"O jornalismo português tem vindo a degradar-se por falta de referências éticas. Hoje, tudo vale para obter informações, incluindo o recurso a "bufos". Nos tempos do Estado Novo usava-se esse termo para designar as pessoas que davam informações à polícia política sem que ninguém desconfiasse delas. Geralmente eram até da confiança das vítimas. Faziam delação às escondidas, por dinheiro ou simplesmente para tramar os visados. Agora continua-se a denunciar pessoas a quem as possa tramar. Os "bufos" são os informadores privilegiados dessa nova polícia de costumes em que se transformaram certos órgãos de informação de Lisboa."
De
Valupi a 15 de Fevereiro de 2010 às 01:09
Muito bem, João.
Miserável e trágica existência, a da bufaria.
Que desgraçados devem ser, os bufos, João. Lamento-os profundamente, desconhecem o valor da dignidade. E das obrigações e direitos dados pelos sentimentos de qualidade.
De lastim a 15 de Fevereiro de 2010 às 03:02
Que disparate. Com democratas destes o Nixon nunca tinha resignado.
E é hilariante verificar a mudança de opinião desta gente sobre este assunto desde Junho.
De ana a 15 de Fevereiro de 2010 às 09:28
Em tempos, os professores eram olhados com admiração e com respeito. Hoje, são olhados de lado, porque uma grande, grande maioria de maus roubou aos bons a consideração a que estes tinham direito. O mesmo se passa com os jornalistas. Muitas pessoas já nem lêem os jornais - ah, foi um jornalista que escreveu? O mais provável é que seja mentira. Assim mais uma vez os maus roubam aos outros o bom nome a que tinham direito. Como em tudo na vida, primeiro somos pessoas, boas ou más, íntegras ou vendidas, caluniadoras ou verdadeiras. Só depois somos juízes, ou médicos, ou professores, ou jornalistas.
De
luis eme a 15 de Fevereiro de 2010 às 09:50
João, o jornalismo sempre viveu dos agora chamados bujos que anteriormente, tinham um nome mais pomposo: fontes anónimas.
o problema não está apenas nos jornais nem nos jornalistas. estes sempre tiveram o mesmo objectivo: informar. e para isso sempre utilizaram todos os meios possíveis para o fazer.
o problema está nas instituições e nos seus respectivos funcionários (muitas vezes ao mais alto nível - nos últimos anos "cairam" dois directores da PJ, devido às trocas de confidências com jornalistas...), onde se perdeu a dignidade, o respeito e o sigilio profissional.
quando alguns factos chegam primeiro aos jornais que ao PGR, está tudo dito...
De aires bustorff a 15 de Fevereiro de 2010 às 12:19
1. Marinho tem uma extrema qualidade,
a de não esquecer coisas que estruturaram o psique dos tugas de mais de 50 anos
coisa que hoje é mal avaliada por muita gente...
2. Não cultivo especialmente as gerações mais velhas que sofreram o fascismo - da qual também a minha-,
mas mui me impressiona o nivel rasteiro que hoje a sociedade permite e chega, sem reacção do chamado cidadão médio...
3. Como é possível sermões sobre ética e verdade, de gentes escabrosamente metidos ate ao tutano em negócios escandalosos, em planos de intrigas palacianas, etc. etc.
4. Por tudo isto eu sempre reverencio e muito, a palavra de MPinto, admiro a sua coragem contra tudo e, muitas vezes, todos.
Abraço
De joão viegas a 15 de Fevereiro de 2010 às 15:47
Caros,
Essa dos bufos também ja começa a cheirar mal. Concordo com o que diz o Luis eme, e acho que ja chega de maus filmes de série B. Não estou aqui a falar do caso agora na ribalta, mas sim da questão de fundo.
O que sucede, e que não parece ser de deplorar, é haver hoje uma muito maior exigência em relação à probidade dos politicos, do que existiu no passado. Este movimento é, em parte, devido à influência da cultura anglo-saxonica. Mas não so, longe disso. E também não é o fim do mundo, nem tem cabimento desatarmos aos gritos como se estivéssemos a braços com uma nova PIDE.
Não estamos. Nem estamos em ditadura, ou num sistema totalitario em que colaborar com a autoridade é, por si, uma indignidade.
Trabalhei muito sobre o tema do whistleblowing, e cheguei a algumas conclusões : denunciar não é em si reprovavel. Achamos normal fazê-lo diante de atitudes racistas, ou de violência sobre menores. O que é indigno é devirtuar a denuncia, instrumentlizando-a em beneficio proprio, ou de outros fins que não o interesse geral.
Muitas vezes tive de lembrar aos meus amigos franceses (da mesma estirpe latina que os portugueses nesse particular) que o artigo 40 do Codigo de processo penal francês, que obriga qualquer funcionario a denunciar os crimes de que tem conhecimento, não é uma herança do regime colaboracionista, nem tão pouco uma cedência à moda norte americana. Tem origem numa lei em vigor desde o periodo revolucionario.
O dever de denunciar sempre existiu. O ponto é saber COMO denunciar. Qualquer pessoa que se tenha debruçado um pouco sobre a questão, que é ética e juridica, reconhecera decerto esta realidade.
E, infelizmente, desatar aos gritos vendo "bufaria" em tudo quanto mexe, não é caminho. Ou antes, é caminho para que tudo permaneça como esta, em detrimento do bom funcionamento das instituições e da eficacia da regra juridica, cujo imperativo primeiro é assegurar a igualdade entre os cidadãos.
Sejamos um pouco lucidos. Sempre houve "bufos", e sempre os havera (de onde pensam que vêm as queixas em matéria fiscal), em Portugal como em qualquer pais do mundo. E serem "bufos" não chega para serem desacreditados.
Não chega por uma razão simples : porque a sua existência remete-nos para a saude do regime. Num regime podre, o que eles fazem é legitimo. Num regime são, o que eles fazem é desnecessario e contraproducente.
Por isso mesmo a critica aos bufos não é argumento. Em democracia, não é.
Ou antes, é apenas um argumento subsidiario, de segundo plano. Numa democracia sã, vai-se primeiro ver se é verdade o que se denuncia. So numa segunda fase, ou porque não se conseguiu apurar nada, ou porque se conseguiu apurar que a denuncia era na verdade uma delação (palavras que NAO são sinonimas), então podemos virar-nos para os autores e pedir que nos prestem contas.
De José Barros a 15 de Fevereiro de 2010 às 21:05
Suponho que então o João Galamba considere o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem uma instituição totalitária, na medida em que condena o Estado Português quando este, por sua vez, condena jornalistas pela violação do segredo de justiça sempre que publicam notícias verdadeiras e de interesse público. É assim? Que Europa totalitária, esta...
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