Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Leio e não acredito. O Jairo Entrecosto entende que o inocente Paulo Otero caiu numa "armadilha" - o que pressupõe que ele não sabia o que estava a fazer -  e que uma aluna, imagino que para o autor do texto, uma igual, em termos de relações de poderes, não teve coragem alguma em denunciar este teste, até porque, imagine-se, é filha de Luís Grave Rodrigues, o que a protege muito, porque toda a gente sabe que o advogado manda no país.

Depois de passar um atestado de menoridade intelectual a Paulo Otero, que, coitado, caiu numa armadilha e está a ser perseguido por mim, pela Fernanda Câncio, pelos Gays lovers todos do país, explica que a coragem foi do professor, pois, "numa pré-ditadura gayzista, teve a ousadia de propor aos seus alunos que argumentassem sobre a constitucionalidade de um hipotético e fictício alargamento do conceito de casamento civil".

Impressiona ver a mentira assim preto no branco.

Paulo Otero fez isto, como já expliquei. É pena que o Senhor Jairo não saiba ler. Paulo Otero fez "decorrer" de uma lei real, numa clara deriva ideológica, o casamento entre pessoas e animais e entre animais, ou seja, equiparando as possibilidades, e obrigando os alunos a responderem a uma pergunta impossível, para, precisamente, provar o seu ponto (entendeu, ou quer um desenho?) Não é possível responder à pergunta a) do teste, o que é uma afirmação ideológica velada. Nada de mal haveria em questionar os alunos sobre a constitucionalidade e a inconstitucionalidade do CPMS. Nada.

Depois o Senhor Jairo divaga, para além da filiação da aluna, sobre o facto de eu ter dado um parecer pro bono e sobre o facto de eu defender a constitucionalidade do CPMS. Assim, sem mais discussão, escreve, como se eu fosse uma ditadora. Eu, o Professor Pamplona Côrte-Real, o Dr. Luis Duarte D'Almeida, O Dr. Pedro Múrias, vários juízes do TC, vários Tribunais de outros Estados. E?

E o Professor Paulo Otero? Não defende que o CPMS é inconstitucional e pronto? Assim. Sem mais discussão? E que a IVG é inconstitucional excepto em caso de perigo de vida para a mãe? Assim, sem mais discussão e pronto?

Está o Senhor Jairo a ver? Queria chamar-me de ditadora e enfiou a carapuça também ao Professor Paulo Otero. Mas agora já está. Chato, não é?

Depois vem, triunfante, recordar que eu já declarei que defendia a minha posição nas aulas e nos colóquios antes de ter microfones. E? O que tem isso a ver com doutrinação? Se os alunos, num debate aberto sobre o que quer que fosse perguntassem a minha opinião, dava-a. Até porque, nestes temas, sempre a saberiam dos colóquios. Mas nunca faria um teste como este. E seria a primeira a fomentar, por exemplo num teste, que os alunos defendessem os prós e os contras de um tema real, sem disparates enviesados, independentemente da minha posição pessoal.

Sempre apresentei aos alunos todos os pontos de vista e fiz de "advogada do diabo" as vezes que foram necessárias. Para informação do Senhor Jairo, se o descansa, tenho entre os meus melhores alunos homens e mulheres com convicções opostas às minhas.

Fique o Senhor Jairo sabendo também que sei um pouco mais do que ele acerca do ambiente da FDL.

Não é fácil, nada fácil, ali, naquela casa, ser um rosto conotado com a defesa do CPMS. Ser contra o CPMS na FDL é um bom requisito.

Sei do que falo, se me permite a autoridade na matéria.

37 comentários:
De maria cavaco a 23 de Abril de 2010 às 22:03
Cavaco vai vetar lei do casamento entre pessoas diferentes do mesmo sexo ...... noticia renascença.
 
Triste....


De Rogério da Costa Pereira a 23 de Abril de 2010 às 22:04
Isabel, o tipo chama-se entrecosto, pá.


De f. a 23 de Abril de 2010 às 22:34
eu gosto mais dos secretos. aquela parte anónima do porco.


De Isabel Moreira a 23 de Abril de 2010 às 22:13
eh, eh, eh
ele anda aqui nos comentários, não é? que grande favor que lhe fiz...


De Anónimo a 23 de Abril de 2010 às 22:14
Também passei pela FDL e sei que a FDL deixa marcas, mas (se me permite...) não compreendo a vitimização. Primeiro porque é muito, mesmo muito difícil conotar hoje a FDL politicamente seja com o que  for, excepto com cada um dos governos que vão passando (quantos dos assistentes são, foram ou vão ser assessores, secretários de estado e afins?...). Depois porque, ainda que haja uma grande percentagem de pulhas, não me lembro de alguém ser ostencivamente prejudicado pelas suas ideias ali dentro. Infelizmente, o nível é tão mau que não há perseguições pelas ideias, mas pelos amigos... Argumentos de autoridade às vezes não chegam, como nos recordou noutro post.


De Isabel Moreira a 24 de Abril de 2010 às 15:35

anónimo
como sabe, quando falo em argumentos de autoridade estou a reagir ao país dos senhores doutores que começa a reclamar que sicrano é mestre, o outro é doutorado, o y é catedrático, para efeitos de se ter mais autoridade ou menos para se opinar. aqui estou a falar de "autoridade" no sentido de conhecimento do que lá se passa por ter sido assistente 10 anos e de ter sentido na pele o que foi vir a público defender o CPMS, percebe a diferença? aliás, não falo de mim. mas só posso falar por mim.


De Marina a 23 de Abril de 2010 às 22:23
Estranho muito que ainda não tenham reagido à noticia da RR/Jornal i/Lusa.

APara mim, esta noticia cheira-mne a esturro. Ainda para mais cvindo i. Mais uma para fazerempressões e gritaria para desacreditar o Snr. PR?

E para perturbar a visita do Papa?

Vamos ver se Cavaco tem coragem e como argumenta ou a promulgação ou o veto politico.

Será que vamos conseguir realizar o referendo e ouvir a maioria?

Deus permita que sim.


De haja paciencia a 23 de Abril de 2010 às 23:03
" xim sinhora . Deus nosso sinhor permita que xim."

Amen


De S a 23 de Abril de 2010 às 23:22
Invocar o nome de Deus em vão não é pecado?  


Com certeza, Ele deve ter como prioridade os pobres e os famintos e não ir atrás destas modernices.


De maria de albuquerque a 24 de Abril de 2010 às 09:33
Qual maioria? a que quer o referendo? Oh, Dona Marina, vá a Fátima a pé....


De lurdes a 23 de Abril de 2010 às 22:31

Sabe uma coisa Isabel? Admiro-a por ser frontal, por vezes demasiado. Talvez por defender as suas posições com paixão. O que ,neste Pais de mesquinhos e cobardes, traz dissabores. Para alguns sera sinonimo de má educação. Nós Portugueses  gostamos  ser  " notados", nem que seja por termos uma meias de marca. Faz-me impressão esta falta de arrojo e de coragem. Portugal não merece pessoas como a Senhora. Espero no entanto que seja feliz no seu dia-a-dia com pequenas vitorias e momentos. Obrigada


De Antigo Aluno da FDUL a 23 de Abril de 2010 às 22:50

Com a paciência possível, volto a dizer a Isabel Moreira que as perguntas de Paulo Otero não são de resposta impossível. Que está em causa verificar se os alunos são ou não capazes de reflectir sobre conceitos jurídicos no âmbito da problemática da identidade axiológica da Constituição e, em particular, a questão de saber quais os limites da harmonização, ao nível legislativo, entre a salvaguarda daquela identidade e as "diferenças" correspondentes a uma “sociedade plural, heterogénea e aberta” (palavras de Paulo Otero).


E se alguma sugestão há no teste essa é pedagógica e não “doutrinária” no sentido dado à expressão por Isabel Moreira: os alunos devem saber que argumentos utilizados no contexto A podem ser transpostos para o contexto B, devendo pois ser cautelosos na construção de argumentos jurídicos.


Gostaria ainda de saber como é possível a Isabel Moreira respeitar convicções contrárias às suas, sendo estas tão terminantes e excludentes, digamos assim. Pois não é verdade que, para Isabel Moreira, uma resposta contrária ao casamento homossexual é uma resposta pura e simplesmente errada (indefensável) sob o ponto de vista jurídico, dada sua terminante configuração do casamento como um direito individual e concomitante leitura do artigo 13.º, n.º 2, da Constituição? Não é verdade que, quando confrontada com a posição de Jorge Miranda, Isabel Moreira apenas soube adjectivá-lo de “ilha”?



De Isabel Moreira a 26 de Abril de 2010 às 12:20
não, antigo aluno.
uma coisa é na nossa convicção pessoal entendermos que o CPMS é inconstitucional (paulo otero) ou que é devido constitucionalmente (eu). outra coisa é sabermos criar distância e valorizarmos a linha argumentativa do aluno. a articulação de argumentos, etc. por exemplo, já dei a nota máxima permitida a um aluno argumentando conta a IVG sendo eu a favor, entende? pela capacidade argumentativa e ginástica de conceitos, etc. outra é este teste. uma manipulação. a resposta a) é impossível. não é possível defender-se a constitucionalidade da bestialidade numa CRP fundada na dignidade da pessoa humana. logo numa CRP em que os direitos fundamentais são das ..pessoas. e paulo otero sabe isso. que difícil perceber o evidente.


De V.L. a 23 de Abril de 2010 às 22:51
Isabel, que nunca lhe falte essa coragem. Parabéns!


De Dr. Porco Preto a 24 de Abril de 2010 às 02:31
Agora (finalmente!!!) percebo a sorte que tive em ser aluno em Coimbra. E não me refiro ao teste do dr. Otero, mas às  certezas absolutas da dra. (desculpe se a abreviação do título lhe diminui o grau) Isabel Moreira. Estou certo de que terá imensas qualidades (e não utilizo aqui qualquer ironia, garanto), não por ter o prazer de a conhecer, mas por ter passado por um sistema académico que, tenho a certeza, nunca lhe permitiria a sua carreira se essa não fosse sustentada em trabalho e conhecimento.
Mas feita a vénia, faço-lhe o "reparo": não acha que o seu envolvimento emocional na questão lhe está a embaraçar o conteúdo do pensamento, tal é a preocupação com a forma de o expressar?
Parece que mantém o sentimento de quem anda em campanha... Ainda que se sinta detentora de toda a razão deste mundo, não se justifica que esqueça a possibilidade de existência de opiniões divergentes, outros itinerários cognitivos
 e culturais.
Quando estiver calma, perceberá que o teste da polémica não merecia o alarido gerado.


De Isabel Moreira a 26 de Abril de 2010 às 12:22
caro porco preto
digo e repito
imagine um teste em que se pede aos alunos para se argiumentar contra e a favor do CPMS com base na CRP. nada tenho a opôr. não me entendeu, pronto. eu que sou a favor da IVG, questionei os alunos sobre a sua constitucionalidade, percebe?


De cecília a 24 de Abril de 2010 às 03:20
quando li "aquilo" só conseguia pensar no diácono remédios. e não havia necessidade de ser tão perverso. 


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