Não sei se a Polónia é um estado laico ou confessional. Não sei se todas as pessoas que morreram no recente desastre de aviação eram católicas. Só sei isto: hoje, no Público, vinha um anúncio da Embaixada daquele país cujo cabeçalho, em vez de ser as armas do Estado, era uma cruz. O anúncio dava conta da «Santa Missa» a celebrar em memória das vítimas. Pode ser que as coisas sejam assim na Polónia. Em Portugal - e apesar da ambiguidade (to say the least) da próxima visita do Papa, em que já se antevê um excessivo envolvimento do Estado - soa estranho. Não tenho qualquer intenção (neste caso) de me imiscuir nas opções do Estado polaco ou da sua embaixada. Apenas quero dar conta da estranheza cultural que senti.
Dei conta. Contudo, sinceramente, sinto muito mais estranheza cultural perante o teor deste seu Artigo, do que perante o anúncio, de uma Missa de Defuntos católica, colocado num Jornal e encimado por uma cruz.
De escrevinhadora a 13 de Abril de 2010 às 12:10
Os defeitos culturais custam a morrer...
De António Parente a 13 de Abril de 2010 às 12:22
Caro Miguel Vale de Almeida
Se ler o preâmbulo da Constituição polaca mais os seus artigos 18, 25 e 53 ainda maior estranheza cultural sentirá.
http://www.sejm.gov.pl/prawo/konst/angielski/kon1.htm (http://www.sejm.gov.pl/prawo/konst/angielski/kon1.htm)
De Nuno Gaspar a 13 de Abril de 2010 às 12:32
O que é estranho é observar apregoados paladinos das liberdades andarem constantemente a fazer observações sobre opções de vida diferentes das suas.
De nuvens de fumo a 13 de Abril de 2010 às 13:14
Polónia, terra de místicismo católico e de nacionalismos histéricos quem sabe causados por ter sido um país sempre invadido por exércitos mais competentes
.
Está a referir-se aos exércitos nazi e vermelho, aliás, verdadeiros paladinos da defesa dos direitos, liberdades e garantias dos povos bem como amantes da democracia de do pluralismo.
ainda bem que aprecia essa competência.
De fernando antolin a 13 de Abril de 2010 às 17:46
Realmente os nazis foram mais competentes que os soviéticos,estes atrasaram-se quase quinze dias,na invasão da Polónia em 1939. E claro que o misticismo católico e nacionalismo histérico resultam da pior preparação do exército polaco para defender o País...
el premio al tonto de turno para ustéd, núvens !!
De Luís Serpa a 13 de Abril de 2010 às 14:34
Dá uma comichão danada, a estranheza cultural. Eu percebo. Mas se fosse a si preocupar-me-ia mais com as nossas estranhezas culturais e menos com as dos outros.
Preocupar-me-ia com a a lei das rendas, uma fantástica estranheza cultural; não acha? Com o quadro jurídico do trabalho, que está a impedir milhares de jovens de ser contratados - uma outra estranheza cultural bastante interessante. Preocupar-me-ia com a burocracia, a mãe de todas as nossas estranhezas culturais; ou com a qualidade das leis que saem da AR, uma outra estranheza cultural que lhe devia ser próxima. Pena que não seja. Isto é, que não seja "estranheza". Preocupar-me-ia com a mistura entre grupos privados e o Estado; com a maneira como os políticos saltam do Governo para grupos privados que anteriormente tutelaram - estranhezas deveras estranhas, quanto a mim.
Dir-me-á que não, que são frequentes noutros países. Tem razão. Estados confessionais também.
Quer que lhe cite dois ou três?
De João José Fernandes Simões a 13 de Abril de 2010 às 23:50
«que já se antevê um excessivo envolvimento do Estado»
Não se esqueça, Miguel Vale de Almeida, que o Papa é também (um) Chefe de Estado a quem são devidas honras protocolares nessa qualidade.
E digo isto apesar de ser agnóstico.
E de não simpatizar com o Papa actual e achar que a (alguma) Igreja Católica se tem portado muito mal com certas justificações, algumas mesmos absurdas, sobre os casos que têm vindo a público de abusos sexuais.
É que convém não exagerar nalgum preconceito mal disfarçado. Se não é parece.
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