colegialmente, com os mesmos poderes e funções que os seus pares de todas outras dioceses na Conferência Episcopal Portuguesa, que por sinal é presidida por Jorge Ortiga, arcebispo de Braga; os títulos cardeal e patriarca que ele tomou são quase por inerência de funções e história atribuídos ao bispo de Lisboa, nada tendo que ver com dignatários-mor, que não existem em Portugal ou noutro país qualquer. A tradição mediática e o centralismo do país leva a que se confundam as coisas, mas Policarpo decide em Lisboa, e a nível nacional senta-se num órgão colectivo que, define o Direito Canónico, "é a uma instituição permanente, constituindo-se como o agrupamento dos Bispos de uma nação ou determinado território, que exercem em conjunto certas funções pastorais a favor dos fiéis do seu território, a fim de promoverem o maior bem que a Igreja oferece aos homens, sobretudo por formas e métodos de apostolado convenientemente ajustados às circunstâncias do tempo e do lugar, nos termos do direito (cân. 447.º). Esta definição é reforçada na Carta Apostólica Apostolos Suos[2], de 21 de Maio de 1998, que clarifica o estatuto teológico e jurídico das Conferências Episcopais, definindo-as como instituições de direito eclesiástico e não como órgão supranacional que condicione a acção dos Bispos nas suas Dioceses." (wikipédia)
De Anónimo a 26 de Dezembro de 2009 às 12:43
Miguel Marujo, estás a «gastar cera com fraco defunto». Quando não se quer aprender... Em centenas de situações como esta outras tantas pessoas já o explicaram, mas não serve de nada. Podes crer que numa próxima a própria Palmira vai continuar a falar de «chefe» da Igreja Portuguesa. Quando se trata de coisas o disco duro de alguns tem dificuldade em corrigir o discurso, nesta como em todas as matérias religiosas. Mas os ignorantes, tradicionalistas e de pensamento imóvel somos nós...
Meu caro anónimo:
Nunca falei em «chefe» da delegação nacional da ICAR, apenas em dignitário mor, ou seja, o mais «graduado». Mas falharam-se-me completamente essas tais centenas de situações em que, supostamente, alguém me apontou o meu erro de designação.
Meu caro Miguel:
Agora estou baralhada :) pensava eu que mor queria dizer maior e que de facto, segundo a hierarquia da Igreja, o cardeal patriarca não obstante o título patriarca ser apenas honorífico e não sui juris, era de facto o dignitário mor da Igreja sem Portugal- uma vez que o outro único cardeal português, José Saraiva Martins, reside em Roma uma vez que é o prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos.
Estou a ver que fui baralhada pelo número 179 do CCIC que explica a hierarquia da Igreja e a «razão» porque cristo estabeleceu esta hierarquia tão rígida, com cabeça no papa a que se seguem os cardeais e só depois patriarca, primaz, arcebispo e bispos (e muito baixinho na escala o simples diácono...)
não descubro Palmira que CCIC é esse; se for o Catecismo também não leio no número em causa qualquer concepção rígida; mas se há vontade de ler coisas da Igreja bem podias descobrir nos textos do Vaticano II - Gaudium et Spes e Lumen gentium, por exemplo - toda uma nova eclesiologia que rompe com a noção de hierarquia, para considerar todos, dos leigos aos ministros, como povo de Deus, iguais perante Deus, sem hierarquias de mandar, mas com funções e missões diferentes na Igreja.
E definitivamente mais graduado não é: D. José Policarpo não manda nada na diocese de Aveiro ou do Algarve ou de Braga ou de Angra ou de qualquer uma das outras; na de Lisboa é o pastor chamado a gerir os destinos do seu território, mas perante Deus (na concepção eclesiológica moderna, que finalmente foi beber à fonte que é o ensinamento de Jesus) é igual a mim - na Igreja, - sem tirar nem pôr. Isto não é invenão minha, nem de um qualquer "CCIC", é saído do Concílio Vaticano II, que vale muito mais que qualquer doutrinação particular ou um catecismo que seja.
Miguel, o CCIC é o compêndio do catecismo da igreja católica. Acredito que tu penses isso da tua igreja mas de facto é uma estrutura com uma hierarquia muito bem definida. E, já que começaste com um artigo da Wikipedia, devolvo outro, com essa estrutura bem explicadinha. E, nessa estrutura, Policarpo é o representante português com a posição mais alta nessa cadeia piramidal.
De Jose-icthus a 26 de Dezembro de 2009 às 18:38
Cara Palmira,
Diz o n.º 179 do CCIC: "Cristo instituiu a hierarquia eclesiástica com a missão de apascentar o povo de Deus em seu nome, e para isso lhe deu autoridade. A hierarquia eclesiástica é formada por ministros sagrados: Bispos, presbíteros e diáconos. Graças ao sacramento da Ordem, os Bispos e os presbíteros agem, no exercício do seu ministério, em nome e na pessoa de Cristo cabeça; os diáconos servem o povo de Deus na diaconia (serviço) da palavra, da liturgia, da caridade."
Esta é a estrutura bem explicadinha que existe, com natureza sacramental. A única que se lhe acrescenta por direito divino é o ministério do Papa, como o que preside à comunhão e ao Colégio Apostólico. As restantes são formas de serviço em diferentes instâncias, onde a precedência é mais protocolar e não de ordem.
Assim talvez fique mais claro.
Palmira, não citei a wikipédia, citei o Código de Direito Canónico, via wikipédia. E o relevante é: a Igreja tem uma estrutura colegial, o bispo de Lisboa não é o representante português mais alto em lado nenhum. Insisto: ele pertence a um órgão colegial de bispos, que elege os seus presidentes rotativamente - actualmente é o arcebispo de Braga (e o título de arcebispo não é mais do que um título dado a um bispo). Se houvesse chefes, seria este, até à eleição de outro. Mas como citei do Código de Direito Canónico, a actuação deste órgão é colegial. Mais: não há uma estrutura piramidal, isso é uma concepção ultrapassada e decorrente de , que a eclesiologia conciliar explicitou de forma bem mais clara do que qualquer artigo wikipediano, como o que citas (que fala dos patriarcas, como se estivessem acima de arcebispos ou bispos, quando não estão). Mas mesmo nesse artigo, se lê: «os leigos hoje tornaram-se cada vez mais importantes e influentes no seio da vida eclesial porque, desde do Concílio do Vaticano II (1962-1965), eles gozam de igualdade em relação ao clero, em termos de dignidade, mas não de funções» (sublinhado meu). Claro que as funções são diferentes, mas o importante é a "dignidade". E peço desculpa, Palmira, isto não sou eu a pensar da minha Igreja: isto é a realidade experimentada, documentada e debatida, vivida diariamente por mim. Neste capítulo, acho que tenho muito mais crédito para avaliar e explicar como funciona a minha comunidade Igreja.
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