Todos os anos há inúmeras iniciativas para promover um determinado candidato ao Nobel da Paz, algumas tão ridículas como a que pretendia indicar Berlusconi. Este ano, os brincalhões são fãs de Michael Jackson, que lançaram uma petição na Internet para incluir o rei da pop na lista dos candidatos.
Para além destas brincadeiras inconsequentes, é possível encontrar informação online sobre iniciativas mais credíveis, entre elas as que propõem a activista dos direitos humanos Svetlana Gannuschkina ou o dissidente chinês Liu Xiaobo. Assim como se pode ler que o governo chinês, sem surpresas para ninguém, já pediu ao comité Nobel para ignorar esta última nomeação.
A verdadeira surpresa é o lançamento da ferramenta que permite estas iniciativas, a Internet, ser ela própria alvo de um movimento análogo. A candidatura da rede virtual ao Nobel da Paz foi proposta pelo editor italiano da Wired, que lançou uma petição em defesa da iniciativa Internet for Peace. Entre os que assinaram a petição está a exilada iraniana Shirin Ebadi, que recebeu o Nobel da Paz em 2003, pelo contributo da internet, em particular as redes sociais como o Twitter, na informação do que se passou e passa actualmente no Irão. Ebadi referiu a importância do Twitter no Irão, acrescentando não ser coincidência que, durante os julgamentos dos que protestaram os resultados das eleições de 2009, o procurador geral iraniano tenha acusado o Google, Facebook e Twitter de conspiração contra o governo iraniano.
Por sua vez, Riccardo Luna, o editor da Wired Itália afirmou que a «A internet pode ser considerada a primeira arma de construção massiva, que podemos utilizar para destruir o ódio e os conflitos e propagar a paz e a democracia. O que aconteceu no Irão e o papel da rede na disseminação de informação que seria censurada se a web não existisse são apenas os exemplos mais recentes que ilustram como a internet pode tornar-se uma massa de esperança global».
Giorgio Armani, o fundador do Media Lab do MIT, Nicholas Negroponte, e Joi Ito, CEO da Creative Commons, são outros embaixadores do movimento, pela sua enorme contribuição para a promoção do «diálogo, debate e consenso e, portanto, para a causa da paz no mundo».
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
