Sábado, 16 de Janeiro de 2010
Paulo Côrte-Real

 

"Por fim, a maioria dos portugueses (52,0%) é a favor da legalização dos casamentos homossexuais. Uma maioria menos clara (46,4%) quer um referendo sobre o assunto."

Depois da aprovação parlamentar da igualdade no acesso ao casamento, surge a primeira sondagem em que há um apoio claramente maioritário a esta medida. 

Mais: há uma descida do apoio a um referendo sobre a questão, que deixa de ser maioritário, e uma inversão dos valores da sondagem de Outubro de 2008. E vale a pena marcar este crescimento exponencial do apoio à igualdade no acesso ao casamento (que em Espanha ronda já os 70%, poucos anos após a alteração da lei).

O que interessam todas estas sondagens? Pouco, é certo, para a questão concreta. Até porque os direitos fundamentais são contra-maioritários, como a Isabel não se cansa de repetir. Mas revelam em todo o caso uma mudança da própria percepção pública da homossexualidade como resultado deste processo. Se a homofobia diminuiu? É inevitável, com a visibilidade acrescida de lésbicas e gays, com a banalização de um assunto que muit@s gostariam de manter como um tabu, com o crescente apoio social e político à igualdade e à luta contra a discriminação, com a mensagem que o Parlamento soube enviar e que foi audível um pouco por todo o mundo. Sim, a homofobia "resistente" também se tornou mais visível - e mais identificável; mas, muitas vezes, e comprovando a sua deslegitimação, tentando disfarçar preconceitos com conceitos, como explica o Pedro Múrias. É que a homofobia é cada vez mais motivo de vergonha - e isso é sem dúvida um motivo de orgulho.  


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8 comentários:
De dnemesio a 16 de Janeiro de 2010 às 15:46

 as sondagens, como é recorrente afirmar, "valem o que valem" mas não deixam de ser 'good news'!


De jp a 16 de Janeiro de 2010 às 15:50
Não fosse o caso de ser contra referendar esta questão, dou por mim a pensar que seria fantástico assistir a uma discussão alargada e o Sim ganhar!!!esta noticia anima a minha tese!


De Ana Matos Pires a 16 de Janeiro de 2010 às 16:13
Aquilo que de mais importante retiro da cronologia "sondágica" que aqui mostras, Paulo, é a constatação da eficácia do efeito pedagógico de se falar no tema.


De Hélder António a 16 de Janeiro de 2010 às 16:20
Boa tarde, Paulo.
A legenda da foto também se aplica ao seu activismo: parabéns!

http://periodiccircumspection.blogspot.com/2010/01/portugal-8-de-janeiro-de-2010.html


De Ana Matos Pires a 16 de Janeiro de 2010 às 16:21
Apetece-me recordar o "42%" da f., em particular este pedaço: "... é uma notícia fantástica para os que se batem pela igualdade. segundo esta sondagem, 42% dos portugueses dizem-se a favor da igualdade total no casamento para hetero e homossexuais. igualdade total, 42%. desculpem estar-me a repetir, mas quando me deram a notícia achei-a tão fabulosa que me custou a crer."


De MJ Valente a 16 de Janeiro de 2010 às 16:28
Belíssima noticia. Parece que, de facto, quando a discussão se torna séria (no bom sentido), a mentalidade muda. Um caminho que já outros países (Bélgica, Holanda, Canadá, Noruega, Suécia, Espanha... e outros) já trilharam e que nós, finalmente, também seguimos.


De M. a 16 de Janeiro de 2010 às 23:11
Gostava de ver a cara de Isilda Pegado agora... melhor, quero ver a cara dela e de mais uns quantos naquela Plataforma daqui a 10 anos.


De José a 18 de Janeiro de 2010 às 18:58
É curioso que sendo esta uma sondagem (também) do Expresso, na sua edição impressa, este nada diga sobre o assunto.


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