Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
A chamada política do don´t ask, don´t tell, iniciada nos EUA em 1993, significa isto: os militares homossexuais e bissexuais que revelem a sua orientação sexual devem ser expulsos das Forças Armadas. Esta "política" baseia-se, concretamente, numa lei federal, que tem por fundamento esta ideia: "it would create an unacceptable risk to the high standards of morale, good order and discipline, and unit cohesion that are the essence of military capability".
A aplicação prática da lei tem sido altamente discricionária, pois se se entende que não se deve "investigar" a orientação sexual dos militares, qualquer "conduta suspeita" de homossexualidade ou de bissexualidade impõe, claro, "medidas".
Muita gente, desde 1993, foi expulsa do Exército. Centenas por ano, na verdade.
Por outro lado, a política do don´t ask, don´t tell dá um sinal positivo à homofobia, como é evidente, desde logo às Forças Armadas. São conhecidos casos de homicídio no seu interior, de homossexuais, "convidados" a revelarem a sua orientação sexual.
Esta política discriminatória, com o rosto de Clinton, foi combatida, durante a campanha presidencial, por Obama. Agora, este parece decidido a cumprir a sua promessa.
Ontem, ouvi reacções como a de MacCain, que disse isto: "At this moment of immense hardship for our armed services, we should not be seeking to overturn the 'don't ask, don't tell' policy."
Sem comentários.
Estou mais interessado em saber como é que se passam as coisas nas Forças Armadas portuguesas. Alguém sabe de algum exemplo concreto, de um(a) militar português que afirme a sua homossexualidade?
De daf a 5 de Fevereiro de 2010 às 20:05
já bato continências á uns bons anos e não conheço nehum(a) luís!!
De
f. a 4 de Fevereiro de 2010 às 12:45
acredito q acaba quando acabar. clinton tb fez mtas promessas de acabar com o ban e no fim saiu esta bela merda.
De
PGFV a 4 de Fevereiro de 2010 às 12:56
Também não acredito nada no empenho do Obama em qualquer questão LGBT. O sentimento dos gay americanos que conheço pessoalmente, é no momento de profunda revolta.
Provavelmente conhecem: http://www.couragecampaign.org/ (http://www.couragecampaign.org/)
Uma das acções tem sido precisamente a Don't ask, don't Tell, com depoimentos na primeira pessoa.
claro. e depende do congresso. não basta o obama.
De nuvens de fumo a 4 de Fevereiro de 2010 às 13:18
Duvido muito, a mentalidade militar é muito conservadora , mas vamos a ver o que sucede.
Ainda vamos assistir a serem criados batalhões gays,
o que não sendo novidade na história militar, seria nos tempos modernos.
A 3º divisão aerotransportada "O arco-iris em chamas" .
De
PGFV a 4 de Fevereiro de 2010 às 17:01
Não creio que seja por aí!...
Mas as boas práticas Inglesas podem bem ser um exemplo a seguir: São feitos processos de Recrutamento e Selecção direccionados ao público LGBT, tendo mesmo sido publicados anúncios em revistas LGBT. As práticas de gestão dos Recursos Humanos, protegem claramente em situação de igualdade as pessoas LGBT e isso foi tornado público.
De nuvens de fumo a 5 de Fevereiro de 2010 às 14:47
Do ponto de vista operacional não existe nenhuma diferença, é de facto uma questão simplesmente de processos.
De
PGFV a 5 de Fevereiro de 2010 às 16:51
Uma questão de diferença de processos como diz e bem, mas que provoca implicações completamente diferentes, porque são isso mesmo processos compelatamente diferentes e com isto não pretendo referir, que o pragmático processo descritivo americano seja melhor ou pior. Se no processo americano, a questão é clara, formal e as regras estão definidas e escritas, no processo português a a regra existe apenas ao nível da informalidade e das práticas. Como são as práticas que têm consequências, em ambos os casos a regra é aplicada, só que enquanto no processo Americano, existe algo escrito (independentemente de ser bom ou mau), sobre essa prática podemos desenvolver discursos critícos. No caso tuga, fica ao
Arbítrio de quem aplica a regra (informal). Trocando por miúdos, jamais em Portugal, um candidato, excluído à carreira militar, por ter caido nas asneira de ter tido que era gay na entrevista de selecção, poderá recorrer com base nisso.
De daf a 4 de Fevereiro de 2010 às 13:29
pior é nas forças armadas portuguesas em que q a lei não existe mas é como existisse...
não, daf, não queira comparar.
De
PGFV a 4 de Fevereiro de 2010 às 16:45
Uma coisa é a lei existir, outra é haver instruções precisas para excluir homossexuais (homens ou mulheres) nos procesos de Recrutamento e Selecção.
No momento, não sei como é, mas duvido que estejamos minimamente perto, das práticas (boas) Inglesas
Antes da profissionalização das Forças Armadas, cumpri o serviço militar obrigatório e fui integrado enquanto técnico no processo de Avaliação dos candidadtos a umas das escolas profissionais militares, cabendo-me a responsabilidade da entrevista psicológica. Recebi claras instruções para despistar homossexuais masculinos ou femininos.
As boas práticas do Reino Unido.
Mais uma prova que as liberdades individuais são muito mais respeitadas nas Monarquias que nas repúblicas.
Holanda, Dinamarca, Suécia, Reino Unido, Espanha só para citar alguns países europeus que me ocorreram , de repente, estão aí para o provar.
Por cá vamos cantando e rindo embora com alguns progressos (tímidos) nesta matéria.
Há, relativamente, pouco tempo tivemos um ministro da defesa não homofóbico e a lei que será (será?) aprovada (embora considere os homossexuais casados cidadãos de segunda impedindo-os de adoptar) parecem-me um passo no caminho certo.
De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2010 às 14:10
só queria alertar que a homofobia é uma realidade muito enraizada nas forças armadas portuguesas! sem duvida que para nós, termos a lei a nosso favor dá-nos uma certa segurança, no entanto há uma grande percurso a seguir até, pelo menos, estarmos ao mesmo nível da sociedade civil.
De daf a 5 de Fevereiro de 2010 às 14:41
"só queria alertar que a homofobia..." comentário daf
De Alexandre Mateus a 4 de Fevereiro de 2010 às 13:33
As opiniões de Jon McCain quanto a este assunto são, como em muitos outros, dependentes da direcção em que sopra o vento. Keith Olberman , no seu melhor, como sempre, refresca-nos a memória relativamente a isso http://www.youtube.com /watch?v=WAenmOpQ78E).
Acho particularmente interessante o repúdio à lei expresso pela mais alta patente militar americana nas audiências que recentemente decorreram!
De C.C. a 4 de Fevereiro de 2010 às 15:34
Boa tarde,
Ainda bem que Obama decidiu cumprir a sua promessa, milhares de pessoas sofreram com esta política ao longo dos últimos dezassete anos.
No entanto, com o abandono desta política os militares que foram expulsos das Forças Armadas nos EUA poderam voltar a ocupar os seus cargos?
Obrigada
boa pergunta, CC
seria de elementar justiça que assim fosse.
De
vasco a 4 de Fevereiro de 2010 às 16:39
uma facada do clinton foi o que o DADT foi.
Ate' Clinto ja se arrependeu do "don't ask, don't tell", teve de facto consequencias nefastas para muita gente Quanto a MacCain, que era um moderado, ainda estou por saber que raios lhe aconteceu para mudar tanto nos ultimos 3 anos, sem duvida para pior e com uma hipocrisia irreconhecivel ( e vem-me por exemplo tambem Mitt Romney 'a memoria). O "maverick" subiu-lhe 'a cabeca, ou entao foram as Palinadas e o medo de se tornar irrelevante, quem sabe, eu nao compreendo mentes Republicanas.
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