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era uma cidade, por obséquio

Já não sei onde, li que andaram a perguntar a 'independentes' o que gostariam que Lisboa fosse. Jacinto Lucas Pires queria abrir os olhos ao rio, a Clara Ferreira Alves queria um mapa do caos, e não sei quem queria uma cidade mais segura. Ninguém explicava como, o quê, quem, etc, de acordo com o resumo que li. Ora não tendo a pretensão de inventar nada -- pretensão que geralmente sai muito cara, não necessariamente a quem tem a pretensão -- há uma série de medidas relativamente simples a exigir a qualquer novo edil. Para fazer e não para prometer, evidentemente. Começando pelo caos do estacionamento. Sendo óbvio que as polícias não fazem nem nunca fizeram o trabalho que lhes compete, seja lá por que motivo for (falta de efectivos, falta de vontade, falta de reboques e bloqueadores, etc), deve a autarquia contratar empresas para que o façam. Para além da EMEL, que se dedica a fiscalizar sobretudo as zonas onde há parquimetros, deveriam funcionar na cidade equipas de fiscalizadores que, mediante uma percentagem do valor das multas, bloqueariam e rebocariam TODOS os carros mal estacionados. Este sistema, em vigor por exemplo (salvo erro) em Londres, permitiria um eficaz controlo do estacionamento. Se essas empresas não existem, passariam a existir rapidamente, tendo em conta a perspectiva de lucro fácil. Uma hipótese seria concessionar áreas de fiscalização às empresas que gerem os parques e que têm prejuízos ou menos lucro devido ao facto de não haver qualquer fiscalização do estacionamento à superfície (um exemplo disso é toda a zona da Baixa, nomeadamente do Martim Moniz, onde existe um enorme parque subterrâneo que nunca está cheio -- segundo informação da Braga Parques, que o gere -- quando há carros em tudo o que é passeio e faixa de rodagem, mesmo ao lado de uma esquadra cujos ocupantes nada vêem. O mesmo vale para a recolha de lixo reciclável: empresas privadas com percentagem no valor da reciclagem, que teriam a incumbência não só de recolher como de colocar recipientes e mantê-los em condições, sendo fiscalizadas pela Câmara -- que, actuando sobre outros, certamente não deixaria passar as obscenidades a que faz vista grossa diariamente. O estado deplorável de passeios e faixas de rodagem (estou com um joelho deitado abaixo à conta disso, se querem saber) parece-mer bem mais difícil de resolver, já que os cerca de 3 milhões de funcionários da Câmara de Lisboa parecem incapazes de fazer a mínima manutenção do piso e este género de tarefa dificilmente pode ser concessionada. A criação de uma 'linha buraco', que em tempos existiu como medida eleitoral do PCP/CDU, pode ser minimamente eficaz, desde que as denúncias sejam atendidas num prazo razoável. Resta muito por fazer. Recuperação do edificado, por exemplo -- de solução muito difícil, já que tudo o que até agora foi criado em termos de programas é terrivelmente burocrático e fomentador da corrupção. Reorganização do tráfego e limitação das entradas em Lisboa, parece-me, só com uma solução copiada mais uma vez de Londres: taxa de entrada, como Santana Lopes chegou a anunciar em campanha. De qualquer modo, só a eficaz fiscalização do estacionamento já contribuiria em muito para diminuir o número de automóveis que demandam diariamente Lisboa. Mais? Criação de mercados de rua, ao fim de semana, para vender frescos, nos bairros onde não haja mercados cobertos (a maioria). Os mercados de rua, tão comuns na maioria das grandes cidades, não só permitem que os habitantes consigam comprar alimentos sem terem de se deslocar de automóvel, como permitem viver a cidade de uma forma que deixou de ser possível em muitos bairros há muito tempo. E necessário, para além disto, ter uma visão estratégica para Lisboa? Decerto. Mas antes das visões, eu quero -- exijo -- soluções para os problemas básicos da cidade. E, desculpem lá, não é assim tão difícil. Não pode ser: se as outras cidades europeias conseguiram, não há motivo nenhum para Lisboa não conseguir. Em adenda, Nova Lisboa, no número 5 da revista trimestral LVT

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