Domingo, 27 de Junho de 2010
Rogério da Costa Pereira

Já o homem está em cinzas e não há maneira de o deixarem em paz.

Alguns de boa fé (poucos), outros na ânsia de arrebanharem mais um adepto ou um voto, a verdade é que se tem misturado vezes demais o nome de Saramago com o de Cavaco Silva, a propósito da ausência deste no funeral daquele. Vejam se entendem: Saramago já tinha assumido que jamais estaria presente em qualquer evento onde estivesse o actual PR, que não tinha interesse em conhecê-lo e que não o cumprimentaria em circunstância alguma (ou algo parecido).

Estou-me nas tintas para as férias nos Açores ou lá para que raio de desculpa inventou Cavaco – seja o que seja, esteve ao seu nível, a desculpa, estou certo. O que verdadeiramente me interessa é que o PR teve a decência e lucidez de não comparecer, de colocar a vontade de Saramago à frente dos seus interesses e dos empenhos dos que entendem que ser PR é ir aos funerais de quem nos odeia ou despreza (e ainda que outras razões tenham sido, que é o mais certo, o que me interessa é o resultado final). Mas qual representação do país? O país esteve representado por quem verdadeiramente o representa. E, nestas coisas, isso não resulta de uma simples eleição. Um homem quando chega a presidente não se desmaterializa nem vai, por artes do divino, além do que é. Não se trata dele, portanto, nem do país, mas de Saramago, que não quereria tal figura no seu funeral. Assim, e independentemente das razões que a forçaram, eis uma boa decisão, a de Cavaco, honrando Saramago com a sua ausência e permitindo-lhe um funeral segundo a sua vontade. Façam o mesmo e deixem o morto em paz, que já vai sendo tempo, pode ser?

PS - Li, de raspão, o sociólogo Alberto, na Sábado, a dizer, como quem exibe uma medalha, que nunca conseguiu ler Saramago (de resto, julgo que não é a primeira vez que aflora este tema, o de não ler Saramago). Seja, homem, não o leu, leve lá a bicicleta. Agora veja se pára de escrever sobre ele.

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7 comentários:
De rui david a 27 de Junho de 2010 às 08:19
exacto


De João José Fernandes Simões a 27 de Junho de 2010 às 16:33
O BE na pessoa do seu Evangelista-Mor, seguido do seu fã nº 1 e que escreve no Arrastão, aquele tipo meio careca que diz umas coisas lá no Eixo do Mal, até metem nojo nos argumentos que usam sobre esta falta de comparência.

Uma palhaçada completa que até Saramago se estará a rir.


 


De crp a 28 de Junho de 2010 às 13:32
certíssimo!!!


De Marcelo do Souto Alves a 28 de Junho de 2010 às 15:40

Saramago nesta discussão não me interessa para nada. O que me interessa discutir é a atitude do cidadão Cavaco Silva, que ainda continua a mexer e, para além disso, até foi eleito para representar, ao mais alto nível, o meu País!


De Paula R. a 28 de Junho de 2010 às 17:42
 institucionalmente Cavaco Silva garantiu a sua representação nas exéquias, mas demarcou-se pessoalmente de estar presente na cerimónia de quem entre outros mimos o apelidou de imbecil . não gosto de Cavaco Silva, mas há que reconhecer que demonstrou ter coluna vertebral. além do mais isto era assunto de "preso por ter cão preso por não ter". se tivesse estado presente iriam  dizer que era golpada eleitoralista de um invertebrado


De Marcelo do Souto Alves a 29 de Junho de 2010 às 12:57
De acordo em tudo, Paula R., mas o problema de Cavaco, quanto a mim, não é a decisão que tomou (que até compreendo), é mesmo a forma ridícula como a "justificou". Incompatível com a dignidade da chefia do Estado.


De Paula R. a 30 de Junho de 2010 às 17:21
a justificação dada por Cavaco foi obviamente uma desculpa, o tipo de desculpa que todos sabemos que sabemos não corresponder à verdade . Mas como é que o M. S. Alves acha que Cavaco se devia ter justificado? " ... não estou presente nas cerimónias funebres de Saramago porque ele me chamou de imbecil e sinto-me pessoalmente ofendido" ????


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