Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Uma das condições necessárias para o bom entendimento de um fenómeno reside na capacidade de perceber relações internas entre determinados eventos. Se esta capacidade de síntetizar o (aparentemente) heterogéneo falha, é a própria unidade do pensamento que é posta em causa. E sem esta unidade (narrativa) não há racionalidade que resista. Quem alerta para a necessidade dos países europeus iniciarem, quanto antes, uma estratégia colectiva de consolidação orçamental e depois vem dizer que a descida da confiança dos consumidores da zona euro é inesperada, mostra que não percebe patavina do que está a falar. O problema é que esta compartimentalização da razão, tão do agrado das mentes analíticas, parece não ser um exclusivo de um certo tipo de jornalismo económico; ela está suficientemente disseminada para que se confunda com a própria realidade. Há uns tempos disse, e repito: urge voltar a pensar nisto tudo como uma totalidade - e não como uma série de problemas independentes que carecem de solução. Enquanto não formos capazes de fazer isto, viveremos de crise em crise. Não vai ser bom.


6 comentários:
De Anónimo a 31 de Maio de 2010 às 18:13
Mas quem é que tem governado Portugal nas últimas décadas, ao que paece mergulhado nessa dissociação esquizóide e incapacitante?


De manuel sousa figueiredo a 31 de Maio de 2010 às 18:41
O sr. deputado(creio eu) João Galamba, quanto a mim, está cheio de razão. Mas faço uma pergunta:
Em Portugal está-se a fazer uma eficiente consolidação orçamental?
Ou de outra forma: é cada país que tem de fazer a sua consolidação, ou alguma entidade supra nacional obriga cada país a fazer a sua?
E não estou a falar de consolidação contabilistica, mas de medidas destinadas a que essa consolidação orçamental conduza a resultados efectivos, ou seja a pôr dentro de limites razoaveis as várias variáveis macro-economicas.


De Carlos Novais a 31 de Maio de 2010 às 19:56
De crise em crise, pela fé mística nos benefícios da expansão do crédito por expansão monetária.


Quando chegar aí, verá a "totalidade" do problema.


Quanto à confiança dos consumidores, se esta descer, e resultar em poupança monetária e descida de preços, é o caminho difícil mas necessário a curar a doença que nasce com a bolha económica, não com a crise (uma consequência).


De Zé do Telhado a 31 de Maio de 2010 às 22:24
Vizinho, boa noite, posso entrar? Obrigado. Porra, hoje tou mesmo delicado.

Concordo consigo. João, vamos lá ver, o jogo da bolsa é um estado de espírito; as cotações sobem e descem não pelo valor das carteiras mas pelo valor que lhe atribuimos em determinado momento.

Na situação em que a economia e os mercados atravessam, a economia e finanças só casam quando há estados de euforia.  Tudo depende do efeito que o viagra teve sobre o investidor. Tirando o caso da Vivo não vejo outro acontecimento que leve a euforias na bolsa.

Perdoe-me a minha burrice, mas acredito que neste momento não há motivos para nenhum tipo de euforia em relação às empresas cotadas (é só o pensamento de um alienigena, mais nada).

É, não vai ser bom, como não está a ser bom.


De maria a 1 de Junho de 2010 às 01:17

vai ser difícil enquanto forem académicos e políticos ( habituados apenas a escrevinhar papéis e a achar que a realidade se vai adaptar aos papéis ) a gerirem as coisas.. pois , só podia dar bosta.
isto só vai lá quando forem as donas de casa a gerirem os países e os meninos ficarem com todo o tempo livre prá bola e outras brincadeiras substitutos da guerra  ( exceptuando a bolsa , of course , que esse jogo devia ser proibido  ) , que antigamente os mantinha lá nos campos de batalha  , sem chatearem demais.


De Zé do Telhado a 1 de Junho de 2010 às 17:13
"isto só vai lá quando forem as donas de casa a gerirem os países e os meninos ficarem com todo o tempo livre prá bola e outras brincadeiras substitutos da guerra  ( exceptuando a bolsa , of course , que esse jogo devia ser proibido  ) , que antigamente os mantinha lá nos campos de batalha  , sem chatearem demais".

Porra, Maria, foi a ideia mais genial que eu até agora li. MULHERES A GERIREM OS PAÍSES, JÁ. PORRA, JÁ DISSE; JÁ!!!!


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