Sexta-feira, 12 de Março de 2010
Ana Matos Pires

O suicídio é um comportamento que pode surgir na sequência de diferentes situações vivenciais e que não é um sintoma específico de nenhuma patologia psiquiátrica - em rigor, pode acontecer mesmo na ausência de doença mental. Deve-se, por isso mesmo, ter atenção e cuidados redobrados na procura de relações causa-efeito. São vários e de diferente ordem os factores predisponentes, desencadeantes e de risco para a ideação suicida e para o suicídio consumado (cf. "questões frequentes"), que na maioria das vezes coexistem e tem efeitos sinérgicos.

 

O efeito psicológico do suicídio é brutal, com incidência particular na família e nos grupos sociais a que o suicida pertencia ou com os quais, de algum modo, estava envolvido. Esse efeito é particularmente importante se um dos territórios em causa é a escola - há alguns anos a OMS elaborou um pequeno manual, "Prevenção do Suicídio: Um Manual para Médicos Clínicos Gerais", onde era referido que um único suicídio afecta pelo menos outras seis pessoas, mas se um suicídio ocorre num contexto escolar tem impacto em centenas de pessoas. Para além da disfunção reactiva ao sucedido há, objectivamente, um aumento real das tentativas de suicídio por um fenómeno mimético.

 

Não me parece necessário ter uma formação específica para perceber o que acabei de escrever, basta um pouco de senso comum e razoabilidade. Estas temáticas não devem, e não podem, ser tratadas levianamente. Que se passa, então, com os jornais? Estou com a Shyznogud, "Perdeu-se a noção e mais a vergonha e a puta da ética".


24 comentários:
De tereza a 12 de Março de 2010 às 14:08
Ontem, quando ouvi a notícia na SICN, achei logo que se estavam a esticar um poucochinho. Hoje, ao ver as primeiras páginas, mais uma vez percebi que apesar de tudo faz-me menos mal ir à tabacaria comprar cigarros que jornais, porque esses não compro há muito.


De jorge a 12 de Março de 2010 às 15:56
agradecia que o meu nome não fosse metido ao barulho, se faz favor.
não quero ter nada a ver com essa @Shyznogud (que raio de nome).


obrigado pela atenção.


De luis eme a 12 de Março de 2010 às 17:22
não percebi o ponto de vista da Ana.

acha que não se devia publicar a notícia nos jornais? devia-se fingir que o professor apenas quis dar um mergulho da ponte 25 de Abril?


De Ana Matos Pires a 12 de Março de 2010 às 17:44
Respondo-lhe o que já hoje respondi noutro local, com estes títulos e esta manipulação emocional e javarda da desgraça obviamente não, é um risco para a saúde (pública) e um mau e errado trabalho. Isto está estudado há uma pipa de tempo, não é uma coisa de "acho que".


De luis eme a 12 de Março de 2010 às 18:14
compreendo o seu ponto de vista, Ana.

também sou contra a manipulação e o efeito "telenovela" das notícias, mas acho que se pode nem deve esconder a realidade.


 


De Shyznogud a 12 de Março de 2010 às 18:16
E a realidade neste caso é qual, Luis?


De Ana Matos Pires a 12 de Março de 2010 às 18:18
Não tinha visto o teu comentário eheh


De luis eme a 12 de Março de 2010 às 18:18
duas mortes, de um aluno e de um professor. porque a escola há muito tempo que deixou de ser um lugar seguro...


De Shyznogud a 12 de Março de 2010 às 18:22
Volto a perguntar-lhe o q lhe perguntei há pouco: foi feita alguma autópsia psicológica a este senhor? Se não foi como é q o Luís pode afirmar q a sua morte tem alguma coisa a ver com a escola? A carta de suicídio vale como verdade absoluta, é isso?


De luis eme a 12 de Março de 2010 às 18:29
a João é terrível...

eu li a notícia no "público" (também não concordo com todas as "verdades" da jornalista), além da carta, há os testemunhos da irmã e de alunos.

claro que não foi apenas a escola que levou o Luís ao suicidio, de certeza foi todo o seu quotidiano, além do seu perfil psicológico.


De Ana Matos Pires a 12 de Março de 2010 às 18:36
(sabe lá o Luís o que sofro com ela... (suspiros)... praticamente uma vida inteira nisto, não imagina)


De Ana Matos Pires a 12 de Março de 2010 às 18:17
A que realidade se refere, Luís?


De luis eme a 12 de Março de 2010 às 18:20

(será que são mesmo gémeas?)


De Shyznogud a 12 de Março de 2010 às 18:23
Nã, sou muito mais nova e mto mais gira q ela


De Ana Matos Pires a 12 de Março de 2010 às 18:27
pfffffff, é só mais alta e tem os pés mais piquenos.


De luis eme a 12 de Março de 2010 às 18:23

não gosto de fazer publicidade ao que escrevo, mas escrevi o que penso no meu "Largo"...


De Shyznogud a 12 de Março de 2010 às 17:46
a ana q lhe responda, por mim acho q a notícia é, de facto, um abuso na chamada liberdade de informação. já foi feita uma autópsia psicológica? caso não com q topete é q se faz uma notícia destas, com um nexo causal tão estabelecido?


De Anónimo a 12 de Março de 2010 às 17:50
é fodido quando um gajo tem de explicar o óbvio, caralho!


De Ana Matos Pires a 12 de Março de 2010 às 18:13
Só para dar 2 exemplos, já olhou para estes títulos "Professor vítima de bullying preferiu morrer a voltar ao 9ºB" e "Professor vítima de bullying tinha "fragildade psicológica""? Que vítima de bullying que quê, senhores jornalistas? E o que dizer da leviandade de estabelecer, sem mais, uma relação causal destas ou da alarvidade de noticiar assim, também sem mais, as alegadas fragilidades psicológicas do homem? E que tem o senhor da DREL de andar a prestar declarações deste tipo? Quantos inquéritos foram abertos aos suicídios de vários agentes de segurança ocorridos no ano passado? Onde está o inquérito aberto ao suicídio daquele jornalista da TVI que, há uns anos, morreu usando exactamente o mesmo método? 'Tá tudo tarado? Vamos lá a ser razoáveis, pode ser?


De Anónimo a 12 de Março de 2010 às 17:47
estou consigo, ana.

constou-me que em tempos havia uma regra escrita entre jornais de não publicar notícias de suicídios, por isso poder levar a outros casos.

não sei se isso é verdade ou não, mas enoja-me a forma como os jornais têm tratado os casos do puto e agora do prof.

será que aqueles anormais se esquecem que estas pessoas tem família e que a dor deve ser respeitada, poupando-os à imbecilidade daquilo que escrevem.


De Anónimo a 12 de Março de 2010 às 17:51
queria dizer "uma regra não escrita"


De tereza a 12 de Março de 2010 às 18:24
Eu pergunto o seguinte, aqueles miúdos, os do 9ºB, miúdos sim, por mais feras que sejam são miúdos, terão estaleca para aguentar uma acusação destas? E se um deles tomasse uma atitude mais radical por causa desta culpa que lhe atiraram para cima também teriamos um titulo dizendo que a culpa era dos jornais porque ele não tinha conseguido aguentar?


De Ana Matos Pires a 12 de Março de 2010 às 18:37
Pois...


De Yana a 13 de Março de 2010 às 10:31
Exactamente! Bolas! Pensei que andava mesmo tudo doido ou que eu tinha acordado numa dimensão paralela para mais ninguém se lembrar disso.
Obviamente que o senhor não se suicidou por ter de dar aulas de música uma vez por semana a uma turma difícil. A forma como os meios de comunicação tem explorado isto é absolutamente vergonhosa, para não dizer imbecil, e corremos o risco de deixar a turma do 9ºB com sequelas psicológicas para a vida, tudo por causa da exploração abusiva de um racional que o senhor no seu desiquilíblrio emocional tentou arranjar para justificar o seu acto
... e sei bem o do que falo, porque tive de lidar com o suicídio de 3 familiares durante a adolescência, reconheço tanto estes caminhos retorcidos da lógica na mente suicida como as consequências nas pessoas que ficam para trás. (neste caso, familiares e alunos demonizados).
Tem, claro, de se exclarecer porque é que as denuncias do professor não tiveram resposta... mas não creio que isso teria impedido fosse o que fosse de acontecer... explusões e castigos disciplinares nunca resolveram problemas de comunicação professor-aluno, tanto quanto me lembro... bem pelo contrário.
Por último, queria lembrar que nada disto é novo. Durante o secundário tive 3 professores a chegarem ao esgotamento em plena sala de aula. Saíram porta fora e não voltaram mais. Eram agredidos repetidamente, e o facto de passarem a vida a instaurar processos disciplinares não ajudava, pelo contrário: muitos carros foram vandalizados como retaliação...
E também me lembro que os professores conseguiam ter autoridade sobre os alunos eram os que ganhavam o seu respeito e admiração. E o respeito, quando se trata de a adolescentes, conquista-se, não vem por arrasto com um cargo.... Talvez por isso os nossos professores teriam muito a ganhar em receber formação que melhor os preparasse para lidar com adolescentes, e avaliações psicológicas de rotina também não fariam mal nenhum... Sempre tive a ideia de que isto de ser professor não é para quem quer, é para quem pode...


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