Quarta-feira, 17 de Março de 2010

Regressado de um encontro inter-parlamentar em Bruxelas, e ainda em choque por ter ouvido um energúmeno do BCE a discursar como se não existisse crise financeira e os estados tivessem simplesmente enlouquecido (voltarei a este tema), apetece-me deixar aqui um proposta de alteração do PEC. Dado que os bancos lucraram com a generosa política monetária do BCE e não têm injectado o que devem na economia real, e tendo em conta que foi o sector financeiro que nos meteu neste aperto, que tal anunciar um aumento da taxa efectiva de IRC. Quanto? Tanto quanto necessário para, primeiro, não impôr tectos cegos e injustos na despesa com o RSI e, segundo, para não cortar no investimento público. Seria uma medida da mais elementar justiça e contribuiria para uma maior dinamização da actividade económica.


6 comentários:
De JMG a 18 de Março de 2010 às 00:15
Não está mal lembrado não senhor. E como tenciona impedir os bancos de passarem esse acréscimo para os clientes?


De João Galamba a 18 de Março de 2010 às 00:30
Um imposto sobre lucros não aumenta os custos, ou seja, não permite que os bancos transfiram os encargos para os seus clientes


De JMG a 18 de Março de 2010 às 01:20

Faça-me a justiça de imaginar que conheço  perfeitamente a lógica do nosso POC, e não apenas teòricamente mas também numa longa e variada prática. E também que conheço razoàvelmente o funcionamento do sistema bancário. E é baseado na minha experiência que lhe digo o óbvio: se o aumento dos impostos sobre lucros incidir em empresas expostas à concorrência internacional, os gestores têm um forte incentivo para ir buscar a manutenção dos seus  resultados líquidos ao aumento da eficiência e/ou eficácia; se incidir sobre todas as empresas dentro do País e não exportadoras, haverá aumento de preços da generalidade, excepto das que pretendam aumentar a sua quota de mercado; se incidir sobre bancos, estes, que não são empresas mas instituições com clientes cativos e obstáculos enormes à entrada de novos players, irão buscar a manutenção das suas margens líquidas ao aumento de preços. Foi aliás o que aconteceu quando, com a adesão ao euro, desapareceu o negócio da intermediação de moeda. Não lhe chamaram aumentos, apenas passaram a debitar "serviços" que antes eram gratuitos ou mais baratos. E pode contar com o engenho do sistema bancário para continuar a apropriar-se de uma parte desproporcionada da riqueza gerada no nosso País. Logo, mantenho a pergunta.



De Zé Carioca a 18 de Março de 2010 às 12:15
Acho que faltam nesta resposta conhecimentos de economia bastantes.


De João Pinto e Castro a 18 de Março de 2010 às 01:16
Tem calma, tu não te desgraces.


De Zé Carioca a 18 de Março de 2010 às 08:31
Jürgen Stark é um energúmeno afirma Galamba. E até é capaz de ter as suas razões. Já outros chamaram energúmeno a Stark em muitas outras e variadas ocasiões. Jürgen Stark é tão energúmeno nas suas posições como têm sido aqueles que ao longo dos últimos 50 anos têm tido responsabilidade na política monetária (e económica, em geral) da Alemanha. Ao que parece os energúmenos até têm tido alguma razão, visto o sucesso da economia do país deles. Logo, talvez ele(s) seja(m)o afinal menos energúmeno(s) do que parece. Ou será que se pode ser energúmeno e ter razão a maior parte do tempo? (não sempre.)

Fica-me a dúvida. Pode Galamba esclerecer?

****

"Dado que os bancos lucraram com a generosa política monetária do BCE e não têm injectado o que devem na economia real, e tendo em conta que foi o sector financeiro que nos meteu neste aperto, que tal anunciar um aumento da taxa efectiva de IRC", Galamba dixit.

1- Foi mesmo o setor financeiro que nos meteu neste aperto?

2- Foi mesmo o setor financeiro que impediu o governo de reduzir rapidamente a dívida pública durante o tempo de vacas gordas? Não me recordo de ouvir Galamba e confrades clamar por menos défice nesses tempos.

3- Foi mesmo o setor financeiro que nos meteu neste aperto? Ou será que eu ouvi mal quando escutei Galamba a pedir expansionismo orçamental há uma ano atrás.

4- Foi mesmo o setor financeiro que nos meteu neste aperto? E a regulação financeira e a política monetária (que eu saiba isso não é atividade privada) não tiveram responsabilidade alguma? Também não escutei Galamba e seus confrades a pedir política monetária mais restritiva antes da crise.

5- Os bancos não têm injetado o que devem na economia real? Porquê? Por maldade? Se eles tiverem menos lucros (após impostos) vão injetar mais?

6- E se se fizer o que Galamba propõe não haverá o risco de os bancos desviarem a injeção para os países onde têm menos impostos?

7- Galamba já pagou IRC? Por que não? E quantos empregos já criou ele?

Vai Galamba votar contra o PEC na Assembléia da República? Espero para ver.


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