Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Ana Matos Pires

"Sónia tem dez anos e quer continuar a viver com o pai em Portugal. O tribunal de Setúbal, porém, manda-a para França, à força, para morar com a mãe". Tomando como correcta toda a informação contida na notícia... até no papel dói. 

12 comentários:
De jorge a 4 de Fevereiro de 2010 às 10:41
Ainda temos um assunto pendente destes, não é verdade? Março é o mês. Março.


De Ana Matos Pires a 4 de Fevereiro de 2010 às 10:47
Aguardo.


De joão viegas a 4 de Fevereiro de 2010 às 12:00
Cara Ana Matos Pires,

Este post não é digno de si.

Não fui ver os detalhes da historia, que deve ser semelhante a tantas outras e na qual, presumo, o tribunal português deve ter feito jus a uma decisão anterior de um tribunal francês, como é são num espaço judicial europeu, que se quer cada vez mais real.

Posso estar enganado mas quase que aposto que, como em tantos outros casos, uma das partes não se conformou com as decisões e achou por bem ir chorar para os jornais, e ja agora pôr o menor que os pais utilizam como arma de arremesso a chorar também.

Estar a reproduzir nos blogues e nos jornais esse tipo de noticias, não ajuda ninguém, nunca ajudara.

Se ha alguma coisa que achou choquante na forma como o Tribunal de Setubal aplicou a lei, faça uma noticia sobre isso, sobre a aplicação da lei, mas não sobre as lagrimas de fulano, beltrano ou sicrano.

So poderemos exigir, como é legitimo, uma justiça eficaz e competente, no dia em que a soubermos merecer.

Como disse, não li, nem vou ler, os detalhes da historia. Pode ser que esteja a ser um monstro de insensibilidade ao não dar o meu contributo para a choradeira.

Assumidamente, não dou e digo que o seu post não é digno de si.


De joão viegas a 5 de Fevereiro de 2010 às 09:06
chocante, claro (que vergonha)... Desculpem outras possiveis gralhas.


De Paula Santos a 5 de Fevereiro de 2010 às 13:03
Caro João Viegas,
Não foi ver, nem quer saber os detalhes da história, e mesmo assim vem debitar opinião presumida sobre o que é ou não digno para alguém?
Decide, assume, emite opinão, quase que aposta que fulano ou sicrano fez, pensou ou sentiu alguma coisa... tudo isto sem querer saber de nada?
Faz-me lembrar aquelas pessoas que dizem: "...eu não quero saber nem falar da vida dos outros, mas acho que..."
A menor, caro João Viegas, é uma menina que tem nome, vontade e sentimentos. E poderia muito bem deixar de ser "arma de arremesso" se os nossos tribunais fizessem aquilo que está na génese da sua criação, que é exactamente "proteger e defender os cidadãos"... e a Sónia é uma cidadã portuguesa de direito que merece essa protecção. E isso aconteceria se o tribunal se preocupasse em "procurar a verdade" e "perceber o porquê" de uma menina (não um caso ou um número) de quase 11 anos querer estar em Portugal e não em França.
Reproduzir em blogues, em jornais, ou seja onde for, a indignação de alguém, os sentimentos de alguém ou a opinião de alguém, nunca poderá ser considerado indigno sob pena de voltarmos a ser dominados pela avaliação subjectiva de "alguém" que decide o que deve ou não ser "reproduzido".
Por isso mesmo, desde já lhe agradeço por ter dado a sua opinião o que me permite dirigir-me directamente a si, expressando a minha própria com liberdade.
Diz-me o senhor que para exigir justiça temos de a merecer. E merecer é não questionar? É aceitar sem poder dizer que algo está mal? O juízes são deuses ou são humanos, falíveis como todos os outros? Os sacerdotes das diversas religiões é que defendem que os rebanhos de fiéis não devem questionar a justiça divina... e bem sei que, por vezes, os nossos juízes se consideram divindades... mas considerar não é ser!
E eu continuarei a questionar tudo aquilo que não entendo bem... pois só da dúvida poderá nascer conhecimento.
Assumidamente, preocupam-me todos os assuntos que se relacionem com os direitos de alguém (criança ou não, português ou não) pois só sendo uma cidadã interessada e preocupada, poderei exigir seja o que for.
Muito obrigada!


 


De joão viegas a 5 de Fevereiro de 2010 às 14:48
Cara Paula Santos,

Agradeço a resposta mas discordo completamente da sua maneira de ver as coisas.

O que eu percebo é que o Tribunal de Setubal, e provavelmente antes dele o tribunal francês, ouviu as partes, ou pelo menos procurou ouvi-las. Ambas. Algo que obviamente nem a Ana Matos Pires, nem o jornalista que esta na origem do post procurou fazer...

Respeitar os Tribunais é começar por perceber isso mesmo, e parece-me incompativel com a atitude que consiste em dar eco aos protestos de uma parte sem considerar que, provavelmente, a historia é um pouco mais complexa.

Sou advogado, sei que não existe litigio judicial onde as coisas sejam completamente brancas, ou completamente negras.

Sei também que os menores são utilizados, por vezes sem escrupulos, por quem ja não é capaz de se entender.

Acho bem que estejamos atentos ao que fazem os tribunais. Acho, não so legitimo, mas uma atitude de responsabilidade democratica salutar enquanto tal... desde que assumida com responsabilidade.

Digam-me que o Tribunal errou se souberem explicar porquê, ou citando por exemplo um considerando que aplica mal a lei, ou dizendo que as partes não foram ouvidas, etc.. Serei o primeiro a juntar-me às vozes criticas se fôr o caso. E' o que faço diariamente.

Mas não me venham pedir para fazer sumariamente, por razões emotivas, o julgamento com que uma das partes não concorda, so porque coitadinha...

E, finalmente, pode acontecer que a criança não tenha culpa nenhuma. Geralmente não tem. Mas o problema da criança começou quando os pais deixaram de se entender, e sobretudo quando deixaram as suas desavenças chegar ao ponto de porem em causa a felicidade da filha, o que raras vezes ocorre unicamente por que existe um mau da fita de um lado, e uma vitima angélica do outro.

Se existem tribunais, é precisamente porque não interessa a ninguém que os litigios sejam dirimidos no café da esquina.

Pode ser arrogância minha, ou insensibilidade, mas considero que um jornalista devia saber isso.


 


De Anónimo a 4 de Fevereiro de 2010 às 14:13
Entre viver num país do 1º mundo e viver em Portugal. Pra já, objectivamente, se viver lá a esperança de vida é superior. E as outras pequenas coisas, da saúde (não há listas de espera) ao ensino (que é melhorzito).
Isto pesará na decisão do juiz.


De jm a 4 de Fevereiro de 2010 às 15:21
os direitos da criança continuam a não ter peso suficiente. estas continuam a servir como escudo de protecção e ao mesmo tempo como arma de arremesso.
os tribunais limitam-se a arbitrar o jogo enquanto a bola leva pontapés. no final, quem marcar mais golos leva a bola pra casa.


De Paula Santos a 4 de Fevereiro de 2010 às 18:28
Confirmo! Dói no papel, mas dói ainda muito mais nos olhos dela que temos de enfrentar aqui em casa todos os dias quando lhe dizemos: "estamos a fazer tudo o que nos é humanamente possível, Sónia!"... e dói ainda mais quando a campainha toca e os olhos dela gritam de aflição a pensar quem será, será que é desta que a vêm buscar à força? Dói ainda muito mais quando ela nos diz que acreditava que "os senhores do tribunal a iam ajudar, mas afinal parece que não"...
Obrigada pela força
Paula Santos 


De Ricardo a 5 de Fevereiro de 2010 às 12:57
João Viegas é que não é digno de escrever em nenhum blog . Antes de falar leia e informe-se. Não se está a falar do Pai ou da Mãe mas sim de uma criança com quase 11 anos que quer ficar com o Pai. Está a perceber?  Quase 11 anos que quer ficar com o Pai e ainda por cima está na 3º Classe  (o meu sobrinho com 10 anos e faz 11 em Outubro está no 5ª ano)  chumbou em França na primária e em Portugal é a melhor da classe.  Será porquê? Será que a criança é mais inteligente em Portugal que em França? (Deve ser o ar deste País) Será que tem mais apoio e mais motivada que em França? Sabe nunca se deve cuspir para o ar, nunca se sabe se um dia não caí em cima de si ....


De Ricardo a 5 de Fevereiro de 2010 às 13:31
Para o Sr. que comentou em anonimo :

Em relação ao tempo de espera na saúde e outras coisinhas no País do 1º Mundo é uma grande ilusão que o povo Português tem. Só lhe pergunto: já viveu lá? Se sim quantos anos e qual a sua profissão? Eu estive lá 5 anos e trabalhei em dois Bancos Portugueses. O povo do “1º mundo” que me perguntou várias vezes quantas horas demorava a passagem de barco quando vinha de férias, se nós cá tínhamos casa de banhos no patamar das escadas ou tínhamos de ir à rua. Um povo que consome uma media de 2 tubos de pasta de dentes por habitante. Que para uma consulta nas urgências num hospital de Paris esperei 5 horas por causa de uma otite. Que as "crianças" vão  para a faculdade e não sabem falar outra lingua que o francês . Quer mais? Eu posso informar de mais. Se isso é o 1º mundo não MUITO OBRIGADO . Como vê os preconceitos são muito graves pois se um juiz decide sobre estes critérios está muito enganado .



De Anrtónio M. Marques Fernandes a 17 de Fevereiro de 2010 às 12:31
Obrigado pelo apoio de todos . Mas o mandato foi emitido dia 12/02/2010 pelo Tribunal de Família de Setúbal . A Sónia vai ser obrigada a ir para França contra à sua vontade ... É pena que a justiça não abre os olhos e não aceita nem procura perceber as decisões das menores . Não considero ter ganho ou perdido mas uma coisa tenho a certeza a Sónia é que perdeu todas as ilusões da escolha da sua vida . Prometo que vou continuar a lutar pela Sónia e espero que um dia a justiça seja feita . Sónia AMO-TE MUITO !


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