Entrudo: marca o período de 40 dias antes da Quaresma - podiam ser 39, daí o feríado;
Sexta-Feira Santa: Sexta-Feira anterior à Páscoa - podia ser a seguir, eis a razão;
Páscoa: É a Páscoa, não vale - embora móvel, não se move do Domingo;
Corpo de Deus: 60 dias após a Páscoa - podiam ser 59, parece-me motivo suficiente;
Assunção de Maria: Maria eleva-se e é giro - merece rambóia;
Todos os Santos: Insuspeito; este não tem nada de religioso. É uma espécie de festa dos mortos - um "thriller" avant la lettre;
Imaculada Conceição: É o meu favorito, nesse dia trabalho em casa por causa de alguém que concebeu sem mancha (nos lençóis?);
Natal: É o dia favorito do meu filho, merece feriado. E bacalhau é fixe!
Dito isto, o paralelismo com o crucifixo parece óbvio. Expulsa-se este das salas de aulas? 
(rabiscos dum gajo que deve muito ao culto mariano)
Então, expulsem aqueles dos dias de doce folgazana. And yet... Se uns me incomodam, os outros dão-me jeito (juro que não ironizo).
Falando sério: um crucifixo numa sala de aulas perde toda a sua carga simbólica e recupera a sua tradição - (in?)justamente esquecida - de instrumento de tortura, de uma espécie de dois em um definitivo (primeiro faz doer à séria, depois mata: tipo shampoo e amaciador que ousa além da caspa).
Quanto aos feriados: são fixes e a malta está a modos que habituada. Subtil? Nem por isso... Mas hoje é sexta-feira (sempre santas) e não me apetece explicar.
Vamos lá a ver se a gente se entende.
É inteiramente legítimo, embora algo obnóxio, questionar-se se o Estado deveria ou não ter deixado falir o BPN.
É igualmente legítima e digna de respeito a preocupação com o encargo que poderá sobrar para o Estado como saldo final da operação de salvação do BPN.
O que não é aceitável - porque falso - é afirmar-se que o Estado terá gasto três vezes mais com o BPN do que no combate à crise. É mentira, e deveria envergonhar qualquer apoiante do Bloco. Ponto.
Por que é que o João Rodrigues se mete numa guerra que, tanto quanto entendo, não é a dele?
Paulo Rangel está a deixar crescer o bigode. Parece que que é capaz de vir também uma perinha e talvez uma mosquinha.
Parece que Sócrates telefonou a Armando Vara em dois natais seguidos. Nas duas ocasiões, Sócrates perguntou a Vara se estava tudo bem. E depois desejou-lhe feliz natal e boas entradas. Numa das datas, depois de Vara lhe dizer para não abusar das filhoses, Sócrates retorquiu utilizando o termo "igualmente". É preciso dizer mais? Notem: se estava tudo bem e boas entradas. Filhoses? Igualmente?
Sophia (desenho de Arpad Szenes)
Dirigindo-se a Pacheco Pereira, o Primeiro-Ministro teve ontem uma tirada que lhe saíu muito mal: "Uma vez revolucionário, revolucionário toda a vida."
Se a ideia era desqualificar o adversário, é muito duvidoso que o tenha conseguido.
Sócrates tem o direito de se sentir orgulhoso de nunca ter sido revolucionário, embora eu não lhe gabe a preferência.
No melhor dos casos, pode alegar-se em sua defesa que teve a sorte de se fazer homem numa época em que isso já não era preciso ou já não fazia sentido.
Mas não se terá ele lembrado dos inúmeros ex-revolucionários que integram a sua bancada e o seu governo? Será que nunca conversaram sobre isso?
Se é esse o caso, estão sempre a tempo. Pode-se aprender muito com essas memórias.
Entretanto, Sócrates não se livra do remoque que a esse propósito (e com pleno a-propósito) lhe dirigiu Rui Bebiano.
Hoje já levantei 400 "gays", acho que atingi o meu plafond. Também fazia tempo que não me ria tanto!
A propósito da presença de crucifixos na escola pública, uma nota breve: ou estamos perante um ferrete religioso e uma forma de doutrinação - e nesse caso, há uma evidente incompatibilidade com a laicidade que, felizmente, se exige ao Estado; ou, se como o governo italiano alega , o crucifixo na sala de aula a nada obriga, deveriamos ser nós, cristãos, os primeiros a querer retirá-lo dali. Sob pena de reduzirmos a um adereço a imagem de Cristo. Ou de a usarmos em vão.
Vasco Barreto
Neste texto, António José Saraiva faz um aviso aos leitores: todos aqueles que ousem criticar o meu texto pertencem à turba do politicamente correcto e são basicamente censores intolerantes. É a chamada jogada em antecipação. Começa a ser uma técnica comum esta de escrever textos e opiniões delirantes ao mesmo tempo que se antecipam eventuais críticas rotulando-as de intolerantes e politicamente correctas. Saraiva mina o terreno dos comentadores, desqualificando-os antes mesmo deles escreverem o que quer que seja. Não sei se percebem, mas esta técnica "argumentativa" é ela própria censória. No fundo, o Pequeno Grande Arquitecto diz basicamente isto: as únicas opiniões aceitáveis são aquelas que não ousem questionar o que eu escrevo. Já tinhamos o politicamente correcto; agora Saraiva dá-nos o "Saraivamente correcto".
Sugestão: se tens uma opinião, escreve. Os críticos - os bons os maus, os justos, os injustos - são uma consequência inevitável da dimensão pública das nossas palavras, e são uma condição da liberdade - da nossa e da dos outros. É a vida. Se não gostas, não escrevas.
nem vou começar a comentar esta coisa, aliás em nada nova vinda de onde vem. mas, for the record, eu também me lembro do josé antónio saraiva. ele era director do espesso e eu era estagiária. creio que isto se passou em 1986/87 e durante pouco tempo -- saí do espesso, onde ganhava à peça e muito mal, para uma revista do mesmo grupo que foi fundada em 1987/88, a elle, dirigida por tereza coelho, e onde integrei a redacção até sair para a grande reportagem, a convite de miguel sousa tavares, três anos depois. lembro-me, claro, muito melhor do sub-director vicente jorge silva e de joaquim vieira, que me ensinou muito do que então aprendi, do que de josé antónio saraiva. nunca me passaria pela cabeça, pois, considerar-me 'jornalista dele', até porque extraordinariamente já tinha, em tão tenra idade (teria 22/23 anos), e apesar de estar a dar os primeiros passos na profissão, uma opinião sobre ele parecida com a que tenho hoje -- e que o seu percurso recente, apeado do transatlântico espesso, veio tornar uma evidência para toda a gente.
mas, já que faz o favor de recordar a minha breve passagem pelo espesso e o que lá fiz, sou forçada a informar que nunca 'escrevi e assinei trabalhos a duas mãos com uma colega' -- era sim o caso de duas outras estagiárias que lá estavam na altura, e que tinham como eu vindo da universidade nova --; que nunca colaborei num programa da sic chamado 'sete à sexta' mas no 'esta semana', de 1996 a 2000; que nunca fiz parte de nenhuma equipa de programa, na sic ou noutro lugar qualquer, com comentadores residentes; que conheci o actual primeiro ministro enquanto ministro adjunto de guterres e responsável da área da droga numa entrevista efectuada em 1998 para a notícias magazine (revista do dn e do jn), entrevista essa que constituiu manchete do dn e que o espesso, como muitos outros media, amplamente citou.
que saraiva faz confusões sobre quase tudo já sabíamos, mas quando fala sobre questões tão concretas e sindicáveis seria conveniente tentar não debitar tantas inverdades. a não ser que, desenganado sobre a possibilidade de receber o nobel da literatura que em tempos, após a publicação do primeiro romance, anunciou estar para breve, esteja agora esperançado no nobel das porteiras.
Louçã afirmou ontem na Assembleia da República: "O Primeiro-Ministro gasta três vezes mais no BPN do que na crise económica".
Quando alguém afirma algo que sabe ser falso para daí tirar vantagem, esse alguém está a mentir.
Ora, nem o primeiro-ministro, nem o governo, nem o Estado gastaram um tostão sequer no BPN.
A verdade é outra: a Caixa Geral dos Depósitos, banco do Estado, emprestou dinheiro ao BPN, banco recentemente nacionalizado na sequência das tropelias que se sabe.
Primeiro ponto: emprestar dinheiro não é dar dinheiro, como entende qualquer pessoa que já contraíu um empréstimo à habitação.
Segundo ponto: como o BPN foi nacionalizado para evitar a sua falência, é claro que quaisquer perdas ou lucros que venha a ter reverterão para o Estado.
Terceiro ponto: é possível, mas não seguro, que o Estado possa vir a ter que meter dinheiro no BPN.
Quarto ponto: como o público ainda não sabe qual a situação do BPN neste momento, ninguém pode afirmar que o Estado lá gastará três vezes qualquer quantia que se entenda tomar como termo de comparação.
Logo, tudo o que Louçã disse na sua pequena frase é mentira.
A isto, já me contra-argumentaram que o Estado ainda não pôs dinheiro no BPN, mas que no futuro poderá pôr. E eu respondo que amanhã Louçã poderá deixar de mentir, mas que, até hoje, não fez outra coisa.
Isto é muito grave, especialmente porque, sendo Louçã economista, ele não pode ser vítima de confusões que se desculpariam em leigos na matéria. Mente e sabe que mente.
Acresce que, para além do que literalmente afirma, Louçã insinua. Desde logo, insinua que o governo e o primeiro-ministro voluntariamente desviaram dinheiro que poderia aliviar a condição dos pobres em proveito de Oliveira e Costa, Dias Loureiro e seus amigos.
Mais uma vez, Louçã sabe que isto é falso. A intervenção do Estado no BPN destinou-se a evitar um mal maior, do qual as principais vítimas seriam aqueles que arduamente ganham a vida com o seu trabalho.
Nada disto me surpreende. De um trampolineiro como Louçã não se poderia esperar outra coisa, nem sequer que algum dia se emende.
Mas eu gostaria de entender como é possível ele mentir repetidamente de forma tão evidente durante meses a fio com a aparente cumplicidade de todos os seus camaradas de partido.
Serão todos demasiado ignorantes ou demasiado desonestos para se oporem a uma forma tão reles de fazer política?
"O crucifixo está de facto exposto nas salas de aula, mas não é de modo algum solicitado aos professores ou aos alunos que lhe enderecem o menor sinal de saudação, de reverência ou de simples reconhecimento (...). De facto, nem sequer lhes é solicitado que lhe prestem a menor atenção." É um dos argumentos do Estado italiano em sede do processo que lhe foi instaurado no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Outro é de que o crucifixo não é um símbolo religioso mas cultural, parte do património "ético e humanista" do país, e assim a sua imposição nas salas de aula não feriria os princípios laicos de Itália. O tribunal, é sabido, condenou o país estabelecendo que é obrigação dos Estados vinculados pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos "abster-se de impor, mesmo indirectamente, crenças, nos lugares em que as pessoas estão deles dependentes ou ainda naqueles em que as pessoas são particularmente vulneráveis", e que a presença do crucifixo não pode deixar de ser vista como "uma escolha preferencial manifestada pelo Estado em matéria religiosa". O Governo italiano e variados representantes eleitos reagiram irritadamente ao acórdão. E o Vaticano, pela voz do cardeal Bertone, veio lamentar o facto (?) de "a Europa do terceiro milénio" dar "as abóboras das festas celebradas no dia das bruxas e, ao mesmo tempo, retirar os símbolos mais queridos". Não elaborando sobre a comparação do crucifixo com um legume/enfeite e de uma religião com uma festa pop (viesse de um ateu e seria motivo de escândalo), releve-se a profunda contradição dos argumentos sempre aduzidos, em países constitucionalmente laicos como Itália e Portugal, a favor da permanência dos crucifixos nas escolas públicas. Defender, ao mesmo tempo, que retirá-los é "um atentado à liberdade e à identidade" e que estes não merecem sequer um olhar é no mínimo muito pouco sério. E é-o tanto menos quanto quem defende a presença dos crucifixos nas escolas públicas não pode ignorar - e se ignora melhor será informar-se - que estes foram lá colocados com um objectivo muito claro, o de identificar o Estado com uma confissão. Em Itália, em 1861 (o ano da unificação do país), para assumir a religião católica como "a única religião do Estado". Em Portugal, por decisão de Salazar em decreto de 1936, explicitando: "Em todas as escolas públicas do ensino primário infantil e elementar existirá, por detrás e acima da cadeira do professor, um crucifixo, como símbolo da educação cristã determinada pela Constituição." A Constituição de Salazar, note-se. A da democracia estatui desde 1976 que o Estado não tem religião e que a escola pública é laica. Os crucifixos estão nas escolas para doutrinar - fazer proselitismo. E é mesmo por esse motivo que os defensores dessa situação lá os querem: porque não confiam no poder de atracção da sua crença e querem impô-la aos outros. É compreensível, dir-se-ia mesmo expectável. E muito simbólico, sim: do medo da liberdade. Como será simbólico que um Estado laico, e sobretudo um Governo socialista, se mantenha cúmplice desse medo.
Por Carlos Santos
"O Primeiro-Ministro Gasta três vezes mais no BPN do que na crise económica"
Francisco Louçã
Isto podia ser uma descrição, mas é uma crítica e, pior, uma acusação. Mas Louçã "esqueceu-se" de uma coisa fundamental: Sócrates não escolheu gastar três vezes mais no BPN do que na crise económica. Uma escolha implica liberdade — e a acusação de Louçã pressupõe que Sócrates podia e devia ter agido de outro modo. Mas Sócrates, tendo em conta que se estava em Outubro de 2008, limitou-se a responder a uma necessidade, e não tinha outra alternativa que não a nacionalização do BPN. Qualquer pessoa com responsabilidades executivas teria feito o mesmo. Aquilo que Louçã sugere ter sido uma escolha deliberada de Sócrates (leia-se: Sócrates preferiu ajudar a banca do que ajudar as pessoas) não é mais do que um resultado que decorre de uma necessidade. A táctica de Louçã é sempre a mesma — e é a acusação típica dos irresponsáveis, de quem nunca teve responsabilidades governativas. Em vez de fazer aquilo que se espera de um político — procurar, hoje, uma solução para o BPN — Louça optou pela guerrilha política.
Tragam um espelho, que estes não acreditam que são cinco. Pode ser que ao verem, (sejam como são tomé).
Pois aqui está um amor não correspondido (o de jesus claro está)

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