Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Tenho andado a passear pela blogosfera e, espantada e divertida, constato que parece existir um crime de lesa-linguagem quando alguém se afasta do cânone lisboeta. Não me vou pronunciar, pelo menos para já, sobre o caso que traz meio mundo entretido mas, sim, sobre as reacções que a palavra calhandrice suscitou junto de muitas almas bem pensantes.

Talvez por ser filha de uma alentejana desde miúda que ouvi chamar calhandrice a bisbilhotice. Lembro-me até de não saber o que significava bisbilhotice quando a ouvi pela primeira vez, pouco tempo depois da minha família se ter instalado definitivamente em Lisboa, no já distante ano de 1972. Um dos exercícios mais curiosos que me lembro de fazer com a minha irmã era, aliás, tentar acertar na "proveniência" das palavras que se usavam em minha casa. Com um pai nortenho e uma mãe sulista, família espalhada pelo país inteiro e muitas férias passadas em casa de múltiplos tios, éramos putos sujeitos a todo o tipo de variações vocabulares. Desde o estrugir/refogar, passando pelo sertã/frigideira até ao papo-seco/carcaça, o nosso mundo verbal era composto por uma infinidade de variações que nos fizeram crescer convencidos que o português era uma língua muito rica e que, a não ser que se fosse um tremendo pedante, todas essas palavras  tinham exactamente a mesma dignidade que as tradicionalmente usadas no linguajar lisboeta. Aparentemente cresci enganada, usar uma palavra comum em certas regiões do país que não a capital torna-a popularucha, indigna, a evitar...

 

p.s. - Já agora, uma das palavras "importadas" da nossa família alentejana que usamos com mais frequência, e deixando quase sempre o nosso interlocutor à nora, é garganeira. Esta, contudo e ao contrário de calhandrice que consta de todos os dicionários, só está dicionarizada, que desse por isso, no Houaiss.

165 comentários:
De Isabel a 2 de Fevereiro de 2010 às 11:41

Garganeira também se usa no Ribatejo e sardanisca / lagartixa, conhece?


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 11:49
Pelo q tenho reparado, agora que contacto mais com o Ribatejo, são muitos os pontos de contacto "vocabulares" entre esta região e o Alentejo.

Sim, sim, sardanisca como lagartixa tb. me é familiar.


De Isabel a 2 de Fevereiro de 2010 às 11:55

Num dia em que a oposição se une toda a favor do Sr. AJJ contra o Estado e os princípios mais básicos do rigor e da equidade das Finanças Públicas, talvez fosse preferível e mais perceptível para quem não conhece a expressão o termo bilhardice, também sinónimo de calhandrice. 


De Tereza a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:28

sardanisca como lagartixa tb se usa na covilhã. Tal como lá se diz fagulha e não caruma ou missagra como dobradiça.
percebo a maria joão. a minha casa também parecia uma torre de babel.


De nuvens de fumo a 27 de Abril de 2010 às 13:02
molete ? diz-vos algo ?


De Shyznogud a 27 de Abril de 2010 às 13:18
é um papo-seco (como raio recomeçou a conversa aqui depois destes meses todos?!)


De Niamey a 27 de Abril de 2010 às 13:28
porque há quem, em vez de ler os posts dos vários autores e de enfiada obedecendo à cronologia, clique nos nomes de cada um, canto superior direito, para ver só os posts desse autor. Por exemplo, hoje a Paula R. acordou num Shyznogud mood....e rapidamente deu com este. Outras vezes recusa-se a ler o post e só pensa tendo por base os comentários. Percebe-se logo. Analiso e sistematizo esta comentadora. Cada um com a sua maniazinha. Ela é uma anarca jugular. Gosto disso :) 


De Paula R. a 27 de Abril de 2010 às 14:00

engano teu Niamey, fui atrás de um comentário de alguém que aqui comentou sobre esturgidos ;)


De Niamey a 27 de Abril de 2010 às 14:45
acabou de pôr em causa todo um método de trabalho. bastou uma variante e toda a sua essência de comentadora me escapou por entre os dedos. resta-me agora irritá-la solenemente sua anti-clerical primária:


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:50
A minha mãe (q partilho aí com essa rapariga com quem está a falar) ainda hoje se farta de chamar sardaniscas às filhas e às netas.


De nuno a 27 de Abril de 2010 às 12:37
Sardanisca ou "sardaneta" também se usa na zona da Gândara (nomeadamente concelho de Cantanhede) para lagartixa. O mesmo para fagulha ou agulha do pinheiro.


De Pedro a 2 de Fevereiro de 2010 às 11:43
sò uma precisão: não é "esturgir/guisar", mas sim "esturgir/refogar".


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 11:46
Isso, q estúpida, enganei-me. Obrigada.


De Pedro a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:22
Ora essa. E quanto ao papo seco/ carcaça, a malta aqui na beira litoral (pelo menos) usa o "bico". O papseco é coisa de lisboeta, não é? Por acaso, um amigo meu, nascido e criado no Alentejo, um dia já remoto ficou a olhar para mim, quando na padaria pedi bicos ;) E depois, há os finos e as imperiais e as sagres e as superbocks, também com regiões demarcadas.


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:24
iep, é coisa de lisboeta, sim (eheh duvido q me contivesse se ouvisse alguém pedir uns bicos, acho q não me limitava a ficar a olhar).


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:45
Estou baralhada, João, ou lá em cima tb se chama sêmea à carcaça?


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:52
Essa da sêmea não me lembro.


De filinto a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:19
Sêmea, se não me engano é pão de trigo. Carcaça é pão, pão é pão ;-)


De bom-dia a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:20
No ribatejo (parte norte) semea é o farelo. O farelo é o que torna o pão mais escuro, aquli que em lisboa chamamos de "mistura" o outro pão era branquinho e chamando de "pão alvo".


De BjornPal a 2 de Fevereiro de 2010 às 20:51
No Porto o "papo-seco" é (era) Molete - o termo está a cair em desuso, sendo mais utilizado o simples "pão".
Uma "Carcaça" era uma espécie de molete gigante,  se a memória não me falha, com cerca de 20 a 30 cm de comprimento maior. Já quase não existe a não ser em padarias mesmo antigas, que quase desapareceram (OK, não era assim um pão extraordinário).
Tínhamos a "roca", pão de regueifa torcido mas não e forma de roda, que a esse em alguns sítios chamam "rosca" ou apenas "regueifa".


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 21:17
A regueifa é o pior pão do mundo (a não ser q se considere o pão bimbo - e similares - como pão, aí é o segundo pior).


De Mazinha a 2 de Fevereiro de 2010 às 21:00

João, uma sêmea é um pão de trigo grande, aí com 30 cm de diâmetro, com uma côdea razoavelmente dura e miolo fofo e esburacado. Com manteiga é divina!


De j a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:23
Em trás os montes também se diz "um trigo" para falar de pão! mas não sei se é para carcaça ou para o pão grande


De j a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:29
este j não é o j...
é outro e que não conheço.


De j a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:01
este j não é o outro j que diz que não me conhece a mim o j ...
é outro que não conheço. ;-)


De j a 2 de Fevereiro de 2010 às 17:07
sendo assim, prazer em conhecer.
não sei se tem o mesmo apelido. o meu é "f".


De BlackPaulo a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:36
Acho que e' para o pao grande, quase de certeza. Nasci em tras-os-montes, mas palavras unicas so sei mesmo asneiradas (atencao, so com as que fui brindado porque eu nao digo palavroes). Falando em pao, a primeira vez que ouvi esse nome usado como adjectivo foi quando estudei em braga. E fiquei na duvida se seria insulto ou nao, pois nao me soava a ...elogio-__-. Ja sei que e' pateta da minha parte.


De Ana a 3 de Fevereiro de 2010 às 02:20

É um elogio sim senhor....pelo menos em Braga :)


De Alexandra Tavares Teles a 3 de Fevereiro de 2010 às 01:22
não, ana . Em trás-os - montes, chama-se molete à carcaça- pelo menos na zona de chaves, é isto.


De Cristina a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:23
papo-seco também se usa em São Miguel (nas outras ilhas dos açores não sei).
Também gosto de "pana", o mesmo que alguidar em PVC, já que em barro é alguidar mesmo.


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:19
Ups, Pedro, li mal o seu comentário - desculpe - carcaça é q é de lisboeta, no alentejo diz-se papo-seco.


De Pedro a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:20
"Também tu, velha carrrcaça!"... mas tá visto que passaria fome em Lisboa, se estivesse a dieta de pão. o melhor mesmo é dizer quero pão, aqueles ali, ó. E agora, for something completely different: ainda se pedem broches nas joalharias, ou não? Eu nem sequer nunca tive necessidade de comprar broches, não sei.


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:32
qdo quero comprar um broche digo broche, pendente ou alfinete de peito não me convencem.


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:34
aah, mas cabe dizer q sempre me interroguei sobre como é q um broche se tinha transformado nesse outro broche.Estou farta de puxar pela imaginação para ver se consigo encontrar uma qqr associação entre um e outro e não há maneira.


De Hugo a 2 de Fevereiro de 2010 às 16:58

A palavra "broche" em francês significa "espeto". Ajudei a sua imaginação?


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 17:33
Vi a luz! (nunca tinha ouvido broche mas inúmeras vezes ouvi brochette)


De Manel a 3 de Fevereiro de 2010 às 23:37

Em francês broche é macho, pino, perno, inserto de molde de fundição.


De f. a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:56
acho q é estrugir. tens estrurgir no post, joão


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:57
chiça, a palavra está embruxada, pensei q já tinha corrigido.thanks


De PGFV a 2 de Fevereiro de 2010 às 11:54
São é todos uns garganeiros é o que é, depois dá aquilo em assunto nacional.


De Irene Pimentel a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:12
Óptimo post.


De Luís Lavoura a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:26
"estrugir" e não "esturgir".

Já agora, uma coisa que eu, proveniente de família nortenha, nunca percebi no lisboetês, é o que seja um "pêro". Essa palavra, que aparentemente designava a maior parte das maçãs, mas não todas, era comum em Lisboa quando eu era jovem, mas entretanto, por motivos que ignoro, parece ter desaparecido da circulação. Hoje em dia parece que os lisboetas já chamam "maçã" a todas as maçãs, tal como os nortenhos sempre fizeram, tendo abandonado esse vocábulo incompreensível "pêro".


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:30
ups, foi gralha. thanks

aah, pois, essa do pêro tb. sempre foi para mim uma incógnita, apesar de nada em Lisboa e ininterruptamente criada cá  desde os 6 anos nunca consegui perceber o q era um pêro. Acho q se usava pêro para as macãs mais amareladas, como as maçãs bravo de esmolfe.


De Pedro a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:44
Ora bem, como dizem os parolos lisboetas, aqui vai um contributo para a clarificação da problemática do “pêro”:

http://dizedores.blogspot.com/2008/10/qual-diferena-entre-ma-e-pro.html


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:49
Hum, com o exemplo da golden sai reforçada a minha mania q tem mas é a ver com o amarelo.


De f. a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:00
eu achava q tinha a ver com o formato. maçãs eram as gordinhas e pêros os mais estreitos. há aliás a expressão 'são como um pêro'. e garganeira é uma palavra q eu, ribatejana de vila franca, sempre conheci. como sardanisca. calhandrice tb ´m é conhecida, embora menos -- usava-s mais coscuvilhice e uma outra q agora não recordo. outra palavra q é mto engraçada é calhorda. ou calhordas (é igual). creio q tb s diz calhordice


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:02
Deve ser quadrilheira a q não recordas já q, segundo o jorge, era muito comum na tua terra.


De luis eme a 2 de Fevereiro de 2010 às 16:56

pensava que era codrilheira, mas faz mais sentido ser quadrilheira, soa melhor escrito, embora se diga co...

esta nossa língua é uma maravilha (provavelmente a dos outros também, mas...)


De Alexandra Tavares Teles a 3 de Fevereiro de 2010 às 01:26
para coscuvilhar, há em trás-os-montes uma, por sinal feiiinha -  quadrilhice


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2010 às 14:50
Fiquei a tentar lembrar-me de uma conversa que tive um dia com o avô sobre isto e, se não me engano, o "pêro" começou a ser usado para um enxerto maçã/pêra


De j (o outoo) a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:09

Estou chocado! Acabei de descobrir que as maças não são bravo de “mofo”! (não acredito que tenhas chegado ao “esmolfe” assim, sem goglar!)



De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:11
Olha, agora já sei qm és, ó maninho. Qdo éramos putos dizíamos "bravo de mofo", sim, mas muito, muito antes de haver o google já eu sabia q adulterávamos o esmolfe, pá.


De henrique pereira dos santos a 2 de Fevereiro de 2010 às 18:20
Eu sei que é um detalhe, mas é Esmolfe com letra maiúscula porque o nomes das terra de origem. (e já agora, estas maçãs podem ser amarelas se estiverem muito maduras mas não é o habitual. De maneira geral são verde pálido com uma mancha de cor de rosa desmaiado, embora esta mancha possa não existir se não apanharem sol suficiente)
henrique pereira dos santos


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:16
by the way, se fosses às compras já há muito terias feito essa descoberta chocante


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:21
E achas q ele olharia p o nome do q comprasse, mm q indo às compras?


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:25
Pois e até fui injusta, ele vai às compras mas fá-las de forma displicente.


De j (o outro!) a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:29
Só olho para o preço!


De j (o outro!) a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:41
Peço desculpa pela gritaria!
E agora vou trabalhar se não estou "chumbado" (expressão muito utilizada na zona de Alcácer do Sal, a qual me tenho apercebido que é utilizada para tudo e mais alguma coisa!)


De Tereza a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:33
Luís, "roubo-me" o comentário... ainda hoje não percebo essa história dos "pêros". O único pêro que conheço é o pêro malapo mas esse só conheço na baira baixa.

Já agora, deburcar, sabem o que é? 


De nuno a 27 de Abril de 2010 às 12:42
Na Bairrada, a minha avó sempre chamou de pêro às maçãs, e isto vindo de uma zona rural, não tendo muito a ver com Lisboa (200 Km de distância). Não sei no entanto se ela se referia a todas as maçãs como pêro.
Em linguagem mais popular, na Bairrada e Gândara (do distrito de Coimbra), levar um pêro, também significa "levar um murro" ;)

Esta nossa língua é intrigante!


De luis eme a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:33

temos mesmo uma grande riqueza de vocabulário. e muitas a mesma palavra tem significados diferentes em regiões diferentes.

por exemplo a palavra "badalhoca", tem uma carga muito mais pesada (e até ofensiva) no Norte e Centro, que no Alentejo...


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:39
(argh, odeio a palavra badalhoca, durante muito tempo até me repugnava escrevê-la, eheh)

Para além desta conversa sobre regionalismos podemos discutir - e esta é uma conversa interessante - o evidente processo de empobrecimento vocabular do português (e de outras línguas, presumo). De repente é como se existisse um espécie de corpus mainstream de vocabulário e tudo o que lhe escapa deixa de ser passível de ser usado, criticável, ou porque é "arcaico", ou porque é "popular" ou, pelo contrário, porque é "eruidito".


De luis eme a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:34
por eu também não gostar é que estranhei a ligeireza com que era usada no Alentejo. depois percebi que tinha um significado diferente, que era muito mais ligeira...


De Manel a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:41
Mas que donairo no falar!


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:45
Essa não conheço, só donaire.


De PGFV a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:18
E aquele momento da conversa terá sido enquanto com o caço lhes serviam a sopa?


De BjornPal a 2 de Fevereiro de 2010 às 20:57
Olha-me este...  anda-me acaçar!


De Manel a 3 de Fevereiro de 2010 às 23:42
Sim!
Também se diz adonairo, donaire ou donairo.

É usado na Gândara (entre Fig. da Foz e Vagos), em especial na Tocha e Mira.

Consultar Idalécio Cação, Colossário de Termos Gandareses.


De Luís Lavoura a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:53
Uma outra palavra gira é "canalha".

Aqui em Lisboa um canalha é um tipo mau, um sacana. Mas na região do meu pai (distrito de Aveiro) diz-se "a canalha" para se designar as crianças, e não tem qualquer sentido ofensivo ou pejorativo. Diz-se por exemplo "deixei a canalha em casa dos avós" ou "a canalha fica lá fora a brincar".


De filinto a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:20
No Porto também, canalhada=ganapada=putalhada


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:21
No alentejo tb. se usa "a canalha" para um grupo de putos. E putos, por seu turno, são gaiatos.


De Avidni a 2 de Fevereiro de 2010 às 18:58
ou cachopos :)


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:55
Olha, lembrei-me de outra da nossa metade sulista, tendeira.


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:07
Tendeiro era, muitas vezes, usado como cigano.


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:24
Qdo vendiam nas tendas, das feiras p ex.


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 13:27
Não era "qdo", fazia-se (faz-se?) é coincidir a designação "étnica" com a actividade primordial a q se dedicavam.


De j (o outro!) a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:12
Pois eu acho que um Tendeiro não é um Cigano...é alguém que também vende nas feiras não sendo Cigano, aliás toda a gente sabe que "são piores c´os ciganos"


De Shyznogud a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:13
Declaro-me vencida, afinal tu é q voltaste à terra de origem familiar e tens filhos q falam "alentejano" e tudo.


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:25
N tinha visto o teu comentário, irmã. Exactamente, irmão, até cheguei a ouvi a avó dizer "cigana tendeira"


De Alexandra Tavares Teles a 3 de Fevereiro de 2010 às 01:28
essa do tendeiro também se usa no norte


De Luís Lavoura a 2 de Fevereiro de 2010 às 12:56
Outro objeto que tem diferentes designações consoante a zona do país são aquelas tampinhas metálicas das garrafas de cerveja e com que os meninos gostavam, dantes, de brincar (fazer corridas na praia, etc). Eu aprendi originalmente, no Porto, que aquilo se chama uma "sameira" (a etimologia da palavra vem da Água do Sameiro, uma água mineral engarrafada, que foi a primeira coisa que os portuenses descobriram tapada com aquelas tampas). Mas em Lisboa, estranhamente, chama-se àquilo uma "carica". Na Bairrada é uma "concha". E ainda deve haver mais designações castiças...


De Tereza a 2 de Fevereiro de 2010 às 15:39
Luís crresci na Bairrada e nunca tinha ouvido "concha". quando eramos miudos faziamos corridas com as tampinhas, quando não tinhamos ciclistas de plástico, e chamávamos-lhes "cricas".
ah,  jogávamos à bugalha também e se queriamos insultar alguém diziamos que era "poucochinho".


De Pedro a 2 de Fevereiro de 2010 às 16:23
É isso tudo.


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