Domingo, 7 de Março de 2010
Rogério da Costa Pereira

Dirijo-te estas palavras sabendo que o faço a alguém cujos neurónios entraram em guerra fratricida e bastarda ao ponto de só restar um (o mais escasso e ligeiro) — lamentavelmente, o que te sobrou está meio metro acima do habitat natural, desfruta de cauda acelerante e tem como ambição única irromper por um óvulo. Ciente disso, mas porque tenho bom coração, avanço.

Na última semana, resolveste publicitar — várias vezes — a tua imbecilidade. Percebo, porque te enxergo a natureza, a tua cretinice genética e “eurotica”. Os genes fazem-te, os euros justificam-te (perante o espelho aldrabão que te dá as trombas a ver).

Assim, e munido do tal espermatozóide mascarado de neurónio, decidiste fazer história. Por fortuna de quem te lê e essência tua, não fizeste a dos outros e desvelaste a tua. És uma espécie de rei midas da merda: transformas em trampa tudo aquilo em que tocas. Se por acaso te caísse nas mãos um qualquer pasquim pago para ser gente, havias de conseguir reduzi-lo a um teu irmão de sangue, assemelhá-lo à tua essência estéril.

És uma peçonha, pois. Porém, essa dor que te atenta e que tentas, para te aliviar a mágoa, passar para os outros, esse beliscão na alma que não tens, essa vocação de idiota útil — e outro tipo de utilidade não terás — estão condenados a ser só teus. Olha para trás. Olha para o teu reles viver e para tempo que levas desde o nascer. Traduzes-te num zero abaixo da nula referência. Algo numericamente impossível. Não chegas a ser nada, portanto. Um dia que te atinjam com um espelho fiel, morrerás em agonia — envenenado pela verdade que a representação te dá.

Bufas as bufas do bufos (eis a tua biografia) e usa-las como se tudo (as ventosidades e os respectivos excretores) fosse gente. Lamentavelmente, e isso deve doer — os meus pêsames à tua mãezinha —, nunca (nem os “teus”!) algum dia te levarão a sério. O problema, bobo desta corte, é que tu próprio não passarás do vento malcheiroso dos cus que a cada tempo (há séculos) te vão expelindo.

No entanto, verdade seja dita, estás cada vez mais acompanhado – não partiram o cabrão do molde. O teu fedor, honra te seja feita, é evidente — não enganas ninguém. Outros perfumam-se à francesa e, por vezes, a confusão de aromas engana ao primeiro lanço. És um puro óbvio e por isso — sempre de mola no nariz — acompanho o teu percurso.

Continua a fazer por nos ilustrar, faz pela comenda que um dia, por merecimento, te afixarão no focinho. És-nos necessário, cumpres o papel de grilo mudo do inferno, como que um sinal de animais na estrada.

Ainda assim, e perante tão reles intruso, que se foda o carro.

(também neste arquivo de coisas)

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7 comentários:
De f. a 7 de Março de 2010 às 02:15
eheheh, mto bom. espelho fiel é, mas há gente q nem olhos tem.


De Rogério da Costa Pereira a 7 de Março de 2010 às 02:23
Realemnte podia ter ido por aí, toupeira de estrume e tal... Fica para a próxima. :)


De Marco a 7 de Março de 2010 às 03:46
Continuo sem saber a quem se refere RCP, mas fiquei fã do advogado que, infelizmente, não é escritor...

E é sempre a estas horas (ou se calhar sou eu que só cá passo a estas horas), o que é óptimo para desopilar das sessões de trabalho...


De Rogério da Costa Pereira a 7 de Março de 2010 às 03:55
Curioso isso para que me alerta, Marco. Nunca tinha reparado. É sempre a estas horas, sim. 


De fernando antolin a 7 de Março de 2010 às 13:52
Elegante, a prosa. Margarida Rebelo Pinto,eat your heart !!

Eu bem o aconselhei a passar pelo aerotrolleys cedinho,para desopilar a alma com aquele fresquito matinal...


De Anónimo a 7 de Março de 2010 às 14:32
Fabuloso!
Jamais alguém fez um auto-retrato tão rigoroso e sincero.


De lampiao a 8 de Março de 2010 às 23:59

viste o post que o blogue azul fez sobre este post?


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