No primeiro de três dias de greve, os enfermeiros procuraram conquistar a simpatia das populações distribuindo panfletos em que comparam os salários de início de carreira dos enfermeiros com os de outras profissões do sector público. No caso particular dos médicos, apresentam um salário de início de carreira de 2575€ quando, na realidade, os jovens médicos começam a carreira com um salário de 1566€ do qual são naturalmente retirados impostos e contribuições legais. Um desvio de 1008€, intencional porque ainda não desmentido, que compromete irremediavelmente a credibilidade das reivindicações sindicais. A menos que haja quem acredite que aqueles que usam a manipulação demagógica mais selvagem para conquistar a opinião pública tenha um rasgo de seriedade nas negociações com o Governo. Eu não acredito.
Pode informar onde se encontra o artigo de Pedro Morgado? Obrigado.
De
Shyznogud a 28 de Janeiro de 2010 às 10:12
Aqui mesmo, o Pedro já não tem blog activo, daí este post ter sido publicado no Jugular.
Não havia percebido - obrigado.
O corporativismo selvagem e egoísta é uma das piores heranças do salazarismo e está a tornar-se numa das principais ameaças à sanidade e ao aprofundamento da nossa Democracia. Seja ele protagonizado por Enfermeiros, por Médicos, por Juízes, por Professores, por Pilotos de aeronaves, por Militares, ou por Camionistas...
De pedro a 28 de Janeiro de 2010 às 10:45
quanto ganha um técnico superior de 2 na função publica ?
porque é que os enfermeiros têm de ser licenciados?
estas são questões que os enfermeiros deveriam responder
ir hoje a um hospital, e acreditem que inflizmente tie de ir muitas vezes, é uma confusão de cores de batas em que os médicos nem ve-los, os enfermeiros mandam as senhoras com uma bata de cor diferente fazer aquilo que antes os enfermeiros faziam enfim
a minha mulher licenciada enquanto técnica superior de 2 levou para casa durante muitos anos cerca de 750-800 euros
Vão trabalhar
Um técnico superior de 2ª ganha 1.373,12 euros por mês, e, em principio, leva 1.130 euros para casa.
De Francisco a 29 de Janeiro de 2010 às 22:28
Miguel Madeira:
Vamos por partes:
1. a categoria de técnico superior de 2.ª classe não existe desde 01-01-2009, data da entrada em vigor da Lei n.º 59/2008, de 11 de Setembro, também conhecida como Regulamento do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, que deu seguimento à reestruturação das carreiras da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, também vulgarmente conhecida como Lei dos Vínculos, Carreiras e Remunerações, a qual criou 3 carreiras gerais, a saber: técnico superior, assistente técnico e assistente operacional. A carreira de técnico superior é unicategorial, ou seja, é horizontal.
2. A revisão das tabelas remuneratórias fixou, para a base da carreira técnica superior, o vencimento mensal ilíquido de 995,51 euros. Os 1273,12 euros que refere eram, com efeito, a base remuneratória correspondente à categoria de técnico superior de 2.ª classe,que não era de ingresso, pois havia a categoria de estagiário (extinta), com um vencimento substancialmente mais baixo.
3. Quem ingressar hoje na carreira geral de técnico superior (grau habilitacional de licenciatura), fica com um vencimento base ilíquido de 995,51 euros (ou mais, se o mesmo for negociado após procedimento concursal comum).
4. Concluindo, a remuneração de entrada proposta pelo Governo para a carreira de enfermagem é de... 995,51 euros, ou seja, precisamente idêntica à da carreira técnica superior.
Finalmente:
Ao acusarem o Governo de querer criar "licenciados de 1.ª e de 2.ª" os enfermeiros querem, de facto, criar essa hierarquia mas sendo eles os privilegiados, uma vez que, se as suas reivindicações chegarem a bom porto, terão um estatuto remuneratório mais favorável do que os outros licenciados da Administração Pública, designadamente os técnicos superiores.
Esses 1566 euros são a remuneração de um "Interno do Ano Comum", que ainda não se considera "carreira".
Há 2 anos atrás, a remuneração base de assistente hospitalar do 1º escalão era 2502 euros; deve ser isso que o SEP refere como um médico em principio de carreira.
Desde que haja carreira eheh
Tomando como certa, q não está, a sua definição de carreira médica
Muito bem visto pela Maria João e pelo Pedro. Tambem eu sou médico em inicio de carreira e tive oportunidade de confrontar alguns enfermeiros do serviço em que trabalho acerca destas falsas informações...e a propósito, sei de um colega meu de curso e de trabalho que enviou um e-mail ao sindicato dos enfermeiros, que, ao que parece, admitiu o erro mas pouco ou nada fez para o emendar. Assim, não há quem queira (ou possa) negociar...
Caro Miguel,
Não são os enfermeiros que decidem quando é que começa o início da carreira mas sim a Lei. O artigo 20º do decreto-lei 45/2009 de 13 de Fevereiro de 2009 é muito claro nesse aspecto definindo o início da carreira médico como o início do Ano Comum.
Por outro lado, esse é o salário de um Assistente Hospitalar em exclusividade. O salário que os enfermeiros usam para comparar é sem exclusividade.
Como tal, a comparação é intencionalmente distorcida.
Bem, eu guiei-me pela aplicação informática usada para gerir os recursos humanos do Ministério da Saúde, que não codifica os Internos como "Pessoal Médico", mas sim como "formação pré-Carreira" (junto com o Téc. Sup. de Saúde estagiários). Mas essa aplicação vai fazer 11 anos, talvez já esteja desactualizada nalguns aspectos...
Há 11 anos não existiam "Internos do Ano comum", Miguel.
De
besugo a 30 de Janeiro de 2010 às 00:49
Esta conversa é interessante. De facto, há 11 anos, o que havia eram 2 anos de internato geral. O Ano Comum (designação um bocadinho infeliz) é uma criação de quem percebeu, por fim, que são necessários mais médicos. E, como é assim, que se especializem mais depressa. Isto é um princípio bondoso, até porque tende a contrariar a tese de Leonor Beleza, que defendia (sob Cavaco) que não eram precisos mais médicos. Como Gonelha, aliás, antes dela, defendia.
Más contas. Má táctica.
Acabei de escrever uma coisa sobre os enfermeiros, no meu blogue. Basicamente, gosto de enfermeiras e de enfermeiros e a minha verdade, sendo esta, não se anula no facto de achar duas coisas: que quando lhes dá para a toleima são pragmáticos demais para quem se limita a executar ordens e a preencher registos informáticos (perdem nisto metade do seu tempo); e que nunca hei-de entender enfermeiros (raros, acredito) que não assumem a vergonha que é a recusa sistemática das suas responsabilidades enquanto licenciados. Há registos de enfermagem que rezam "chamei o Dr. Não Sei Quantos derivado ao doente X, e o Dr. Não Sei Quantos veio observar o doente mas nada fez". E teria de fazer? E o quê? Isso não lhes importa: esta casta rara de enfermeiros anda entretida a alijar-se de responsabilidades e a endossá-la. Não servem para formar equipa nenhuma. Não passam de minagem pura. Gostava de me ver livre desta espécie de gente. Felizmente, no serviço onde trabalho, quase que estou livre disso. Quase.
Xiiiiii, que ruim eheh. São essas e aquelas outras notas do tipo turno 8h-16h "Dormiu por períodos e tb urinou e defecou".
De dude a 28 de Janeiro de 2010 às 21:10
Um professor no 2º escalão, licenciado, também só recebe ilíquidos 1.136,70 €. Se for solteiro só leva para casa 892,31 €. O mesmo docente, para receber algo de parecido com o que diz o panfleto, terá de estar no actual 5º escalão e ter cerca de 20 anos de serviço para receber isso líquido.
De isabel silva a 2 de Abril de 2010 às 01:57
como é que um licenciado em quimica ramo analitica, exercendo funções num laboratório de analises de água, como técnico com curso aufere uma remuneração igual ou inferior que um com a escola profissional, tendo a categoria de técnico auxiliar ou técnico sem curso. Como é possível haver estas diferenças? gostaria de saber qual a legislação dos trabalhadores que trabalham em laboratórios de análises, sejam clínicas, águas ou microbiologia.
Assim não vale a pena tirar um curso superior
De Anónimo a 8 de Maio de 2010 às 20:52
Caros senhores doutores ( como repararam doutores está em letra minuscula, porque doutores há muitos), levanto-me com o devido respeito para escrever a vossas excelências e simultaneamente informar, obviamente para quem não sabe, ou não quer saber, de que o valor acima mencionado (1566 euros), é referente não ao inicio de carreira, mas sim ao inicio de internato médico, o que em termos práticos corresponde a um estágio ( que no caso dos enfermeiros não é remunerado). Tenho 13 anos de carreira, 10 dos quais licenciado, por acaso também sou Especialista, e recebo um salário mensal de aproximadamente 1075 euros, estando incluido neste valor trabalho nocturno, de fim de semana e feriados. será pelo facto de ser Enfermeiro que não tenho direito a uma carreira justa de igual forma que os restantes licenciados/ técnicos superiores da função pública.
Como os senhores doutores repararam Enfermeiro está em letra maiuscula, pois somos Enfermeiros mas com orgulho, e como podem constatar não é pelo vencimento nem pelo status social.
Esta saga de comentários até parece um filme, e por falar em filmes, parafraseando um grande actor portugues, Vasco Santana:
"doutores há muitos...."
ENFERMEIROS sim, empregados ou serviçais dos senhores doutores NÂO.
De abc a 14 de Outubro de 2010 às 20:28
anónimo, os 1566 euros brutos a que nos referimos é o valor do salário SIM em ínicio de carreira e não a remuneração de um estágio que para os enfermeiros não é remunerado! o nosso estágio corresponde ao 6º ano, no qual pagamos cerca de 1000 euros de propinas, e não recebemos um tostão!!
esclarecido?
De Anónimo a 8 de Maio de 2010 às 20:58
visto só serem postados no blogue o que o sr doutor entender, já deu para perceber porque só há comentários de senhores doutores, no entanto devo informá-lo que a Manuela Moura Guedes foi para a rua por muito menos.
Comentar post