Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Nope, não vou falar daqueles do IPCC, embora recomende a leitura de um artigo do Guardian de ontem, «The case for climate action must be remade from the ground upwards», que explica como, na sequência do ClimateGate e das críticas a exageros de que há bem pouco tempo a Nature nos deu conta, a «ciência do clima está sob cerco e a política do clima em desordem». O clima de que importa falar é o clima político e um fenómeno que o El Niño financeiro dos últimos tempos está a tornar global: o descrédito da política e dos políticos.
Assim, recomendo vivamente outro artigo em língua inglesa, o que Rachel Sylvester escreve hoje no Times, «They’re all ignoring political climate change», que poderia, sem grande esforço de adaptação, ser utilizado para descrever a situação nacional. Assim como, sem grande esforço de adaptação, o que respondi a um comentário ao primeiro post sobre o ClimateGate, descreve o que penso sobre a fuga de informação do momento em Portugal:
«A questão do aquecimento global transformou-se num debate político e por isso mesmo tornou-se histriónico. A verdade não parece importar aos dois lados da barricada; só importa ganhar o debate e impor um ou outro modelo de sociedade. Daí que seja tão importante a análise científica séria, e não politizada, nem instrumentalizada. E também daí que seja desastroso, nesta altura do campeonato, que se venha lançar dúvidas sobre a atitude cientificamente séria e rigorosa de alguns, e apenas alguns, dos intervenientes neste debate.
Só li alguns dos emails e, a serem verídicos, não fiquei muito bem impressionada com alguns excertos sobre peer review e retaliações editoriais sortidas sobre os denialists. Espero que não sejam verídicos porque estou certa que a serem, dado o histrionismo do debate e a sua globalização na sociedade, isso trará consequências graves para a própria ciência mas em particular para a sociedade em geral ».
Mais importante que tudo isto, a resposta que o opinador do Guardian nos dá para resolver a crise de credibilidade do IPCC e, por arrasto, das alterações climáticas por efeito antropogénico aplica-se praticamente sem necessidade de adaptação a estoutra alteração do clima político: é necessário que a sociedade civil, todos nós - indivíduos, organizações e empresas - deixemos de ser meros espectadores de coros dissonantes (e histriónicos), peguemos no bastão e nos envolvamos na harmonização da orquestra.
De nuvens de fumo a 9 de Fevereiro de 2010 às 16:12
presada Palamira 
estava já para lhe deixar como recomendado estes links (http://greenfyre.wordpress.com/denier-vs-skeptic/denier-myths-debunked/climate-denial-crock-of-the-week/#smacking)
Principalmente o que explica o que são os mails roubados ao servidor.
De nuvens de fumo a 9 de Fevereiro de 2010 às 16:52
os vídeos estão engraçados, simples e parecem-me ser correctos. A piada está na forma humorística.
De António Cunha a 9 de Fevereiro de 2010 às 17:27
Então e umas palavrinhas sobre a situação do pais ?
Esta malta anda mesmo distraída.
http://www.youtube.com/watch?v=mSq2G-t0QdY&feature=player_embedded
uh?? e que tal ler o post de novo?
De fernando antolin a 9 de Fevereiro de 2010 às 17:35
Distraídos, António Cunha ?? Todo o contrário, meu caro...
Nope, acho que quem anda distraído é quem acredita num D. Sebastião que virá das brumas salvar-nos de uns quaisquer Filipes...
Ora leia lá o artigo do Times, sei lá, este bocadinho:
«Mr Cameron made a speech yesterday on “rebuilding trust in politics”. He promised to introduce a parliamentary privilege Act to ensure that MPs who fiddle their expenses go to jail. Like Barack Obama, he pledged to introduce tougher rules on lobbyists and ban ministers from taking jobs with them for at least two years after standing down. He was, he said, part of “a new generation come of age in the modern world of openness and accountability”.
But last June his party voted against a government proposal to clarify the rules on parliamentary privilege. The Tories are currently operating a revolving-door policy in reverse, with 28 prospective parliamentary candidates in winnable seats working as lobbyists or PR consultants. And can Mr Cameron really claim to be spearheading a new era of transparency when his own election campaign is being funded by a man who refuses to say whether he pays tax in this country?
The Tory leader has long talked of his desire to change the culture in the Commons. “I’m fed up with the Punch and Judy politics of Westminster, the name calling, backbiting, point scoring, finger pointing,” he said in his first speech as leader. But yesterday he spat out a litany of insults about Mr Brown. “The character of his Government — secretive, power-hoarding, controlling — is his character,” he said. If Punch and Judy are simply replaced by Tom and Jerry, is that really a “new politics”? The electorate might prefer a bit of Charlie and Lola’s humour and humanity.
The Prime Minister looks increasingly opportunistic too. Today he will ask MPs to vote for a referendum on changing the voting system. He is now, he says, a supporter of the alternative vote, under which candidates are placed in order of preference. If Mr Brown had really wanted to introduce electoral reform, he should have backed it in 1998, when Lord Jenkins of Hillhead recommended a new system, or he should have proposed a change in 2007, when he became Prime Minister, rather than three months before an election. His “deathbed conversion” to AV, as Mr Clegg puts it, has everything to do with politics and nothing to do with passion. Mr Brown is trying to suck up to the Liberal Democrats, who would hold the balance of power in a hung Parliament, and he is trying create a “dividing line” with the Conservatives, who are committed to keeping the first-past-the-post system. It is an utterly cynical move that will only reinforce the impression that politicians are more interested in themselves than the voters.
Like Mr Cameron, Mr Brown began his time as leader promising a “new type of politics”. He said that he would seek “consensus and not division” and look for “long-term solutions” rather than “short-term slogans”. Constitutional change would, he said, be central to restoring trust in politics and politicians.»
De fernando antolin a 9 de Fevereiro de 2010 às 19:02
Pois se calhar o nosso azar foi acharmos que ficávamos melhor sem os tais Filipes...
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