Bento foi-se. Um gajo habitua-se e, confesso, não imagino o Sporting sem Paulo Bento. Não imagino um Sporting a jogar à bola. Não vislumbro como raio será possível eu voltar a conseguir ver um jogo de futebol. Bento, que é um teimoso - o que não é necessariamente uma qualidade -, foi, nos últimos 4 anos, o presidente, o director desportivo, o roupeiro e o treinador do Sporting. Foi também uma espécie de porteiro sobrancelhudo de discoteca - uma guida gorda. E deu no que deu. Não foram 4 meses a mais, como ele disse, foi a incapacidade de perceber que o Sporting - e o Sporting sou eu - estava farto dele. Foi a incapacidade de perceber que a solução tinha o nome dele, sim, mas com o prefixo (qualificativo, neste caso) "ex" atrás da ocupação. Futebol é foda, mas ir para a cama com este Sporting era algo como mandar uma queca num buraco dum tijolo. Vivi os 18 anos do jejum com muitas equipas medíocres, mas onde a paixão imperava. Cada jogador que vinha, por mais torto de pernas que fosse, era sempre portador do nome que o meu filho haveria de ter. Tudo isto se perdeu. Hoje, o Sporting é uma coisa asséptica - e a malta quer é micróbios -, branca, higienizada. Não há risco de se ficar doente. O problema é que o Sporting, para o ser, tem de ser uma doença crónica.
Hoje, o presidente disse que vai expulsar o sócio noventa e tal mil, o que me preocupa. Juro que o meu filho não andou metido na contestação, a não ser que dizer "Sporting é caca" seja terrorismo. Mas uma coisa é inegável, paixão não falta ali - ainda que com muita parvoíce pelo meio. Mais uma coisinha: o Barbosa foi o meu melhor jogador do mundo - eu amava aquele gajo -, mas o tipo percebe tanto de futebol sem bola como eu de lagares de azeite.
Dito isto, venha o André Villas Boas e vamos a eles.
Ameaça não velada: Se a opção for o Cajuda, o Machado, o Manuel José, o Co não sei quê ou qualquer outra coisa do género, juro que praticarei o terror telepático.
Tinhas muita razão em ficar inquieta João, o desfecho do episódio lamentável indica que, a existirem, as tais diferenças "civilizacionais" são muito, muito ténues...
A Universidade Bandeirante (Uniban), informou neste sábado, por meio de anúncio publicitário nas edições de alguns jornais de São Paulo, que a estudante de turismo Geisy Villa Nova Arruda foi desligada do quadro discente da instituição, "em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". O informe alega que "foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento".
helena, o 'tribunal italiano' decidiu sobre os crucifixos nas escolas públicas porque era essa a queixa -- mas tu sabes isso, não sabes? e decidiu apenas sobre os crucifixos nas escolas públicas -- e não nos hospitais, nas prisões, nos palácios da justiça, etc -- porque era essa a queixa. mas tu sabes isso, não sabes? e, já agora, helena, não queres dizer o que achas tu, que por acaso até escreveste -- e bem -- sobre salazar e o que salazar significa e significou, sobre os crucifixos impostos nas escolas públicas? e sobre, já agora, os feriados religiosos? e, já agora, queres explicitar por que raio isto te irrita tanto, ao ponto de achares que quem se manifesta contra a presença de símbolos religiosos de qualquer tipo -- sim, de qualquer tipo, helena, e não só cristãos -- nos edifícios públicos (desde que, bem entendido, não façam parte integrante do edifício ou não tenham específico valor artístico ou arquitectónico), a presença, digamos, prosélita e arbitrária, o faz para te irritar, a ti e aos que se irritam com essa manifestação? ocorre-te que talvez essa manifestação tenha a ver com princípios que se não são por ti partilhados não foram desenhados a partir da noção dessa não partilha? ocorre-te que talvez haja uma mera recusa do autoritarismo da imposição da crença e que como até a ti deve ser evidente, a presença de um símbolo religioso numa escola não se equivale, do ponto de vista dos princípios, à não presença? que a não presença significa liberdade e a presença significa ausência dela? que isto te devia ser óbvio se não estivesses aparentemente incapaz de pensar fora dos esteios dessa coisa a que tu e outros chamam 'politicamente correcto'?
helena, por mim os feriados religiosos acabavam já amanhã. estou-me soberanamente nas tintas para os feriados religiosos -- incluindo o domingo. claro que estou eu e a maioria das pessoas, que como sabes não pensa no domingo como feriado religioso, nem sabe por que raio se festeja a sra da assunção ou lá o que é -- e que nem sei quando é. na verdade, helena, as pessoas são livres de não cumprir os feriados -- podem perfeitamente trabalhar nesses dias, que, como sabes, é um interdito religioso pelo menos no que respeita aos domingos. mas não são livres de enviar filhos para escolas públicas livres de símbolos religiosos. e as crianças, que também são sujeitos de direito (sabias?) não são livres de frequentar escolas públicas onde não haja símbolos religiosos espalhados pelas paredes.
percebes, helena? é uma questão de liberdade. de luzes.
claro que tu, como eu, sabes isso muito bem. sabes mas fazes de conta que não. e isso, helena, é que é verdadeiramente triste.

Há cerca de dois anos, mais ou menos na mesma altura em que o Conselho da Europa aprovava, com o voto contra de João Bosco Mota Amaral e com o desagrado de Bento XVI, uma resolução contra o ensino do criacionismo a par da evolução nas escolas públicas europeias, a Suiça assistiu a uma controvérsia acesa sobre o tema.
De facto, num livro de texto para o secundário publicado pelas entidades oficiais do cantão de Berna, eram apresentados lado a lado, como se de explicações alternativas se tratassem, a teoria da evolução e o mito bíblico da criação. O capítulo alternativo foi introduzido no "Naturwert” (O Valor da Natureza) a pedido de grupos evangélicos suiços, liderados por uma coisa bizarra que dá pelo nome de Pro-Genesis e se apresenta como a iniciativa suiça contra a teoria da evolução que faz este ano 150 anos, que, certamente baralhados sobre o que seja ciência, argumentavam que cerca de 80% dos suiços eram favoráveis a que fosse ensinado nas escolas que a Lua é feita de queijo suiço mitologia e ciência são equivalentes.
Dirigindo-se a Pacheco Pereira, o Primeiro-Ministro teve anteontem uma tirada que lhe saiu muito bem: "Uma vez revolucionário, revolucionário toda a vida". A ideia, se bem entendi, era retratrar o adversário, alguém que utiliza métodos "revolucionários" fora da revolução (imagine-se um revolucionário que chega ao poder e - viciado - continua a revolucionar, mandando-se para o exílio). Alguém que não soube adaptar o discurso à nova realidade. Alguém que não se conforma com o facto de a revolução que promoveu no partido se ter revelado o óbvio retrato da reacção. E a revolução está de novo à porta, segundo parece. O que será daquela (elitista) bancada? Percebe-se o despero revolucionário.

(Foto publicada no DN em papel e digitalizada por um ex-uma série de coisas que agora anda cheio de vontade de dormir encostado a um chaparro e pensa que ninguém sabe)
João,
Sabes quanto valiam os activos da SLN? Achas mesmo que se se tivesse nacionalizado todo o grupo SLN Louçã deixaria de dizer o que disse?
"sendo o poder uma potência, a sua natureza é a expansão, diz-nos Jouvel. Mas não está o liberalismo a esquecer-se que existem outras formas de poder além do Estado?" A resposta é: está.
Um dos problemas do liberalismo é confundir poder com vontade, entendendo-o como uma forma de soberania. É por isso que o liberalismo entende a liberdade de modo negativo, enquanto ausência de coerção intencional por terceiros. A partir do momento em que o poder também é entendido como uma relação — e não apenas como uma capacidade pré-relacional de uma entidade a que chamamos indivíduo— o quadro conceptual do liberalismo ortodoxo deixa de fazer sentido. O indivíduo existe sempre num contexto que o precede, o que inviabiliza um dos pilares do liberalismo: a ideia de que o vínculo social pode ser entendido segundo um modelo contratual entre indivíduos. E isto tem implicações políticas significativas, desde logo porque remete a tese de que o mercado é o reino da liberdade para o reino da fantasia.
Tomei conhecimento há minutos do conteúdo da manchete d' O Sol de hoje.
A minha conclusão é que qualquer pretexto é bom para manter sob escuta o Primeiro-Ministro, uma situação a que o país parece resignar-se com bonomia.
Se me permitem, sugiro que os respectivos relatórios sejam directamente enviados para a Assembleia da República ao cuidado do Dr. Pacheco Pereira que, como na 5ª feira se pôde ver, está em condições de fazer deles muito melhor aproveitamento do que O Sol.

online