Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
Rogério da Costa Pereira

Portanto, se eu bem entendo, o meu vizinho da frente, o meu colega de escritório, a malta da blogosfera, o homem do talho, as carpideiras de serviço, o taxista e até a malta das mesas do lado dos restaurantes onde almoço, vão poder ver o quão abastado sou. Vão poder trocar impressões sobre o carro que eu troquei, a casa que eu comprei, o ouro que eu vendi. Ponderar se aquilo fará sentido perante o meu bruto rendimento bruto. Tudo à vista de toda a gente, pois então. Qualquer bruto vai pois poder aceder ao meu rendimento bruto e fazer dessa informação o que bem quiser, pedir-me inclusive explicações. Queixar-se à polícia e ao fisco de que talvez a bota não bata com a perdigota. No meu caso, vão ver mais zeros à direita do que à esquerda da vírgula, mas ainda assim a coisa incomoda-me, é que esta ideia de que andamos aqui todos montados em tachos vai-se esfumar. E incomoda-me a letra de lei dada ao país de bufos que já somos.

19 comentários:
De Marco a 3 de Fevereiro de 2010 às 11:49
A mim não me incomoda a visibilidade dos meus rendimentos (também não são muitos), mas preocupa-me a sociedade orwelliana que estamos a criar, até à distopia.


De Rogério da Costa Pereira a 3 de Fevereiro de 2010 às 11:52
Muitos ou poucos são seus. E eu não devia poder  - só porque me apetece -aceder a eles.


De nuvens de fumo a 3 de Fevereiro de 2010 às 11:59
Este país é muito estranho. Somos todos pobres como não há na europa, mas o segredo bancário das misérias da esmagadora maioria do povo não pode ser tocado.
Mais de 50% nem sequer paga impostos pois nem ganha para isso, e as declarações ui ui , não podem ser vistas porque o homem do talho pode ser intriguista.

Eu prefiro um país de bufos (das finanças ) onde tenha reforma e onde a fuga fiscal seja diminuta , do que um país de porreiraços que vão ser pobres como cães quando estiverem na reforma.

As mentalidades têm de mudar, já se sabe que se perguntarmos aos mesmos de sempre, a resposta será a mesma. A ideia é precisamente mudar.

Mas duvido, ele há muita gente que quer manter o status quo.
 
E em questões fiscais não há bufos, o que há é ladrões que roubam o bem estar da população para usufruto próprio, é muito diferente.



De jpt a 3 de Fevereiro de 2010 às 11:56
Concordo plenamente com a proposta do governo. Eu tenho que pagar impostos dos rendimentos que aufiro, devo isso ao estado e portanto a todos os outros cidadãos. O estado (e portanto todos os cidadãos) devem poder controlar se eu paguei esses impostos. Por mim, podem fazê-lo à vontade.


De jpt a 3 de Fevereiro de 2010 às 11:57
Isso já acontece em países como a alemanha, por exemplo.


De j a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:26
estou a ler um livro em que um paneleiro alemão assistiu e executou milhões de judeus.

não me lembro a alemanha. portantoS.


De jpt a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:56
j, com o almoço, tome, por favor, os comprimidos. Estão a fazer-lhe falta.


De j a 3 de Fevereiro de 2010 às 16:21
ao almoço comi umas belas sardinhas assadas e quase meio-litro de vinho tinto. que «estou aqui que nem posso».
como diria o autor do post, «vá-se encher de caspa» mais os comprimidos.


De j a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:19
agora é que ficaram doidos de vez!
mas a que propósito é que o meu rendimento, pouco ou muito, deve passar a ser público?

se querem combater a corrupção basta querer. não inventem. quanto mais leis mais confusão. e... corrupção.

mais esta agora, tornar público o meu rendimento! ora que caralho! ainda mais essa!


 


De j a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:45

até o "doido" do Saldanha Sanches acha uma «"medida extrema" e "sem sentido"»


 


e vou almoçar que estes tipos já quase me estragaram o dia.



De fernando f a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:21

Tudo o que contribuir para o combate à corrupção, é bem vindo, e claro já era tempo de o PS fazer qualquer coisa nesse sentido.


De Ana Matos Pires a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:34
O Fernando acredita mesmo que esta "medida" contribui p isso? 


De Nuno Gaspar a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:23
Ambulância regressa ao quartel. Triste. Com o Ti-nó-ni a passar de 75 para 33 rotações.


De Rogério da Costa Pereira a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:50
Você está a ver bem o triste papel que está a fazer , certo? Mediu-me à sua maniera, pela sua cabeciata e dali já não saio.


De fernando f a 3 de Fevereiro de 2010 às 12:53
Pois... mas sei que desde Cravinho que está prometido que se vai combater a dita e ...


De Pigeon Detective a 3 de Fevereiro de 2010 às 15:14
O Governo/Grupo Parlamentar do PS  torna pública a sua incapacidade de lidar com o fenómeno dos "crimes cometidos no exercicio de funções públicas" e quejandos sendo incapaz de encontrar soluções eficazes. Como tal delega nos cidadãos funções de indole inquisitória. Uma espécie de inquérito preliminar feita pelo cidadão conta o cidadão. A máquina fiscal é inoperante? O MºPº desleixado? Seja bufo... Curiosa esta medida vir do grupo parlamentar do partido que é contra a consagração do crime de enriquecimento ilicito (outra aberração juridica) Uma no cravo, outra na ferradura...


De fernando antolin a 3 de Fevereiro de 2010 às 16:12
Ok, a proposta borregou. Tão PS...


De Pigeon Detective a 3 de Fevereiro de 2010 às 17:02
Afinal a generalidade do Grupo Parlamentar do PS não conhecia tal proposta:

“Essa proposta [dos três vice-presidentes] não é do PS - e quero deixar isso bem claro. O Grupo Parlamentar do PS não discutiu esse assunto e não tem qualquer intenção de apresentar uma iniciativa com essas características", afirmou Assis.

O líder da bancada diz “não ignorar” que este facto abranjue três dos seus 12 vice-presidentes parlamentares, mas voltou a remeter o assunto para a reunião da bancada que terá lugar esta noite."Terei oportunidade de debater e resolver definitivamente o assunto", acrescentou."


in www.publico.pt (http://www.publico.pt)


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