Eversion in air: from blogs.discovermagazine.com/loom from Carl Zimmer on Vimeo.
Desde 2007 que Patricia Brennan, então post-doc em Yale, estuda as bizarrias genitais dos patos, bem aparentes neste vídeo que os mais squirmishy não devem ver. De facto, a genitália destas aves é particularmente kinky, em especial se pensarmos que 97% das aves não tem pénis e os machos da espécie depositam os espermatozóides directamente numa fenda da fêmea. Mas os patos evoluiram pénis muito longos e enrolados como um saca-rolhas, por vezes tão longos quanto a ave, que intrigaram a cientista.
Brennan encontrou respostas para as interrogações que a anatomia sexual dos patos lhe despertou e publicou há pouco tempo as suas conclusões nos Proceedings of the Royal Society. O artigo e os vídeos que o acompanham têm sido muito discutidos na blogosfera de ciência pelas razões óbvias. De facto, Brennan descobriu que as patas apresentam oviductos muito longos em espiral com bolsas laterais e sugere que a genitália bizarra de machos e fêmas é o produto evolutivo de uma longa guerra dos sexos.
De facto, embora as patas acasalem durante a época reprodutiva, são perseguidas por outros machos que muitas vezes as forçam violentamente, algumas delas fatais. Assim, um terço do sexo entre patos é forçado embora apenas 3% dos patinhos resultem de «violações». Brennan pensa que as patas podem ter evoluído estes oviductos enrolados no sentido oposto ao dos pénis para controlar a progenitura da descendência. Pelo seu lado, os patos evoluíram pénis extravagantes para dar a volta às defesas femininas e assegurar que os seus genes são propagados o mais alargadamente possível.
No entanto, o trabalho de Brennan parece indicar que quem tem a última palavra nesta história de sexo retorcido são as fêmeas que conseguem escolher quais dos machos que com elas copulam será o pai das suas crias. Go girls!
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
