Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
João Galamba

É a luta do momento: forma e conteúdo. João Pinto e Castro diz — e diz bem — que "uma das ideias básicas do Estado de Direito é que não há factos com relevância jurídica fora dos procedimentos aceites para os apurar". Se isto permite condenar a divulgação de escutas, não permite ignorar o óbvio: a divulgação existiu e agora não há como não lidar com o facto da sua divulgação. O formalista rejeita discutir o conteúdo por causa do modo como ele surgiu, isto é, lida com a divulgação recusando-se a comentar o que é divulgado. Mas esta posição é contraditória: não podemos responder a uma realidade negando a sua existência. Insistir na pureza da forma é um suicídio político.


9 comentários:
De António Parente a 10 de Fevereiro de 2010 às 08:21
Muito bem.


De Guilherme Pereira a 10 de Fevereiro de 2010 às 09:09

Pois, Caro Galamba - forma e conteúdo, pano para mangas, toneladas de teses e ensaios ao longo dos séculos...acontecem, de permeio, coisinhas bem mais prosaicas, e perdermo-las de vista é, isso, sim suicídio político ( cívico, se preferirem) e as coisinhas são estas:

1.

As escutas a Sócrates foram ilegais, em função do ordenamento jurídico do ESTADO DE DIREITO - o tal;

2.

O principal responsável da tutela da acção penal é o PGR PINTO MONTEIRO, que as mandou destruir por serem ilegais e - mais que tudo isso - considerou na sua seguramente douta avaliação que as tais escutas não incorporavam ou indiciavam qualquer crime, muito menos, acrescento, aquele com que se pretende atingir o PM.

3.

Face a tudo isto - que é demolidor - deveria ou deverá o PM pronunciar-se sobre escutas já assim classificadas e enquadradas ao mais altyo nível da instância MP; que goza de autonomia face do Poder político?

4.

A resposta é NÃO, CLARO QUE NÃO - teríamos o PM objectivamente conivente, se assim fosse, com a prática de um crime e, também, no fundo a desautorizar o PGR que já veio, sobre as escutas e respectiva relevância criminal, EXPLICAR O QUE HAVIA PARA EXPLICAR.

Daqui não há que sair.
Digo eu... 


De jb a 10 de Fevereiro de 2010 às 18:04
Guilherme Pereira,

a notícia do Sol não tem nada a ver com as escutas a José Sócrates. A notícia diz respeito a conversas entre Armando Vara e um administrador da PT, na qual os próprios se referem a JS. Essas escutas não são, nem foram declaradas nulas.

Percebeu a diferença?


De Guilherme Pereira a 16 de Fevereiro de 2010 às 20:28
Meu caro JB:

Percebi há mtuito as diferenças.
Mas percebi ainda melhor os movimentos criminosos aos quais, estas e outras escutas, subjazem - só não vê quem não quer ver.

Esses movimentos e acções criminosos visam atingir e assassinar apenas e uma só pessoa, que é o Engenheiro Sócrates, Primeiro Ministro, ELEITO pelos portugueses há bem pouco.

Tá a ver a tramóia? A campanha? O ódio? Tem lido, por exemplo, o que ATÉ escribas de direita têm dito sobre tudo isto?

Meu caro, e com toda a consideração:

Já aqui mora quilometragem q.b. para - como jornalista profissional - perceber estas patranhas e vigarices.

Já aqui o escrevi inúmeras vezes mas repito: NÃO SOU MILITANTE DO Partido Socialista, tal como não era do PCP quando o seu, dele PCP, então jornal DIÁRIO, desencadeou nos anos oitenta e anteriores a campanha contra o SÁ CARNEIRO, por conta de se ter abotoado com umas umas massas supostamente sacadas pelo irmão ao um banco.

REAGI COMO JORNALISTA EXACTAMENTE COM O ESTOU A FAZER AGORA.

Entendidos?

Cptos


De Rui Pinto a 10 de Fevereiro de 2010 às 10:01
Ah, grande Galamba!!!!

Já estava a perder a esperança no Jugular!!! O post mais lúcido destes últimos dias! Concordo em absoluto!!!
Está tudo entricheirado na forma! Mas não é sustentável politicamente! É preciso que a esquerda moderada se desmarque desta forma de política, sob pena de não se construir uma alternativa! Aquilo que ainda falta fazer, vive para lá do ego de Sócrates! E ele está a comprometer tudo!


De PPB a 10 de Fevereiro de 2010 às 10:46
Parabens pelos três post.
PPB 


De nuvens de fumo a 10 de Fevereiro de 2010 às 11:15
João Galambra

Pois é, mas insistir que a suposta substância vale qualquer meio é o início do fim.

Esta lavagem  era uma questão de tempo, depois de andar por aí a circular material de vários processos,
 e depois de os processos estarem a funcionar como artilharia pesada , castigando figuras para amaciar a sua capacidade de defesa, o passo para de se ter acesso a escutas e a divulga-las seria óbvio.
Até certo ponto a divulgação das escutas do processo da fruta pareceu uma experiência para ver qual a reacção.  do poder judicial. Como esta foi a de sempre, i.e, nenhuma, estavam criadas as condições objectivas e subjectivas para algo mais grandioso.
Obviamente a divulgação de escutas deveria ser a bomba atómica deste tipo de tácita, o que me deixa muito nervoso
relativamente ao que por aí anda a ser cozinhado, e não é teoria da conspiração, é teoria da constatação. quando vejo extrema esquerda e direita de braço dado, ora uma dá um pontapé na republica ora a outra uma canelada, fico espantado. 

Se de facto formos pela afirmação pragmática de que a substância vale sob a forma, então levemos essa conclusão até ao fim, acabando de vez com um segredo de justiça que em vez de defender todos , protege alguns.

Esta palhaçada é que me parece muito mal


De Apostilas a 10 de Fevereiro de 2010 às 11:27
Post muito bom, parabéns.


De Marcelo do Souto Alves a 10 de Fevereiro de 2010 às 14:43


      Ou, por outras e mais prosaicas palavras, "se o adversário nos dá canelada (e o árbitro não se impõe), o melhor é ficar nas covas, não ir à jogada e deixá-los sarrafar à vontade"! É isto?



          Mas então e o corolário óbvio: «O CRIME (de violação do segredo de Justiça) COMPENSA!»?



         E então a opção simétrica, que poderá consistir em "se eles nos deram sarrafada, vamos a eles (e ao árbitro?) à la Sá Pinto"?...



          No fundo, são tudo opções com a mesma valia ética...


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