Terça-feira, 13 de Abril de 2010
Miguel Vale de Almeida

Não sei se a Polónia é um estado laico ou confessional. Não sei se todas as pessoas que morreram no recente desastre de aviação eram católicas. Só sei isto: hoje, no Público, vinha um anúncio da Embaixada daquele país cujo cabeçalho, em vez de ser as armas do Estado, era uma cruz. O anúncio dava conta da «Santa Missa» a celebrar em memória das vítimas. Pode ser que as coisas sejam assim na Polónia. Em Portugal - e apesar da ambiguidade (to say the least) da próxima visita do Papa, em que já se antevê um excessivo envolvimento do Estado - soa estranho. Não tenho qualquer intenção (neste caso) de me imiscuir nas opções do Estado polaco ou da sua embaixada. Apenas quero dar conta da estranheza cultural que senti.

9 comentários:
De Marcelo do Souto Alves a 13 de Abril de 2010 às 12:04

Dei conta. Contudo, sinceramente, sinto muito mais estranheza cultural perante o teor deste seu Artigo, do que perante o anúncio, de uma Missa de Defuntos católica, colocado num Jornal e encimado por uma cruz.


De escrevinhadora a 13 de Abril de 2010 às 12:10
Os defeitos culturais custam a morrer...


De António Parente a 13 de Abril de 2010 às 12:22
Caro Miguel Vale de Almeida 
Se ler o preâmbulo da Constituição polaca mais os seus artigos 18, 25 e 53 ainda maior estranheza cultural sentirá. 
http://www.sejm.gov.pl/prawo/konst/angielski/kon1.htm (http://www.sejm.gov.pl/prawo/konst/angielski/kon1.htm)


De Nuno Gaspar a 13 de Abril de 2010 às 12:32
O que é estranho é observar apregoados paladinos das liberdades andarem constantemente a fazer observações sobre opções de vida diferentes das suas.


De nuvens de fumo a 13 de Abril de 2010 às 13:14
Polónia, terra de místicismo católico e de nacionalismos histéricos quem sabe causados por ter sido um país sempre invadido por exércitos mais competentes .


De manuelcav a 13 de Abril de 2010 às 16:16
Está a referir-se aos exércitos nazi e vermelho, aliás, verdadeiros paladinos da defesa dos direitos, liberdades e garantias dos povos bem como amantes da democracia de do pluralismo.

ainda bem que aprecia essa competência.


De fernando antolin a 13 de Abril de 2010 às 17:46
Realmente os nazis foram mais competentes que os soviéticos,estes atrasaram-se quase quinze dias,na invasão da Polónia em 1939. E claro que o misticismo católico e nacionalismo histérico resultam da pior preparação do exército polaco para defender o País...

el premio al tonto de turno para ustéd, núvens !!


De Luís Serpa a 13 de Abril de 2010 às 14:34
Dá uma comichão danada, a estranheza cultural. Eu percebo. Mas se fosse a si preocupar-me-ia mais com as nossas estranhezas culturais e menos com as dos outros.


Preocupar-me-ia com a a lei das rendas, uma fantástica estranheza cultural; não acha? Com o quadro jurídico do trabalho, que está a impedir milhares de jovens de ser contratados - uma outra estranheza cultural bastante interessante. Preocupar-me-ia com a burocracia, a mãe de todas as nossas estranhezas culturais; ou com a qualidade das leis que saem da AR, uma outra estranheza cultural que lhe devia ser próxima. Pena que não seja. Isto é, que não seja "estranheza". Preocupar-me-ia com a mistura entre grupos privados e o Estado; com a maneira como os políticos saltam do Governo para grupos privados que anteriormente tutelaram - estranhezas deveras estranhas, quanto a mim.


Dir-me-á que não, que são frequentes noutros países. Tem razão. Estados confessionais também.


Quer que lhe cite dois ou três?


De João José Fernandes Simões a 13 de Abril de 2010 às 23:50
«que já se antevê um excessivo envolvimento do Estado»

Não se esqueça, Miguel Vale de Almeida, que o Papa é também (um) Chefe de Estado a quem são devidas honras protocolares nessa qualidade.

E digo isto apesar de ser agnóstico.
E de não simpatizar com o Papa actual e achar que a (alguma) Igreja Católica se tem portado muito mal com certas justificações, algumas mesmos absurdas, sobre os casos que têm vindo a público de abusos sexuais.

É que convém não exagerar nalgum preconceito mal disfarçado. Se não é parece.


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