Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Dador de sangue há uma década foi fazer nova doação ao Hospital de Santo António, no Porto, em Maio de 2009 e informou a médica responsável de que tinha tido uma relação homossexual cerca de oito meses antes. Volta sete meses depois, em Dezembro, e informa a médica "que não tinha tido qualquer relação homossexual nos últimos 15 meses". É-lhe recusada a doação. 

 

Segundo a notícia, numa das reclamações que fez e que endereçou ao Serviço de Hematologia quis saber quais os "motivos clínicos" que o impediam de dar sangue - isto porque, numa declaração do Serviço de Hematologia Clínica do Santo António, justificava-se que a sua suspensão "definitiva" como dador de sangue devia-se a "motivos clínicos". Da resposta escrita que recebeu constará o seguinte (sublinhados meus), Veio no dia 18/05/2009 ao Serviço de Hematologia Clínica para doar sangue. Fez a sua dádiva normal porque não declarou expressamente ser homossexual. No dia 21/12/2009 veio novamente ao serviço (...) e nesse dia explicitamente declarou ter tido relação/relações homossexuais, tendo ficado nessa data excluído pelos motivos que são sobejamente conhecidos de eliminação da dádiva suportados pelo parecer do Ministério da Saúde.

 

Mas o mais fantástico está para vir, em Fevereiro, quando o Instituto Português do Sangue (IPS) fez um apelo ao país para doar sangue, uma vez que as reservas estavam a escassear. André foi ao IPS do Porto e deu sangue. "No questionário, que não tem qualquer pergunta semelhante à que existe no inquérito do Santo António, respondi afirmativamente à questão "Já foi recusado como dador alguma vez?". E a médica nem sequer me perguntou porquê", refere.

 

Provavelmente não acreditam, percebo, mas leiam na integra a Maria José Oliveira.

 

Adenda: Depois procuro melhor, mas para já deixo isto que já escrevi sobre o assunto e relembro estas regras. De caminho relembro, também, este texto de antologia.


2 comentários:
De Vega9000 a 18 de Março de 2010 às 14:24
Justamente quando os Americanos se preparam para acabar com a regra do "Don't ask, don't tell", nós ainda vamos em metade. Já está o "Don't tell", falta a parte do "Don't ask".


De aorta a 21 de Março de 2010 às 04:03
longe vão os tempos em que este tema dava pano para mangas... agora é preciso matar um rapper.

nunca percebi esta cena de dar sangue. nem isso, nem o hip-hop.


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