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jugular

O corin tellado da bloga, ou o paulo pinto mascarenhas

alguém que costuma trocar mails comigo a propósito do que escrevo em blogues e jornais, alguém que nunca vi mas com quem estabeleci a desconcertante cumplicidade que este meio favorece, disse-me uma coisa do género: nunca vejo telenovelas na tv, não por pretensão ou pose intelectual mas porque não tenho paciência para seguir aquilo àquelas horas e naqueles tempos. Mas percebi agora que isto dos blogues também pode ser uma telenovela.

pode. e mesmo quando não é, passa a ser -- basta alguém querer. vem isto a propósito do ‘caso’ 5dias/jugular. pois parece que é um caso, e sério.
 


talvez venha aqui a propósito explicar o que é um blogue (anda aí muita confusão sobre o assunto). um blogue é uma coisa para divertir, para dizer umas larachas, para exprimir estados de alma, opiniões, irritações, teorias gerais sobre a existência ou sobre coisa nenhuma, enfim, tudo o que apetece quando apetece. sublinho: quando apetece. acredito que haja quem cria blogues como alavancas, projectos artísticos, jornalísticos, empresariais ou políticos, suporte ou resultado de qualquer coisa, meio para. será sempre, é claro, um meio para. mas é sempre um blogue: uma coisa virtual, sem peso, etérea, que se faz e desfaz num segundo. não estou a dizer que não é importante, se não fosse importante para mim não escrevia em blogues, mas não tem de facto importância.

um blogue é como uma revista ou um jornal, só que em fluido, em de graça, em a feijões. estamos em blogues sós ou com outras pessoas enquanto nos apetecer, deixamos de estar quando não nos apetece. se formos convidados para um blogue por uma ou mais pessoas e nos parecer, a dada altura, que a nossa presença está a incomodar essas pessoas, mesmo que não no-lo digam clara e frontalmente, a única coisa correcta é sair. ninguém deve ficar nas casas dos outros quando os outros se mostram incomodados com essa permanência. se a coisa chegar ao ponto de o anfitrião anunciar a saída, e percebermos que o faz por nossa causa, devemos sair o mais depressa possível. é da mais elementar boa educação.

o que é não é de boa educação, de bom tom nem decerto de boa fé, é uma pessoa, digamos, um bloguer andar a escrever durante dias sobre aquilo que considera ‘um caso’, expondo a sua visão dos maus e dos bons, dos motivos e dos objectivos, empregando nisso toda a sua esforçada imaginação e deliberação conspirativa, para depois, assumindo o ‘chapéu’ de jornalista, fazer perguntas a uma das ‘partes’, mais precisamente a parte a que imputou todos os males do mundo, como se não se tivesse alistado explicitamente num dos lados do que representa como ‘uma guerra’ e lhe interessasse para alguma coisa saber de respostas que não tenha já dado.

foi o que fez paulo pinto mascarenhas. anda há dias a elaborar complicadas teorias sobre a formação do jugular e a saída de nove dos blogueres do 5dias, teorias que passam por uma alegada ‘liderança da fernanda câncio’ (ou seja, esta vossa criada) e umas diferenças de opinião sobre o ‘caso da erc’, passando por umas exaltações da ‘esquerda livre’, incluindo ameaços de petições para a ‘salvar’ – de gente como nós, presume-se – e agora deu-lhe para ser muito jornalista e lembrar-se de vir aqui a estes lados, com o crachá do jornal de negócios, perguntar o que foi que aconteceu e porquê.

se não posso deixar de agradecer ao paulo pinto mascarenhas o tempo que gasta a ocupar-se da minha modesta pessoa e das minhas actividades blogosféricas (se bem que o tempo que ele gasta comigo agora me obriga a gastar tempo com ele, coisa que confesso não me apetecia nada), estranho que apesar de me nomear ‘líder’ desta bande a neuf -- excluindo os novos blogueres, que não vieram do 5dias e que portanto, aparentemente, não lidero --, e de em tempos já ter sabido encontrar o meu mail e usá-lo para me contactar, tenha optado por enviar as suas ‘questões como jornalista’, uma das quais me diz directamente respeito, à ana matos pires, com a incumbência de nos pôr a responder em coro.

como este blogue não é ‘um colectivo’ entendido no sentido de um grupo que pensa por uma só cabeça, a ana, que é uma rapariga educada e cordata, respondeu por mail, em nome dela, ao que o paulo pinto mascarenhas diz serem ‘duas perguntas’, mas que por acaso são três (mas quem sou eu para lhe dar lições de aritmética).

a saber, o paulo pinto mascarenhas pergunta, sobre aquilo que considera ser ‘o assunto da semana dos blogues’:

1.   Qual a razão que levou à saída de um grupo de nove bloggers do 5 Dias?
2. A saída teve ou não a ver com diferenças de opinião sobre o "caso ERC" e a credibilidade das pressões ilegítimas sobre o primeiro-ministro?
3. Um dos autores que ficou, queixa-se de ter sido insultado pela autora Fernanda Câncio. É verdade?
                                                                                                                                                 uma vez que entendeu pessoalizar em mim grande parte da sua teoria sobre este fundamental assunto, exerço aqui o meu direito de resposta.

não é que alguém, nomeadamente o paulo pinto mascarenhas, tenha alguma coisa a ver com isso, mas aqui vai: saímos nove do 5dias porque sentimos que os fundadores do blogue ainda presentes não estavam agradados com a nossa presença, ao ponto de anunciarem a sua saída. só podíamos pois concluir que aquilo que para os fundadores seria o objectivo do blogue não se coadunaria ou teria deixado de se coadunar com a presença e opiniões de certas pessoas. essas certas pessoas tendo decidido sair, outras decidiram sair com elas, com a ideia de continuar a blogar noutro blogue – porque gostamos de blogar e gostamos de blogar uns com os outros. a prova de que a razão da saída dos fundadores se prendia com a presença dos blogueres da jugular no 5dias está no facto de os fundadores terem voltado ao 5dias depois de os blogueres da jugular saírem. tudo está bem quando acaba bem, portanto.

pergunta dois: não, a saída não teve rigorosamente nada a ver com ‘diferenças de opinião sobre o "caso ERC" e a credibilidade das pressões ilegítimas sobre o primeiro-ministro”, sejam lá o que forem as ditas “pressões ilegítimas sobre o primeiro-ministro’, e por mais que isso contradiga o que o paulo pinto mascarenhas já escreveu sobre o assunto e escreverá decerto na sua coluna de jornal. lamento o sofrimento que lhe causo e tanto trabalho deitado à rua, mas de facto não foram ‘diferenças de opinião sobre essa matéria’ que me levaram a sair do 5dias, nem me parece ter sido o caso de qualquer dos restantes oito ex-blogueres do 5dias que integram o jugular. aliás, qualquer leitura, mesmo desatenta, do tempo em que eu e os outros oito estivemos no 5dias permitirá perceber que não só convivemos muito bem com diferenças, por vezes muito vincadas, de opinião, como essas diferenças de opinião existem e são bem vindas entre os bloggers da jugular.

terceira pergunta: não faço ideia do que fala. aliás, o paulo pinto mascarenhas, agora no seu papel de 'jornalista', não consegue sequer formular uma pergunta directa. ‘um dos autores que ficou, queixa-se de ter sido insultado pela autora fernanda câncio’, escreve paulo pinto mascarenhas (já agora, não se devem colocar vírgulas entre o sujeito e o predicado, que era como estas coisas se chamavam no meu tempo de escola primária). ‘um autor’ queixou-se? a quem? à polícia? ainda não fui notificada. quem é o autor? e qual foi o insulto? quando foi proferido? a bem dizer, nem é uma pergunta, mas uma insinuação. uma pessoa não identificada terá dito ao paulo pinto mascarenhas que se sentiu insultada por mim? bom, há quem se sinta insultado das mais variadas maneiras -- às vezes, quiçá, por má consciência. e a verdade é que nunca se sabe o que é que as pessoas podem considerar insulto.


por exemplo, se eu disser que o paulo pinto mascarenhas está a ter uma atitude desprezível e de uma baixeza espantosa ao fingir que quer saber o que se passou quando já tornou pública a sua sua teoria sobre o assunto e só quer ter uma resposta para aparentar cumprir aquilo que julga serem as regras do jornalismo e poder fazer aquilo que decidiu há muito fazer, e que me impressiona como tem coragem de se intitular jornalista e como há meios de comunicação social que o albergam nessa qualidade, se calhar o paulo pinto mascarenhas vai dizer que eu o insultei. eu acho que estou apenas a descrever o que vejo: uma pessoa sem princípios a tentar usar o que tem à mão para fazer um trabalho sujo. um paulo pinto mascarenhas, portanto. mais a sua novelazinha de cordel.

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