Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Para início de conversa importa esclarecer que bullying não significa "violência em meio escolar", daí que me pareça forçada e desadequada, para não dizer pior, a relação que alguns estabeleceram entre o suicídio de um homem (professor) de 51 anos na Ponte 25 de Abril, no início de Fevereiro, e o de um rapaz (aluno) de 12 anos no Rio Tua, no início de Março - repescar o primeiro caso, decorrido que estava quase um mês, e emparelha-lo ao segundo é, no mínimo, de um mau gosto sem nome e um péssimo trabalho informativo.

 

Centremo-nos, então, no suicídio do docente e na maneira como o assunto foi tratado pelos media. Desde logo importa clarificar que, ao contrário do que erradamente é sugerido por diferentes títulos - "Professor vítima de bullying preferiu morrer a voltar ao 9ºB", "Professor vítima de bullying tinha 'fragilidade psicológica'" ou "Bullying a Professores - Professor de música atira-se ao rio para não enfrentar os alunos", por exemplo - o caso em apreço não configura um exemplo de bullying.

 

O suicídio é um comportamento complexo que de todo pode ser atribuído a um factor causal único. Como já escrevi, pode surgir na sequência de diferentes situações vivenciais e não é um sintoma específico de nenhuma patologia psiquiátrica - em rigor, pode acontecer mesmo na ausência de doença mental. Deve-se, por isso mesmo, ter atenção e cuidados redobrados na procura de relações causa-efeito. São vários e de diferente ordem os factores predisponentes, desencadeantes e de risco para a ideação suicida e para o suicídio consumado, que na maioria das vezes coexistem e têm efeitos sinérgicos. Donde não se poder dizer, 'aprioristicamente' e sem outro tipo de investigação, que este professor escolheu suicidar-se a ir dar aulas ao 9º B ou que se atirou ao rio para não enfrentar os alunos, é errado e grave, sendo imprevisíveis as consequências deste tipo de afirmações. Qual será a sua contribuição como factor desencadeante de uma tentativa de suicídio nalgum daqueles adolescentes? A quem imputar responsabilidades?

 

Desconheço em absoluto, ainda que tenha procurado dados sobre o assunto, a existência de uma taxa aumentada de suicídio nos professores por comparação com a população geral, nomeadamente em Portugal, mas a crer no que li e que foi afirmado por especialistas na área dos estudos sobre suicídio "a experiência e dados internacionais mostram que os professores não estão, "nem de longe nem de perto", entre as profissões de maior risco". Desconheço, também, a história clínica pregressa deste homem, não sei, por exemplo, se algum dia já tinha feito uma tentativa de suicídio. Pela imprensa apenas sei que era "há anos" acompanhado por um "psicólogo" que lhe havia sugerido "que metesse baixa" e que "a família reconhece que "era uma pessoa que se isolava e emocionalmente frágil"". Seria muito interessante e esclarecedor a realização de uma autópsia psicológica.

 

Dito isto, nada exclui que o risco de exaustão física e psicológica, conhecido na literatura como Síndrome de Burnout, seja uma realidade em algumas profissões, nomeadamente nos professores, mas a questão do suicídio de um docente não pode ser vista de um modo tão simplista em termos de relação causa-efeito. O 'terreno humano' é importante. Como dizia Beck, um psicólogo cognitivista, "não deprime quem quer, deprime quem pode, um psicopata não deprime", isto para relevar a importância dos factores individuais no adoecer depressivo. Por outro lado, assumir que os quadros depressivos estão maioritariamente na base dos suicídios dos professores é uma afirmação que não se pode fazer e, muito menos, extrapolar para o geral o suicídio de um professor que porventura teria uma patologia psiquiátrica prévia, não forçosamente reactiva ao desempenho profissional mas eventualmente por ele agravada. Nada disto está esclarecido.

 

Que se pretende com estas "notícias"? Qual é, aqui, o material noticioso? O suicídio não me parece, até porque a sê-lo viria com um mês de atraso. A eventual não resposta às participações feitas pelo professor deve ser averiguada e esclarecida, sobretudo importante para apaziguar a família, mas irão concordar que como noticia é frouxo. Se algum facto noticioso existe é a indisciplina e a violência na escola, concedo, mas não posso deixar de anotar que o assunto não é novo e que abordá-lo desta maneira me parece contraproducente e enganoso - não é assim que se faz prevenção do suicídio em ninguém, nem mesmo nos professores. Tal como Pedro Frazão, penso que tudo isto nos alerta "para a necessidade de formar os professores para lidarem com a indisciplina e a violência, mas com o objectivo de combater estes fenómenos e não de evitar o suicídio dos docentes", que fique claro.

 

Porque o efeito psicológico do suicídio é devastador, em particular nos que estão mais próximos de quem o comete, compreendo a dificuldade que esta família está a ter na gestão de um acontecimento tão brutal e que necessite ver respondidas algumas questões que a atormentam, já compreendo menos bem que peça "debate" e, sobretudo, que os jornalistas se permitam ser veículos desse pedido. Que vítima de bullying que quê, senhores jornalistas? E o que dizer da leviandade de estabelecer, sem mais, uma relação causal destas ou da alarvidade de noticiar assim, também sem mais, as alegadas fragilidades psicológicas do homem? E que tem o senhor da DREL de andar a prestar declarações deste tipo? Quantos inquéritos foram abertos aos suicídios de vários agentes de segurança ocorridos no ano passado? Onde está o inquérito aberto ao suicídio daquele jornalista da TVI que, há uns anos, morreu usando exactamente o mesmo método?

 

Uma última palavra de indignação vai directamente para o abusivo e indecoroso aproveitamento 'sindical' do caso. Não consigo conceber, e muito menos aceitar, que à boleia de um suicídio venha a conversa do aumento do número de reformas antecipadas entre os professores, com consequentes perdas pecuniárias importantes, para já não falar dos ganhos secundários que, perversamente, são feitos à custa da desgraça alheia. Ler, a propósito do assunto e escrito pelo punho do sindicalista António Avelãs, frases reaccionárias do tipo "Mas um professor fica ferido na sua dignidade e no seu amor-próprio quando se vê obrigado a “dar apoio” a alunos que não vão às aulas porque não querem, ou que vão apenas para provocar e perturbar a turma" e que a escola "começa a não ser viável" seria risível se não fosse trágico. Haja alguma razoabilidade, pode ser?

 

(Versão post do artigo de opinião no Público de hoje, à espera que alguma alma caridosa me arranje o link)


40 comentários:
De António P. a 19 de Março de 2010 às 11:06
Bom dia Ana,
Gostei de ler a sua reflexão e tentativa racional e documentada de enquadrar casos que a imprensa trata de uma forma despurada.
No caso do suicídio do professor é lamentável a forma como jornais e sindicatos foram "repescar" um acontecimento que se passou há um mês e que a DREl mande palpites.
E se o Leandro não tivesse desaparecido iriam falar da morte do professor ?
Bom fim de semana


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 12:47
Obrigada, António, bom fds para si.


De Isabel Moreira a 19 de Março de 2010 às 11:43
.parabéns, ana.


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 13:02
Estava aqui entalado, Isabelinha


De nunocastro a 19 de Março de 2010 às 12:40
a relação causal é estabelecida pelo próprio, na mensagem que deixou.

pois se o homem liga a sua fragilidade psicológica ao comportamento dos alunos, por que razão não aceitar essa mesma ligação?

quanto à questão do comportamento dos alunos, acho que psicólogos e doutores da psique no campo educacional têm sido do mais contraproducente que pode haver.

é um problema de indisciplina que tem que ser sanado seja como for...


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 12:56
Simplista, ou simplória (?), maneira de olhar para os nexos de causalidade. pense só um bocadinho no quão perigoso seria ser verdade e aceite o que escreveu.


Em medicina raramente se pode falar em causa, no sentido de acontecimento necessário e suficiente para que o fenómeno ocorra, o que ainda é mais verdade quando aplicado ao comportamento humano.


Sou bastante crítica da "psicologização" seja do que for e, portanto, tb do ambiente escola, mas o que aqui se discute é comportamento humano e esses seu "seja como for" não me parece bem.


De Niamey a 19 de Março de 2010 às 12:54
este artigo era de facto necessário. obrigada Ana Matos Pires


De Maria Trindade a 19 de Março de 2010 às 14:39
em nome da razoabilidade: se alguém se mata e indica um motivo, o que interessa não é tanto saber se esse motivo em si seria suficiente para levar alguém a matar-se, mas saber se o que é indicado como motivo existe e que avaliação fazer disso. o facto de a esmagadora maioria dos professores não se andar a atirar de pontes não significa que não haja ma-estar nas escolas; mas quando um se mata e e diz que o faz porque já não suporta dar aulas, se calhar não é má ideia saber se esse mal-estar é ou não partilhado por colegas de profissão. não necessariamente como medida de prevenção ao suicídio, mas por ser necessário para o bom funcionamento das escolas. não é aproveitamento sindical, é do mais puro bom-senso.
a mesma lógica aplica-se aos alunos: como é mais ou menos óbvio que o seu comportamento teve algum papel na morte de alguém, convém pelo menos, mais não seja como medida pedagógica, avaliar esse comportamento. no mínimo, foi causado sofrimento, continuadamente, a alguém.
finalmente, não vejo o que há de reaccionário nesse texto que cita (sobretudo se lido em contexto). o que eu sei é que de facto a ideia de que se ganha a opinião pública perdendo os professores é absurda e muito perigosa. as pessoas com quem deixamos os nossos filhos grande parte do dia e que  têm a responsabilidade de os educar (e fazem-no connosco, e não contra nós) merecem um bocadinho mais de respeito. mais não seja pelo respeito que temos pelos nossos filhos.


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 17:01
Parece-me que em momento algum menosprezo a necessidade de atenção que a indisciplina e a violência escolar merecem. Digo, aliás, "nada exclui que o risco de exaustão física e psicológica, conhecido na literatura como Síndrome de Burnout, seja uma realidade em algumas profissões, nomeadamente nos professores" e "Tal como Pedro Frazão, penso que tudo isto nos alerta "para a necessidade de formar os professores para lidarem com a indisciplina e a violência, mas com o objectivo de combater estes fenómenos e não de evitar o suicídio dos docentes", que fique claro."



O que questiono, e crítico, são as vantagens deste tipo de abordagem para uma melhor resolução do fenómeno e as óbvias desvantagens para a prevenção dos comportamentos suicidários, para além dos erros, e perigos, na avaliação das relações causa/efeito.


Como não é manipulação abusiva arrolar a estes assuntos as reformas antecipadas? Recuso-me a essa coisa dos nós e eles, do ganhar e perder a opinião pública e mantenho que as frases do A. Avelãs são de um profundo reaccionarismo, mesmo e sobretudo no contexto em que foram escritas.


De Maria Trindade a 19 de Março de 2010 às 17:49
a constatação de que há cada vez mais professores profundamente incomodados com a actividade profissional que exercem, dos quais o prof. que se suicidou é, ao que tudo indica, um caso extremo, parece-me uma linha de raciocínio perfeitamente adequada. não há uma colagem abusiva; por essa via, poderia eu dizer que há quem já se esteja a aproveitar da desgraça alheia para fazer o ataque do costume aos professores e aos seus sindicatos.
sinceramente nem percebo o que é que uma afirmação do tipo da que é citada tem a ver com o assunto do texto, e muito menos o que tem de reaccionária (partindo do princípio de que temos o mesmo conceito de reaccionário). até porque pelos vistos o próprio governo se prepara para distinguir faltas justificadas das injustificadas e as provas de recuperação vão deixar de ser obrigatórias.
de resto, acho importante explicar-se o que é o bullying, ou, sobretudo, o que não é - parece que nunca houve violência, coacção, exclusão, chantagem nas escolas. é absurdo catalogar os casos do leandro e do prof. em questão com o mesmo termo, mas isso não retira gravidade a nenhuma das situações. ambas são sinais de alerta - para problemas distintos. que têm de ser resolvidos nas escolas, onde os professores, pelos vistos, se sentem cada vez pior... assim é que não ser resolve mesmo nada.


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 20:34
"dos quais o prof. que se suicidou é, ao que tudo indica, um caso extremo" este é o ponto, Maria. 


De Maria Trindade a 19 de Março de 2010 às 21:15
Ana, o facto de não se poder de facto afirmar que foram os problemas da escola que causaram a morte a alguém não implica que não se possa dizer que esse alguém que morreu tinha problemas na escola, e que esses problemas tiveram alguma coisa a ver com a morte. não se trata de um professor que morreu e que tinha problemas com os alunos; trata-se de um professor que alegou como motivo para se matar os problemas que tinha com os alunos e o facto de achar insuportável continuar a dar aulas, o que é suficiente para estabelecer uma relação. na mesma situação, outros reagem de outras maneiras, daí que a relação que se estabeleça não seja de causalidade directa, mas é tão abusivo tentar estebelecê-la como  negar que existe uma relação. aparentemente, uma das maneiras de reagir de muitos professores tem sido a reforma antecipada, com os custos que isso traz. e a mim assusta-me que haja tanta gente para quem dar aulas se torna insuportável. e também me parece complicado que a relação entre isto tudo não seja clara, mais não seja do ponto de vista discursivo.
vejo aqui o único paralelo com a situação do leandro: bullying não significa levar enxertos de porrada até nos atirarmos ao rio; e certamente há milhares de miúdos que passam pelo mesmo e não se tentam matar. e de facto sabe-se lá o que lhe ia na cabeça, e co que o terá de facto levado a saltar para o rio; isso significa que não podemos deduzir do caso que há bullying nas escolas? é preferível afirmar, como fizeram vários pais daquela escola, que não existe problema nenhum?
o mediatismo das mortes devia ter pelo menos o efeito de alertar para as diversas formas de violência, independentemente dos seus desfechos. e no caso dos professores é isso que está em questão: a humilhação (que é uma forma de violência) e o mal-estar que muitos confessam. e que pelos vistos faz sentido que tenha alguma coisa a ver com o estatuto do alunoi já que ele vai ser mesmo alterado. e ironia das ironias, nos pontos exactos que a Ana apelida (continuo sem saber porquê) de reaccionários no texto do A. Avelãs. Há coisas com piada...
Boa noite.
Maria


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 21:44

Maria, escrevi que não se pode "extrapolar para o geral o suicídio de um professor que porventura teria uma patologia psiquiátrica prévia, não forçosamente reactiva ao desempenho profissional mas eventualmente por ele agravado. Nada está esclarecido" Só para exemplificar, há suicídas que "alegam", em carta despedida - que não foi o caso, segundo sei - ir matar-se porque cristo os mandou e indivíduos que fizeram tentativas de suicídio e que posteriormente se conclui que tal aconteceu no contexto de um comportamento alucinatório (a alucinação auditivo verbal "mandou-os" matar), só para exemplificar que estas coisas não são assim tão lineares. Li, por exemplo, que a atitude foi completamente inesperada para a família e isso tb é importante. O que quero dizer é que na avaliação de um risco de suicídio ou de um suicídio consumado avaliamos retrospectivamente diferentes parâmetros, dois dos quais particularmente importantes: a intencionalidade do acto e a letalidade do método usado. Para se poder ajuizar das circunstâncias de morte deste homem é necessário fazer uma autópsia psicológica, nada é para mim óbvio nem claro.


Tenho mesmo que sair, logo continuo qdo puder, boa noite.


De Maria Trindade a 19 de Março de 2010 às 22:36
Ana, isso é óbvio - eu posso matar-me hoje e dizer que a culpa é da Ana, e não é por isso que a Ana fica com as mãos sujas de sangue. o que eu estou a dizer é que, mais do que quaisquer autópsias específicas, importa é averiguar se os factos alegados  como motivo correspondem a situações verdadeiras no quotidiano das escolas. e que me parece que é exactemente isso que os sindicalistas que linka fazem.


De Ana Matos Pires a 20 de Março de 2010 às 19:15
Ontem estava mm com pressa e o comentário saiu meio atabalhoado, peço desculpa.


Vou repetir-me, Maria, "Que se pretende com estas "notícias"? Qual é, aqui, o material noticioso? O suicídio não me parece, até porque a sê-lo viria com um mês de atraso. A eventual não resposta às participações feitas pelo professor deve ser averiguada e esclarecida, sobretudo importante para apaziguar a família, mas irão concordar que como noticia é frouxo. Se algum facto noticioso existe é a indisciplina e a violência na escola, concedo, mas não posso deixar de anotar que o assunto não é novo e que abordá-lo desta maneira me parece contraproducente e enganoso". É esta a minha questão, o uso deste caso neste contexto.


De Ana Matos Pires a 20 de Março de 2010 às 19:31
Como dizia a Shyznogud há uns dias seria mto divertido apresentar as frases do António Avelãs que transcrevi no texto às cegas, sem revelar o autor, e pedir que fossem atribuídas a um conjunto variado de pessoas com orientações políticas diversas, seria um excelente teste e talvez a Maria percebesse quão reaccionárias são.


De nunocastro a 19 de Março de 2010 às 16:04
assumidamente reaccionário, diria.

Enfatizo o "seja como for", porque a situação escorregou para um nível insustentável. Muito por culpa dos pais, sem dúvida, para quem os filhos são incriticáveis, sobretudo uma classe média alta que tem os filhos colocados em pedestais inacessíveis nos quais se deslocam no comportamento que têm com e para com os professores.


De burns a 19 de Março de 2010 às 16:54
realmente agora tenho que lhe dar razão, bullying não tem nada a ver com escola nem apenas com violencia fisica,o que se passa na france telecom é um exemplo de bullying
aquilo a que a classe trabalhadora,cada vez mais reduzida,em Portugal é sujeita, ao ser assaltada com impostos cada vez mais ridículos e ainda ser insultada diariamente ao ser acusada de falta de produtividade e responsabilizada pela merda em que esta atolada é um exemplo flagrante de bullying
gostaria que me confirmasse se bullying é uma cadeira obrigatória no iscte, porque alguns dos malhadores tem no currículo passagens por esse antro


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 17:03
Vejo que continua sem perceber a definição de bullying. Ah, e os malhadores vêm de todos os sítios.


De burns a 19 de Março de 2010 às 17:16
gostava então que me esclarecesse melhor
ah, se conhecer algum malhador ,mande-o ir malhar para casa dele e diga que vai da minha parte
ps-estou desempregado por isso não me podem foder mais


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 20:20
Siga o link, pf.


De burns a 19 de Março de 2010 às 21:09
agradeço desde jáq a atenção
segui o link e não entendi onde a minha noção de bullying foi contrariada,bem pelo contrario, acho até que saiu reforçada


De Manuel Anastácio a 19 de Março de 2010 às 23:38
Definição de bullying segundo a Wikipédia: "Bullying[1] é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender."
Lamento, Ana, mas o caro Burns tem toda a razão ao considerar aqueles casos como sendo bullying. No caso do professor, aqueles alunos aproveitavam a fraqueza (incapacidade de se defender) intrínseca da posição do professor, não apoiado pela direcção da escola e psicologicamente e fisicamente desfavorecido (gordo, careca...). Isso é bullying. No caso das empresas, o assédio moral é bullying, da mesma forma. E pode-se perfeitamente extrapolar para os governos e a forma como arranjam apoiantes que, de forma fetichista, idolatrarão as Marias de Lurdes Rodrigues de má memória e os Sócrates de pior memória e ainda pior presença, enquanto esta gente se ri repetidamente da  humilhação a que submete determinados grupos. (aliás, o prazer que a ex-ministra da educação tinha em humilhar a classe dos professores fazendo uso da sua força era notório e só não é reconhecido por quem também com ela partilhava, provavelmente por outras razões, a mesma sanha e/ou vontade de vingança, porventura à conta de violências passadas, na altura em que os professores eram a parte forte). O bullying é, infelizmente, uma ocupação característica  da maioria da população humana e auto-reproduz-se de forma muito eficiente.


De Ana Matos Pires a 20 de Março de 2010 às 19:18
Escreveu o Burns "gostaria que me confirmasse se bullying é uma cadeira obrigatória no iscte".


De Alexandra Tavares Teles a 19 de Março de 2010 às 17:27
Muito bom, Ana mas tal como já te disse há uns dias, não me parece,  jornalisticamente falando, 'frouxo' tentar perceber como reagem, o que fazem, que encaminhamento dão, as direcções das escolas às participações que recebem dos professores, nomeadamente sobre matérias disciplinares. Nem que, neste caso, a colocação da questão à escola sirva apenas para apaziguar a família. Mas, como já também te tinha dito, muito bom, este texto.


De Ana Matos Pires a 19 de Março de 2010 às 18:50
Ok, Alexandra, investigue-se primeiro e noticie-se depois, é frouxo, como notícia, dizer-se que não se sabe que queixas houve e, a terem existido, o que lhes aconteceu. Quando refiro o apaziguamento da família é no sentido de entender a importância da  urgência de resposta, coisa que já não se aplica a nós, público em geral - eu prefiro esperar e, depois, ser devidamente informada da realidade dos factos, eventualmente para os criticar-


Já depois de ter escrito este texto li uma notícia cujo título fazia querer que, ao contrário da decisão plenária, determinada referência ao comportamento de alguns alunos  feita pelo referido professor não teria ficado em acta, o que não era mentira... tinha sido ele o indigitado para escrever a acta e morreu antes de o fazer.


De Alexandra Tavares Teles a 20 de Março de 2010 às 02:57
estamos de acordo


De Ana Matos Pires a 20 de Março de 2010 às 06:01
Obviamente. Beijo grande.


De ASM a 20 de Março de 2010 às 18:23

Sendo directo, questiono a Drª Ana Matos Pires sobre o que ela faria se, de forma repetida, fosse insultada como "gorda", "careca" e "cadela" (insultos dirigidos, no masculino,  pelos alunos ao professor que se suicidou) no seu consultório ou dando aulas. Imagino que não se iria suicidar, mas pela forma como implicitamente defende os alunos indisciplinados das nossas escolas, será que gostaria? Será que se deixaria insultar para não ser reaccionária? Ou será que partilha de algum prazer masoquista?  


O que me espanta nisto tudo é que sendo AMP alguém de esquerda, não lhe cause revolta o suicídio de um aluno vítima de violência de outros alunos (chegou a ser internado num hospital em consequência dessa violência), e a única preocupação em relação ao professor que se suicidou na ponte 25 de Abril (e também em relação aos outros professores)  seja que algum aluno, com remorsos, se suicide. E nada disto me deveria espantar. Em obediência a um novo paradigma, em que a violência passou para o lado dos alunos, que podem fazer tudo, gozando da sua inimputabilidade (veja-se o caso Gisberta) a (extrema) esquerda continua a sua vontade de matar (algo que remonta a Lenine e, principalmente, Estaline). O texto de AMP pretende, ainda,  mostrar como a vida do professor que se suicidou era uma vida sem valor, como a vida de todos os outros professores.


 



De Ana Matos Pires a 20 de Março de 2010 às 19:22
E que tal treinar a interpretação de textos, ASM?


De ASM a 21 de Março de 2010 às 18:11

Não preciso. A Drª é que devia saber que quando escreve um texto de opinião refugiando-se em conceitos psiquiátricos , de aparência objectiva (como se tal pudesse existir em ciência, quanto mais em psiquiatria), está a convocar toda uma rede textual intertextual ) que conota, e nalguns casos (por ex. último parágrafo) denota uma posição relativa a este assunto. Daí não ter percebido, ou não ter querido perceber, a relação que os media estabeleceram entre o suicídio da criança e o do professor. 


De Ana Matos Pires a 21 de Março de 2010 às 18:21
Assim não vale a pena conversar, de facto, ASM. Se treslê o que escrevo e avalia um assunto que desconhece, pelos vistos, com lugares comuns nada feito.


De Anónimo a 23 de Março de 2010 às 00:41
Esta senhora seguramente não conhece as nossas escolas, sabe por acaso o massacre a que são sujeitos os professores que querem ensinar e os alunos que querem aprender?
É triste quando se vê chegar um filho ao limite de desistir de tudo, ou ver um colega ou amigo para quem a vida deixou de ter valor.
Esta senhora é uma vil reaccionária.


De Ana Matos Pires a 23 de Março de 2010 às 04:34
O anónimo é teatral e pretensamente piadético, vai é chamar vil ao diabo que o carregue.  


De professor indignado consigo a 24 de Março de 2010 às 00:28
A Ana por acaso não quer processar o professor que se suicidou por se ter suicidado ou obrigar a família dele a pedir desculpa às criancinhas q ele vilmente acusou? Feche os olhos à dura realidade e vai ver que, quando acordar, tem o problema nas mãos, ou em casa!
PIS.


De Filomena Carocinho a 24 de Março de 2010 às 23:43
Só mais uma achega de um texto que li no Correio do Minho , desde já desculpa ao seu autor (Ricardo Melo Vasconcelos) por utilizar as sua palavras para discordar em pleno desta senhora que como alguém já postou não passa de uma "vil reaccionária" como diz o autor do artigo: "O professor era louco, não era? Tinha uma clara fragilidade psicológica, não tinha? Pobre senhor. Se calhar teve o azar de ter que ganhar a vida a dar aulas e não conheceu a sorte daqueles que a ganham a ditar leis do alto da sua poltrona que, em nada, se adequam à realidade das escolas de hoje." poderão continuar a ler  o artigo em: http://www.correiodominho.pt/cronicas.php?id=1403 (http://www.correiodominho.pt/cronicas.php?id=1403) .
Filomena Carocinho


De Ana Matos Pires a 25 de Março de 2010 às 01:34
"E o que dizer da leviandade de estabelecer, sem mais, uma relação causal destas ou da alarvidade de noticiar assim, também sem mais, as alegadas fragilidades psicológicas do homem? E que tem o senhor da DREL de andar a prestar declarações deste tipo?" escrevi eu, Filomena, isso e mais uma pipa de coisas que, pelo seu comentário, me parece que não entendeu. 
Ps: sobre o eu ser vil mantenho o que já disse lá mais para cima.


De IJ a 5 de Abril de 2010 às 22:26
Obrigada Ana
É agradável perceber que há pessoas que pensam e sabe, não falam apenas do que lêm ou ouvem. Gostava de saber se algum dos comentário foi escrito por quem conhece os alunos desse professor!

Agora gostava de propôr a Ana, uma vez ser uma pessoa com conhecimentos, um artigo sobre "os alunos e encarregados de educação que não são mal comportados", outro sobre "os alunos adolescentes que são bem comportados mas vitimas de acusações de mau comportamento sem fundamento" e para terminar outro sobre "professores mal comportados para com os alunos".
Quero ainda deixar claro que o mau comportamento dos alunos, dos adolescentes e jovens no geral me deixam preocupada, são efectivamente uma realidade, tão real como os adultos mal comportados, não esquecendo os politicos na própria assembleia da República, os pais que entram pela escola dentro para descompor professores e continos, auxiliares de acção educativa (continas(os)) que agridem verbalmente adolescentes (de burros, estupidos ...)...

A minha convicção é que estes adolescentes/jovens são vitimas dos adultos de hoje, esses que os estão a condenar sem que na maioria das vezes perceba o que se passa com eles, os adultos que muitas vezes fazem o mesmo mas numa versão de adulto. Não entendam isto como "desculpar os miúdos mal comportados", mas sim um tema de reflexão para todos nós adultos!


De Ana Matos Pires a 10 de Abril de 2010 às 08:06
Só vi este seu comentário agora, IJ, obrigada pelas palavras simpáticas. Quanto às propostas de artigos que me deixa, não vou por aí, da escola sei o que qualquer encarregado de educação minimamente capaz sabe e, como em todos os sítios, há muitos filhos de muitas mães, gente de bem e gente ruim, é a vida :-)


De IJ a 5 de Abril de 2010 às 22:31
Gostava de perguntar ao professor indignado se conhece as criancinhas que acusam serem responsáveis pelao suicidio do professor?

Se conhecesse ia provavelmente gostar de ser professor deles, como tem acontecido aos outros seus colegas. Depois quem é que não gosta de dar aulas a uma turma de 9º ano com um optimo aproveitamento?


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E o quinto "Reaccionarismo" : Portanto, depois de ...
Li até «direcões»...
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