Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Maria João Pires

Qualquer um de nós assim que ouve falar de Robert Crumb pensa em Fritz, the Cat  - e, no meu caso, na belíssima definição que um dia alguém fez dele, quando se falava em BD para adultos "Eu punha o Bilal ao nivel da Soror Mariana Alcoforado. As ideias e os véus andam por lá, o tesão também, mas a coragem de dar a cambalhota, só em sonhos.Já o Robert Crumb, com o Fritz, nem lhe dava tempo para as lavagens higiénicas".Nos últimos tempos a obra de Crumb que anda nas bocas do mundo é a ilustração do Genesis que publicou recentemente e é sobre ela que fala nesta entrevista.


Maria João Pires

Daqui a pouco, às 22h na TVI24, o João Galamba vai comentar, juntamente com o Henrique Raposo, a apresentação do programa de governo. A conversa será moderada por Constança Cunha e Sá.


Umas das várias confusões que têm vindo a público a propósito do licenciamento do Freeport faz lembrar o dito popular segundo o qual uma não verdade dita muitas vezes passa a ser verdade. É que já passou nos meios de comunicação, desde logo em debates de televisão, que, independentemente do que está nas mãos da justiça, há aqui uma questão política que é o ter-se aprovado um conjunto de medidas que a Constituição (CRP) não permitiria a um Governo já demitido, uma vez que a um Governo de gestão só seriam autorizados actos de gestão corrente.

Não é verdade. Não é verdade. Não é verdade.

A famosa fórmula do artigo 186º, nº 5, da CRP, segundo a qual os Governos de gestão limitam-se à prática de actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos é bastante vaga, e ao contrário do que alguns propõem, não deve ser o legislador a fazer uma listinha - impraticável - com os actos administrativos e legislativos que um Governo de gestão pode ou não aprovar. Como em todos os casos de fórmulas constitucionais abertas, a tarefa de densificação do preceito só pode caber ao Tribunal Constitucional (TC).

Ora, em Janeiro de 2002, em pleno Governo de gestão de que era Ministro do Ambiente o actual Primeiro-Ministro, foi aprovado um Decreto-Lei que alterava radicalmente a forma de designação dos órgãos de direcção técnica dos estabelecimentos hospitalares. O PR, Jorge Sampaio, suscitou a fiscalização preventiva do decreto, a qual deu origem ao Acórdão do TC nº 65/02, que não se pronuncia pela insconstitucinalidade daquele diploma e de cuja leitura decorre, por maioria de razão, que o licenciamento do empreendimento Freeport em nada viola os limites constitucionais dos Governos de gestão.  É ir ler.

Finalmente, se os poderes do Governo de gestão não são os que têm vindo a público, os da oposição não estão certamente diminuídos. Nada impede que esta, se entende que um processo administrativo é estranhamente urgente, faça uso dos poderes que o artigo 156º da CRP confere aos Deputados, como o de "requerer e obter do Governo ou dos órgãos de qualquer entidade pública os elementos, informações e publicações oficiais que considerem úteis para o exercício do seu mandato (alínea f)".


João Pinto e Castro

Por que subiram tanto as bolsas mundiais, se os resultados das empresas não parecem justificar esse optimismo?

Nouriel Roubini acredita que se trata de uma nova bolha alimentada por dinheiro barato. Para além das taxas de juro serem quase nulas, quem se endivida em dólares que se desvalorizam todos os dias está de facto a contrair empréstimos a taxas negativas:

"Let us sum up: traders are borrowing at negative 20 per cent rates to invest on a highly leveraged basis on a mass of risky global assets that are rising in price due to excess liquidity and a massive carry trade. Every investor who plays this risky game looks like a genius – even if they are just riding a huge bubble financed by a large negative cost of borrowing – as the total returns have been in the 50-70 per cent range since March."

Se a interpretação estiver correcta, o futuro não se afigura brilhante:

"This unraveling may not occur for a while, as easy money and excessive global liquidity can push asset prices higher for a while. But the longer and bigger the carry trades and the larger the asset bubble, the bigger will be the ensuing asset bubble crash. The Fed and other policymakers seem unaware of the monster bubble they are creating. The longer they remain blind, the harder the markets will fall."

 


 

Carreguem na imagem


João Pinto e Castro

Escreve Chris Dillow:

"It seems that when public opinion is wrong - for example on immigration - politicians pander to it, but when it is right they ignore it. The function of representatives in representative democracy, it seems, is take all the idiocies of public opinion, and when these are insufficient, to then add some of their own."
Leiam o resto ("Drug laws, cognitive bias and democracy").


Maria João Pires

 

Não é a primeira vez que trago para aqui apelos da Aidglobal nem será, com certeza, a última. Ter como amiga uma empenhadíssima voluntária desta ONG faz com que vá acompanhando, mesmo que indirectamente, os vários projectos que dinamizam e dá-me muita segurança para afirmar que os 10 € gastos na entrada para este espectáculo, a acontecer na próxima quarta-feira, serão muito bem empregues.

 

Já agora, e mesmo que não possam ir, divulguem, siiiim?


Maria João Pires

Rogério da Costa Pereira

Não se atormente mais, começo a ficar precupado. Três posts em dois dias, mesmo que sobre tão denso tema, é gajo para ser exagero. Acredite, há vida para além desta nossa relação. Temos que colocar um ponto final nisto. It's not you, it's me.

 


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