Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
João Pinto e Castro

Vítor Constâncio chamou a atenção na Conferência da Antena 1/ Jornal de Negócios para um paradoxo que também eu mencionei aqui há dias: se o risco da Grécia é assim tão grande, como se explica que, na recente emissão de títulos da dívida pública grega, a procura tenha excedido quatro vezes (ou cinco, segundo algumas fontes) a oferta?

O mais surpreendente é que, dos restantes oradores, só Silva Lopes mencionou de passagem o facto (sem todavia dele tirar as devidas consequências) e nenhum parece ter querido ou conseguido entender o que significa.

O diagrama acima pode ajudar a refrescar a memória.

15 comentários:
De JMG a 3 de Fevereiro de 2010 às 17:32
Não sei quais são as devidas ilacções que Silva Lopes tiraria. Por minha conta e risco, adianto as minhas: os países potencialmente caloteiros são um óptimo negócio para os credores. Os gerentes de PMEs em dificuldades perante a banca entendem bem isto. Mas tenho - ai de mim - um ponto de vista salazarento: mais vale ter as contas equilibradas, doa a quem doer. 


De João Pinto e Castro a 3 de Fevereiro de 2010 às 19:18
Não está certo culpar o Salazar das suas próprias falhas de raciocínio.


De JMG a 3 de Fevereiro de 2010 às 19:43
Salazar era sem dúvida culpado das falhas de raciocínio dele.


De a. a 3 de Fevereiro de 2010 às 17:48
Explica-se pela existência de um mercado de credit default swaps. Quem compra dívida grega depois pode comprar protecção para o risco de crédito.


De João Pinto e Castro a 3 de Fevereiro de 2010 às 19:20
Tente desenvolver um pouco o seu argumento para conseguir perceber que não sabe o que está a dizer.


De a. a 3 de Fevereiro de 2010 às 19:29
Fazemos de outro modo: mostre-me que não sei o que estou a dizer.


De JoaoMiranda a 3 de Fevereiro de 2010 às 18:08
Dívida grega a 5 anos foi vendida a 6.2%.

http://www.marketwatch.com/story/greek-bond-demand-appears-strong-2010-01-25


Não me parece um grande preço, sobretudo tendo em conta que isto representa mais ou menos o dobro do custo da dívida alemã.


De João Pinto e Castro a 3 de Fevereiro de 2010 às 19:17
Claro que não foi um grande preço, João. Mas, precisamente, o astronómico excesso de procura prova que os títulos poderiam ter sido integralmente colocados por uma taxa de juro muito mais baixa. O que, a meu ver, torna evidente: a) que as agências de rating não merecem credibiliidade; b) que as suas opiniões trazem água no bico.


De jcd a 4 de Fevereiro de 2010 às 10:00
Parece-me que não compreende muito bem como é que estas coisas se passam. Se houvesse procura a preços inferiores, o preço final teria sido mais baixo. Quando diz que a procura excedeu várias vezes a oferta, isso acontece porque no sistema de leilão, todos se podem propor comprar a um determinado preço. Para a quantidade emitida, o preço final foi o que resultou do equilíbrio da procura e da oferta, que era fixa na quantidade. Os outros todos que tentaram comprar e não conseguiram, só estavam dispostos a fazê-lo a taxas de juro ainda mais elevadas.


De JP Santos a 4 de Fevereiro de 2010 às 16:52
O jcd está inteiramente certo.
Gostaria apenas de chamar a atenção para o facto de que nestas operações a taxa de juro nominal é fixada à partida e portanto quando se refere que o preço teria que ser mais baixo significa que a taxa de juro efectiva teria sido mais elevada. Ou seja, a Grécia apenas conseguiria colocar um montante mais elevado de dívida caso tivesse aceite "pagar" uma taxa de juro efectiva ainda mais elevada.


 


De Vasco a 3 de Fevereiro de 2010 às 18:16
Por aí se vê a qualidade dos oradores.
Tudo é uma questão de risco e da vontade do o assumir.
A Grécia teve maior oferta que procura na venda dos títulos de dívida porque ofereceu um juro muito elevado.
Repito mais uma vez: tudo é uma questão de risco e da vontade do o assumir, há quem queira arriscar e há que não queira.


De Luis a 3 de Fevereiro de 2010 às 18:24
"se o risco da Grécia é assim tão grande, como se explica que, na recente emissão de títulos da dívida pública grega, a procura tenha excedido quatro vezes (ou cinco, segundo algumas fontes) a oferta?"

Fácil: o prémio de risco, a apetência pelo risco, etc..


De João Pedro a 3 de Fevereiro de 2010 às 18:40
"O mais surpreendente é que, dos restantes oradores, só Silva Lopes
mencionou de passagem o facto (sem todavia dele tirar as devidas
consequências) e nenhum parece ter querido ou conseguido entender o que
significa"


Tamanhas deduções estão apenas ao alcance de predestinados, com o João Pinto e Castro.


De Basico a 3 de Fevereiro de 2010 às 20:50
Procura x Oferta

CDS de Portugal hoje foi o mais procurado do mundo.


De lucklucky a 4 de Fevereiro de 2010 às 19:42
O risco quase nunca é demais, há sempre gente disposta a financiar países em Guerra.


É um Leilão. Os Gregos escolheram aqueles que ofereciam juros mais baixos.
Se os gregos precisassem de ainda mais dinheiro o preço teria subido porque
as outras ofertas que não escolheram estavam a preço superior.


Quando você vai comprar um carro você não considera Ofertas da Fiat à Ferrari pois não?


Se Constâncio disse isso espero que esteja fazer-se de parvo para jornalistas.


Agora tente descobrir qual a taxa grega se tivesse aceite todos esses empréstimos, ou ao invés pergunte porque a Grécia não aceitou esses empréstimos.


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