Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Jonas, se decidires explicar-lhe em breve, este livro, editado pela Gótica em 2000, pode ser uma preciosa ajuda.
Surgiu em 1997 na Suécia, no âmbito de um projecto apresentado pelo primeiro-ministro da altura, Goran Persson, chamado História Viva e visava "suscitar a discussão sobre questões como a solidariedade, a democracia e a igualdade entre todas as pessoas, tomando como ponto de partida o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial". Em 2000 foi lançado, em Portugal, um projecto semelhante, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e da Associação de Professores de História e, nesse contexto, foi traduzido este livro que, na versão portuguesa, conta com textos, acrescentados aos originais, da Irene Pimentel. A linguagem é direccionada para leitores jovens - não deixando por isso de ser um livro muito duro - e cá em casa cumpriu os objectivos.
Adenda: acabei de saber que a Irene estará, às 22h, no jornal da RTP2 para falar sobre estes temas.
"a igualdade entre todas as pessoas"
As pessoas são todas iguais?!
"cá em casa cumpriu os objectivos"
Quais eram os objetivos?
De
Shyznogud a 28 de Janeiro de 2010 às 09:39
Siga o link e perceberá quais eram os objectivos.
Qual linque? O do Jonas? Eu segui-o e continuei sem perceber quais eram, precisamente, os objetivos.
De
Shyznogud a 28 de Janeiro de 2010 às 10:13
Realmente é muitíssimo difícil perceber q o livro me serviu para falar sobre o Holocausto e temas associados aos meus filhos.
Eu aprendi o que era o holocausto quando tinha ara aí 20 anos, e não foi com os meus pais, certamente.
Se a Maria João bem se lembra, quando nós éramos jovens não se falava dessa coisa de holocausto, nem ninguém sabia o que fosse.
E confesso que não vejo grande interesse em explicar essas coisas aos meus filhos. Já se fizeram tantas maldades neste mundo, vamos explicá-las todas às crianças?
De
Shyznogud a 28 de Janeiro de 2010 às 10:53
eheh em q planeta é q o Luís vivia? Se bem me lembro as pessoas da minha geração descobriam o q era o Holocausto muito, muito cedo. Até porque a segunda guerra mundial - e tudo o q girava à volta dela - eram o pão nosso de cada dia nos filmes, bds, tvs q nos rodeavam. Tinha 12 aninhos qdo esta série surgiu e não demorou assim muito tempo a chegar à TV portuguesa. Era pouco mais velha quando deitei as mãos, pela primeira vez, ao trabalho de Art Spiegelman. E podia continuar...
Qto ao q o Luis acha q deve ou não explicar aos seus filhos, é lá consigo. Por mim prefiro mostrar-lhes os pretos, brancos e cinzentos da realidade. Opções.
De maria de albuquerque a 28 de Janeiro de 2010 às 11:54
A minha familia paterna é francesa e viveu a ocupação de Paris pelos alemães. O meu pai nasceu durante a ocupação. Lembro-me das histórias que a minha avó me contava sobre esses dias e de como eu e o meu irmão ficávamos incrédulos quando ela elogiava a boa educação dos soldados alemães. Lembro-me também de um tio avô que foi prisioneiro de guerra na Alemanha, libertado pelo exército vermelho: era um velhote deprimido, numa cadeira de rodas, as duas pernas foram-lhe amputadas em consequência das condições deploráveis em que esteve preso. Deixei de o ver a partir dos meus 12 anos, ele não queria visitas e morreu amargurado, odiando os alemães mas, pasmem-se, odiando muito mais os soldados russos, porque os alemães eram educados e os outros "uns selvagens, brutos, criminosos". Esta experiência fez-me ver a importância de que a memória não esqueça o horror do Holocausto: foram homens bem educados que permitiram o extermínio de seis milhões de pessoas; que o programaram racionalmente, e o executaram sistematicamente! A memória dos homens não pode esquecer tal horror. Eu por mim contei-o aos meus filhos e levei-os ao museu judaico de Berlim. E porque têm idade para perceber, dei-lhes a ler "Se Isto é um Homem" do Primo Levi e "A Noite" do Elie Wiesel, dois dos relatos mais pungentes que eu li sobre os campos de extermínio.
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