Estranho seria se fossem mulheres que usam métodos contraceptivos a recorrer à IVG, não lhe parece? Seria sinal que tais métodos eram absolutamente ineficazes, ora, felizmente e apesar de não haver nenhum 100% seguro, quando se usa um método contraceptivo costuma conseguir-se não engravidar. Ficou claro agora?
Está-me a parecer que voltámos à campanha do referendo da IVG. O blogue para o qual linkou é tipo plataforma do Não, com os belos argumentos de sempre.
Enfim, pode ser que algum dia arranjem argumentos de jeito e consigamos ter uma discussão saudável.
Claro ficou, Maria João.
O problema não é seu. Há sempre surdos ou quem não queira perceber.
Mas continue.
Cumprimentos
Já que falamos de abortos e de números sugiro a leitura deste artigo científico publicado recentemente na maior revista Canadiana de Obstetrícia e Ginecologia: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20085681
De fernando f a 18 de Fevereiro de 2010 às 01:04
Faça-lhe um bonequinho, creio que é você que têm uns muita giros.
De
MRC a 18 de Fevereiro de 2010 às 01:40
O que a Ana Margarida Craveiro está a focar no seu post é a falta de responsabilidade dos homens e mulheres que permitem que um ser humano seja concebido mesmo sem ter sido intencionalmente desejado.
A gravidez indesejada só acontece ou porque não se usa qualquer método contraceptivo ou porque o método contraceptivo falhou. Ambos os casos, porém, só acontecem ou por falta de informação ou por falta de responsabilidade.
O post da Ana Margarida Craveiro chama à atenção para a cultura de irresponsabilidade que se tem vindo a apoderar da sociedade portuguesa, do qual o número de abortos é, apenas, um dos indicadores.
Em muitos casos o desleixo no uso correcto dos métodos contraceptivos usuais é compensado (se não mesmo consentido com dolo eventual) pelo facto de se saber que há ainda a possibilidade da ivg.
De
Shyznogud a 18 de Fevereiro de 2010 às 08:36
MRC a Ana Margarida começa o post referindo, assim com ar de espanto ou similar, a percentagem de mulheres q recorrem à IVG e não usam contraceptivos. Mesmo se houvesse 10 IVGs por ano em Portugal a percentagem de mulheres de entre essas 10 que não teria usado contraceptivos seria enoooorme, pelas razões q expliquei no post (parece q vou ter mm q recorrer aos desenhos como alguém aqui na caixa de comentários sugere).
Outra questão, q ela também refere no post, sim, é como reduzir o número de IVGs. Educação sexual, educação sexual, educação sexual eacesso fácil a contraceptivos, são estes os caminhos.
De
MRC a 18 de Fevereiro de 2010 às 10:55
Se as mulheres não usam contraceptivos, mas, não acabam por levar a gravidez até ao fim é porque usaram a ivg como método contraceptivo, não ? Ou custa-lhe muito chegar a essa conclusão?
Quanto à necessidade de educação sexual e acesso fácil a contraceptivos, não lhe parece que essa solução, na prática, é simplista de mais?
Muitos estudos demonstram que os jovens têm acesso à informação sobre contracepção e inclusivé têm acesso aos métodos contraceptivos mas pura e simplesmente não os usam ?
Não acha que além da questão do acesso à informação e aos métodos contraceptivos, há também uma questão de educação para a responsabilidade e (porque não dizê-lo) uma questão de educação da vontade que falta promover ?
De
Shyznogud a 18 de Fevereiro de 2010 às 11:03
Contracepçao de recurso é diferente de método contraceptivo. E agora, com sua licença, vai ficar a falar sozinho, já dei para o peditório da IVG - e consigo! - há 3 anos.
Ah! Educação sexual TAMBÉM é educação para a responsabilidade. Insisto, educação sexual, educação sexual e acesso fácil aos métodos contraceptivos.
De nuvens de fumo a 18 de Fevereiro de 2010 às 11:13
òbviamente , e educação dos papás não era mal esgalhada
De nuvens de fumo a 18 de Fevereiro de 2010 às 11:12
Caro MRC
Quanto à necessidade de educação sexual e acesso fácil a contraceptivos, não lhe parece que essa solução, na prática, é simplista de mais?
Não me parece. Parece ser a melhor forma, a mais adulta, a que educa para a responsabilidade. A que fornece a cada um a possibilidade de usar o conhecimento como entende.
Muitos estudos demonstram que os jovens têm acesso à informação sobre contracepção e inclusivé têm acesso aos métodos contraceptivos mas pura e simplesmente não os usam ?
eu não preciso de estudo, eu fui jovem, eu tinha não só o acesso como o conhecimento e muitas vezes arrisquei. Porquê ?
Porque na altura os preservativos eram muito caros para um jovem de pouco mais de 15 anos. Por isso dependia apenas na capacidade das raparigas de assumirem a sua necessidade de pílula junto das mães. Tal facto era difícil e muitas vezes escondia eu as caixas de pílulas para que a mamãs das santas meninas continuassem a dormir na sua cor-de-rosa hipocrisia.
Mas isto é demonstra a imensa necessidade de serem os jovens capazes de saber o que estão a fazer, de serem o s contraceptivos gratuitos, de serem as pílulas distribuídas, e de os papás não serem tão otários.
Não acha que além da questão do acesso à informação e aos métodos contraceptivos, há também uma questão de educação para a responsabilidade e (porque não dizê-lo) uma questão de educação da vontade que falta promover ?
Acho, mas o que está a implicar é que deveria haver campanhas de abstinência. Não é adiar o problema que interessa, o que interessa é que os adolescentes saibam ter sexo seguro.
Claro que na sua perspectiva a ideia é não terem sexo, mas isso é uma cruzada impossível, ninguém no seu bom senso vai-se abster de ter prazer, nem hoje nem no passado.
De
MRC a 18 de Fevereiro de 2010 às 12:44
Nuvens de Fumo
2 notas:
- Do conhecimento que tenho de contactos com médicos de centros de saúde que lidam directamente com a área do planeamento familiar há disponibilização de todos os métodos. O problema são basicamente 2, o desleixo das próprias interessadas e, como diz, a falta de diálogo na família que devia ser o 1º lugar onde estes assuntos deveriam ser abertamente discutidos.
- Admito que a abstinência possa também não ser sempre eficaz, mas o uso de preservativo também não o é, desde logo porque há uma forte convicção entre a comunidade juvenil de que o preservativo retira substancialmente o prazer nas relações sexuais. Ou como dizia uma adolescente que engravidou o ano passado, aqui no Algarve, "o preservativo não dá pica".
Então o que se deve fazer?
Tentar promover uma educação sexual que continue surda e que continue a dizer que o Santo Graal é o preservativo quando se sabe que uma parte significativa dos implicados não gosta de o usar ?
Ou avançamos para uma educação sexual mais abrangente que, além da conversa habitual sobre preservativo, etc, explique que também há alternativas que passam por uma educação do auto-domínio sem que isso implique necessariamente uma redução da sua qualidade de vida ?
De nuvens de fumo a 18 de Fevereiro de 2010 às 13:32
Do conhecimento que tive de alguns centros de saúde, nem sempre a pílula estava disponível.
o desleixo das próprias interessadas
Não concordo, ser-se adolescente é isso mesmo, é ser-se baldas e irresponsável, por isso se considera que existem idades mínimas para cargos de responsabilidade. Pelo menos na nossa sociedade , noutras e noutros tempos admito que seria muito diferente.
Quanto à abstinência,
O preservativo não é 100% eficaz, mas a pílula é quase.
Coisas a 100% temos a morte e pouco mais, tudo tem margens de erro.
No entanto o exemplo americano das campanhas republicanas da abstinência mostram bem o perigo desse tipo de pensamento. Não só estavam os jovens sem informação das DSTs, como ainda a sua compreensão deficiente da sexualidade colocava-os ainda mais exposto .
Os estudos estão disponíveis, e já até forma abordados de forma ligeira pelo psiquiatra Júlio Machado Vaz.
A minha ideia é a de uma educação rigorosa e científica sobre o processo da reprodução humana, contendo matéria sobre como evitar gravidezes, DSTs etc
A educação orientada À sexualidade deve focar-se no sentimento de responsabilidade inerente ao início da actividade sexual. o que não podemos varrer para debaixo do tapete é que os jovens se iniciam cedo, tem estímulos na net, na televisão, na publicidade e que isso não irá desaparecer por decreto. A revolução sexual só teve uma paragem por causa da SIDA. MAs é objectivamente imparável.
Temos é de dar as condições para que os adolescentes tenham acesso a informação de qualidade.
O resto devem ser os pais e os próprios a negociar como acham melhor.
De nuvens de fumo a 18 de Fevereiro de 2010 às 14:00
Espero que se entenda o que escrevi , não reli nada e ficou uma valente porcaria.

De
MRC a 18 de Fevereiro de 2010 às 16:00
Mas continua a não responder à minha pergunta:
Como é que resolve o problema dos jovens (e muitos adultos) não gostarem de usar o preservativo ?
Pede para que reduzam o nível de prazer do acto sexual ?
Como é que resolve o problema de muitos jovens optarem pelo coito interrompido como forma de "contracepção" ?
Como é que resolve o problema do alcóol e das drogas nos jovens e o facto de muitas das relações sexuais entre jovens, por exemplo, nesse âmbito, implicar riscos em termos de DST's e gravidezes indesejáveis?
Ou acha que isso faz parte do ser-se "baldas e irresponsável" ?
Para muitos, a resposta, está precisamente no tema que está na origem deste post da Maria João. A resposta está na IVG.
Pela "irresponsabilidade" de uns paga o embrião que não pediu para ser concebido, paga o Estado que tem de subsidiar abortos e paga a própria mulher com as sequelas psicológicas e físicas do aborto.
De nuvens de fumo a 18 de Fevereiro de 2010 às 17:16
MRC
Obviamente não resolve o problema de quem não quer usar preservativo mesmo que devidamente informado.
Como não resolve os casos de mortes por excesso de álcool , como não resolve os casos de brincadeiras com armas de fogo, etc
Mas as campanhas ajudam, e a educação ajuda.
Com a ignorância é que não se resolve nada.
De
MRC a 18 de Fevereiro de 2010 às 20:55
Não basta a informação. O mero acesso à informação é manifestamente insuficiente.
Num recente estudo feito junto de estudantes brasileiros, a esmagadora maioria manifestava estar relativamente bem informada.
Repito, há que educar também a vontade e propor também o adiamento da vida sexual como um dos métodos possíveis, incluindo a educação para a abstinência.
Veja a recente notícia do "i"
http://www.ionline.pt/conteudo/45022-estrategia-pela-abstinencia-eua-voltam-atras (http://www.ionline.pt/conteudo/45022-estrategia-pela-abstinencia-eua-voltam-atras)
A partir daí concordo que "O resto devem ser os pais e os próprios a negociar como acham melhor".
De anónimo a 19 de Fevereiro de 2010 às 00:16
Cara/o,
1. Infelizmente, não guardei referência mas, há uns anos, os resultados de um estudo revelavam que, entre adolescentes sem experiência sexual, a maioria era de opinião que o preservativo diminuía o prazer sexual. Solução: combater os pré-conceitos. Este e outros. Apontar como vantagens do preservativo: ser sempre preferível uma eventual diminuição de prazer a ser pai/mãe sem querer sê-lo; ter de fazer uma IVG; contrair e disseminar uma (ou mais) DST.
Outra vantagem, não despicienda para os rapazes mais inexperientes, em relações heterossexuais: aumentar a probabilidade de a parceira também atingir o o orgasmo.
2. O que fazer quanto ao facto de "os implicados não gostarem de usar preservativo"? Ora, os gostos educam-se! É plausível que, a dada altura, não gostassem de legumes ou de peixe, não? E não conheço educador(a) nenhum(a) que se tenha dado por vencido, e baixado os braços, ante esta resposta.
De
MRC a 19 de Fevereiro de 2010 às 09:01
No Brasil, apesar dos milhões gastos pelo governo Lula na distribuição de preservativos, a taxa de sucesso dessa estratégia tem sido um fracasso.
Veja, por exemplo, este link http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/06/18/e180617936.asp
O que eu acho engraçado é que para impingir os preservativos, apesar de vários estudos que dizem que os homens e as próprias mulheres não gostam de o usar, que pode saltar, romper-se, etc.., para regozijo e os bolsos das empresas de latex, já se podem educar os gostos.
Para, também, promover uma educação para a abstinência, já nem vale a pena sequer tentar !
No entanto, chamo à atenção de uma recente entrevista dada por um dos melhores especialistas no combate à sida que, neste link http://www.agenciaaids.com.br/site/noticia.asp?id=13616 (http://www.agenciaaids.com.br/site/noticia.asp?id=13616) diz o seguinte:
O que determina o comportamento é o impulso”. “O impulso é maior que o medo” “Comportamento você não muda com campanha, com informação. Você tem uma chance com a educação continuada, desde a fase pré-adolescente”
Não seria melhor, então, começar por sensibilizar as famílias para começarem a dar, elas próprias, educação sexual aos filhos, apostando no diálogo e sem rodeios ou vergonhas?
E, na escola, informar e disponibilizar aos jovens, de forma séria e real, as várias alternativas, incluindo a abstinência e depois deixar que sejam eles, de preferência com a ajuda dos pais, a decidir ?
De nuvens de fumo a 19 de Fevereiro de 2010 às 10:15
MRC
Isso não é verdade, dos países do hemisfério sul, o brasil é dos que tem menor taxa de transmissão do HIV.
Por isso a distribuição de preservativos tem resultado.
De
MRC a 19 de Fevereiro de 2010 às 12:45
Em termos relativos, de comparação com outros países, sim.
Mas, em termos absolutos, continua a haver uma grupo bastante significativo de homens (jovens e adultos) que se mantêm adversos ao uso do preservativo, não obstante todas as campanhas que têm vindo a ser feitas.
Em África também a resistência ao uso do preservativo é muito significativa.
Se quem defende a inclusão da educação para a abstinência é ingénuo, então quem defende o "sucesso" do preservativo, o que será ?
De nuvens de fumo a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:09
E acha que quem não usa preservativo vai na cantilena de a solução ser ficar a seco ?
A meu ver nos países desenvolvidos essa cantiga não pega e têm de ser criados mecanismos para quem queira iniciar a vida sexual com segurança.
Quem quiser ficar virgem que fique, desde que tenha acesso À mesma informação.
A informação não mata nem corrompe as pessoas, a ignorância sim.
De
MRC a 20 de Fevereiro de 2010 às 10:21
"Quem quiser ficar virgem que fique, desde que tenha acesso À mesma informação.
A informação não mata nem corrompe as pessoas, a ignorância sim"- Concordo em absoluto com esta sua afirmação.
Acesso à informação de forma pluralista, isto é, incluindo não só a informação sobre os métodos artificiais de planeamento, mas também sobre os métodos naturais (Que infelizmente muitos médicos pura e simplesmente desconhecem e deixam-se levar pelo chavão do "nunca funciona") e à educação para a abstinência.
Se querem dar educação sexual nas escolas, então, que o façam informando das várias opções e não reduzindo os métodos de planeamento aos métodos artificiais.
No entanto, se formos a ver a educação sexual que já está a ser dada nas escolas, verificamos que não é isto que se está a passar. Há um empobrecimento dos conteúdos curriculares e uma visão redutora dos métodos de planeamento com a exclusão, ou pelo menos, ostracização quer dos métodos naturais, quer da abstinência.
O problema (e agora entramos em outro problema) está na formação dos professores (E até dos próprios médicos) que, atenta a multidisciplinariedade da matéria, quando muito, estão preparados para explicar umas coisas, mas já não o estão para explicar outras.
De nuvens de fumo a 22 de Fevereiro de 2010 às 10:15
MRC
Compreende que abstinência não é um método , é uma questão filosófica, ou de atitude mas não um método.
O tempo que demora a ensinar são 5 minutos, não me parece ser passível de ter muito conteúdo :
- não façam
- resistam
à tentação
Por isso não ser grandemente considerado.
De S a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:32
A promoção da abstinência tem tido resultados desastrosos nos E.U.A., isto durante a époco do Bush, em que os únicos programas de "educação sexual" para o qual as escolas recebiam fundos eram estes e apenas estes. A discussão para a revisão da política de abstinência já está para ser feita há muitos anos, apenas atrasada pelo inisistente (e cego) apoio de grupos religiosos;
http://news.bbc.co.uk/2/hi/7368219.stm
http://www.reuters.com/article/idUSN23459576?rpc=64
http://blogs.usatoday.com/oped/2007/07/our-view-on-sex.html
O facto de os homens não gostarem de usar preservativo está a ser altamente descontextualizado, quem o invoca só pode ter agenda. É Verdade, muitos não gostam e muitos mitos se associam, mas estudos atrás de estudos provam o mesmo (e não o fazem em relação à abstinência);
http://www.advocatesforyouth.org/index.php?option=com_content&task=view&id=450&Itemid=336
http://www.sciencedaily.com/releases/2008/03/080319151225.htm
Os jovens que recebem educação sexual perdem a virgindade mais tarde e apresentam taxas de gravidez bastante inferiores. Para além de estarem melhor informados. Apenas macaquinho na cabeça continuam a atrasar o óbvio; é urgente e necessário educação sexual nas escolas. A educação sexual não leva a sexo desenfreado, a idade de perda de virgindade é aliás mais tarde por comparação com quem não recebe nenhuma. Relembro que entregar métodos contraceptivos é diferente de educação sexual...
De
MRC a 20 de Fevereiro de 2010 às 10:39
Caro S
Ninguém está aqui a defender que só se aplique o modelo de educação sexual pró-abstinência.
O problema dos EUA é que, quando está o presidente é republicano, aposta-se quase tão somente na promoção da educação para a abstinência. Quando está um presidente democrata aposta-se quase tão somente na promoção da chamada educação sexual compreensiva que aborda quase só os métodos de contracepção artificial.
Não concordo com nenhum dos 2.
Acho que, em face da complexidade e variedade de circunstâncias, os jovens devem ser devidamente informados quer dos métodos artificiais, quer dos naturais, quer da hipótese da abstinência. E é essa multidisciplinariedade que não vejo, o que, como disse, atrás empobrece bastante o teor da dita "educação sexual estatal".
Depois a escolha de cada método caberá a cada um, de preferência, com o apoio da família, decidir.
Também não me viu defender que a educação sexual antecipa o início da vida sexual. Essa antecipação, como disse á Nuvens de Fumo, começa com a pressão que é feita nos media, na net, etc..
No entanto, também aqui acho que seria importante explicar aos jovens que nenhuma relação que se pretenda séria e profícua se baseia única e exclusivamente em sexo.
É importante também educar para a afectividade e para a contextualização da actividade sexual.
Sexo é muito mais do que evitar gravidezes indesejáveis ou DST's. Reduzir a educação sexual à mera explicação dos métodos de contracepção é reduzir aquilo que o sexo pode dar a uma relação e à própria realização pessoal de cada um.
De S a 20 de Fevereiro de 2010 às 11:25
A nível dos valores a educação cabe aos pais e não à escola. A função é transmitir informação concreta, correcta, abordando profundamente mas de forma acessível diferentes conteúdos. Não se trata de indoctrinação num sentido ou outro. No 12º ano, falo por experiência própria, nos cursos de ciências já existe a transmissão de informação sexual; não será educação (2 ou três aulas, que não abordam a sexualidade...), não será na idade ideal nem chegará a todos os jovens, mas é melhor que nada. Neste caso abordavam-se todos os métodos contraceptivos naturais, artificiais, vantagens e desvantagens, protecção que ofereciam, desenvolvimento dos órgãos sexuais e gametogénese, bem como informação sobre os métodos de fertilização assistida. Informação importante e não tendenciosa. Portanto, as críticas que aponta não me parecem justas, foi uma abordagem global e a meu ver a correcta.
Quanto ao uso de métodos naturais, acho perigosíssimo. A maior parte dos jovens não estão dispostos, serão mesmo responsáveis?, para o compromisso diário que estes exigem. No método do calendário temos o registo diário, na temperatura (a aconselhada é rectal) também o exige, o coito interrompido é arriscadíssimo, etc. Estes métodos apresentam taxas de sucesso baixíssimas e não protegem contra DSTs, pelo que a meu ver estão actualmente excluídos no que se refere a opção de jovens em termos de "contracepção" e muito menos na prevenção.
A abstenção é uma escolha disponível a todos os jovens mas irrealista, e por todos os motivos que invoquei no comentário anterior com poucos resultados. Se os jovens optarem por esta muito bem, mas a indoctrinação de que "sexo só depois do casamento", sobre pureza, ou julgamentos morais, devem ficar fora da sala de aula.
Se a educação sexual não é responsável pela promiscuidade, se o sexo não é encorajado nem promovido pela mesma, porquê a insistência que o sexo é para isto ou para aquilo? Os jovens sabem isso; são questões a nível de valores. Podemos falar de uma forma geral sobre diferentes aspectos de viver a sexualidade, mas acho que apostar nestes aspectos e ver na educação sexual a salvação da juventude é algo paternalista e tendencioso. A educação sexual faz parte da educação para a cidadania e contribui para a tomada de decisões responsáveis e informadas. Isso deve ser o suficiente, isso é o essencial.
De Nuno Dias a 18 de Fevereiro de 2010 às 01:43
A questão é haver mulheres novas que usam o aborto - que comporta perigos e consome meios - como método contraceptivo primário.
Alguma coisa está a falhar na lei do aborto. Já não falo da questão económica num país pobre e sem meios médicos para acudir a quem está doente. Há mulheres com cancro do colo do útero que têm de esperar nas listas de espera por uma intervenção.
És brilhante, altuça, como consegues perceber essas coisas tão complicadas?
De Anónimo a 18 de Fevereiro de 2010 às 09:53
Como sempre, os sacerdotes/sacerdotizas do politicamente correcto assumem que, só por falta de inteligência e/ou outro defeito não se concorda com eles.
"Há sempre surdos ou quem não queira perceber."
"Faça-lhe um bonequinho,"
"A ver se lhe consigo explicar isto de forma a que entenda"
À partida, portanto, não é possível discutir, porque os que não concordam consigo, simplesmente não têm a qualidade inclectual necessária, "Falta-lhes qualquer coisa".
A ideia de haver opiniões não idênticas à sua, ou interpretações diferentes sobre os mesmos dados nem sequer passa pela cabeça.O esforço para entender as posições não concordantes (abertura de espírito) nem sequer é equacionado.
Só por má-fé (a soldo de alguém), má-formação (daí a necessidade educação), ou estupidez (nada a fazer) não se concorda consigo.
Respira-se aqui a intolerância e arrogância dos sempre (politicamente) correctos.
Só escrevi este comentário porque a arrogância cansa.
Prometo nunca mais cá voltar.
Cumprimentos,
De
Shyznogud a 18 de Fevereiro de 2010 às 09:58
Decida-se, ou se é politicamente correcto ou não. Costumam ser os politicamente correctos q usam floreadinhos para dizer o q pensam. Hasta.
De nuvens de fumo a 18 de Fevereiro de 2010 às 10:14
100% das mulheres que abortam estão grávidas.De facto que para se estar grávida é capaz de não ajudar métodos com uma probabilidade de gravidez de 0,3% em relações diárias ao fim de um ano.
Por isso podemos de forma confortável, sem recorrer a estatísticas nenhumas dizer que se por ano há muitos abortos das duas uma: ou temos uma anomalia estatística a estudar e de causas desconhecidas, ou temos que as pessoas continuam a quecar sem usar qualquer prevenção.
O que isto me demonstra claramente é que os homens continuam a não estar minimamente informados em relação a DST e que as mulheres tb pouco ligam.
Demonstram estes números a óbvia necessidade de a educação sexual nas escolas arrancar e já.
De Niamey a 18 de Fevereiro de 2010 às 12:31
faz tanta impressão que as pessoas que insistem na questão IVG sejam as mesmas que recusam educação sexual nas escolas para os seus filhos "porque é a elas quem cabe dar essa educação". sejam as mesmas que se manifestam pela liberdade de expressão com argumentos trôpegos...e ingratos já agora. sejam as mesmas, já se percebeu, da manifestação de sábado a que chamam a "festa da família".
mas também me faz impressão que uma jovem rapariga como a ana craveiro tenha a cabeça neste estado. como é que uma pessoa tão nova pode viver sob este reumatismo e desacato cerebral...bem sei que não tem a ver com a idade mas faz-me impressão.
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