Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

A algumas pessoas, as agências de rating lembram-lhes a chuva no Inverno. Por outras palavras, encaram-nas como um dado objectivo e incontornável, uma fatalidade contra a qual nada há a fazer.

Que quer isso dizer? Que os ratings atribuídos pelas agências têm um inquestionável valor científico? Que, diga-se o que se disser, os investidores deixar-se-ão guiar pelo que elas dizem?

Nem uma coisa nem outra é sustentável.

As agências de rating têm uma responsabilidade chave na presente crise financeira. Fossem quais fossem os desequilíbrios financeiros, os níveis de especulação, as vigarices e as falhas de regulação, nada do que sucedeu teria sido possível se as agências de rating não tivessem traído a missão que lhes estava confiada.

É por isso que, ao contrário do que algumas pessoas nos querem fazer crer, uma boa parte dos investidores não confia nas agências de rating. Só assim se explica o enorme sucesso da subscrição de títulos da dívida emitidos na passada semana pelo Estado grego.

Esta ideia de que "não vale a pena argumentarmos em nossa defesa" tem uma longa e triste história que entronca na cavaquiana parábola do "bom aluno".

Uma diplomacia inepta e preguiçosa tem presidido ao longo de duas décadas ao nosso relacionamento com a União Europeia. Mas Portugal não é um protectorado da União Europeia, é seu membro de pleno direito e, por intermédio das instituições em que participa, os seus cidadãos têm o direito de livremente se exprimirem e defenderem os seus interesses.

8 comentários:
De a. a 3 de Fevereiro de 2010 às 20:03
Sugiro que estude o significado de "rating" e a sua relação com os investimentos financeiros e recomendações de mercado e depois repense o seu post. É sempre bom fazer o trabalho de casa.


De Basico a 3 de Fevereiro de 2010 às 20:43
Nao podia ser mais oportuno este post, depois do salto enorme dos CDSs sobre portugal, e do mini crash bolsista (nao teve paralelo no mundo).

O mercado sauda o comentario do engenheiro no Liberacion, e agradece a clarificacao de que portugal nao e a grecia.


De Luís a 3 de Fevereiro de 2010 às 21:46
O mercado é bom para a gente lhe pedir dinheiro emprestado mas quando ele desconfia de nós, parece que não tem direito a isso. Ninguém obriga Portugal a emitir dívida pública; se o faz, tem que estar sujeito aos julgamentos daqueles que põem dinheiro nesse risco; e se eles ouvem ou não as agências de rating não é da nossa conta. Ninguém melhor do que os próprios saberão o que devem fazer.


De Luis a 4 de Fevereiro de 2010 às 10:46
"por isso que, ao contrário do que algumas pessoas nos querem fazer crer, uma boa parte dos investidores não confia nas agências de rating. Só assim se explica o enorme sucesso da subscrição de títulos da dívida emitidos na passada semana pelo Estado grego."

De facto foi um enorme sucesso, vender dívida ao dobro do preço da dívida alemã. Esperemos é que não nos calhe a nós um tão estrondoso sucesso.

P.S - Já lhe passou pela cabeça que o "sucesso" se deve à apetência pelo risco e respectiva remuneração?


De Nuno a 4 de Fevereiro de 2010 às 14:58
Mas alguém acredita que existe risco de default? Se a Grécia não pagar paga a UE por muito que possa evitar dize-lo directamente!
 O lógico seria todos os estados da UEM terem o mm rating! Entretanto quem se lixa com F grande são os gregos enquanto os investidores obtém altas remunerações! Resta saber quanto "comem" as agências e/ou os analistas deste prémio acrescido. Enfim, um fartar vilanagem!


De Luis a 4 de Fevereiro de 2010 às 15:14
"Mas alguém acredita que existe risco de default? Se a Grécia não pagar paga a UE por muito que possa evitar dize-lo directamente!"

Ai sim? Tem a certeza? Tem a noção do que isso implicaria em termos de contrapartidas para a Grécia?

"O lógico seria todos os estados da UEM terem o mm rating!"
Claro. De preferência alinhados pelo da Alemanha. O pior é que o "cliente" era capaz de não se fiar nisso, e o resultado ser o de alinhar todos pelo rating da Grécia.


De Luís (O outro) a 4 de Fevereiro de 2010 às 19:17
Então, se acha mesmo isso, pode ir ao mercado fazer dinheiro apostando no que diz. é que falar é fácil, mas eu confio mais nas avaliações de quem fala com o seu dinheiro do que com o seu teclado.


De AC a 4 de Fevereiro de 2010 às 15:48
Meu Caro,

Se e' verdade que as agencias de rating "trairam" a sua missao, tal podera ter sido devido por nao serem mais conservadoras na gestao dos ratings.

Infelizmente, isso significa serem mais celeres a baixarem o rating de Portugal e consequentemente os portugueses terem de pagar mais pela divida.

Quanto ao facto do sucesso da subscricao da divida grega explicar a falibilidade e irrelevancia das agencias de rating, nao creio que esteja a ver bem as coisas. Maior risco, maior retorno. A subscricao foi um sucesso porque o custo da divida e' bastante alto e portanto, isto vai sair muito caro aos gregos. Se os gregos comecarem a falhar os pagamentos, o custo sobe e a dificuldade aumenta para novas subscricoes

Isto e' a mesma situacao de muitas pessoas com cartoes de credito na qual se endividam para pagar as prestacoes que continuam a crescer porque os juros sao altos.



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