As comissões parlamentares têm regras. Mário Crespo deslocou-se à comissão de ética para ser ouvido e questionado pelos deputados, não para encenar uma farsa para os jornalistas usando os deputados como figurantes. No ínicio da audiência, Mário Crespo resolveu ignorar as regras da comissão, dispensou os serviços dos assessores e levantou-se da mesa para distribuir fotocópias pelos deputados presentes. Enquanto caminhava pela sala, repetia, lacrimejante e com a voz embargada: fui censurado! sinto-me como aqueles que viviam na clandestinidade, só me restam as fotocópias. As fotocópias continham a sua crónica e uma página do jornal A Capital censurada durante o Estado Novo. Quando chegou ao pé de mim com as ditas fotocópias, não me virei para receber o que Crespo me queria dar. Há quem ache que o meu comportamento não é admissível para um deputado. Discordo. Não aceitei as fotocópias porque recuso ser instrumentalizado por alguém que resolveu transformar uma comissão parlamentar num palco para o ego e a megalomania de um jornalista.
De valter marques a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:39
Caro João,
não tem que se preocupar com aquilo que os outros achão ou não, acredite é que tomou a atitude mais sensata. Mário Crespo adora a ribalta, percebe-se nas suas entrevistas, e quis dar nas vistas na comissão de ética, mas acabou por fazer das figuras mais trsites e por desrespeitar todas e quaisquer regras desse tipo de comissão.
Uma vergonha!
De
MFerrer a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:43
Desconhecia que o João Galamba se tinha recusado a participar nessa farsa. Saúdo-o por isso!
E claro, fica de fora do que eu disse sobre o comportamento dos restantes deputados que fizeram a triste figura de serem instrumentlizados pelo locutor da Rádio Livre da Renamo, em Johanesburgo, há una anos, quando a guerra civil, por ordens de Pretória, juncava de corpos de crianças as estradas de Moçambique.
Outros contos, não é?
De Rita a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:45
Também era só o faltava querer agora censurar o "estilo Crespo".
Dando o benefício da dúvida aos Digmos deputados da nação, supor-se-ia que estes conseguirão passar por cima do estilo e cingir-se ao conteúdo.
Farta de queixinhas, é que vos digo. Façam-se homenzinhos.
De nuvens de fumo a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:53
No caso do truão o estilo é tudo uma vez que o conteúdo foi nulo.
Rita, isso do "farta de queixinhas" para comentar uma situação que tem origem no facto de alguém não querer ou poder validar um texto que escreveu e resolver queixar-se de censura alheia, tem uma certa piada...
De Rita a 19 de Fevereiro de 2010 às 15:48
A queixa de censura não é uma queixinha é uma queixona, digo eu. É ver se tem razão ou não e deixar o estilo para os designers, sff.
De nuvens de fumo a 19 de Fevereiro de 2010 às 15:56
Uma pessoa que tem um jornal nacional, que tem um programa de opinião com três figuras conhecidas de todos , que tinha uma coluna de opinião onde escreveu barbaridades sobre o PM sem nunca ter sido censurado, de facto é obra ir choramingar para AR a clamar que o calaram.
Haja decência
De nuvens de fumo a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:50
100% de acordo
Mas a culpa é terem deixado o senhor ter tido a iniciativa, o próximo pode distribuir coisas menos agradáveis
De António Parente a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:52
Como cidadão reprovo a sua atitude. Se estava contra aquilo que estava a assistir deveria ter lavrado o seu protesto junto do presidente da comissão ou manifestar o seu desacordo abandonando a sala. Era uma atitude politicamente louvável. O que fez e como o fez parece-me não abonar em favor do respeito que os deputados devem ter em relação às pessoas que se deslocam à comissão, gostem ou não delas.
De
Shyznogud a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:59
O João não o disse digo-o eu. Pactuar com aquilo é uma afronta para qqr pessoa mas para um filho de alguém q esteve preso no Estado Novo por delito de opinião aquela farsa de se comparar com os censurados do antigo regime é repugnante. Além disso, quem lhe diz q o João não protestou junto do Presidente da Comissão?
De António Parente a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:08
Ninguém me disse, Maria João. Apenas comento com base nos dados que me são facultados. Não conheço a família do João Galamba, aliás só o conheci no blogue e todas as referências que tenho dele li-as em blogues, nem me foi dito que tinha protestado junto do presidente da comissão. De qualquer modo, mantenho o que disse. Não considero correcto a recusa em receber o que lhe foi oferecido. Isto independentemente de qualquer juízo de valor sobre a audiência do Mário Crespo.
De nuvens de fumo a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:24
António PArente,
A figurinha do truão é de um ridículo tão grande que mete dó.
Crespo não está muito distanciado do nível da conversa de café. Não demonstrou ter nível nem demonstra compreensão da gravidade das suas insinuações.
Por isso a prestação degradante em frente a quem o estaria a escutar para perceber finalmente as terríveis maquinações do Dr. Fu Manchu.
É um triste a quem dão atenção excessiva.
De António Parente a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:52
Nuvens
Não estava aqui em análise o Mário Crespo, mas a reacção do deputado João Galamba. Foi a isso que me referi. Julgo que seria útil, se é que não existem, serem estabelecidas regras de etiqueta nas audiências das comissões parlamentares para além da necessidade do espaço físico ter uma configuração diferente. Agora estão todos muitos juntinhos, parece uma reunião de família e tanta informalidade dá azo a atitudes como as do Mário Crespo. Com as TV's a transmitirem em directo, surgem sempre tentações de protagonismo exacerbado.
De nuvens de fumo a 19 de Fevereiro de 2010 às 15:16
Não concordo que a actitude do Mário Crespo não esteja em causa, ela é que origina toda a cena.
Mas andando avançando, concordo que aquilo não tem a dignidade que deveria.
Umas mesas com papeis atirados, parece uma reunião de professores da frenprof em dia de negociações salariais
.
Merecia a nossa república mais mimos. Tanto dinheiro que se gasta em tanta coisa, podiam criar uma salita digna, que inspirasse um pouco mais de respeito, com regras definidas, etc
É triste que quando o povo vê os deputados numa das suas funções, em que não estão a fazer a sua suposta cera, o espectáculo não esteja ao nível.
é pena mesmo
Caro António,
No final da comissão dirigi-me ao presidente da comissão e protestei por ele ter permitido que Mário Crespo distribuisse as fotocópias. A resposta do presidente foi: - "tem toda a razão; peço desculpa, mas fiquei meio aparvalhado e não consegui reagir". O meu protesto foi referido em pelo menos dois jornais — Sol e jornal i
Cumprimentos,
Joao Galamba
De António Parente a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:46
Caro João Galamba
A minha crítica foi feita de boa fé como aliás tento fazer sempre. Não tenho nada de pessoal ou político contra si e o meu comentário foi apenas no sentido de lhe mostrar o que podem algumas pessoas criticar na sua actuação com base naquilo que descreve no post. Já tem aí suficientes apoios e acredito que aquilo que eu penso seja minoritário. Não preciso de confirmar nos jornais o que diz, basta-me a sua palavra.
Cumprimentos,
António Parente
De Anonimo a 19 de Fevereiro de 2010 às 16:42
Sim, seria assim num país de democracia avançada, onde os eleitores podem escolher mesmo os seus deputados.
Mas, se o país fosse uma democracia avançada não estávamos a discurtir nada disto há meses. Teria havido as demissões que a democracia ou a vulgar decência exigiriam.
O Presterello ainda é secretário de estado? É? Está a ver o que queria dizer, não está?
De valter marques a 19 de Fevereiro de 2010 às 13:53
quando vi ver se o meu comentário tinha sido publicado reparo na minha calinada. as minhas desculpas. Acham e não achão!
tarde demais, será para sempre lembrado
De
Shyznogud a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:05
E ficará para os anais!
De valter marques a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:30
acabou-se a minha carreira como jornalista! enfim, o que será agora de mim!
De josé serra a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:14
nada disso justifica a sua atitude [nem o facto pessoal que a maria joão utilizou num comentário acima: facto do qual, aliás, deve sentir-se não só honrado e orgulhoso, mas também deve fazê-lo sentir-se ainda mais responsável].
a questão não é a de saber se o seu gesto é ou não admissível num deputado [as sessões parlamentares abundam em gestos desses]. se é falta de respeito ou não. isso é treta. o problema é que a sua atitude demonstrou - e estranho como ainda não percebeu isso - precisamente o ponto que o crespo quis fazer vingar: a censura. só que agora mediante a recusa de uma fotocópia, um virar de costas, um riso escarninho, o mexerico com o colega do lado durante a audição e, por fim, (creio) a saída da sala... joão, aquilo que se pedia a um democrata [e eu acho que o joão é democrata] é que fizesse, por exemplo, o que o antónio parente sugeriu.
saudações
De josé serra a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:24
ok, joão, já li do seu protesto. isso, para mim é suficiente. mas não retiro nada do que disse. certo tb que irá reflectir sobre a sua paralinguística ;-) na dita comissão.
abraço.
De MARGARIDO TEIXEIRA a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:16
Atitude correcta a sua, Sr. Deputado. Só é pena é que os seu pares (os do seu Partido) não tenham feito o mesmo (ao que presumo). Como é possível que o circo seja montado em plena casa da Democracia? É para isso que servem os nossos impostos? Porque é que os Deputados do PS não desancaram a criatura como era devido?
De
CBO a 19 de Fevereiro de 2010 às 14:16
Este post trouxe-me à memória uma crónica de Mário Crespo sobre os palhaços. Os últimos desenvolvimentos mostram que o homem sabe do que fala e, por isso, resolveu ele mesmo assumir a figura de palhaço. Escolheu mal o palco, já que a AR não é, pelo menos para já, um circo.
Infelizmente, a maioria dos deputados achou por bem participar no espectáculo. Permita-me que o felicite por ter recusado participar na cerimónia. Por muito que eu respeite os palhaços, há alguns exemplares que denigrem a profissão e esses não deveriam merecer aplausos, mas sim apupos.
A vedeta da manif dos "100" ( contados com generosidade) não passa de um energúmeno na "Feira das Vaidades". Onde não há lugar a palhaços, mas apenas a Narcisos. Foi um erro de "casting", a quem o grupo dos "100" deu a chancela de aprovado.
De
ariel a 19 de Fevereiro de 2010 às 15:24
Fez muito bem. Se os outros não se souberam fazer respeitar, alguém tem de dar o exemplo e dizer que o rei vai nu.
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