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jugular

Nunca é demais voltar às "Artes da Cópula"

Aí para baixo surgiu um comentador muito agastado com a Palmira por ela se ter atrevido a denunciar o aumento da excisão no Curdistão. O que mais gostei de ler no referido comentário foi o seguinte "Os valores da europa são apenas os valores da europa. Os valores da civilização muçulmana são outros.". Não bastava ao senhor ser estúpido (yep, o insulto é propositado porque qualquer pessoa que tenha o tipo de atitude que ele demonstra perante este tema é, no mínimo, estúpido) ainda tinha que demonstrar ser também ignorante. Só pela ignorância se pode explicar que considere que a excisão tem alguma coisa a ver com "valores muçulmanos". Nada melhor que uma nova incursão no Breve Tratado das Artes da Cópula, para início de conversa (já antes o tinha trazido para aqui a propósito de Deuterónimos, Levíticos e acto de copular).

 

"O clitóris  é a porta principal e a primeira chave das sensações voluptuosas da mulher. É estranho e excitante constatar que um apêndice tão pequeno como aquele é em grande parte responsável pela iniciação do prazer da mulher na cópula.

Todos os restantes órgãos são secundários, com excepção da vagina, que produz nas mulheres sensações de total volúpia, quando estimulada por muito tempo pelo pénis do homem.

O clitóris é um órgão vital de prazer, e que Alá amaldiçoe os bárbaros do Egipto e de outros países que cortam o clitóris das suas meninas antes delas atingirem a maturidade, privando-as assim do seu direito às sensações da cópula, sensações estas que são uma dádiva de Alá para todas as mulheres.(...) Estes são horrores quase impossíveis de se conceberem."

 

Al-Sayed Ibn Hussein Al-Makhzoumi, Breve Tratado das Artes da Cópula, Lisboa, Padrões Culturais Editora, p.38/39

 

P.S. - Como o tema excisão e Islão já me fez escrever antes, parece-me que não é desadequado linkar pelo menos dois desses textos ( este e este ).

Volta ASAE, estás perdoada!

Uma das prendas de Natal da minha adolescência que mais apreciei foi um kit de química que me permitiu muitas e boas horas de descoberta da ciência.

Hoje em dia esse tipo de brincadeira científica é encarado como uma actividade criminosa, pelo menos por terras canadianas onde um estudante de química foi preso pela polícia por ter construído um laboratório em casa.

Aparentemente a polícia pensou que tal facto apenas podia significar que o jovem de 18 anos se dedicava a sintetizar metanfetaminas em casa. Quando uma inspecção mais cuidadosa revelou não ser esse o caso, a polícia mudou a acusação para fabrico de explosivos - que qualquer pessoa com dois neurónios químicos sabe poderem ser produzidos sem problemas na cozinha apenas com produtos de limpeza, isto para não falar das potencialidades bombistas de fertilizantes para a agricultura ou mesmo de dejectos de pássaros.

Embora o advogado do jovem tenha tentado explicar à polícia que este apenas tem um interesse genuíno por ciência, o inspecter Engele, encarregue da investigação, acha que o grau de «sofistificação» do laboratório não engana ninguém: quem sabe tanto de química só pode mesmo ter intenções criminosas ...

E eu a pensar que era ridícula a recente incursão da ASAE pelos laboratórios universitários nacionais!

Liberal, liberal, não vai lá com Melhoral (e até por uma gripezinha depende do hospital estatal)

 

É vontade de embirrar, só pode. A farmacoterapia da gripe não é, como o João Miranda com toda a certeza sabe, dirigida à causa (não são anti-víricos) mas sim aos sintomas. Dá-se o caso que os agentes farmacológicos mais amplamente usados nestes casos são... de venda livre.

 

Não deixa de ser curioso que o homem que sabe sempre tudo de tudo não saiba (1) que o risco de se encontrarem "bichos" de estirpes resistentes às terapêuticas em meio hospitalar é maior que na comunidade, (2) que qualquer infecção vírica é imunossupressora e predispõe a infecções oportunistas e (3) se 'tá ou não com uma gripalhada - curiosa e estranhamente parece saber que gripe e antibiótico não é uma dupla comum.

 

Quanto à boca da folga informo o João que no SNS o "escalador" faz substituir um médico em Serviço de Urgência (SU) no caso de férias ou de atestado prévio - por cirúrgia a hérnia discal, por exemplo; já na eventualidade de uma doença aguda do clínico - ter "apanhado" gripe, por exemplo - o colega que não é rendido não pode abandonar o SU até haver substituto, podendo acontecer ter de continuar turno até à entrada da nova equipa, 12h depois. Ah, e no SU não há cá tolerâncias de ponto.

 

PS: informações úteis em  "Gripenet" e "Gripe proteja-se"

A gripe em balanço

Por cortesia do RCP aqui deixo informação enviada pelo gabinete da Ministra da Saúde.

 

Após reunião agora terminada entre o meu gabinete, a Direcção Geral da Saúde, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e responsáveis de hospitais e centros de saúde da Grande Lisboa, gostaria de chamar a atenção para:


1. No Instituto Ricardo Jorge está montado o Sistema de Vigilância de Gripe, que assenta na rede de médicos-sentinela. Há cerca de três semanas, este sistema detectou a possibilidade de uma epidemia de gripe. Os dados colhidos foram apresentados à Direcção Geral de Saúde, que efectuou, de imediato, a avaliação do risco, antecipando, assim, a epidemia. As instituições do Serviço Nacional de Saúde foram alertadas no sentido de preparem um plano de resposta. Foram, então, adoptadas medidas pelos Hospitais e Centros de Saúde para responder a um previsível aumento da procura de cuidados de saúde pela população, a qual já tinha sido alertada para a necessidade de vacinação e adopção de procedimentos a ter em conta, em caso de surgimento de sintomas de gripe.


2. Tal como previsto, a epidemia está em curso, havendo, naturalmente, um aumento extraordinário do número de episódios de procura dos serviços de urgência. Para responder a este pico:
1. O Ministério da Saúde recomendou o reforço das equipas de saúde, a abertura de Centros de Saúde ao fim-de-semana e o alargamento do seu horário de funcionamento pelo menos até às 22 horas.
2. Foi também dada luz verde aos Centros de Saúde e Hospitais para, em caso de necessidade, adiarem consultas e cirurgias programadas não urgentes.
3. Simultaneamente, o Ministério da Saúde, com o apoio da comunicação social, pediu às pessoas para, aos primeiros sintomas de gripe, ligarem para a Linha Saúde 24.
4. E, em caso de necessidade, recorrerem aos Centros de Saúde para que as urgências hospitalares mantivessem a capacidade para responder aos grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e doentes crónicos.

Resulta desta reunião o seguinte balanço (dados provisórios nacionais):

Cãezinhos de Pavlov

Compreendi a execução do xeque Yassin, aquele cegueta paralítico que treinava crianças para se fazem explodir nas ruas das cidades de Israel, assim como condenei a invasão israelita do Líbano em Agosto de 2006. Mais recentemente, temi a eventualidade de um ataque aéreo de Israel apoiado pelos EUA contra as alegadas instalações nucleares iranianas.

Certos cãezinhos de Pavlov, que praticam a indignação selectiva, não compreendem isto.

Leitura em dia

For Kurdish Girls, a Painful Ancient Ritual

The Widespread Practice of Female Circumcision in Iraq's North Highlights The Plight of Women in a Region Often Seen as More Socially Progressive

Islamic Revival Tests Bosnia’s Secular Cast

Before the war, fully covered women and men with long beards were almost unheard of. Today, they are common. Many here welcome the Muslim revival as a healthy assertion of identity in a multiethnic country where Muslims make up close to half the population. But others warn of a growing culture clash between conservative Islam and Bosnia’s avowed secularism in an already fragile state.

Premarital Abstinence Pledges Ineffective, Study Finds

Teenagers Who Make Such Promises Are Just as Likely to Have Sex, and Less Likely to Use Protection, the Data Indicate

Em terras de Oz

Amos Oz, fundador e principal representante do movimento Paz Agora, concedeu esta entrevista em 2007, quando recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias de letras. Vale a pena ver a conferência de OZ em Princeton (disponível aqui) em que ele desenvolve de forma magistral os tópicos abordados nesta entrevista rápida, em especial a parte em que Oz deplora os que se precipitam em tomar partido (cerca dos 38 minutos).

 

Trying to 'teach Hamas a lesson' is fundamentally wrong

Channel 1 television broadcast an interesting mix on Saturday morning: Its correspondents reported from Sderot and Ashkelon, but the pictures on the screen were from the Gaza Strip. Thus the broadcast, albeit unintentionally, sent the right message: A child in Sderot is the same as a child in Gaza, and anyone who harms either is evil.

But the assault on Gaza does not first and foremost demand moral condemnation - it demands a few historical reminders. Both the justification given for it and the chosen targets are a replay of the same basic assumptions that have proven wrong time after time. Yet Israel still pulls them out of its hat again and again, in one war after another.

Israel is striking at the Palestinians to "teach them a lesson." That is a basic assumption that has accompanied the Zionist enterprise since its inception: We are the representatives of progress and enlightenment, sophisticated rationality and morality, while the Arabs are a primitive, violent rabble, ignorant children who must be educated and taught wisdom - via, of course, the carrot-and-stick method, just as the drover does with his donkey.

 

Vira o disco e toca o mesmo

Com mais um episódio da tragédia Israelo-Palestiniana, entra em cena o inevitável teatro dos comentadores, cada um com as suas lealdades particulares. Uns e outros, a dança e os papeis prédefinidos do costume. Já cansa de tão previsível: uns são 'amigos de israel' (?) e destacam o seu direito à auto-defesa; outros lamentam o sofrimento dos palestinianos, os mortos cívis e a desproporcionalidade dos ataques zionistas. Razão? Todos a têm, infelizmente. Daí ser uma tragédia que impossibilita qualquer tipo superioridade moral ou atribuição clara de inocência. A cegueira unilateral impera e limitan-se a reproduzir uma lógica demente, circular e sem resolução. Não percebo quem se julga em terreno firme e desate a condenar o outro lado, como se palavras como 'culpa', inocentes' ou 'razão' tivessem fronteiras e referentes bem definidos. Certeza só conheço uma: ataques (venham de onde vierem) não resolvem nada, pois eles fazem parte da lógica que tem caracterizado o conflito. Enquanto nenhuma das partes ousar fazer algo diferente, são todos culpados. Sem distinção.

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