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jugular

que tristeza, dr pacheco pereira

'temos um interessante critério político na "pressa" em evitar a saída de alguns presos preventivos. Alguém, pressuroso, informou os órgãos de comunicação social que o país pode estar calmo: saíram ou vão sair acusados de assassinatos, violações, etc., mas não será libertado Mário Machado, o dirigente dos skinheads, que é acusado de incitar ao ódio racial, algo que em países genuinamente liberais não é crime, nem sequer delito de opinião. Tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia' pacheco pereira descobre coisas espantosas. uma é que pelos vistos é admissível 'em democracia e em países genuinamente liberais' que as pessoas acusadas de um crime fiquem em prisão preventiva o tempo que for preciso, dois ou dez anos, sem trânsito em julgado, até que os tribunais deliberem (passando em claro uma questãozinha de somenos, a de que o sistema judicial que temos nem sequer fecha para sempre as pessoas quando efectivamente condenadas por crimes como homicídio e violação -- mas isso agora não interessa nada). outra é que 'as democracias e os países genuinamente liberais' não consideram crime a incitação ao ódio racial (adorava saber que 'democracias e países genuinamente liberais' tem ele em mente. pode explicar, dr pacheco pereira? bem me parecia que não). e a terceira é que mário machado só está acusado desse crime. uma pessoa como pacheco pereira, que passa uma parte muito considerável do seu tempo a ler -- livros, jornais, revistas, blogues, etc etc etc -- tem a obrigação de saber que este seu texto citado constitui uma acumulação de disparates e de inverdades. tão lesto a imputar má fé aos outros, pacheco pereira devia ter o pudor de não fazer tais figuras. digo eu, uma admiradora tristemente cada vez mais ex. em adenda, ler daniel oliveira , pedro albergaria , eduardo pitta , tomás vasques e caa

Ana Matos Pires: Um estudante de engenharia perdeu a cabeça e... uma estudante de engenharia perdeu

texto de Ana Matos Pires Todas as noites faço a ronda rápida de final de dia pelos títulos da imprensa escrita que tenho na minha lista de favoritos. Ontem, quando entrei no Portugal Diário, dei com a notícia da morte da rapariga de 20 anos, estudante de Engenharia na Universidade de Coimbra, por "razões passionais" (odeio esta expressão!). Aqui ficam os dois últimos parágrafos do texto: "Em pouco mais de uma semana este é o terceiro homicídio passional. Esta quarta-feira, no Pragal, Almada, uma mulher de 50 anos morreu depois de ter sido atingida por três tiros alegadamente disparados pelo marido, na segunda-feira. No passado domingo, nos Açores, a PJ deteve um homem de 29 anos por suspeita de ter provocado a morte da mulher, de 34 anos, depois de agressões graves e de «habitualmente a espancar»." De acordo com a Amnistia Internacional, entre Novembro de 2005 e Novembro de 2006 morreram 39 mulheres em Portugal, vítimas de violência doméstica. Quantas serão este ano? Claro que uma coisa não exclui a outra, mas não consegui deixar de fazer um paralelo. Recordem-me, por favor, quantas mortes, e ao longo de quanto tempo, aconteceram na "noite" do Porto - quatro nos últimos cinco meses, não foi? Horrível e perturbador. Espero que as culpas se apurem e que a justiça se faça. E espero, também, que a cobertura mediática destas três mortes em pouco mais de uma semana tenha a mesma dimensão. Talvez o reactivar da discussão sirva para alguma coisa, quem sabe.

sensibilidade e bom senso

vi há pouco um anúncio na tv destinado a sensibilizar as gentes para a chamada 'recolha de monos' -- electrodomésticos, sobretudo, pareceu-me. vi a referencia a um site (http://www.amb3e.pt/) e fui lá. como quisesse perceber o que deve fazer um cidadão normal quando tem, por exemplo, um fogão, frigorífico ou máquina de lavar para 'despachar', fui a secção perguntas e respostas. encontrei isto: Quais as medidas a considerar para proceder à entrega de REEE nos Centros de Recepção da Amb3E: Proveniência particular: 1.1 Entrega gratuita num Centro de Recepção/Ponto de Recolha (Artº 9, pto 2 DL 230/2004.); 1.2 REEE deve estar completo (Art.º 3º, b DL 230/2004); 1.3 Acompanhamento de GAR (Guia de acompanhamento de resíduos) aquando da entrega; 1.4 Não são exigidos meios de acondicionamento do REEE no acto de entrega (ver 1.5); 1.5 Lâmpadas: isentas de humidade (aconselhamos acondicionamento nas embalagens de cartão canelado). não sei o que voces acham, mas eu estou assim a modos que na mesma -- então aquela do 'guia de acompanhamento de resíduos' deixou-me verdadeiramente em estado de maravilhamento (o que será? onde se arranja? quem são as pessoas que inventam estas coisas? por que raio não temos de fazer isto de cada vez que deitamos um saco de lixo no caixote?). e a pensar, sobretudo, o que será isso da 'entrega gratuita'. a malta leva a máquina da roupa ou o frigo as costas, escada abaixo (mesmo quem tem elevador dificilmente tem monta cargas em casa), enfia-a no carro (de preferencia, uma camioneta) e entrega-os 'gratuitamente', é isso? maravilha. não admira que tenham de fazer campanhas na tv para 'sensibilizar' as pessoas.

e mais um e.e.cummings

may i feel said he (i'll squeal said she just once said he) it's fun said she (may i touch said he how much said she a lot said he) why not said she (let's go said he not too far said she what's too far said he where you are said she)

may i stay said he (which way said she like this said he if you kiss said she may i move said he is it love said she) if you're willing said he (but you're killing said she but it's life said he but your wife said she now said he) ow said she (tiptop said he don't stop said she oh no said he) go slow said she (cccome?said he ummm said she) you're divine!said he (you are Mine said she)

e agora, e.e.cummings mesmo

since feeling is first who pays any attention to the syntax of things will never wholly kiss you; wholly to be a fool while Spring is in the world my blood approves, and kisses are a far better fate than wisdom lady i swear by all flowers. Don't cry --the best gesture of my brain is less than your eyelids' flutter which says we are for eachother: then laugh, leaning back in my arms for life's not a paragraph And death i think is no parenthesis

e.e.cummings é que tinha razão

Não sei de onde vem a apetência pelas letras, pelas palavras. O que determina o encanto pela língua, pelo ritmo das sílabas, das frases, pelo desenho dos textos nas páginas, pelo mistério conjugado de sons e sentidos que faz um sentido outro, novo, fulgurante. Creio que começa cedo, que deve começar quase sempre cedo. Que o momento da revelação, esse em que nos damos conta de que vivemos nas e das palavras surge numa canção de embalar, talvez. Nas histórias contadas por um avô, na primeira vez que ouvimos um poema. Na alquimia do bê-a-bá, quando percebemos os bastidores da língua, que podemos construí-la, mudá-la, fazê-la de novo. Que é nossa para conquistar e apropriar. Quando nos apaixonamos por esta e aquela palavra, quando nos irritamos com outras, quando criamos a nossa equipa e delineamos fronteiras, exclusões, aversões, interditos. Quando dizemos: odeio esta palavra. Odeio este sinal ortográfico. Odeio este som.

Há um tempo, o poeta e crítico literário Pedro Mexia escreveu um texto sobre a sua aversão a pontos de exclamação. É uma aversão um pouco snob, certo. Mas bastante comum nos dias que correm. De facto, o ponto de exclamação é uma coisa quase sempre desnecessária, um sublinhar tosco de qualquer coisa que por definição já deve estar no sentido do texto, uma excitação pueril, adolescente. Há boa literatura com pontos de exclamação? Claro, se há. Fernando Pessoa, por exemplo, usava-os, Mário de Sá Carneiro também, Almada Negreiros ainda mais, António Nobre era um maníaco dos pontos de exclamação. Mas o ponto de exclamação envelheceu mal. Tornou-se um sinal de falta de sofisticação. A sofisticação não exclama, diz. Não grita. Não grita mesmo quando grita. Escreve: “Ó Ana”. E nós lemos o ponto de exclamação que lá não está. O mesmo vale para as maiúsculas. As maiúsculas gritam. Há pouca coisa tão enervante como textos em maiúsculas. Ou textos que têm maiúsculas por todo o lado. Daqueles que escrevem “homem com agá grande” e vão por aí fora: amor, fé, honra, mãe, pai, país, sei lá. Como se as palavras precisassem de maiúsculas para serem dignas, como se fosse necessário sobrelevá-las histericamente para que o interlocutor entenda a sua importância. Como o ponto de exclamação, com o qual aliás é muitas vezes emparelhado, a maiúscula é excessiva, redundante. E, acrescento eu, medonha. As palavras, como as frases, valem. Ou não. Não precisam de escadote. De pódio. De megafone. No limite, as maiúsculas não fazem falta. Gosto de frases limpas, sem sobressaltos, a direito, de textos exactos na mancha. Não encontro necessidade de capitulares após pontos finais: não está lá o ponto final para ser lido e mostrar que uma frase acabou e outra começou? imaginem um texto assim. liso, imperturbável, apenas investido do sentido da leitura. um texto que o meu computador não me deixa escrever, que emenda persistentemente, e que nenhum revisor quererá deixar passar. um texto que muitos dirão errado – mas onde está o erro? no caminho que se diz imparável da simplificação da língua, e que anuncia mudanças atrozes como as do ‘abrasileiramento’ das palavras, de recto para reto, de carácter para caráter, de redacção para redação, a abolição das maiúsculas surge-me como a única óbvia medida democrática: todas as palavras iguais. porque, precisamente, não são. (publicado na coluna Sermões Impossíveis da Notícias Magazine de 9 de Setembro)

é despedi-lo com tranquilidade

um treinador que agride um jogador em campo só tem um destino: o olho da rua. mesmo que tivesse ganho o jogo -- não é decerto isso que está em causa. e não me venham dizer que houve alguma coisa que o sérvio lhe disse que justifique aquilo, tipo cena zidane. nada justifica aquilo. que vergonha. vergonha também que a primeira pergunta feita pelo jornalista da rtp a paulo bento não tenha sido sobre a agressão do seleccionador nacional. e que scolari, na conferencia de imprensa, fale do que fez como 'normal', encolhendo os ombros e dando-se até ao luxo de responder com agressividade a um jornalista que o questiona sobre 'o que aconteceu' e que lhe pergunta se já deu explicações a federação. 'explicações de que?', repete scolari, desabrido. será que a federação portuguesa de futebol também vai achar isto normal e esperar que seja a uefa a tomar conta do assunto?

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