Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Quando li a notícia avançada pelo Público fiquei, naturalmente, chocada. Foi no twitter e minutos depois alguém me garantia que a notícia era falsa. Tive dificuldade em acreditar em tal e escrevi, por volta das 15h30m/16h, o seguinte "presumo - mas como sabes sou muito desconfiada - que o público não mandasse uma notícia destas para o ar sem base (se o fez lá vai mais um prego para o caixão da credibilidade jornalística portuguesa).". Logo depois escrevi o post que está mais abaixo e comecei a tentar perceber o que era ou não verdade. Enquanto isso, acontecia o que já vem sendo tradicional na informação em Portugal, jornais e sites noticiosos copiam-se uns aos outros de forma acrítica e se a origem fez asneira, esta é propagada exponencialmente.

Ao início da noite começam a surgir os desmentidos. Comecei por vê-lo no DN. Não sei se foi o primeiro a fazê-lo ou não, sei, sim, que à hora em que adendei o post o site do Público ainda mantinha a notícia original, enquanto no twitter se assistia a um lastimável espectáculo,  ver Luciano Alvarez a descartar responsabilidades dos jornais (mais especificamente do jornal em que escreve), imputando-as ao Benfica TV. Deixo de lado - por agora, por agora - o Benfica TV e atiro-me aos jornais ditos de referência. Como é possível propagarem uma notícia destas, potencialmente incendiária, sem cuidados mínimos? Confirmaram-na junto dos hospitais? Junto da PSP? É assim que se fazem notícias em Portugal?*
Mais incrédula fiquei quando, ainda no twitter, li a descrição do que tinha acontecido no Benfica TV. Junto uma série de tweets do Alexandre Calado para se perceber a história toda "Aquilo foi no programa Jornal do Benfica. O pres. da casa telefonou para contar o que se passou em Braga. Fez um discurso excelente,pacificador, atribuindo a responsabilidade do vandalismo e das agressões a uma minoria de fanáticos, sublinhando que a gente de braga é pacífica, que têm festejado os êxitos do benfica e que era um caso pontual. a meio disto o pedro guerra interrompe falando da morte de um adepto. sem quaisquer informações, nem nome, nem idade, nem circunstâncias. o pres. da casa só disse que tinha informaçõesnesse sentido. não havia ali qualquer facto confirmado. o pres. da casa voltou a repetir discurso pacificador. o guerra prometeu homenagens na benfica tv ao adepto e merdas do estilo. não sei no noticiário das 14 isso foi pegado.". Este senhor Pedro Guerra, que parece ter estreitas ligações ao Benfica, espero que tenha o tratamento adequado por parte do clube. Mas nada disto desculpa a irresponsabilidade do Público. Um palhaço qualquer diz uma merda numa TV e toma-se de imediato por verdadeira? O que é isto? Há um contrato de confiança implícito entre um jornal e os seus leitores... ou não?

 

* A Isabel, desenrascada, conseguiu fazê-lo.

 

Adenda de dia seguinte: sobre o mesmo tema leiam-se "Uma derrota para todos" e "O papel do Público na falsa morte em Braga" do Marco Santos e "Caso da notícia falsa de adepto «morto», ou o problema da cadeia cega" do Paulo Querido


36 comentários:
De Pedro Morgado a 14 de Maio de 2010 às 21:51
Acompanhamos este assunto quase em simultâneo e devo referir que discordo em absoluto das conclusões. Não foi uma pessoa qualquer que deu a informação mas sim membros de estruturas oficiais do clube. Isso faz toda a diferença.


De Shyznogud a 14 de Maio de 2010 às 21:57
No dia em q eu atribuir a mm credibilidade a dirigentes desportivos q aos jornalistas das duas uma: o o jornalismo desceu muito, muito baixo ou - cenário maravilhoso - houve uma alteralção completa nos dirigentes do desportivos. E, como te disse no twitter, não há nenhum contrato de confiança implícito q me ligue a dirigentes desportivos, a jornais há.


De Pedro Morgado a 14 de Maio de 2010 às 22:00
Ok, o Benfica e as suas estruturas não são uma fonte credível. Nisso estamos de acordo.

Contudo, os jornalistas ressalvaram sempre que a fonte era a Benfica TV. A responsabilidade da Benfica TV não pode ser diminuída porque não houve a preocupação de esclarecer que a notícia não estava confirmada.


De Shyznogud a 14 de Maio de 2010 às 22:11
Ressalvaram sempre?  Isso quer dizer o quê em concreto? 


De Ana Matos Pires a 14 de Maio de 2010 às 22:17
não querendo desculpabilizar a Benfica TV, pedro, repara no que está escrito antes do título da notícia do Público "confirmação dada ontem".


De Pedro a 14 de Maio de 2010 às 22:37
Pedro Morgado, eu não sou jornalista. Mas há uma coisa que me está a escapar. Vamos lá a ver: alguém, num blogue, num twiter, num canal benfica, no bar do clube de futsal da pasteleira, diz que houve uma morte violenta. Os jornalistas não deviam ir confirmar à policia e os hospitais? Eu só queria perceber como se faz jornalismo neste país. 


De Pedro Morgado a 14 de Maio de 2010 às 23:42
Desculpem mas não concordo. É prática corrente as edições online dos jornais (todos) citarem notícias avançadas pelos canais de televisão. Neste caso, todos os órgãos avançaram (e bem) a Benfica TV como fonte.

Não percebo em que é o Público actuou de forma diferente do DN, da TSF, do Clix, da RR ou da SIC Notícias.

A única conclusão que podemos retirar disto é que não se pode confiar nem na Benfica TV nem naqueles que ocupam cargos na estrutura do Benfica.


De Shyznogud a 14 de Maio de 2010 às 23:47
Notícias avançadas por canais de televisão com jornalistas e, so we hope, com informação isenta, blá, blá, blá... isto não se aplica a um canal com as características do Benfica TV. É o teu facciosismo q te está a toldar o espírito, Pedro.


De Pedro Morgado a 14 de Maio de 2010 às 23:48
Facciosismo, eu? Então aquilo não dá "notícias"?


De Shyznogud a 14 de Maio de 2010 às 23:50
Tu não tens MEO, pois não?


De Pedro Morgado a 14 de Maio de 2010 às 23:51
Nunca terei enquanto eles tiverem aquele canal demoníaco e mentiroso em exclusividade


De Shyznogud a 14 de Maio de 2010 às 23:53
Logo vi ou não farias certas perguntas


De Pedro a 15 de Maio de 2010 às 00:05
Pedro Morgado, não é bem não confiar no canal benfica... digamos de outra maneira, para se perceber: se a minha avó, que é uma pessoa de toda a confiança, me dissesse que morreu alguém assassinado, eu, se fosse jornalista, mesmo que trabalhasse só no jornal da paróquia (quanto mais no público) ia saber pormenores da coisa à policia, aos hospitais, e tal. Bem, confirmo que isto do jornalismo está mal. 


De Pedro Morgado a 15 de Maio de 2010 às 00:10
Percebo. Mas a sua avó não é um canal de televisão com licença da ERC.


De Miguel Marujo a 14 de Maio de 2010 às 21:52
Shyz, aqui no 24 Horas - sim, o tablóide que muitos jornalistas desdenham, mais ainda no Público - não tomámos a notícia como fiável logo à partida, exactamente pela fonte que era. Peço desculpa, mas não sei quem faz "jornalismo" na Benfica TV (e sim, sou adepto). Apesar de tudo, e por ser veiculada pelo Público, insistimos junto do presidente da Casa do Benfica em Braga, junto dos hospitais de Braga e S. João, para concluir pela falsidade da notícia.

Miguel Marujo (CP 5950)

PS - Lamentável, parte II: o Público online actualizou a notícia, mantendo online comentários totalmente desadequados e inflamados, que também diz muito da forma irresponsável como muitas vezes se trata o espaço de comentários dos jornais online em Portugal.


De Shyznogud a 14 de Maio de 2010 às 21:58
Vi o teu comentário no meu outro post em q referias q não estava a ser possível confirmar a notícia. Se calhar está na altura de se reformularem ideias feitas sobre jornais em Portugal, é o q é.


De Ana Matos Pires a 14 de Maio de 2010 às 22:00
Isto é grave, Miguel, muito grave e muito triste.


De joão gaspar a 14 de Maio de 2010 às 22:20

um dos problemas (o menor deles, but yet) é a credibilidade que insistes em consagrar ao pasquim Público.
;)


De Shyznogud a 14 de Maio de 2010 às 22:33
E não é à falta de avisos teus.


De joão gaspar a 15 de Maio de 2010 às 13:16
sim, mas eu gosto de bob dylan. cada um carrega a cruz que merece.


De Filinto a 15 de Maio de 2010 às 00:19
O que o Público fez com a Benfica TV foi mais ou menos o mesmo que as três televisões nacionais fizeram, no domingo à noite, em directo com a Benfica TV: abriram a porta sem qualquer distância crítica, sem qualquer exercício de edição. Não o escrevo para desculpar o Público, apenas para exemplificar que ser trata de um problema  maior e mais abrangente (como o vimos, lemos e ouvimos esta semana com a visita do outro senhor), embora a situação específica seja o cúmulo.


De Nuno Palha a 15 de Maio de 2010 às 00:55
O Público tornou-se um mau jornal já algum tempo. Aliás, a minha desilusão com os jornais portugueses é tanta que do meu bolso já não sai um tostão para os comprar.


De Miguel Braga a 15 de Maio de 2010 às 01:15
Benfica TV garante, e diz que desta é mesmo verdade: o jovem que desapareceu nas águas do Sado, é o jovem que foi, domingo, brutalmente agredido em Braga.


De Miguel Braga a 15 de Maio de 2010 às 01:19
Estas coisas é que merecem investigação e «comissões de inquérito». isto teve de ser muito, mas muito premeditado e planeado. Com que objectivo? Vai ser lindo no próximo dia o jogo da Taça de Portugal... Depois os incendiários estão no norte.


De jpm a 15 de Maio de 2010 às 03:27
Em plena sintonia nas críticas que se fazem: ao Público e ao Benfica TV, por diferentes que sejam os motivos, mas, raios, foi só o público que fez isso? A pergunta é sincera, porque eu quase que juro que vi outros jornais a fazer o mesmo, a não admitir o erro e a emendar à socapa, etc...


De Shyznogud a 15 de Maio de 2010 às 12:42
A minha resposta ao Miguel, um bocadinho mais abaixo, explica porque é q considero o Público mais merecedor de crítica q os outros, obviamente não os ilibando.


De Isabel Moreira a 15 de Maio de 2010 às 09:13
tudo isto é triste, grave e incendiário (usando uma expressão da João). ainda ontem veio parar ao meu telemóvel a seguinte mensagem perturbadora dando conta da "morte de um irmão benfiquista espancado em braga por adeptos barcarenses no dia em que nosso gloriosos festejava o seu 32º campeão nacional com  todo o mérito. este irmão benfiquista faleceu hoje. ao que o futebol chegou. pasa a mensagem a toda a família do glorioso SLB em homenagem a este jovem". é preciso comentar mais alguma coisa? 


De Miguel Braga a 15 de Maio de 2010 às 10:56
Mas será que alguém já se deu ao trabalho de enviar uma mensagem em sentido contrário dizendo que tudo isso é mentira? Quem cala consente, e parece-me que muitos só vão perceber que tudo era mentira quando depois de espancarem alguém, lhes dizerem: afinal era tudo mentira, desculpa lá pá as pancadas que te dei...


De Shyznogud a 15 de Maio de 2010 às 12:36
Esse é o drama dos boatos, uma vez lançados é quase impossível detê-los, daí a responsabilidade acrescida dos jornalistas em não serem seus veículos de propagação.


De farfalho, o maltês a 15 de Maio de 2010 às 11:21

Pedro Morgado,
Eu ouvi o telefonema a dar conhecimento da "morte", no programa em directo da BenficaTV.
Foi aí que o "jornalista" do publico se baseou para noticiar o caso. sem confirmar o que quer que fosse. Nota-se na forma como foi dada a noticia.
Citar como fonte a BenficaTV é um abuso. Ou então é incompetencia ou má-fé.
A credibilidade da Benfica TV não fica bulida com a sua reacção. Pelo contrario.
Já fui jornalista. Nunca em pasquins.


De Miguel Braga a 15 de Maio de 2010 às 11:51
Pelo que se deduz, andam muitos «jornalistas» a acompanhar a BenficaTV... Com fontes destas é o que dá. E já agora não foi somente o Público a colocar a notícia, o Record também. Portanto, não aproveitem para fazer o que os adeptos costumam fazer, ter uma oportunidade para malhar naquele (o Público), pelo qual não se morre de amores...


De Shyznogud a 15 de Maio de 2010 às 12:35
Miguel, o Público é o jornal - o único - q compro todos os dias. A responsabilidade primeira, neste caso, é dele mas, como terá reparado, no texto critico (de forma óbvia) a trágica mania de depois ter sido seguindo, de forma acrítica, por muitos outros jornais e sites noticiosos.Já agora acrescento q logo depois da notícia ter surgido no site do Público numerosas pessoas alertaram directamente o jornal (a presença nas redes sociais dos jornais servem, ou deveriam servir, para estabelecer uma relação directa com os leitores) para as dúvidas q a notícia estava a levantar sem nenhum tipo de reacção. Podia ir procurar mais exemplos disto q lhe estou a dizer mas, por preguiça, limito-me a mostrar-lhe o q eu própria escrevi por volta das 15h30m.


De Miguel Braga a 15 de Maio de 2010 às 12:57
Ninguém retira a parte de culpa, grande, ao Público. Como ninguém pode tirar a parte, tb muito grande, à BenficaTV. E acabamos todos por ser vítimas dos seus erros. Mas também não poderíamos viver num mundo onde tivessemos de confirmar todas as informações (a qualquer nível). Por mundo que possa parecer estranha a palavra, todos temos fé e fazemos fé uns nos outros: no que me ensinaram os professores, no que nos dizem todos os dias. Claro, óbvio, dependo do interlocutor, dámos-lhe maior ou menor grau de credibilidade à «informação». Aqui, neste caso, algém deu mais credibilidade da que devia, ou teve má intenção ou divulgar a informação. Só o próprio o pode dizer.
Depois, penso que esta é uma consequência da informação on-line. Para estar sempre a «mexer», actualizar a página, coloca-se a informação, para não ser acusado de desactualizado, e depois vamos confirmar. Deste modo, a informação on-line está muito mais sujeita à divulgação de boatos ou falsas notícias. Na edição impressa esta notícia, pela certa, não chegava a aparecer.
É o dia-a-dia das pessoas passado para a net. E o dia-a-dia das pessoas tem muito disto: ouvistes dizer que; parece que; ontem disseram-me que; segundo me disse fulano...
Espero que a informação on-line não se transforme no «mexerico»...


De farfalho, o maltês a 17 de Maio de 2010 às 12:00

Meu caro, o publico foi o primeiro jornal a fazer referencia à fonte. Depois o record, sempre avido e solidario chamou-lhe um figo.
A diferença é que o publico é um jornal de referencia, faz "cagança" em referi-lo. Respeitemos o jornalismo. Caguemos na clubite.


Comentar post

Autores
Alexandra Tavares-Teles
Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Diogo Serras
Domingos Farinho
Fátima Rolo Duarte
Fernanda Câncio / f.
Filipe Nunes
Gonçalo Pires
Hugo Mendes
Inês de Medeiros
Inês Meneses
Irene Pimentel
João Cóias
João Galamba
João Pinto e Castro
Maria João Guardão
Mariana Vieira da Silva
Palmira F. Silva
Paulo Côrte-Real
Paulo Pinto
Shyznogud
Tiago Julião Neves

Arquivo

Isabel Moreira

Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon

correio | twitter | facebook

Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29


artigos recentes

joão duque,

Populus in res publica su...

Os Cinco Pecados Mortais ...

Os Cinco Pecados Mortais ...

AT/DT

Todos os dias há uma nova

Hum, como falar do assunt...

Leituras: History Will Te...

João Fernandes no Reina S...

O tempora! O mores!

...

Antoni Tàpies (1923- 2012...

A bem da minha úlcera vou...

"Estúpido e irracional"?

International Day of Zero...

últimos comentários
Nuno: parece que o «acordo» fez disparar a leitura...
Uma explicação para escrever os nomes dos meses co...
Esta do reaccionarismo da ortografia tem graça A g...
Eu li! Eu li! Mas é mais um 'especialista' da bola...
bem explicado! e irrita sobremaneira a sanha contr...
Eu ate estava a gostar de o ler, mas depois chegue...
Não sou especialista nem tenho opinião inabalável ...
Não sou especialista nem tenho opinião inabalável ...
E o quinto "Reaccionarismo" : Portanto, depois de ...
Li até «direcões»...
arquivo
tags

todas as tags

outros lugares
Subscrever feeds