Quinta-feira, 29 de Abril de 2010
Pacóvios que bebem por uma palhinha tudo o que ouvem dizer concordam que os alemães não têm nada que pagar os desmandos dos gregos.
Embora não receba nada dos gregos pelo serviço (coisa que o Barroso, por exemplo, não pode afirmar em relação aos alemães), sempre quero lembrar que poucos países têm violado de forma tão sistemática as regras da UE como a Alemanha.
Para não irmos vasculhar num passado mais distante nem entrarmos em demasiados detalhes, no ano passado o governo alemão desrespeitou os compromissos do Mercado Único com as ajudas de emergência concedidas à sua indústria automóvel.
Não contente em intervir para impedir o encerramento da Opel, ainda condicionou a oferta do apoio estatal ao encerramento total ou parcial de fábricas dessa empresa na Bélgica, na Espanha e no Reino Unido.
Medidas proteccionistas deste tipo impactam pronta e directamente as economias e as exportações dos restantes países membros, agravando ao mesmo tempo os excedentes comerciais crónicos da Alemanha e os défices igualmente crónicos doutros países, designadamente o da Grécia.
Se o governo da Alemanha se arroga o direito de assim proceder, não terá de que queixar-se no dia em que é confrontado com as consequências dos seus actos. Disciplina alemã? Deixem-me rir.
E vale a pena falar também da Volkswagen, que nos dia mais diretamente respeito porque tem uma fábrica em Portugal.
O governo do estado alemão da Baixa Saxónia - no qual fica situada a sede e principal fábrica da VW, em Wofsburg - tem uma <i>golden share<i> na empresa. Usa-a para impedir que a fábrica de Wolfsburg - anti-económica quando comparada com outras fábricas do grupo - seja encerrada.
Se não fôra essa <i>golden share</i> - que deveria ser ilegal pelas normas europeias... - possivelmente os modelos que são produzidos em Wolfsburg seriam produzidos em Palmela, com vantagens para Portugal.
De Nathalie a 29 de Abril de 2010 às 14:01
Os alemães não sabem o que "solidariedade" quer dizer... nem "dever" penso eu... pois que seja a Grecia, a Espanha, Portugal ou outro pais qualquer a obrigação de todos é ajudar !
De outra forma, podiam era eles seguir o conselho que dão para a Grecia... e sair da zona euro... ou talvez mesmo da UE...
Até que enfim! É que a conversa voluntarista e primária sobre a crise já me começava a encanitar.
http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2010/04/esta-coisa-da-crise-comeca-cheirar.html (http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2010/04/esta-coisa-da-crise-comeca-cheirar.html)
Que eu saiba em Portugal o Governo também deu no passado subsídios ao sector automóvel e continua a dar (como por exemplo o Subsídio ao Abate de Veículos).
Ainda gostava de perceber se alguns socialistas estarão dispostos a apoiar em Portugal a restrição de medidas desse género, no caso de isso ser necessário para que o país pare de gastar mais do que o que produz.
Essa é a questão fulcral: o país gasta mais do que produz. E no meu entender não ataques às agências de rating e aos Alemães só mascaram o problema.
De
manel z a 29 de Abril de 2010 às 21:55
E quantas ajudas foram dadas pelo Governo português a empresas privadas ao longo destes anos? Não se faz um post sobre isso?
Ainda se rirá mais, quando os alemães enviarem o tal Reichsprotektor - chega para a semana -, salvando-lhe o governo, o regime e quem sabe? a própria republiqueta de m...
De jose a 4 de Maio de 2010 às 20:27
"Pacóvios que bebem por uma palhinha tudo" são pessoas que não tendo argumentos (des)qualificam os adversários.
Se ler alguma imprensa alemã, recomendo o Spiegel, verá que a questão que já se coloca é a Alemanha abandonar o Euro. E quem os conhece um pouco, sabe que se há algo para o qual os alemães vivem preparados é para a responsabilidade. Nas suas palavras, "ser confrontado com as consequências dos seus actos".
Neste outro artigo, http://www.nytimes.com/interactive/2010/05/02/weekinreview/02marsh.html (http://www.nytimes.com/interactive/2010/05/02/weekinreview/02marsh.html), pode-se perceber que na Europa estamos todos comprometidos e se a Alemanha "ajudar" alguém é para defender os seus próprios interesses. Essa história de os mais ricos ajudarem os mais pobres é estória da carochinha. ou "palhinha para pacóvio beber".
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