Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Segundo nota da Direcção do JN, Mário Crespo cessou a sua colaboração aquele jornal após o respectivo Director lhe ter dado “conta das dúvidas que lhe causava o texto que Mário Crespo enviara para publicação no dia seguinte”. Ainda de acordo com a mesma nota, o director do JN entendeu que “o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.”

Em face disto, Mário Crespo decidiu “retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a Direcção do JN respeita”.

O texto que toda a gente já conhece e que aqui não linko padece efectivamente das faltas apontadas. De acordo com o escrito, o PM e dois Ministros estariam num restaurante a discutir a forma de resolver um problema chamado Mário Crespo. E tudo isto, segundo Mário Crespo, “sem fazerem recato”, de maneira a que a urdidura pôde ser ouvida nas mesas do lado. Vou repetir: o PM e dois Ministros discutiam, num restaurante, a forma de colocar Crespo fora-de-jogo. Baixinho? Não! Incomodando a gente do lado com a sua colérica conversa. Vou repetir uma vez mais: PM e dois Ministros decidem, em conversa num restaurante, tramar o jornalista Mário Crespo. Segundo testemunhos, o tom de voz era tal que várias pessoas sentadas nas mesas do lado puderam ouvir a conversa.

E o extraterrestre do director do jornal atreve-se a colocar reservas à publicação de tal coisa. Em vez de espetar logo com a novidade na primeira página, de fazer uma dupla edição, o tonto achou que talvez não fosse má ideia fazer aquilo que um jornalista costuma fazer: investigar, confirmar, confrontar testemunhos, deixar os visados exercer o contraditório, dar ao tal PM e aos tais Ministros a possibilidade de reagirem à notícia. Assim uma cena tipo básica que qualquer jornalista tem de fazer em face de qualquer "facto" aspirante a notícia. E mais ainda quando a coisa é tão escabrosa como a descrita.

Crespo, bem mais sabido, terá achado que as tais pessoas incomodadas (com o escarcéu do PM e dos Ministros, está bom de ver) chegavam bem. Que aquilo que ele escrevia no JN até era uma coluna de opinião e que portanto qualquer notícia — aquilo é uma notícia, e que notícia! — ali dada passaria com a mesma agilidade com que tem passado a opinião.

Não foi assim e ainda bem que não foi assim. Entretanto, o lado dos maus passa a ter mais um título de respeito (bem-vindo, JN), o socialismo criou mais um mártir e o texto censurado pode ser lido em qualquer blogue e em qualquer jornal perto de nós. Nada de anormal, como nem sequer é anormal o facto de os nossos Ministros censores planearem os seus golpes de corte e costura em pleno restaurante. Tudo às claras, estilo neo-censura. Sem nada para esconder.


77 comentários:
De rui david a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:31
lol! ainda não estou bem em mim. esta história está mesmo a passar-se? Não é dos apanhados?


De Rogério da Costa Pereira a 1 de Fevereiro de 2010 às 22:31
Smile, you're on candid camera!


De Filipe Moura a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:35
Já andava a estranhar a tua ausência. Órfão do Sá Pinto? :)


De Rogério da Costa Pereira a 1 de Fevereiro de 2010 às 22:32
Não, Filipe. Azia.


De nuvens de fumo a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:37


Era tão um mundo onde inventávamos as fontes , as notícias, tudo.

Eu estava lá e o PM estava embriagado, os ministros faziam linhas em cima da mesa de vidro e várias senhoras em trajes reduzidos passeavam com orelhas de coelho na cabeça .

Isto foi depois de ter botado na tola 5 cagumelos daqueles das moscas


De António Parente a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:43
possivelmente as senhoritas em trajes menores foram libertadas das grilhetas da escravidão pela esquerda republicana.


De ana a 1 de Fevereiro de 2010 às 21:40
O Nuvem é a fonte do Crespo! Liquifez-se?


De fernando antolin a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:45
Espero os processos judiciais que certamente vão "cair" sobre o Mário Crespo. Pelo menos 4 , não será ?


De nuvens de fumo a 2 de Fevereiro de 2010 às 17:20
Inimputável


De P. a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:47
Naturalmente, alguém do Jugular apresenta-se para defender o Primeiro-Ministro e os seus dois ministros. Como há aqui muita paixão pela auto-censura, esquecem-se de que Mário Crespo escrevia no JN um artigo de opinião, que se fosse dedicado a dizer que os extraterrestres existem e que violaram todos os transeuntes do largo do rato, tinha sentido de existir. Podia ser idiota, e inacreditável, e para os apanhados e ser tudo treta, mas era o seu direito à existência, enquanto texto, que estava em causa. Se depois os transeuntes (eu passo lá todos os dias, vejam lá bem) quisessem processar Mário Crespo, estariam no seu direito. Tal como como os alienígenas.

Mas não. Leite Pereira já mais do que uma vez confessou a sua admiração pelo PM. Discordo dela, e dele, e limito-me a ler as colunas do JN online (não as dele, bem entendido) porque o acho um perfeito idiota e um jornalista subserviente, submisso, mouco e feliz assim mesmo. É a minha prerrogativa. Tal como é a sua de não ler, ou até falar mal, dos textos de Mário Crespo. Mas isso sou eu, que ainda respeito a existência deste seu post, desta sua "opinião" ou lá que raio é isso. Acho-a idiota e por simples lógica de preconceito também o acho idiota a si. Novamente, pode retribuir, pelo que digo, pelo conhece de mim agora, mas é sempre um direito. Pouco me importa se Leite Pereira tomou a decisão sozinho ou se foi pau-mandado. É censura. Bruta, ridícula, mesquinha e amaricada. É o que é. Se você acha bem, é lá consigo. Novamente, eu darei sempre espaço às barbaridades que você diz. É pena é você pactuar com quem não dá esse espaço a outros. Desculpem-se com os clichés da praxe, de que é difamação, de que tudo tem de ser comprovadinho antes de se escrever, de que um artigo opinião não deve expressar simples opiniões, mas sim opiniões, vá lá, aceitáveis. É sempre a mesma soberba, é sempre o mesmo ridículo.

Rogério, censure-me a mim também. E depois podemos rir todos contentes e pensar, fogo, por momentos quase que se deixavam escapar opiniões.


De Rogério da Costa Pereira a 1 de Fevereiro de 2010 às 22:33
Aquilo é um artigo de opinião, portanto?


De Nuno a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:12
Pelo que li no post o que se defende é a conduta do director do JN (ainda bem que não se chama Fernando Lima)


De Rui Pinto a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:51
Vão perdoar-me o comentário! Julgava que o sectarismo era mais no Arrastão... Este post não dignifica minimamente o Jugular!

Depois não se admire se o Pacheco o acusar de lamber botas... É efectivamente o que isto parece!


De j a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:52
e quantos aos factos, a conversa existiu ou não?

é verdade que foi dito «referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado” ou não?
é verdade que foi dito «“um problema” que teria que ter “solução”» ou não?.

é que o "louco" diz que «Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.»

mas, também, por que raio eu querer eu saber?
não sei tanta coisa sobre quem nos governa.
e, se calhar, até é bom continuar sem saber.
quanto mais ignorante mais feliz.

só que houve um tipo qualquer que disse que «a loucura pode ser um sinal de lucidez».

 


De Rogério da Costa Pereira a 1 de Fevereiro de 2010 às 22:35
J,
ora lá está, esse é o ponto. Em calhando, o director do JN até terá razão nas duvidas que levantou.


De j a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:49
se calhar, concedo.
eu também ando doido com tanta dívida para pagar.
e o que me tem safado é ter um bom gestor de conta. ou melhor, uma boa gestora, que a senhora até é jeitosa.

tenha "juízo", Rogério.


De lm a 1 de Fevereiro de 2010 às 21:11
o pior é que é mesmo assim. esse pessoal perdeu o recato e a vergonha.


De Isabel a 1 de Fevereiro de 2010 às 21:11
Acabei de ouvir a notícia na Sic. Disse logo para o meu marido: "vou ver o Jugular, de certeza que a f. já  escreveu algo do género 'Façamos de conta que Mário Crespo é um jornalista e, já agora, dos bons'".
Pronto, admito, enganei-me. Seria demasiado óbvio. Melhor ser outro a escrever.


De Damião Fernandes a 1 de Fevereiro de 2010 às 23:25
eheheheh...esta pelo menos teve piada.


De polaco a 1 de Fevereiro de 2010 às 21:24
É a diferença entre pessoas de espírito livre e os condicionados pela carteira.

Os livres dizem o que pensam, qualquer que seja o blogue ou o jornal. Os outros repetem até à exaustão o que lhes mandam e encobrem como podem, asfixiando.

Há forma de os distinguir, os primeiros têm coragem e dão o peito às balas, os outros são cobardolas, oferecem bengaladas e perseguem os primeiros.

Capice?


De Paulo Rotundo a 2 de Fevereiro de 2010 às 19:42

ó polaco, e o Crespo é um homem livre? Ou está preso à trela de quem lhe paga o ordenadito ao fim do mês? Hem?


De Filipe Enes a 4 de Fevereiro de 2010 às 00:54
"ó Paulito", se assim fosse, este não teria cessado de imediato a sua colaboração com o dito. "Hem??"


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