Aliás, "não há que choramingar" (que isso, pensando bem, é coisa de gaja ou então de maricas), mesmo porque "já na pintura, durante séculos, foram os homens que pintaram as mulheres". Diz que "ninguém é especialmente culpado por há cento e tal anos o cinema se ter organizado de uma maneira simples: os homens atrás da câmara, as mulheres à frente." Uff, não haverá um processo em tribunal, portanto - e afinal podemos tod@s dormir descansad@s aceitando e quiçá agradecendo estas posições naturais de homens e mulheres face às câmaras.
A propósito dos homens que estão atrás da câmara e as mulheres à frente, apetece-me perguntar por que é que, nos grupos de música pop, há imensas mulheres a cantar (vocalistas) mas praticamente nunca há mulheres como instrumentistas. É uma coisa que me causa imensa perplexidade, juro.
É que na música clássica há mulheres instrumentistas, a tocar violino, piano, flauta ou seja o que fôr, mas na música pop não há, não percebo por quê.
Nem queria acreditar no que estava a ler no Público.
Mas tenho de me conformar ;) "É a vida" ainda haver gente que pensa e escreve assim...
Não deixa de ter graça que a única ressalva ao machismo - do tipo "não fazendo de si meu criado" - seja a passagem mais inócua de todas: "Finalmente, e esta é a pequena observação eventualmente “machista” que as razões de contexto estão mesmo a pedir, dá gosto que Kathryn Bigelow tenha 58 anos e aquela figura. Se havia de ir para um camafeu qualquer, mais ano menos ano, ainda bem que o assunto da “primeira mulher-cineasta consagrada pela Academia” ficou assim resolvido.
De Tiago Mendes a 9 de Março de 2010 às 16:02
Paulo,
Qual e' a conclusao do post? QUe num mundo idilico 50% dos oscares de melhor realizacao iriam para mulheres? Que 50% d@s realizadores seriam mulheres?
Ja' agora, que realizadores sao ou seriam merecedoras de um oscar aqui?
O post não tem uma conclusão - ao contrário do anterior, é um desabafo de quem reconhece que é basicamente inútil tentar ser pedagógico com quem claramente se recusa a tentar sequer perceber porque é que as coisas "são como são" e a pensar sobre como é que podem mudar.
Já o mundo idílico me interessa pouco; interessa-me mais a constatação da realidade de hoje, os porquês dessa realidade e o percurso que falta percorrer para que o género seja irrelevante para a realização de filmes (que é só um exemplo entre muitos).
De Joaquim Amado Lopes a 12 de Março de 2010 às 00:48
Talvez tivesse melhores resultados se não confundisse os termos "pedagógico" e "demagógico".
É que partir do princípio de que a igualdade de direitos se traduz em igualdade nas competências e opções de vida e, por isso, se deve reflectir na igualdade de resultados não tem nada de pedagógico. É pura demagogia.
E defender a imposição por decreto da igualdade de resultados, porque só assim se concretizará o princípio da igualdade de direitos, revela falta de confiança na igualdade de competências e a convicção de que o Estado decide melhor sobre a vida de cada um do que os próprios.
Se os homens e as mulheres são tão iguais que não existir paridade em cada profissão e nível de decisão revela que algo não está a funcionar como é suposto, por que razão se deve procurar a paridade?
Afinal, se os homens e as mulheres são iguais, todos os deputados ou gestores de empresas públicas serem homens, todos serem mulheres ou existir paridade é absolutamente irrelevante.
Se o Paulo quer ser "pedagógico", comece por interiorizar um facto por demais evidente: as quotas são sexistas e desvalorizam (eu diria mesmo que insultam) aqueles que é suposto "protegerem".
De
Manel Z a 9 de Março de 2010 às 21:23
Professor,
Pode explicar a um dos seus alunos por que é que aqui no Jugular não se fazem menções ao PEC e ao estado das coisas?
Cumprimentos.
Manel, este post faz menção ao estado das coisas... Mas sim, também se vai falando de economia por aqui.
De
xiribi a 10 de Março de 2010 às 16:45
Que proeza de texto, este. O texto do Luis Miguel Oliveira é de alguém que conhece a obra da realizadora. E tem essa curiosidade de a elogiar de forma tão simples: só agora é que se aperceberam de que ela é talentosa. Eu adorei os Óscares que The Hurt Locker ganhou. Porque é um merecido vencedor (não vou aqui discutir nem justiça, nem gostos - o filme é só assim tão bom).
Ela venceu o Óscar e não fez nenhum discurso sobre "as mulheres no cinema", as "igualdades" e blá blá blá. Chegou lá porque tem talento, saiu de lá com esse talento imaculado. Triste é ter de apanhar textos como este aqui, que fazem logo de uma coisa banal um cavalo de batalha. A Bigelow merece tributo porque o merece, não porque é mulher. O machismo está é nestas coisas. Gente que ignora que falamos de cinema e tem de por o género em tudo. De resto, o que é o que o tipo do Público disse de mal? Que há mais homens realizadores que mulheres? Que os há mais talentosos? Podem debater as gerações em que as mulheres não tinham as mesmas possibilidades (discussão natural) mas a Bigelow anda cá há tempo suficiente para merecer o reconhecimento pelo talento. Isso o LMO não lhe tirou. Agora este texto do Paulo é que já mostra muito sexismo.
Volte lá a ler o post: é que não deve ser o mesmo que deu origem ao comentário.
O problema é precisamente que LMO, em vez de falar da carreira de Bigelow, resolve falar sobre género - e claramente não sabe (nem quer saber) do que fala.
De Paula R. a 10 de Março de 2010 às 18:54
xiribitátá está a fazer humor
De Paula R. a 10 de Março de 2010 às 18:34
E esta luminária, a titulo final ainda se sai com esta :
"Finalmente, e esta é a pequena observação eventualmente “machista” que as razões de contexto estão mesmo a pedir, dá gosto que Kathryn Bigelow tenha 58 anos e aquela figura. Se havia de ir para um camafeu qualquer, mais ano menos ano, ainda bem que o assunto da “primeira mulher-cineasta consagrada pela Academia” ficou assim resolvido."
PS: As razões de contexto a que o Luis Miguel Oliveira se refere são naturalmente ... a ESTUPIDEZ !!!!!
De Miguel a 11 de Março de 2010 às 01:42
http://diespinnen.blogspot.com/2010/03/kneejerking.html
a resposta do Luis Miguel Oliveira aos dramas de secretaria do sr. Côrte-Real. Brilhante, como geralmente são os textos dele.
Vejam bons filmes e borrifem-se para a porra dos prémios, sobretudo estas pancadas nas costas da indústria.
Brilhante, sobretudo porque consegue a proeza de uma vez mais acertar completamente ao lado (já agora, azar dos azares, fui mesmo um dos 15000 que viu The Hurt Locker no cinema - e fiz questão disso porque conheço bem os filmes de Kathryn Bigelow). Deveria ser evidente que não é o facto de ter gostado de The Hurt Locker que tem alguma relação com o que escrevi. Mas para quem pelos vistos acha que é possível pensar (e escrever) sobre cinema e Óscares ignorando o mundo fora das salas, acho que está tudo dito...
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