Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

não há praticamente um dia que passe em casa em que não receba telefonemas de marketing directo. não sei se é azar meu ou apenas o costume, por suceder com todos os telefones fixos. certo é que não falha. hoje foi da sonae. do número de telefone 226181713 sai esta 'está, d. fernanda, é daqui do serviço dos telefones'. do serviço dos telefones?, pergunto, careca de saber que se trata de um espertalhaço a ver se apanha um idoso crédulo, que vá na conversa e acabe por concordar com um contrato qualquer que depois passará meses a tentar cancelar. 'sim, da clix da sonae'. como de costume, pergunto por que motivo me estão a ligar, se não liguei para eles e com que direito incomodam as pessoas com marketing directo. 'julga que é quem, o presidente da república?', pergunta o tipo da sonae. desligo o telefone. o homem volta a ligar. digo 'está proibido de ligar para este número'. liga de novo. não atendo. desiste.

 

estas coisas passam-se assim, num país com um instituto do consumidor e legislação razoavelmente clara sobre dados pessoais e até uma associação de empresas de marketing directo com um código de conduta (ena! -- azar que o li e nada vi sobre telefonemas para casa de pessoas a pretender ser e representar quem não se é e não se representa) e um site na internet que inclui o endereço mail de uma 'lista de oposição' a que as pessoas podem juntar o seu nome para não receberem telefonemas repetidos e sms e mail não solicitado. o endereço é listadeoposicao@amd.pt. quanto à ironia, é ilimitada: ter de colocar o nome e dados pessoais numa lista de empresas de marketing directo para que as ditas deixem de ter acesso aos nossos dados pessoais a que nunca demos autorização de acesso é muito bom. muito bom mesmo.

 

tenho consciência de que a maioria das pessoas que estão a trabalhar para estas empresas e a ligar para casa das pessoas não gostam do que fazem e só o fazem por ausência de alternativas. provavelmente ganham à percentagem, ou seja, ganham tanto mais (e sempre mal, adivinho) quanto mais gente chatearem e enganarem. tenho pena. tenho mesmo.

 

mas o facto de estar em dificuldade não justifica -- não pode justificar -- o que este empregado da sonae ou em nome da sonae fez, na primeira abordagem: tentar enganar o interlocutor, fazê-lo crer que está a ligar da companhia de telefone de que este é cliente. e isso, seja qual for a desculpa que se arranje, é pura canalhice. vergonha para quem a pratica e sobretudo para quem a encomenda e paga -- e mais ainda para as autoridades portuguesas com o pelouro da defesa do consumidor, que permitem que isto suceda ao exigirem aos cidadãos que se dêem ao trabalho de registar o seu protesto e recusa para deixarem de ser importunados. a abordagem directa pelo telefone com fins comerciais é uma prática absolutamente intolerável, sobretudo quando, como se vê pelo exemplo narrado, funciona como simples e despudorado assédio e tentativa de burla.

 

pormenor: não se consegue ligar de volta para o número em causa. et pour cause. mas nada que um pouco de pesquisa não resolva. o número é da empresa patamar de ideias . no site, os logos da clix, zon, meo, holmes place e, nada como o mundo ser pequeno, da red bull air race. descobertos os culpados, se não se importam, quero que vão todos dar banho ao canito.


26 comentários:
De nuvens de fumo a 19 de Janeiro de 2010 às 19:06
Aconteceu-me o mesmo , com uma criatura a quem desliguei o telefone, e depois voltou a ligar a dizer que aquilo não era maneira de terminar uma "conversação".

Há momentos em que compreendo como deveria ser terapêutico o uso do martelo de guerra 


De Marco a 19 de Janeiro de 2010 às 19:09
Este tipo de situação é uma praga!

Quando tudo o mais falhar, é fazer queixa à Comissão Nacional de Protecção de Dados (www.cnpd.pt) - é que nem Baygon.

Não deixa de ser irónico termos que incluir os nossos dados pessoais na lista Robinson ao cargo da Associação de Marketing Directo, mas o que é certo é que conheço alguns casos em que resultou mesmo...


De aaazzz a 19 de Janeiro de 2010 às 19:13
Em relação a esses telefonemas, respondo-lhes pedindo para aguardarem um pouco. Vou à minha vida e não volto ao telefone. Eles hão-de desligar e provavelmente ter de justificar tanto tempo gasto sem resultados.
E já agora, quanto ao marketing postal procedo da seguinte forma: pego no envelope resposta e encho-o de papel de jornal, por exemplo,e envio-o. Eu não pago portes, mas eles pagam.


De nuvens de fumo a 19 de Janeiro de 2010 às 19:17
Gostei, a parte dos jornai pode ser melhorada com antrax, .....

Mas no coopto gostei muito, a minha fúria é má conselheira.


De Joao a 19 de Janeiro de 2010 às 19:38
Vou adoptar a estratégia! (sorry pelo ponto de exclamação)

Já ganhei o dia :)


De Paulo a 20 de Janeiro de 2010 às 15:43
Excelente(s) ideia(s)! Obrigado aaazzz! :))


De Marketing Pessoal a 5 de Abril de 2010 às 19:27
Essas dicas são um espetáculo! A do envelope dá muito trabalho mas a do telefone é fácil de fazer.


De Alexandra Tavares Teles a 19 de Janeiro de 2010 às 19:19
exactamente, tb fui dar à tal patamar de ideias quando um dia, furiosa, tentei ligar para esse 22 qq coisa.


De aaazzz a 19 de Janeiro de 2010 às 19:21
Não se consegue ligar porque é paenas uma linha de saída.


De Joao a 19 de Janeiro de 2010 às 19:26
A sonae funciona assim....só tem um serviço que escapa ao lixo generalizado daquela empresa, que é o provedor.

Manda um mail para provedor@sonae.pt e o efeito é imediato!


De nuvens de fumo a 19 de Janeiro de 2010 às 20:46
e vendem chouriços bem,


De Isabel Moreira a 19 de Janeiro de 2010 às 19:56

eu cheguei a um ponto tal que não atendo o fixo. só quando combino que me telefonem, imagina. só o uso para fazer chamadas.


De João Paulo a 20 de Janeiro de 2010 às 00:44
Eu fiz a mesma coisa, até que mandei mesmo desligá-lo. Nunca dei o meu nº de telefone de casa a ninguém, mas estava constantemente a receber telefonemas!


De Draguinho a 19 de Janeiro de 2010 às 20:00
De acordo, tem carradas de razão, mas, quando  o seu telefone tocar accionadopelos impertinentes que descreve, exeperimente o seguinte:
 - Estou!
 - @£€§{
 - Sou um momento que eu vou chamar.
E deixe o auscultador pousado fora do descanso.

 


De Filipe Moura a 19 de Janeiro de 2010 às 20:38
Boa, Fernanda! Mais umas maiúsculas e este texto daria uma excelente crónica no DN. Seria muito bem empregue.

Uma outra (conhecida) sugestão:

http://www.youtube.com/watch?v=VXjAIizqZNI (http://www.youtube.com/watch?v=VXjAIizqZNI)


De p.m. a 19 de Janeiro de 2010 às 23:09
vou linkar . mas a ideia dos jornais no porte pago só para os magoar onde mais lhes deu, aos patrões da invasão, no dinheiro, cartões de cartolina pesada assinada por mim, parece-me muy bem.


De dnemesio a 20 de Janeiro de 2010 às 07:09
cá em casa   não atendemos o telefone quando são números desconhecidos, é que não há paciência. há uns tempos ligavam à noite, hora de jantar, quase todos os dias... enfim, uma tortura. agora, o fixo, serve para fazer chamadas e apenas receber dos números conhecidos.


De P Amorim a 20 de Janeiro de 2010 às 10:10
Há uns telefones portáteis que recusam as chamadas sem número. Infelizmente perdi a referência, se alguém souber fico muito agradecido.


De Luis a 20 de Janeiro de 2010 às 11:22
Isso é um serviço que se activa.


De Marcelo do Souto Alves a 20 de Janeiro de 2010 às 11:26
Lamento, mas não conheço essa referência.


          Eu, quando posso, ponho o meu Secretário Particular (o meu puto mais velho, que ainda nem aprendeu a ler) a atender essas chamadas. É um fartote de rir...


              Mas trata-se de uma situação absolutamente intolerável, sobretudo quando os interlocutores são insolentes, mal-criados ou insistentes.


           De analisar igualmente o que se passa num sítio suspeito da Rua Castilho (n.º 5, Sobreloja, por detrás de umas telas de obras), para onde me queriam convocar "à força" (ligaram-me algumas três vezes a insistir!), no passado Sábado, para ir medir o índice de massa corporal e fazer electro-cardiogramas...


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