Dador de sangue há uma década foi fazer nova doação ao Hospital de Santo António, no Porto, em Maio de 2009 e informou a médica responsável de que tinha tido uma relação homossexual cerca de oito meses antes. Volta sete meses depois, em Dezembro, e informa a médica "que não tinha tido qualquer relação homossexual nos últimos 15 meses". É-lhe recusada a doação.
Segundo a notícia, numa das reclamações que fez e que endereçou ao Serviço de Hematologia quis saber quais os "motivos clínicos" que o impediam de dar sangue - isto porque, numa declaração do Serviço de Hematologia Clínica do Santo António, justificava-se que a sua suspensão "definitiva" como dador de sangue devia-se a "motivos clínicos". Da resposta escrita que recebeu constará o seguinte (sublinhados meus), Veio no dia 18/05/2009 ao Serviço de Hematologia Clínica para doar sangue. Fez a sua dádiva normal porque não declarou expressamente ser homossexual. No dia 21/12/2009 veio novamente ao serviço (...) e nesse dia explicitamente declarou ter tido relação/relações homossexuais, tendo ficado nessa data excluído pelos motivos que são sobejamente conhecidos de eliminação da dádiva suportados pelo parecer do Ministério da Saúde.
Mas o mais fantástico está para vir, em Fevereiro, quando o Instituto Português do Sangue (IPS) fez um apelo ao país para doar sangue, uma vez que as reservas estavam a escassear. André foi ao IPS do Porto e deu sangue. "No questionário, que não tem qualquer pergunta semelhante à que existe no inquérito do Santo António, respondi afirmativamente à questão "Já foi recusado como dador alguma vez?". E a médica nem sequer me perguntou porquê", refere.
Provavelmente não acreditam, percebo, mas leiam na integra a Maria José Oliveira.
Adenda: Depois procuro melhor, mas para já deixo isto que já escrevi sobre o assunto e relembro estas regras. De caminho relembro, também, este texto de antologia.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
